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Questão de segurança

Eu me incomodo muito com essa sensação de insegurança que vivemos constantemente, principalmente depois de ter passado 6 meses nos Estados Unidos. Mesmo com os riscos do terrorismo e todas as revistas pelas quais passávamos sempre que viajávamos, nada se compara ao medo que eu sinto aqui no Brasil. O tempo todo fico pensando no que pode acontecer e como me defender disso. Uma das minhas técnicas agora é deixar o portão aberto quando vou levar e buscar o Edu na escola. Eu sempre ficava imaginando que alguem poderia entrar no carro no momento em que eu descia pra abrir o portão e eu ficava desesperada em deixar as crianças sozinhas no carro neste momento. Sempre que estou voltando de algum lugar, seja noite ou dia, me preocupo em olhar se tem alguem na rua, se vejo algo estranho, fico olhando atrás dos carros, da caçamba da construção, essas coisas de neurótica.
Quando o Sergio viaja eu passo o dia todo preocupada e logo ao anoitecer tranco todas as porta e vou várias vezes ao quarto das crianças ver se está tudo bem, fora que não deixo o cachorro em paz pois fico chamando-o o tempo todo com medo que alguem o mate pra entrar em casa. na sua última viagem eu fiquei rezando para que os pedreiros da obra aqui ao lado dormissem na obra. Não que eu confie neles (risos) mas me senti bem mais segura sabendo que tinha alguem por perto caso eu precisasse de ajuda.
No trânsito fico o tempo todo olhando pra todos os lados sempre procurando pelo meliante que vai me atacar e fico desesperada em pensar em alguem me mandando sair do carro e deixar as crianças. É bem verdade que dificilmente alguem em sã consciencia iria roubar um carro com duas crianças pequenas dentro mas quem disse que um bandido tem consciência?
E todas essas coisas me fazem muito mal principalmente quando eu me lembro que em Atlanta nós andávamos pela rua tranquilamente independente do horário e não sentíamos medo algum. O carro podia ficar aberto nos estacionamentos que ninguem roubava nada. Alguns parques tinham até brinquedos (carrinhos, baldinhos, caminhões) que ficavam a disposição da criança que quisesse brincar e ninguem levava embora e nem mesmo estragava-os. O ziper da bolsa era fechado somente pra que as coisas não caíssem dela e em um passeio dava pra se preocupar apenas em se divertir.
Aqui no Brasil nós nos acostumamos tanto com essa sensação de insegurança que várias paranóias passam a fazer parte da nossa rotina assim como escovar os dentes de manhã. Nós nos tornamos escravos desses pequenos rituais e mesmo quando estamos seguros os repetimos automaticamente.
Então me diverti muito com o Sergio em Atlanta:
- averiguando várias vezes se a porta do quarto do hotel estava trancada ( era daquelas que se trancam quando fecha).
- verificando se o carro estava trancado e se todas as portas tinham realmente se fechado.
- E perguntando: onde esta sua bolsa? esta fechada? cadê a maquina fotografica? E a sua carteira?
-Na lavanderia do hotel ele demorou a se acostumar a deixar as roupas lavando e ir fazer outra coisa. Até as janelas ele olhava pra ver se eu nao tinha deixado abertas e estávamos no quarto andar.
O bom disso foi que quando voltamos pro Brasil ele não teve que se readaptar; entrou na neurose com a maior facilidade e continuamos bringando quando ele me pergunta dez vezes se eu tranquei a porta e pra comprovar vai e gira a maçaneta 3 vezes com bastante força pra ter certeza!