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Mãe neurótica


Hoje tive a prova de que aquela mãe controlada, ajustada, equilibrada que eu penso que sou só existe aqui no recanto do meu lar.

O Eduardo está fazendo o seu primeiro passeio com a escola. Eles foram à
Cidade do Livro que fica em Santa Terezinha (zona norte) muito perto do colégio onde fiz o colegial e muito perto da casa da minha mãe. Eu até pensei em ir pra casa dela e pegá-lo no local no final da manhã, mas não quero ser estraga prazeres e acho que vai ser melhor pra ele ir e vir com a escola e saber que nem sempre eu vou estar por perto (infelizmente). E acho que ele nem vai sentir falta.

Levei-o até a classe como de costume e não conseguia dar tchau. Imagino que a mãozinha dele já estava cansada de acenar pra mim e até beijo e abraço na Helena ele deu pra tentar me ver pelas costas (risos).

No final, desisti de ficar ali e muito decidida fui para o carro pensando em voltar pra casa e pronto. O problema é que quando sai da escola fiquei com aqueles pensamentos: "como será que é o ônibus?", "será que ele vai colocar o sinto de segurança?", "quantos ônibus irão?"... e com estes pensamentos acabei parando no estacionamento externo do colégio e fiquei ali, perto do portão por onde os ônibus iam sair, chorando e esperando.

Fiquei quase meia hora ali, dentro do carro, com a Helena pacientemente esperando que eu fosse embora; até que os ônibus apareceram. Três ao todo, e eu imaginando em qual o meu filho estava.

Como eles iam fazer mais ou menos o meu caminho pra voltar da escola eu fui seguindo os ônibus à distância. Agora me diz: é ou não é coisa de doido?????

Por azar (ou por sorte), um imbecil entrou na minha frente falando ao celular e demorou pra cruzar uma rua e eu acabei perdendo os ônibus. Apesar de furiosa, eu entendi naquele momento que não deveria seguir os ônibus e que tinha mais é que voltar pra casa e cuidar da Helena e da Luisa. Segui o meu caminho, mas chegando próximo a marginal não resisti e acabei seguindo um pouco em frente só pra ver como estava o trânsito (tranquilo) e então voltei pra casa.

Apesar da violência que nos persegue e de todas as maluquices que os motoristas fazem no trânsito acho que minha angústia não era de preocupação. Era pior que isso!

Foi a primeira vez que o Eduardo saiu de casa para o mundo com pessoas que não conheço bem ou não conheço nada. Ele está incomunicável, não tenho como saber se ele já chegou, se está tudo bem, o que ele está fazendo, enfim, perdi o controle dos seus passos.

Perdi também a reação dele nesta situação totalmente nova: andar naquele ônibus enorme, conhecer sem mim um lugar totalmente diferente. E eu aqui sem saber o que está acontecendo, como ele está se sentindo, se está se divertindo... aquelas bobagens de mãe de primeira viagem e que querem controlar tudo.

E assim, pela primeira vez meu bebezinho foi embora de casa rumo ao desconhecido; foi começar a ser gente grande, a se virar sem a mãe. Por mais que eu esteja angustiada sei que tem que ser assim e que vai ser bom pra ele. Mas não tiro os olhos do relógio me preparando pra ir buscá-lo a 1 da tarde na escola e fico acompanhando o site da CET pra ver como está o trânsito na marginal.