Não resta dúvidas de que aqui no Canadá o tal do network é muito importante. E acho que não poderia ser diferente porque no fundo nós não passamos de ilustres desconhecidos e apesar do governo canadense ter feito um minucioso levantamento sobre as nossas vidas, eles não liberam estas informações para nossos futuros empregadores.
Além do emprego, conhecer pessoas nos ajuda muito nas dificuldades do dia-a-dia. Com uma dica aqui e outra ali, vamos tornando a adaptação muito mais facil e prazeirosa.
O problema é que muitos imigrantes acabam fazendo desta idéia quase uma profissão e perdem mais tempo tentando fazer o network do que efetivamente vivendo as suas vidas.
Como estamos todos "sozinhos em terra distante" muitos bobinhos, como eu, acabam caindo no golpe do Network e sendo usados por pessoas que se fingem de amigos mas que na verdade estão esperando apenas te usar como "trampolim" para conhecer outras pessoas e/ou usar a sua experiência para faciliar suas vidas por aqui.
Em apenas 8 meses já passei por algumas experiências bem desagradáveis que me magoaram profundamente e acabaram me deixando um pouco com o pé atras em relação a novos relacionamentos. Eu fico sempre me perguntando se aquela pessoa simpática e generosa, realmente simpatizou com a minha família ou se está de olho em algo mais que eu ainda não percebi que tenho.
Um dia, desabafando com alguns amigos (estes sim, verdadeiros), eu percebi que esta história do Network é muito mais séria e comum do que eu imaginava. Quase todo mundo com quem conversei já passou por alguma situação parecida e ainda tem muita gente sendo usada por aí: alguns até sabem e não ligam, mas muitos nem imaginam.
Eu já comecei escrever este post varias vezes mas sempre acabo deletando e deixando pra lá. Mas esta semana eu acho que estou meio de saco cheio de gente interesseira e resolvi publicar, rs. Acho tão ridículo e infantil uma pessoa se aproximar de outra só pra conseguir favorecimentos; usar os outros como se fossem objetos e depois sair descartando as pessoas como se fossem lixo.
Eu tenho feito sim o meu network: tenho conhecido muita gente, conversado sobre o Canadá, sobre a nossa profissão, sobre as nossas dificuldades por aqui e sobre muitas outras coisas. Mas é um network quase inconsciente, onde nós conhecemos as pessoas por acaso e nos aproximamos ou não delas dependendo das nossas afinidades.
No nosso network do bem, todo mundo é bem vindo. Não podemos ajudar ninguém a arrumar emprego, nem temos muitas dicas sobre o Canadá, mas ficamos super felizes em dividir o nosso tempo e nossas emoções.
PS: Infelizmente gente interesseira existe há muito tempo. Jimmy Cox já falava deles em 1923, quando escreveu a linda Nobody Knows You When You're Down and Out, que a, também linda, primeira dama francesa interpreta no vídeo aí de baixo.
November 19, 2009
Network do bem
por Marilena às 6:00 PM 8 recados
Marcadores: adaptação, brasileiros
November 16, 2009
Quem me vê assim tão santa dormindo...
... não imagina a peça que eu sou!!!
Todo dia eu faço uma rotininha para as crianças irem dormir e sempre funcionou super bem. Mas já faz algumas semanas que a Helena vem tentando conturbar o ambiente. Na hora de ir pra cama ela sempre reclama que está com fome. Mesmo sabendo que ela jantou bem, agora eu sempre ofereço um danone antes de escovar os dentes e ainda pergunto se ela quer mais alguma coisa depois. Normalmente um danone basta.
Acontece que hoje nós fomos ao Santa Claus Parade e eles estavam exaustos e famintos na hora do jantar. Eu fiz um arroz-feijão básico e um refogado de camarão e as crianças comeram muiiiiito. Na hora da rotina eu perguntei se a Helena queria danone e ela disse que não e ficou por isso.
Mas na hora de ir pra cama, começou a ladainha:
- Mamãe, eu estou com fome!!
- Não Helena, porque vc não comeu antes de escovar os dentes?
- Mas eu estou com fome; ninguem me dá comida. Eu vou dormir com fome? (choramingando).
- Então está bem (irritada), vem aqui na cozinha que vc vai comer!!!
Fui pra cozinha e preparei um pratão de arroz, feijão, camarão e salada de alface com tomate. Como eu ainda não tinha jantado, eu aproveitaria e comeria aquela comida, que segundo eu imaginava ela nem experimentaria.
Ledo engano: a Helena não só experimentou como comeu quase tudo e ainda comeu o resto da salada que seria do Sergio. Tentando ser cínica eu ainda perguntei se ela queria uma frutinha pra completar. Ela olhou para a fruteira e pediu o que???? Uma banana nanica (que aqui são enormes) e comeu inteirinha.
E eu fiquei com o maior carão, sem contar o peso na consciência de quase te-la deixado dormir com fome, rs.
