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Que menina de sorte

Estava eu revendo histórias de partos e me lembrando da minha experiência nesta área e pensando em como não posso reclamar da vida.
A gestação do eduardo foi muito tranquila mesmo tendo transcorrido em paralelo ao término do meu mestrado. Entre uma consulta e outra no obstetra eu qualifiquei e comecei escrever a tese; após a ginástica pra gestante e a yoga dava um pulinho no laboratório pra fazer aquele ensaio de última hora e/ou brigar com o orientador, risos.
15 dias antes do Dudu nascer eu defendi a minha tese e por uma feliz coincidência meu obstetra estava na sala ao lado, em uma aula do mestrado dele. Uma tranquilidade!
O parto demorou um pouco mas tb foi tranquilo. Marcamos a indução do parto para um domingo (14 de dezembro) pois eu já tinha completado 40 semanas, tinha dilatação, O bebê estava encaixado mas não estava a fim de sair. Então, num maravilhoso domingo de manhã me internei e começamos a indução que acabou demorando quase 8 horas até que realmente entrei em trabalho de parto. Enquanto eu me contorcia de dor, o médico e meu amado marido conversavam animadamente sobre planos de previdência privada. Ainda me lembro do médico dizendo que se ele morresse a esposa e filha ficariam desamparadas e eu querendo bater nele. Quando pensei que eles já tinham esquecido que eu estava ali, os dois perceberam meu sofrimento e o médico resolveu chamar o anestesista (que estava tomando café e eu morrendo de dor e de fome). Ver o anestesista entrando foi a segunda maior alegria do dia e enquanto ele explicava o que ia acontecer e o que eu ia sentir durante a anestesia eu só pensava: "faça o que quiser mas resolva o meu problema". Em poucos minutos eu estava sem dor mas tb sem contrações o que nos levou a achar que teríamos que fazer uma cesária. Graças a deus que aumentando um pouco a injeção de oxitocina as contrações voltaram. De repente aquele agradável quarto de hospital se transformou em uma sala cheia de aparelhos, instrumentos e eu me vi naquela posição "super confortável" e constrangedora. Mas o Dudu não estava mesmo a fim de cooperar e além de fazer muita força ainda precisei da ajuda do anestesista que deixou marcadas na minha barriga as suas duas mãos em forma de mancha roxa. Às 16:35 o Eduardo nasceu com os olhinhos muito abertos e dois fiozinhos de cabelo loiro.
Na gravidez da Helena a tranquilidade foi a mesma com a diferença que não tive o estresse do mestrado. Ela até me acompanhou ao pacaembu pra ver o show do Pearl Jam; isso já entrando no oitavo mês de gravidez e com um marido e um médico preocupados.
Pra facilitar, já haviamos marcado a indução do parto pro dia 28 de janeiro quando a gestação completaria 40 semanas. A Helena, entretanto resolveu mudar os nossos planos! No dia 17 de janeiro fui ao consultório médico fazer uma consulta de rotina e o médico percebeu uma desaceleração no coraçãozinho dela. Aparentemente não era nada grave mas pra não termos surpresas fomos pra maternidade realizar um exame. O exame foi rápido e o resultado foi normal mas ali mesmo eu já comecei a ter contrações. Ficamos na maior dúvida se eu devia ou não me internar e ficamos meio sem saber o que fazer. O médico deixou a decisão nas nossas mãos e eu morrendo de medo de ter que no meio da madrugada correr pra maternidade; já eram quase 23 horas. Como eu não estava conseguindo me decidir, a Helena resolveu decidir ela mesma e eu comecei a sentir algumas dores e um aumento na frequência das contrações. Já passava das 23 horas quando eu me internei e o Sergio foi pra casa buscar as malas que eu nem tinha terminado de arrumar. Foi a maior correria porque o Sergio ainda teve que procurar algumas coisas da listinha que fiz na hora que ele estava saindo. Nesta correria o Sergio acabou tendo que dormir sem pijama na primeira noite. Eu só sei que o médico pediu pra que eu ligasse pro Sergio pra ver onde ele estava porque a Helena estava mesmo com pressa. O Sergio mal chegou na sala e já teve que sair pra eu tomar a anestesia. Tudo muito rápido! Não me lembro de quantas contrações eu tive antes da anestesia mas me lembro bem que no momento que o anestesista se preparava pra iniciar o procedimento tive uma contração tão forte que deixei marcado o braço da obstetriz que estava na minha frente pra ajudar o anestesista.
E de repente estava eu de novo naquela sala de procedimento e naquela posição horrorosa com 500 pessoas me olhando e esperando. Mas ninguem teve que esperar muito porque bastou eu fazer força uma só vez e a Helena nasceu, à 1:45 da manhã. Até me assustei com a rapidez, com a facilidade e com a quantidade de cabelo que ela tinha. Um mundo de cabelo preto e comprido!
Com essas duas experiências eu só posso estar mesmo animada pra tentar um terceiro filho! Nem bem a Helena nasceu e eu já estou com saudades do meu barrigão, das longas consultas com nosso obstetra, daquela sensação deliciosa que dá quando o bebê se mexe... espero continuar sendo essa menina de sorte pra ter uma história boa pra contar do meu terceiro e talvez último parto!