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Uma esmolinha por favor

Já estou mais do que acostumada com todo tipo de gente batendo no meu portão pra pedir alguma coisa: são instituições de velhinhos, deficientes, crianças abandonadas e pessoas com milhões de doenças ou problemas familiares, vendendo os mais variados produtos e histórias que merecem premios pela criatividade.

É verdade que algumas pessoas são tão convincentes que a gente acaba cedendo como uma senhora que chorava copiosamente pedindo uma ajuda pra comprar o quimioterápico para o tratamento do seu cancer de útero. A história dela nem era tão verossímel mas as lágrimas me comoveram pela quantidade e eu dei uma ajuda a ela.

Outro caso interessante foi de um homem acompanhado de duas crianças que me pediu uma panela velha. PANELA VELHA??? Fiquei curiosa em qual seria o golpe e deixei-o contar sua história: " moça, o padre da igreja me deu uma cesta básica mas eu nao tenho panela pra cozinhar as coisas". Muita gente disse que ele queria o alumínio pra vender e que eu fui enganada, mas achei a história bem inventada e até verossímel porque do que adianta ganhar um pacote de arroz e feijao se vc nao tiver onde cozinhar? Pra sorte dele eu tinha algumas panelas prontas para serem dadas e ele ganhou duas: uma panelinha e um caneçao pra esquentar água.
Mas hj o cara que bateu no meu portão veio com uma história totalmente nova pra mim. Um mocinho bem vestido e muito educado pediu um instante do meu tempo. Mesmo tendo dito que estava ocupada ( o que era verdade) ele insistiu em me dizer que faz parte de uma instituição de ajuda internacional e que estava pedindo donativos. Ainda me perguntou se eu entendia espanhol e pelo jeito a ajuda seria pra mandar pra fora do país. Será que eu entendi direito?

Era só essa que me faltava: agora até estrangeiro está tentando tirar proveito da onda de mendicância.