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Animal de estimação

Estou em crise com meu animal de estimação: um cachorrinho vira-lata que está me deixando maluca. O Leo veio pra nossa casa no ano em que me casei e tinha todas as regalias e mordomias de um bebê.

Ele nunca foi muito inteligente. Ao contrário disto eu sempre falo que ele bateu a cabeça quando nasceu porque tem uma certa dificuldade de aprendizado, mas conseguiu entender, depois de muito trabalho, que dentro de casa não é banheiro. Quanto a subir nas camas e sofá não teve jeito; descuidou, estava o Leo esticado na minha cama com direito a cabeça no travesseiro (detesto isso).

Quanto a simpatia, bem... ele não pode ser chamado de um cachorro simpático. A começar por não gostar de homens. Acho que os únicos homens de quem ele gosta são meu pai e o Sergio (também não é tão burro a ponto de não gostar do dono). Amigos, cunhados, sobrinhos e qualquer outro homem que entre no meu quintal ou passe perto do portão será recebido com muitos latidos. E pior do que isso é o fato dele só parar de latir quando leva uma bronca, mas continua rosnando até a visita ir embora.

Durante a obra aqui ao lado tive o maior trabalho porque os pedreiros não podiam conversar que ele começava com a "latição sem fim". Demorou muito pra ele se convencer de que não podia fazer nada e teria que aguentar aqueles intrusos aqui ao lado. Agora a obra acabou, o vizinho já se mudou e eu estou com mais um problema: convencer o cachorrinho de que o vizinho está na casa dele e tem pleno direito de andar pelo quintal e conversar com a esposa. Tenho passado o dia dando bronca pra ele parar de latir cada vez que o vizinho abre a boca.

Mas na verdade a vida do Leo mudou muito depois que tive filhos. Até a gravidez do Edu ele não era um exemplo de boa educação mas pelo menos sabia se comportar razoavelmente bem dentro de casa. Sua caminha ficava na sala e ele tinha livre acesso pela casa inteira. Da metade para o fim da minha primeira gestação ele começou a mudar. Foi um período muito complicado porque eu com a maior barrigona e terminando de escrever minha tese de mestrado ainda tinha que aguentar um cachorro que se comportava como filhotinho. Ele cismou em fazer xixi no pé da mesa de jantar e cocô no tapete. Eu fiz de tudo um pouco, perguntei a opinião de muita gente, li varias coisas na internet e no final eu já estava de saco cheio de limpar sujeira de cachorro dentro de casa, sem contar o cheiro agradabilíssimo que a casa foi adquirindo.

Quando o Edu nasceu as coisas pioraram porque eu ainda tinha que cuidar do Edu e o cachorro ficou impossível: começou fazer xixi no quarto do Edu e não podia ver uma coisa do Edu que deitava em cima e enchia de pelos. Não tive outro jeito senão proibi-lo de entrar no quarto mas como é indisciplinado não foi nada fácil ele cumprir esta proibição e depois de muitas tentativas, muito carinho, atenção, agrados e outras coisas acabei restringindo sua presença à cozinha.

Eu deixava a porta da cozinha sempre aberta e não o deixei mais entrar livremente pela casa. De vez em quando ele ainda entrava e ficava comigo na sala mas por curtos períodos e eu com o maior cuidado porque bastava uma distração pra ele fazer sujeira no tapete ou no pé da mesa de jantar.

Quando o Edu fez 1 ano nós viajamos para os EUA por 6 meses e ele ficou na casa da minha mãe. Quando retornamos eu já estava grávida da Helena e o Leo pior do que nunca: começou fazer sujeira na cozinha também e pra completar mordia o Eduardo ou tirava dele o que ele estivesse segurando. Os primeiros meses de readaptação foram terríveis porque ele estava impossivel. Eu o aguentei na cozinha até a Helena nascer e então tive que restringir sua presença apenas no quintal.

Hoje, infelizmente ele só fica no quintal dos fundos porque se deixa-lo na garagem ele late o dia inteiro, sem contar que faz xixi na porta da sala, nas rodas do carro, em todas as minhas plantas, no portão, nos brinquedos... nada pode ficar perto dele que recebe um jato amarelinho.

No fundo do quintal eu o deixo mais ou menos livre. Tive que impedi-lo de entrar na edícula porque ele faz xixi em todos os moveis que tem lá. Ele fica então na parte de tras do meu quintal e na lavanderia. Pra que ele não faça xixi na máquina de lavar eu coloco a comida e água ao lado dela mas não posso deixar mais nada ao seu alcance.

As vassouras, rodos, pás de lixo e cesto de lixo têm que ficar no alto pra não serem carimbadas. As plantas estão sempre meio feias porque ele não poupa nenhum vaso e pra não fazer xixi na porta da cozinha eu deixo um pano pra ele se deitar ali. Com isso eu sou obrigada a lavar o quintal dos fundos pelo menos duas vezes por dia porque ele faz xixi em tudo e alem do cheiro ainda fica aquele xixi escorrido em todo lugar.

Eu já tentei de tudo um pouco mas até agora não obtive nenhum resultado positivo e como ele ja tem 6 anos não sei se ainda tem condições de aprender. Eu imagino que cometi algum erro na sua educação mas não consegui identifica-lo ainda e já perdi a esperança de conseguir consertar as coisas com este cachorro.

Fico morrendo de pena dele e de vez em quando dou uma nova chance a ele pra que fique aqui dentro com a gente, mas em todas estas ocasiões acabei me arrependendo porque ele sempre apronta alguma arte. Uma pena!