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Showing posts from November, 2006

Arte no cemitério

Somente quando entrei na faculdade é que vim conhecer a zona oeste da cidade de São Paulo. Nas duas horas dentro do ônibus que me levava de casa até a faculdade eu passava por nada menos que 4 cemitérios. Confesso que sempre gostei de cemitérios e gosto da sensação de tranquilidade que se tem dentro deles (coisa difícil na cidade de São Paulo).

Uma coisa que sempre chamava a minha atenção era o cemitério São Paulo que fica na Cardeal Arco Verde. Como pegava muito transito nesta rua levava quase uma hora pra passar pelo cemitério e podia ficar olhando os detalhes de alguns túmulos mais altos ou o muro todo branco e sempre recem pintado dele.

Nos seis anos de curso a imagem era sempre muito parecida: um dia o muro branquinho, no dia seguinte o muro todo pichado.

Após alguns anos sem passar por lá qual não foi a minha surpresa ao ver que parece que o problema está sendo resolvido! A princípio parece que a Prefeitura lançou em maio de 2005 uma campanha pra acabar com as pichações e a propost…

A escrava do beija-flor

Muita gente coloca aquela aguinha com açucar pro beija-flor no seu jardim, e apesar de muita gente discordar, o fato é que eles adoram! Em geral, coloca-se aquele bebedouro cheio de florzinhas de plástico pendurado em um galho ou suporte e em pouco tempo os beija-flores encontram e tomam conta.

Como tem muitos passarinhos por aqui além do beija-flor eu resolvi colocar o bebedouro sobre a caixinha do correio e democratizei a aguinha com todo mundo (porque só o beija-flor consegue beber sem pousar).

Não demorou muito para a minha primavera ficar cheia de pássaros fazendo fila pra ir ao bebedouro e aquele bichinho tão lindo e inofensivo chamado beija-flor, começar a mostrar sua verdadeira face. Basta um passarinho se aproximar e do nada um beija-flor aparece a toda velocidade pra demarcar o seu território. Não sei bem o que eles fazem mas seja o que for afasta os passarinhos. E o beija-flor nao para por ai, mesmo o intruso tendo se afastado ele fica de guarda nos fios.

Até entre os própr…

Aprendendo coisas novas III

A cada dia me surpreendo mais com as crianças e agora que o Edu fala pelos cotovelos eu tenho me surpreendido comigo também! Explico: o Edu repete tudo o que falo; todas as expressões, as figuras de linguagem, coisas que eu falo e nem me dou conta; ou melhor, nem me dava conta porque agora ele repete.

Hoje, ele estava brincando na sala e a Helena chegou igual a um furacão e desmontou tudo o que ele tinha feito. Ele ficou bravo, pegou tudo e veio até mim dizendo:

- Mamãe, não é fácil!

E eu:

- O que não é fácil?

- A Helena. A Helena não é fácil! A Helena é fogo!

Meu deus, mas quem fala isso sou eu!!! Esse menino é fogo mesmo!

Outro dia a Helena estava espalhando todos os brinquedos e o Dudu sai com essa:

- Ai minha nossa senhora! Olha o que vc esta fazendo? Para com isso!

E quando alguma coisa dá errado:

- Caraca, caiu tudo!

Parece que eu não falo palavrão. Pelo menos ele ainda não falou nenhum!

Edu e sua virose

Todo mundo critica os médicos por causa dessa história de virose: basta algum médico falar em virose pra todo mundo achar que ele nao sabe o que a pessoa tem. Pois com o Edu eu acabei concordando com o pediatra.

Ele examinou o Eduardo de cima abaixo; olhou; olhou de novo e não deu pra concluir nada. A suspeita inicial era escarlatina. Eu pesquisei na internet os sintomas e não achei que o quadro do Edu reproduzisse o que vi. Pois o médico acabou achando a mesma coisa. Apesar de estar todo pintandinho e com febre o Eduardo não tinha sintomas de infecção por bactéria. Pra tirar a dúvida o pediatra pediu um teste para Streptococcus do grupo A. Se o resultado fosse positivo pra presença desta bactéria estaria confirmada a escarlatina e o médico até receitou o antibiótico. Mas o resultado foi negativo e só sobraram os vilões do momento: os vírus.

