Skip to main content

Alimentação da criançada

Não acho que a mentira seja um caminho correto pra fazer uma criança comer, mas em certas ocasiões eu acabo usando o artifício da "pequena enganação" pra fazer, principalmente o Edu , comer de tudo.

Logo que começou a comer comida salgada fiquei animada porque comia de tudo, mas agora no alto dos seus 3 anos e 5 meses sempre tem alguma coisa no prato que ele nao "gosta". O mais engraçado é que tem dia que ele não gosta de cenoura, tem dias que nao gosta de batata, mas o campeão de recusa é o feijao.

Então faço uso da estratégia do escondidinho ou do pastel de alface pra que ele coma de tudo.

- Escondidinho: escondo as coisas que quero que ele coma embaixo das coisas que ele quer comer. Coloco o feijão escondido embaixo do arroz ou a cenoura embaixo da carne. As vezes ele vê e reclama e eu peço desculpas porque me enganei. Só sei que nesta brincadeira ele acaba comendo um pouco de tudo.

- Pastel de alface: o Edu adora salada de alface; mesmo depois de comer uma "pratada" ele sempre aguenta comer a salada que sobrou da refeição. Me aproveitei então desta preferência e utilizei a estratégia que minha mãe usava comigo: coloco a comida na colher e embrulho em pedaços de alface. Ele adora os pastéis.

Outra estratégia que dá certo é colocar aquelas coisas que em geral ninguem gosta muito junto com o que todo mundo adora. Aqui em casa sempre tem abobrinha picada bem pequeno no meio do molho do macarrão, ou cenoura ralada no arroz, souflè de tudo quanto é legume. Coloco estes rejeitados em pequenas quantidades sempre bem picadinhos que nem dá pra perceber o gosto e todo mundo come e adora.

Tambem não me preocupo muito com a sequência. Se quer comer primeiro o arroz pode. O Edu adora o que eu chamo de arroz na xícara. Quando criança eu adorava comer o arroz recem cozido na xicara antes do jantar e de vez em quando ele me pede tambem. Deixo comer o quanto quiser. Na hora que sirvo o jantar ele ja esta cheio, mas sempre come a carne ou as verduras e de vez em quando consigo até empurrar um feijãozinho.

O pediatra das crianças tem uma lista de regrinhas para a hora das refeições que funcionam super bem aqui em casa. Ele costuma dizer que não se deve colocar emoção na refeição, então se a criança não comer nao se deve ficar angustiada, preocupada, fazendo micagens, mudando a rotina... não quer, não come e espera a hora da próxima refeição.

Não é facil deixar a criança com fome mas meus filhos ja sabem que nao tem lanchinho entre as refeições e se nao comerem vao sentir um pouco de fome. De uma maneira geral dá certo. Eles até pedem uma mamadeira mas sabem que vão ter que esperar um pouco. O bom é que 10 minutos pra criança é uma eternidade e eu não preciso sofrer muito tempo vendo-os com fome.

Outra coisa que não faço é fazer barganha com a comida: "se vc comer eu te levo pra passear" ou " eu te dou um chocolate" ou ainda "se não comer a comida não tem sobremesa". É bem verdade que em relação a sobremesa eu tenho uma certa sorte porque eles não são muito chegados em doce. Então sobremesa aqui em casa geralmente trata-se de frutas, mas deixo comer tranquilamente mesmo se não comerem a refeição principal.

Não sei se é porque não me estresso na hora das refeições que dificilmente eles se negam a comer: comem pouco é verdade mas acho que comem o suficiente e não me preocupo muito com o intervalo 10 - 25% deles nas curvas de peso. O problema é quando ficam doentes e acabam saindo da curva, risos.

Em relação ao que comer: SEM RESTRIÇÕES. Pra Helena eu ainda evito os refrigerantes, salgadinhos e coisas totalmente artificiais. Pro edu tudo é liberado mas com limites. Em geral não tenho em casa salgadinhos, balas, doces artificiais e afins. Prefiro fazer um bolo ou um pudim, um brigadeiro (que é a minha perdição), mas eles não são muito chegados em doces desse tipo.

Na casa da avó materna sempre tem uma balinha, mas o Edu já sabe: só pode comer depois do almoço ou jantar e não pode comer o quanto quer: duas ou três no máximo. Refrigerante também não é proibido e aqui em casa nós intercalamos com suco natural ou de caixinha. Não gosto de comprar refrigerante de cola, então a gente toma mais guaraná e soda. Coca cola só na casa da avó no final de semana.

É claro que desde muito pequenos eles têm o "detector de porcaria" sempre funcionando super bem. Qualquer coisa que não seja saudável chama a atenção dos dois e eles adoram, então prefiro não ter estas coisas aqui em casa sempre. De vez em quando compro um salgadinho pequeno e deixo que coma um pouquinho.

Acho que as crianças têm que ter acesso a tudo pra aprender a escolher. Não gosto de radicalismos, então procuro evitar ter estas coisas em casa mas não proibo que eles comam nada, mesmo porque acho muito complicado explicar pra uma criança que ela não pode comer determinado alimento porque faz mal sendo que todo mundo come o tempo todo.

