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Falando de perto!

Quase todo dia o Sergio me manda um e-mail do trabalho comentando sobre uma senhora que pega o ônibus fretado com ele. Como ele não costuma reclamar muito das pessoas eu imagino que a mulher deva ser muito chata. Um dia ela reclama que ele, ao falar bom dia, a assustou; outro dia ela reclamou que ficou na chuva porque ele parou na porta do ônibus e demorou pra entrar ( o detalhe é que a moça que estava na frente dele ficou conversando com o motorista). Se o ônibus atrasa 15 segundos ela já reclama que o ônibus passou mais cedo e que agora vai chegar atrasada no trabalho. Um dia reclamou com o coordenador do ônibus que no dia anterior ela dormiu e o motorista a deixou perder o ponto. Sem contar que vai conversando com a pessoa que estiver a seu lado o caminho inteiro. Toda manhã eu ja fico esperando por uma história desta reclamadora compulsiva!

E eu fico me lembrando dos milhões de histórias engraçadas que todo mundo tem quando pega ônibus diariamente.

Na época da faculdade eu chegava em Santana depois da meia noite e ainda tinha que pegar outro ônibus. E não tem como não fazer amizade com aquelas pessoas que todo dia pegam o mesmo ônibus que vc naquele horário.

Uma destas pessoas que conheci era um cara meio estranho que estudava direito, morava com uma mulher e fazia questão de dizer que não eram "casados no papel" e todo dia quando eu chegava ele já estava lá como primeiro da fila. Pra minha sorte ou azar, invariavelmente eu era a segunda e não demorou muito pra começarmos a conversar enquanto esperávamos o "busao".

Não sei bem o porque mas eu não tinha muitos assuntos a tratar com aquele moço e me incomodavam duas manias que ele tinha:

Primeiro que ele conversava segurando o meu braço. Eu disfarçava, me desvencilhava dele mas logo em seguida estava ele segurando meu braço novamente.

Pior que isso era ele ir se aproximando do interlocutor durante a conversa. Ele chegava tão perto que dava pra sentir o halito quente da boca dele. Ele nem tinha problema de mau halito mas eu detestava ter uma pessoa quase encostando os labios em mim enquanto falava. O que acabava acontecendo era que eu ia me afastando e ele se aproximando e em poucos minutos nós ja tinhamos saído do ponto e toda a fila ia nos acompanhando. Era até engraçado.

Estas coisas me chamavam tanto a atenção que eu não conseguia prestar atenção no que ele dizia e devia parecer meio boba falando em monossilabos e com cara de riso. Pra completar ele entrava no ônibus e se sentava ao meu lado e ia falando até o ponto onde ele descia ( dois antes do meu) e sempre se aproximando pra falar. Eu ia me afastando e ele só não se sentava no meu colo porque eu colocava os meus livrões da faculdade entre a gente.

Só que apesar destas características nada agradáveis a mim, ele não era uma má pessoa e eu não sabia como dizer que àquela hora eu queria entrar no ônibus, dormir e esperar o cobrador me avisar que meu ponto era o próximo ( serviço este que o cobrador se ofereceu pra fazer sem que eu pedisse).

E esta historia perdurou por quase um ano e eu fui pegando antipatia pelo tal rapaz. Até que certa vez me atrasei de propósito e cheguei quando o ônibus já estava saindo. Me sentei, abri um livro da faculdade e fingi que estava lendo e em seguida encostei no vidro e dormi. Depois deste dia perdi o meu amigo para sempre!!! nunca mais falou comigo mas ganhei ótimos momento de divertimento naquele ponto de ônibus. Em pouco tempo ele fez amizade com outra mocinha que como eu voltava da faculdade naquele horário. Eu já nem entrava na fila e ficava do outro lado da rua, sentada em um banco, observando a moça tentando soltar o braço que ele segurava e a fila acompanhando os dois enquanto ela tentava se afastar dele.