Em nenhum momento o médico usou a palavra virose. As pessoas têm tanto preconceito em relação a esta palavra que os médicos até evitam usá-la. Ent…

Que mês!

Não bastasse a viagem frustrada, a gravidez perdida, a Helena com uma alegia que não passa nunca e o Sergio com tontura: agora foi a vez do Eduardo.

Na segunda feira o Edu amanheceu com febre. Como ele tinha alguns sintomas de gripe e eu sei o que o médico fala nestes casos, nem me preocupei em ligar: fiquei esperando pra ver a evolução. É claro que evoluiu no feriado e ontem ele amanheceu com o corpo todo cheio de manchas vermelhas. Liguei pro pediatra e este me disse que pode ser escarlatina. Pediu pra observá-lo e se a febre persistisse e as manchas tb que eu o levasse ao consultório hj.

Bem, já estou me preparando pra sair... não só a febre continua como o corpo está ainda mais manchadinho. O engraçado vai ser levá-lo ao pediatra com a Helena a tira-colo. Já estou imaginando a cena mas vou deixar pra descrevê-la quando voltar da consulta. Por enquanto estou aqui só esperando a secretária chegar pra pedir o meu "encaixe".

Triste sim, infeliz não

Acho que só agora, uma semana após a perda do meu "bebê" é que consigo pensar com tranquilidade em tudo o que aconteceu. Acho que o aborto em si não foi tão traumático. Eu tenho consciência de que é uma coisa relativamente comum e se não tivesse descoberto a gravidez tão no início muito provavelmente nem ficaria sabendo que o aborto ocorreu.

O que mais me chateou mesmo foi a reação das pessoas. Alguns reagiram negando e tratando como se a gravidez nunca houvesse existido: se não teve gravidez, tb nao teve aborto e assim não tem porque ficar triste. A maioria entretanto reagiu não falando sobre o assunto. Cada vez que eu começava a falar do que estava acontecendo a conversa era desviada pra outra coisa e o assunto morria.

Foi difícil: eu sentia tanta vontade de conversar, de contar a hisórinha desde o começo pra ver se me sentia melhor e não encontrei ninguem pra ouvir. Ao invés disso cada um me trouxe seus próprios problemas e suas historias e eu acabei me sentindo super sozi…

Casa sem terra

Eu fui criada em um quintal com jardim e muita terra pra brincar. Fazíamos comidinha com folhinhas, terra e água e apesar da sujeira era muito divertido.

Infelizmente a casa onde moro hj não tem lugar pra terra. Consegui a muito custo fazer um minúsculo jardim que não chega a ter 1 m2 e nele tenho uma primavera e uma outra arvorezinha de pequeno porte e só. Não cabe mais nada.

Estes dias o Edu ganhou um kit jardim com um pequeno regador, duas pazinhas e uma tesoura e eu expliquei que era pra brincar na terra e plantar. Eu prometi que vou levá-lo a um lugar com terra pra ele brincar e me distrai com outra coisa.

Qual não foi minha surpresa quando o vi brincando com o kit jardim na minha sala fingindo que estava plantando as florzinhas do meu tapete. Achei o máximo o exercício de imaginação dele mas ao mesmo tempo fiquei morrendo de dó de ve-lo ali, plantando aquelas flores de mentira.

Pra melhorar o divertimento dele, coloquei água em um balde e deixei-o aguar minhas plantas com o regado…

Uma esmolinha por favor

Já estou mais do que acostumada com todo tipo de gente batendo no meu portão pra pedir alguma coisa: são instituições de velhinhos, deficientes, crianças abandonadas e pessoas com milhões de doenças ou problemas familiares, vendendo os mais variados produtos e histórias que merecem premios pela criatividade.