Pra compensar esta liberdade de comer porcarias de vez em quando, procuro sempre oferecer alimentos saudáveis a vontade. Os dois adoram banana e laranja e então eu procuro sempre ter estas frutas na fruteira e deixo em cima da mesa. De vez em quando eles passam, vêem e pedem.

No lanche da escola sempre mando um danoninho, suco de fruta e uma fruta. As vezes mando uma saladinha de tomate com ervilha, ou palmito com azeitonas, queijo enrolado com presunto. Mas se mando fruta dificilmente ele deixa de comer.

É claro que pra tentar educa-los eu tive que me reeducar em termos de alimentação e o Sergio também passou pelo processo. Começamos a comer um pouco de tudo mesmo quando não gostamos muito, deixamos de comer com frequência algumas coisas que achamos não serem boas para as crianças e tentamos sempre dar os exemplos. No início eu diria que fazíamos alguns sacrifícios, mas hj tudo virou rotina. Quando não tinhamos filhos e eu chegava tarde do trabalho acabavamos varias vezes por semana comendo pizzas, pasteis, lanches. Hj isto mudou bastante aqui em casa e eu procuro preparar as refeições o maior número de vezes possível, mesmo porque o Edu prefere um arrozinho com carne e salada do que Mc Donald's ou pizza.

Também nos policiamos para que as crianças não tenham preconceitos com comida. Sempre que podemos gostamos de conhecer restaurantes diferentes com comidas de outros lugares do mundo. É claro que não vou comer carne de cachorro nem cérebro de macaco, mas acho legal conhecer outros temperos e alimentos feitos de outra maneira. Apesar de não gostar de bacalhau eu não fico falando pro Edu que não gosto e o incentivo a comer: ele adora. Tanto o Eduardo como a Helena comem sushi e sashimi sem problema nenhum e peixes em geral também são bem vindos pra eles!

Acho que um problema que a alimentação deles talvez tenha seja em relação a água. Eu tomo pouca água e me esqueço de tomar mesmo sabendo que é muito importante. O que acaba acontecendo é que esqueço de oferecer a eles também. Pra tentar resolver isso eu sempre deixo um copo no bebedouro. Sempre que passa por perto o Edu (pra brincar) toma um pouquinho e como a Helena não desgruda dele ela acaba vindo pedir água se ele não der. Tudo bem que eles acabam se molhando e molhando o chão da cozinha mas pelo menos compensa o meu esquecimento.

Agora o que as pessoas mais criticam aqui em casa é a questão do gelado. Eu adoro tudo bem gelado e com muitas pedras de gelo que eu acabo comendo no final. Exemplo dado: exemplo seguido. A Helena ainda não, mas o Edu adora um gelinho também e quando não coloco no copo dele e pede pra "experimentar" o meu suco (toma quase tudo). Assim como o gelo, sorvete é uma coisa que não falta aqui em casa. Se está todo mundo bem e livre de viroses tomamos sorvete frequentemente. Nunca vi nenhuma relação entre as eventuais gripes das crianças com o sorvete que tomaram e eles estão mais do que acostumados.

Apesar das estratégias pra fazer a criança comer e sempre tentar que eles experimentem algo que só de olhar dizem que não gostam, eu acho importante respeitar o paladar deles. Quando percebo que eles efetivamente não gostam de determinada coisa não fico forçando, tento substitui-la. Por exemplo: o Eduardo não gosta de molho branco. Já fiz de tudo: molho branco com palmito, com queijo derretido, molho de tomate com creme de leite. Nao tem jeito, por algum motivo ele não gosta de molho com creme de leite. Então sempre que posso separo um pouco sem o creme de leite pra ele ou faço uma outra coisinha pra substituir. Mas isto depois de ter tentado várias vezes. O feijão eu ainda insisto apesar de perceber que ele não gosta mesmo! Mas acho importante comer pelo menos um pouquinho em cada refeição e ai entram aquelas estratégias da enganação.

Agora a maior paixão das crianças e minha tb é o leite: nós três tomamos muuuuuuito leite. Somos verdadeiros bezerrinhos. E assim como o leite todo mundo gosta dos seus derivados como os yogurtes e os queijos. As frutas também são muito bem vindas para os dois.

Falando assim até parece que é super facil alimentar estes dois anjinhos: NÃO É NÃO! Cada dia surge uma surpresa, um eu não gosto, uma frescura nova que eu tento contornar e não deixar se transformar em rotina. O que eu percebi é que quanto mais relaxada em relação a comida eu estiver mais tranquilas são as refeições; eles comem mais e melhor. Se um dos dois percebe que é importante pra mim que eles comam alguma coisa a tranquilidade acaba e começam as frescuras.

O que faço é não ficar insistindo ou pegando no pé. Ofereço tranquilamente, vou conversando sobre outras coisas, brincando, fazendo comentários de outros assunto e quando vejo todo mundo já comeu. No começo foi difícil mas hj tiro de letra e não é que finjo que não me preocupo: eu não me preocupo mesmo. E como diz o pediatra: criança com comida na mesa não morre de fome!