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A maravilha de ser mãe

Nunca esquecerei o meu primeiro teste de gravidez positivo. Eu e o Sergio já estávamos tentando engravidar havia 1 ano conforme orientação do meu médico e não estávamos conseguindo. A ansiedade já estava grande e voltei ao médico pra passar pra próxima fase. Ele me explicou mais ou menos todos os passos e me pediu alguns exames preliminares.

Dentre os exames foi pedido um espermograma que veio com o pH alterado e deixou o Sergio abaladíssimo, achando que esta era a causa da nossa "infertilidade". Sem me desesperar continuei fazendo os exames mas dependia da menstruação pra poder realizar um deles. Como meu ciclo era muito irregular relaxei e fiquei esperando para poder realizá-lo.

Só que a menstruação não veio e na minha ansiedade eu resolvi fazer um teste de gravidez o qual deu positivo. Chamei o Sergio desesperada e ele foi comprar um outro teste pra confirmar e assim fizemos três testes diferentes pra ter mesmo certeza. No dia seguinte fui ao HU e passei no pronto atendimento pra realizar mais um teste e o médico que me atendeu até brincou que nós devíamos ter ido ao Mc Donald's ao invés de ficar fazendo varios testes de gravidez.

Jamais vou esquecer a carinha do Eduardo no momento em que ele nasceu. Já veio pro meu colo com aqueles dois olhões abertos e a alegria que eu senti naquele momento foi indescritível.

Um ano e meio depois, em um momento super turbulento em que estávamos voltando dos EUA e sonhando em sair do Brasil novamente, meu ciclo menstrual maluco ficou ainda pior e com todo aquele atraso resolvi fazer um teste de gravidez. POSITIVO. Repeti o teste mais duas vezes e já marquei uma consulta o mais rapido possivel com meu médico pra ter certeza.

O amor que eu sentia pelo Eduardo era tão forte, tão intenso que eu fiquei muito assustada com esta segunda gravidez. Ficava pensando se conseguiria amar aquele novo serzinho com a mesma intensidade. Passava horas e horas olhando o Edu e imaginando como seria este novo bebê e com aquela dúvida horrível se eu conseguiria amá-lo tanto.

Mesmo quando descobri que era uma menininha, a dúvida persistia. Eu tinha muito medo de ter preferências, de deixá-la de lado, de ser injusta. Grande bobagem: uma gravidez tão desejada e planejada como a da Helena, em que usamos um teste de ovulação pra saber quando seria o meu período mais fértil pra tentar engravidar, como eu não iria amar o meu bebê?

Bastou ela começar a chutar aqui dentro pra eu ter certeza de que eu já a amava com a mesma intensidade. E como essa menina chutava; não me deixava esquecer dela!

Assim como o Edu já veio pro meu colo com o olhão aberto e diferente dele, com um mundo de cabelos pretos. O Edu nasceu quase carequinha.

10 meses depois do nascimento da Helena, eu me vi grávida novamente. Desta vez repetimos o exame somente porque ele estava meio fraco mas a ansiedade foi bem menor. Infelizmente perdi meu bebezinho com mais ou menos 5 semanas de gestação. Pra muita gente isto nem pode ser considerado uma gravidez, mas tanto pra mim como para o Sergio foi muito difícil. Um mês é tempo mais que suficiente pra se construir um monte de sonhos e fazer muitos planos; perceber que tudo tinha acabado foi muito duro pra nós dois.

Tentamos então não deixar que este acontecimento influenciasse a nossa vida e o nosso desejo de ter o terceiro filho e resolvemos que não iríamos ficar tentando engravidar ou nos preocuparmos com o meu ciclo menstrual. Deixariamos as coisas acontecerem naturalmente.

Só que um mês depois eu comecei a me sentir muito estranha: a barriga estava inchada, eu me sentia meio indisposta, enjoada e achei que poderia estar gravida. Apesar de não querer virar uma escrava dos testes de gravidez resolvi fazer um e tive um resultado positivo muito tímido que somente aumentou as minhas dúvidas. Repeti o teste, e com um novo resultado positivo e tímido marquei um consulta com meu ginecologista.

Sua reação foi desanimadora porque ele achou imposstivel que eu estivesse gravida; mas eu estava e descobri esta gravidez ainda com 3 semanas.

Apesar de me sentir muito mais cansada que das outras vezes, apesar de estar ansiosa pra que a Luisa nasça, apesar de a cada dia ter mais certeza de que não quero engravidar novamente, esta gravidez está sendo bem mais tranquila que as outras.

Já sei mais ou menos tudo o que vai acontecer, já consigo ficar tranquila com as reações do meu corpo, não fico enchendo o saco do bebê pra ver se ele ainda está vivo... e não tenho a menor dúvida de que amo essa menininha tanto quanto já amo os meus dois outros filhos.

Ser mãe foi a melhor coisa que já me aconteceu. Muito mais aprendi do que ensinei e tenho certeza que me tornei uma pessoa muito melhor. Aprendi controlar certas fraquezas, certos defeitos, aprendi a aceitar com mais tranquilidade as limitações das pessoas, a ser mais tolerante, a comer melhor, a me manter mais calma e menos estressada pra conseguir mante-los calmos também. Aprendi a valorizar as pequenas coisas; os pequenos momentos.


Ainda tenho muito que aprender e melhorar mas não tenho nada pra pedir; só a agradecer pela benção de ser mãe.