É verdade que algumas pessoas são tão convincentes que a gente acaba cedendo como uma senhora que chorava copiosamente pedindo uma ajuda pra comprar o quimioterápico para o tratamento do seu cancer de útero. A história dela nem era tão verossímel mas as lágrimas me comoveram pela quantidade e eu dei uma ajuda a ela.

Outro caso interessante foi de um homem acompanhado de duas crianças que me pediu uma panela velha. PANELA VELHA??? Fiquei curiosa em qual seria o golpe e deixei-o contar sua história: " moça, o padre da igreja me deu uma cesta básica mas eu nao tenho panela pra cozinhar as coisas". Muita gente disse que ele queria o alumínio pra vender e que eu fui enganada, m…

A multiplicação dos brinquedos

Algumas pessoas criticam a mim e ao Sergio pela quantidade de brinquedos que as crianças têm. Outros reclamam que não deixamos opções pra presentearem os nossos filhos. Eu não sei, talvez a nossa filosofia esteja errada mas gosto de oferecer a eles todas as possibilidades de desenvolvimento e sempre procuro coisas novas que possam de alguma maneira desenvolver uma habilidade. Alem dos brinquedos didáticos, tb tentamos comprar alguns eletrônicos e pro Edu em especial muitos carrinhos porque ele adora, principalmente os caminhões e tratores.

O fato é que, também por filosofia nossa, todos os brinquedos ficam na sala e ao alcance dos dois. Eu tento ensiná-los a brincar com uma coisa de cada vez e a guardar um antes de começar a brincar com outro, mas nem sempre isso funciona e agora com a Helena engatinhando a toda velocidade e sem nenhuma responsabilidade a baderna fica completa.

Pra tentar conter um pouco a bagunça generalizada bem na sala de visitas eu comprei varias caixinhas e cestin…

O mistério das meias perdidas

Em uma casa com duas crianças e uma mãe que andam de meia o dia inteiro já dá pra imaginar que boa parte das roupa suja é composta por meias: são meinhas de vários tamanhos e em geral muito sujinhas porque nós tres andamos com elas o dia todo.

O grande mistério desta história é que entram no cesto de roupa suja vários pares de meias todos os dias e sempre um pé fica perdido naquele buraco negro entre o cesto e a máquina de lavar roupa. No momento de por pé com pé sempre sobram vários pezinhos avulsos e muitas vezes nunca mais aparece seu parzinho.

Pra tentar diminuir a confusão de pezinhos solitários espalhados pelos armários tenho colocado todas as meias em uma caixa assim que as tiro do varal e ja vou separando os parzinhos e amarrando juntos pra não se perderam. As meias avulsas que sobram continuam na caixa na esperança de que na próxima leva de meias limpas seu par apareça.

Muitos desaparecem pra sempre sem deixar nenhum vestígio e eu fico imaginando em que momento aquele pezinho s…

Aprendendo coisas novas

É impressionante como as crianças aprendem rapidamente as coisas. Em uma semana não só a Helena aprendeu a engatinhar como já circula pela casa inteira e já tem objetivos: sabe onde é a porta da cozinha e do banheiro.

Se encontra a porta da cozinha aberta vai correndo mexer no cachorro que chora pelos "maus tratos" mas não a morde nem vai embora.

Se é a porta do banheiro que encontra aberta vai direto no papel higiênico e ja sabe ir puxando e desenrolando tudo.

Outra coisa muito engraçada é que ela aprendeu que pode usar a boca pra carregar objetos. Se esta com alguma coisa na mão e resolve ir pra algum lugar mas quer levar o "brinquedo" consigo, coloca o brinquedo na boca e vai engatinhando até o objetivo. Uma graça!

Falando de perto!

