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11 de setembro

Colunas de luz em NYC encerram as homenagens aos 5 anos dos atentados
(foto tirada da página da UOL)

No dia 11 de setembro não dá muito pra falar de outra coisa que não sejam os atentados de 5 anos atrás. Me lembro que no dia eu estava trabalhando e fiquei muito assustada com o que estava vendo pela internet. Quando cheguei em casa fiquei a tarde inteira na frente da tv, vendo e revendo as imagens e ainda assim não conseguia acreditar. Fiquei muito espantada de ver que muitas pessoas que trabalhavam comigo continuaram suas atividades normalmente como se nada estivesse acontecendo.
Nos seis meses em que estivemos nos Estados Unidos tivemos uma certa idéia de como aqueles ataques mexeram com a vida daquelas pessoas e não tem como você não se contagiar pela sensação de medo de que alguma coisa volte a acontecer. Em muitas ocasiões vc olha pro lado e fica pensando se aquele inofensivo senhor ou aquela simpática senhora não são na verdade perigosos terroristas que vão se explodir ali, exatamente ao seu lado e vc não vai ter como se defender.
Quando nós visitamos a Stone Mountain que fica proximo de Atlanta, nós subimos a pedra de bondinho e tinha um cara muito esquisito no bondinho que ficava olhando pra todo mundo que estava com a gente. Pode ser que ele estivesse tentando ver se um de nós não seria um perigoso terrorista, talvez estivesse com mais medo que eu. Na dúvida, tratei de ficar bem longe dele e tomei o cuidado de ver se ele não estava na hora de pegar o bondinho de volta.
Em New York a neurose é ainda pior. Da mesma forma que a gente fica olhando pra todo mundo com uma certa desconfiança, todo mundo olha pra vc também com o mesmo pensamento. Nos aeroportos e nos locais turísticos, principalmente em New York, acontece o que eu e o Sergio chamávamos de "põe e tira". Estávamos no inverno o que quer dizer que estávamos sempre cheios de casacos, luvas, cachecol, blusas, botas... e em todo lugar tinhamos que tirar tudo para a revista e depois colocar tudo de novo. Já dá pra imaginar o trabalho e a demora que era, né? Sem contar que o Dudu tinha apenas 1 aninho e tinha que tirar tudo tb. Na ida pra New York eu esqueci uma tesourinha inofensiva dentro da farmacinha que levo pro Dudu. Pois foi detectada no raio X e lá se foi a minha tesourinha tão prática pra cortar unha de criança. O moço que a pegou me pediu desculpas várias vezes e parecia que estava lamentando muito mesmo mas de verdade eu fiquei até feliz e me senti ainda mais segura.
Hj acho que está data deve ser usada por nós pra nos questionar a respeito do nosso próprio comportamento, do quanto estamos cada vez mais intolerantes e preconceituosos. Como temos dificuldade em aceitar o diferente: o que torce pra outro time, que vota em outro candidato, que frequenta outra igreja, que gosta de outro tipo de música, que tem outro estilo de vida.
Minha ida aos Estados Unidos me ajudou muito neste sentido. Pelo menos eu consegui enxergar alguns preconceitos que eu tenho e que acabavam ficando escondidos nos discurso que repetimos o tempo todo. Aprendi muitas coisas com os americanos e com o estilo de vida deles.
Em um post anterior eu reclamei do Brasil e de sua falta de segurança e disse o quanto me incomoda não me sentir segura aqui. Pode parecer contraditório ou estranho, mas com todos os riscos de terrorismo e toda a sensação de que algo pode acontecer a qualquer momento, eu ainda acho que os Estados Unidos é muito mais seguro que o Brasil.
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