November 14, 2009
Lavagem cerebral
Estou aqui vendo no You Tube o show do Pearl Jam que eu assisti em São Paulo em 2005. Já perdi a conta das vezes que eu ouvi os Cd's dos dois dias de shows que eles fizeram em São Paulo e até hj eu lamento por não ter podido assistir lá no meio da galera.
Mas tenho andado muito feliz ultimamente com esta história da família aprendendo inglês. De uns tempos pra cá as crianças têm se interessado muito por música e como ouvem Pearl Jam desde sempre , eles já estão mais que acostumado com a voz do Eddie Vedder.
Esta semana estamos ouvindo um CD piratex que comprei na Galeria do Rock em São Paulo e que tem uma parte do show acústico que eles fizeram na MTV e mais algumas musicas do The Who gravadas por eles.
Como se nunca tivesse ouvido antes, o Eduardo ficou maravilhado com a versão acústica de Alive e ele quer que eu coloque a música 500 vezes. Já a Helena pede pra ouvir Last Kiss, que eles tambem gravaram. O CD que o PJ lançou este ano já está na cabeça deles e o Edu vive cantando algumas músicas: muito lindo o meu Eddie: e eu nem escolhi o nome dele por isso, rs. E assim eu vou fazendo a cabeça deles, rs.
O que é legal nas crianças é que elas não têm preconceito e se o som as agrada, pronto, elas não estão preocupadas se é música brega, se é música culta ou seja lá o que for. As minha crianças têm ouvido só os poucos Cd's que trouxemos do Brasil e eu não vejo a hora de trazer tudo e dar a eles muitas outras opções.
Dos que trouxemos o Edu gostou muito do Nirvana acústico e vive com My girl na cabeça. Mas simplesmente virou fã do Roberto Carlos. Pois é: nós trouxemos o acústico do Rei, como o Sergio adora dizer, e ele amou. Vive cantando "É proibido fumar" mas já conhece todas as outras e já sabe até as faixas:
- Mamãe, eu quero ouvir a 3 agora. Pula a 4 porque eu não gosto desta música (Detalhes, rs).
Hoje ele estava no carro cantando Jesus Cristo. De repente ele me pergunta como era Jesus Cristo em inglês. E começou cantar:
- Jesus Christ, Jesus Christ, Jesus Christ I'm here!!!
Pronto, estou toda cheia!!!
Goodwill
November 06, 2009
Meia furada: não pode!
November 02, 2009
Vacinação com jeitinho brasileiro
Hoje de manhã nós decidimos ir ao Etobicoke Civic Centre tentar tomar a H1N1, ou pelo menos vacinar o nosso grupo de risco: Helena e Luísa. Chegamos lá mais ou menos umas 11 horas da manhã e entramos na fila. Haviam vários seguranças orientando as pessoas e ficamos sabendo que íamos entrar no prédio, falar com uma enfermeira, receber uma senha para voltar em outro horário para a vacinação.
Em mais ou menos 1 hora nós já tínhamos conversado com a enfermeira e pegado 4 senhas para voltar as duas horas da tarde. Nós bem que tentamos pegar uma senha para o Eduardo já que eles iam vacinar a família inteira mas a enfermeira disse que não podia, que ela tinha que ver a criança, que ele não era do grupo de risco, bla bla bla...
Então o Sergio me deu uma olhada "significativa" e resolvemos que eu ou ele não tomaria a vacina para que o Edu tomasse. Quando estávamos saindo, um segurança que estava ouvindo a nossa conversa com a enfermeira nos falou em off ir buscar o Edu e leva-lo a tarde.
Voltamos às duas com o Edu e eu tentei novamente conversar com uma outra pessoa que estava dando orientações e ela disse que era impossível porque ele não era do grupo de risco e somente crianças abaixo de 5 anos estavam sendo vacinadas. Disse também que apesar de termos 4 senhas somente as meninas iriam tomar a vacina.
Em menos de 30 minutos fomos atendidos novamente e recebemos 4 fichas para preencher; 3 de criança e uma de adulto. Conforme as pessoas terminavam de preencher a ficha já iam entrando na salinha e tomando a vacina. Não preciso dizer que demoramos um certo tempo para preencher tanta ficha, rs.
Quando já estavamos vacinados, o Sergio perguntou o que ele tinha que fazer para receber a vacina. E explicou (jeitinho brasileiro) que eu e as crianças tinhamos ido sozinhos de manhã (meia verdade) e por isso tinhamos só 4 senhas.
A moça pensou um segundo, chamou uma outra pessoa e com aquele tal olhar "significativo" perguntou se não teria uma ficha disponível para o "pai" também ser vacinado. Dalí a pouco volta a moça com uma fichinha verde e Sergio também ganhou sua dose de H1N1 atenuado.