Quase todo dia o Sergio me manda um e-mail do trabalho comentando sobre uma senhora que pega o ônibus fretado com ele. Como ele não costuma reclamar muito das pessoas eu imagino que a mulher deva ser muito chata. Um dia ela reclama que ele, ao falar bom dia, a assustou; outro dia ela reclamou que ficou na chuva porque ele parou na porta do ônibus e demorou pra entrar ( o detalhe é que a moça que estava na frente dele ficou conversando com o motorista). Se o ônibus atrasa 15 segundos ela já reclama que o ônibus passou mais cedo e que agora vai chegar atrasada no trabalho. Um dia reclamou com o coordenador do ônibus que no dia anterior ela dormiu e o motorista a deixou perder o ponto. Sem contar que vai conversando com a pessoa que estiver a seu lado o caminho inteiro. Toda manhã eu ja fico esperando por uma história desta reclamadora compulsiva!

E eu fico me lembrando dos milhões de histórias engraçadas que todo mundo tem quando pega ônibus diariamente.

Na época da faculdade eu chegava …

Vontade de criança

Assim como detesto aquela história de que mulher grávida não pode passar vontade, também detesto aquelas crianças que não podem ver ninguem comendo nada que já fica pedindo. E pior ainda aqueles pais que incentivam isso e pedem "um pedacinho pra matar a bicha".
Certa vez, voltando da faculdade em pleno sábado, tendo saído de casa as 6:00 horas da manhã só com um copo de leite, enquanto esperava o ônibus pra voltar pra casa, quase 2 da tarde, comprei um chocolate do camelô. O chocolate mais simples e barato que tinha. Pois mal abri o chocolate e já apareceu um menino: "mãe, eu quero chocolate". O menino já devia ter uns 5 anos e não era nenhum pobrezinho que nao pudesse gastar 1 real no chocolate. Eu me fingi de morta e a mãe veio na maior cara de pau: "vc poderia dar um pedacinho pra ele porque senao ele vai ficar com bicha." Eu fiquei furiosa porque estava morrendo de fome, cansada, o ônibus demorando horrores, em pé ha um tempão... Peguei uma nota de R$…

Começar de novo

No dia da viagem frustrada pra gramado eu fiz um teste de gravidez e deu positivo. Esta notícia foi a que salvou aquele dia tão atribulado e frustrante. Ficamos super felizes com a novidade e já começamos a planejar como seriam as coisas agora com três crianças. Infelizmente na segunda feira eu tive um sangramento e na ultrassonografia verificamos um saco gestacional sem embrião no seu interior. O médico sugeriu que eu repetisse a ultra-sonografia na próxima semana mas acha que realmente não estou mais grávida. Hj, eu mesma tenho certeza que não estou mais grávida mesmo porque tive o que eu diria ser um ciclo menstrual normal esta semana mas resolvi que ainda assim quero repetir a ultra-sonografia a semana que vem. Não gosto de situações indefinidas e que deem margem a dúvidas. pra virar esta pagina quero ver o meu útero vazio e ficar tranquila pra recomeçar.

Com toda esta situação eu acabei abandonando um pouco o blog e até parando pra pensar em como eu e o Sergio fazemos as coisas. P…

Frustração

Como estou muito frustrada hj resolvi não tecer nenhuma opinião a respeito da nossa aventura de hoje:

Como temos trabalhado muito eu e o Sergio resolvemos ir pra Gramado neste final de semana prolongado. Há mais ou menos um mês estamos planejando esta viagem e alem das passagens aereas, os hoteis (Gramado e Porto Alegre) e o carro em Porto Alegre já tinham sido reservados. Hj levantamos 4 horas da manhã, pra sair de casa as 5 e chegar ao aeroporto as 5:30 e fazer o check in do avião que sairia as 6:30. Tudo perfeito até chegarmos à sala de embarque e vermos que além de lotada não havia previsão para as saídas dos voos. Nós conversamos um pouco e resolvemos que esperaríamos até no máximo as 11 horas mas conforme o tempo foi passando nós fomos percebendo que as crianças não aguentariam tanto. Já passava das 7:30 quando a companhia aérea nos chamou pra conversar e ficamos sabendo que o "nosso avião" tinha saído esta manhã do Rio de Janeiro e estava chegando ao seu destino que er…