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O tombo no ponto de ônibus

Doofus Eu sempre fui super desastrada. Quando adolescente parecia que meus braços e pernas tinham ganchos que saiam enroscando em tudo; a adolescência passou mas continuo meio desastrada.

Certa vez, quando ainda namorava com o Sergio e nenhum dos dois tinha carro, marcamos de nos encontrar no metrô. Eu fui toda arrumadinha com um jumper de lã todo justinho e curto e como estava muito frio coloquei duas meias finas: uma da cor da pele e preta por cima.

Nem me lembro onde fomos, mas no retorno ele me levou até a minha estação do metrô e eu fui sozinha para o ponto de ônibus. Quando sai do metrô vi meu ônibus no ponto e sai correndo para não perde-lo: em São Paulo, perder o ônibus num domingo é garantia de horas de espera por um outro ônibus.

Nesta correria desabalada, já bem pertinho do ponto eu pisei em falso e cai de quatro: ralei os dois joelhos que ficaram sangrando, desfiei as duas meias completamente e fiquei com as palmas das mãos arranhadas.

Naquele misto de vergonha e medo de perder o ônibus me levantei depressa e pensei: "agora entro no ônibus e ninguem vai nem perceber". Fui rapidinho até a porta do dito cujo e qual não foi minha surpresa quando vi que aquele na verdade não era o meu ônibus; era um ônibus de outro ponto parado alí só esperando o ponto dele desocupar.

Acho que nunca quis tanto um buraco no chão pra entrar dentro. Fiquei alí, parada, meia toda desfiada, joelho sangrando, palmas das mãos ardendo e todo mundo me olhando. As vezes passava uma alma caridosa e perguntava se eu precisava de ajuda ou se queria ir na farmácia fazer um curativo.

- Não, obrigada. Eu só queria um buraco pra me esconder enquanto espero o meu ônibus.