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Aprendendo a dar valor ao que realmente importa

Ontem passei um dia terrível! Recebi a notícia do falecimento do Vinícius que vinha lutando contra a leucemia desde fevereiro. Li todo o blog da Renata onde está descrita toda a vida do Vini e fiquei aqui chorando esta perda. O que mais me emocionou foi a força desta mãe, seu otimismo e generosidade. Mesmo em momentos tão difíceis da sua vida ela ainda teve cabeça pra se preocupar com os outros.

Escrevi para o Sergio desesperada por causa daquela sensação de medo de que algo ruim acontecesse com nossos filhos e ele com sua praticidade me respondeu:

-Bom, quanto a doença dos filhos não tem jeito. Basta viver para correr riscos! Só que temos duas opções na vida, ou desencana disso e sofre muito depois na hora se acontecer alguma coisa ou fica a vida inteira sofrendo um pouquinho e depois se acontecer alguma coisa, sofre muito mesma coisa.

E ele tem toda razão. Nós dois tivemos pais que sempre se preparavam para o pior. O pai do Sergio era super protetor e para que eles não corressem riscos ele acabava não permitindo certas vivências deles. Já minha mãe tem muito medo de sofrer se as coisas derem errado, então sempre pensa no lado negativo das coisas. Nós sempre conversamos (eu e o sergio) muito sobre isso e tentamos fazer diferente na nossa vida.

Por exemplo na gravidez a gente já conta pra todo mundo assim que fica sabendo e faz planos pra vida inteira da criança. É bem verdade que quando minha gravidez foi interrompida em novembro eu fiquei muito mal. Talvez se não tivesse criado tantas expectativas teria sido mais facil, mas eu penso na alegria que foram aquelas semanas em que estávamos grávidos e o quanto curtimos aqueles momentos. Acho que valeu a pena e fizemos tudo igual agora na gravidez da Luisa.

Depois de ter falado com o Sergio me dei conta de quão a vida tem sido generosa comigo. Passei o resto da manhã com a Helena, brincando, beijando, mimando e a tarde inteira com meus dois bebezinhos. Fizemos muita bagunça e ficamos o tempo todo juntos. Também acariciei muito a minha Luisa, não a deixei em paz a tarde toda.

Fico pensando em como somos seres estranhos: quando estamos com quem amamos, em geral perdemos tempo com coisas pequenas e só conseguimos ver realmente o que é importante quando perdemos algo que amamos muito.

Mas dar o devido valor a cada coisa é uma arte difícil de realizar; é um aprendizado lento e complicado. Tenho me treinado pra isso já faz algum tempo e agora com a história do Vinicius e da Renata resolvi fazer um esforço ainda maior pra conseguir me preocupar com o que realmente é importante e deixar as coisas pequenas de lado.