As crianças receberam somente meia dose e então eles recomendam que recebam outra meia dose daqui há 21 dias. A Luísa foi a primeira e nem chorou, ainda mais quando viu um monte de pirulitos para ela escolher. A Helena fez um charminho mas também não chorou e se distraiu com o pirulito. Já o Edu fez a maior choradeira, coisa que nunca tinha feito antes. Infelizmente agora ele entende bem o que está acontecendo e fica com medo. Na segunda dose ele será com certeza o primeiro, rs.
Pra quem mora aqui na região eu acho que é um lugar bom pra se tomar a vacina. Apesar de todo mundo dizer que só quem tem prioridade está sendo vacinado, se vc tem filho com menos de 5 anos prepare-se porque provavelmente vc será vacinado também.
Agora vamos ver as reações nos proximos dias.
Psicologia infantil
November 01, 2009
Nosso primeiro Halloween
Sem dúvida nenhuma esta será sempre uma das datas mais esperadas pelas crianças. Além do divertimento de se fantasiar, coisa que eles adoram; ainda tem os doces, outra paixão.
Na sexta-feira, já entramos em ritmo de Halloween com as comemorações na escola do Edu e na minha escola de inglês. Apesar do tempo horrível, o Edu se divertiu muito na escola com sua fantasia e as brincadeiras, além é claro, de ter chegado em casa com um monte de docinhos.
No dia 31, nós fomos a uma festa de Halloween com várias brincadeiras e DOCES e quando chegamos em casa fizemos o Trick or Treating aqui na nossa vizinhança com alguns amigos.
Eu estava achando que ia ser um fiasco porque não vi nenhuma movimentação pela vizinhança a semana inteira, mas me surpreendi com o número de vizinhos que participaram. O truque é deixar a luz de fora acesa se quiser que as crianças venham pegar os docinhos. Quase todas as casas da rua estavam com a luz acesa e foi muito divertido acompanhar as crianças.
O Sergio e eu nos revezamos, enquanto um acompanhava as crianças o outro ficava em casa distribuindo os doces, assim nós dois pudemos nos divertir.
Uma coisa interessante na escola do Edu foi perceber como algumas pessoas são radicais. Muitos alunos faltaram da aula para não participar da Parade que ia ser feita no pátio da escola. As crianças iam simplesmente desfilar com suas fantasias e se divertir comendo docinhos. Não entra na minha cabeça como uma festa como esta pode ser pecaminosa ou prejudicial.
Ainda que no seu início tenha sido uma festa pagã e que os enfeites das casas tenham temas falando de morte, gato preto, bruxas e coisas assim, não vejo em que isto pode prejudicar a fé ou o comportamento de alguem.
Foi uma brincadeira super divertida e que as crianças vão esperar ansiosas para que tenha de novo!
Agora, o negócio é já começar a pensar no natal porque as lojas já estão cheias de enfeites natalinos. Um pouco cedo na minha opinião, mas tem cada coisa linda!!!
Eu acho que este ano vou fazer minha decoração toda com doces e balinhas porque tenho que dar um fim nesta tonelada de guloseimas que recebemos ontem.
October 30, 2009
Hipocrisia
-Assistir os programinhas da Luciana Gimenes com aquele monte de mulheres fruta semi-nuas, pode.
-Acompanhar o Pânico na TV com a Sabrina Sato e outras amigas em roupas mínimas, pode.
-Não perder um concurso da mulata mais "talentosa" no Caldeirão do Huck, pode.
-Não perder um baile funk e saber todas as coreografias "sensuais", pode.
-"Ficar" com o primeiro fulano que aparece na sua frente na balada, pode.
Agora na faculdade, um ambiente familiar, uma minissaia realmente é inapropriado.
Não estou defendendo a menina. A minissaia era muito curta mesmo. Mas muito curta para ser usada em qualquer lugar. Eu sou absolutamente contra esta "sexualização" que está acontecendo já faz algum tempo, em que se perdeu totalmente o senso do ridículo. As pessoas não sabem mais qual a diferença do sensual para o vulgar.
Eu, que geralmente sou muito liberal, fico horrorizada em ver as roupinhas mínimas que as meninas usam para ir pra "balada". E fico ainda mais horrorizada em ver a idade das meninas com estas roupas. Abomino ver crianças dançando estes funks baixaria e os pais aplaudindo como se fosse a coisa mais linda do mundo.
Mas o que fizeram com a estudante da Uniban foi muito mais do que hipócrita. É vergonhoso ver como os jovens são conservadores. No escurinho, atrás da porta, misturados na multidão pode tudo. Mas no convívio social temos que manter a velha imagem preservada. É exatamente a mesma preocupação que os antigos tinham em relação à imagem das suas filhas: "o que os outros não vão pensar?!".
Será que estes jovens que "apedrejaram" a minissaia da menina realmente podiam atirar a primeira pedra? E eu que pensava que a maioria dos homens gostasse de mulher. Depois as cidades ganham fama e o pessoal reclama, rs.
October 27, 2009
Swine flu: esqueçam as teorias de conspiração
por Marilena às 4:42 PM 15 recados
Marcadores: saúde




