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Onde vamos parar

Eu sempre fico me prometendo que não vou mais falar no blog dessa situação calamitosa que o Brasil vive. Fico procurando o tempo todo coisas interessantes e boas pra contar aqui mas infelizmente dificilmente consigo falar de algo bom relacionado ao Brasil. Pelo menos o blog da Denise com a história do arroz amenizou um pouco os assuntos pesados do blog mas hj novamente vou ter que falar de coisas chatas.

Levamos as crianças a um parque aqui perto de casa e eles estavam se divertindo no play ground junto com muitas outras crianças. Até que em um momento a Helena estava no balanço e chegou uma menina de uns 5 ou 6 anos e falou pro Sergio:

- Eu quero ir neste balanço.

O engraçado, ou melhor, o nada engraçado é que ela falou como se estivesse ameaçando o Sergio. Foi quase uma intimidação. Então o Sergio respondeu com a maior educação:

- Assim que a Helena sair vc pode usa-lo.

E a menina ficou ali, ao lado, quase segurando a corda da balança e em um momento que a Helena escorregou e saiu do balanço sem querer, a fulaninha já pulou na frente e antes que o Sergio pudesse fazer qualquer coisa ela já havia tomado o lugar da Helena e achamos melhor sair de perto.

Os pais desta pequena aprendiz da malandragem estavam sentados belos e folgados olhando tudo e nem se dignaram a fazer nada. Pra não arrumar encrenca e correr mais riscos do que a gente já corre normalmente saímos dali e fomos brincar em outro lugar.

É claro que o Edu e a Helena não conseguem entender direito estas coisas que acontecem.

Em outro parque o Edu começou jogar bola com um menino acompanhado dos avós. A bola do menino ficou jogada em um canto e os dois jogando com a bola do Eduardo. Tudo corria na mais perfeita tranquilidade até que a Helena pegou a bola do menino. Este veio correndo e já foi empurrando a Helena e tirou a bola dela pra matar os ávós de vergonha. Fiquei com pena deles que não sabiam onde colocar a cara.

Então eles começaram a jogar com a bola do menino e a Helena ficou com a bola do Edu, até que não sei porque o menino foi em direção ao Eduardo e deu-lhe um soco perto do queixo. O edu ficou parado sem entender o que estava acontecendo, mas ele estava tão feliz por estar ali jogando bola que quando eu o chamei pra sairmos dali ele não quis. Queria continuar jogando mesmo sem entender porque tinha levado um soco.

Passado mais alguns minutos o menino avançou sobre ele novamente e por pouco meu filho não leva outro sopapo. Minha paciência neste momento já estava esgotada e então tentando ser o mais educada possível eu propus ao Edu que fôssemos ver os macacos que ficam do outro lado do parque e tirei o Edu daquela situação.

Apesar do menino e seus avós terem ido ver os macacos também eu dei um jeito de me afastar deles educadamente e não cheguei mais perto.

Não posso dizer que meus filhos sejam um primor em educação. Fazem bagunça, fazem manha, respondem pra mim de vez em quando, desobedecem, me deixam maluca em algumas situações; mas tenho que agradecer a deus todo dia de joelho pelos anjos que eles são. Sabem respeitar o próximo, dividem o que têm, nunca vi o Edu batendo em ninguem, na escola todas as crianças gostam dele, fazem festa quando ele chega, fazem questão de dar tchau quando ele vai embora. Com a Helena não tem sido diferente.

Eu fico absmada de como temos pequenos reizinhos perdidos por ai. Digo perdidos porque estas crianças ao inves de interagir e agregar pessoas ao redor delas, só fazem afastar todo mundo. Fiquei muito triste de ver aquela menina já com jeitinho de marginal, intimidando o Sergio a tirar a Helena do brinquedo e fiquei vendo-a no farol empurrando bala aos motoristas. E fiquei muito triste de ver aquele menino que não se sabe porque de repente sai distribuindo socos.

Por outro lado, conversei com a avó do menino menos de 30 minutos e ja descobri que ele usa fraldas aos 3 anos de idade, que ele é enjoado, que não come nada, que pra tomar a mamadeira tem um ritual, que ele chora na escola, que ele bate nas crianças... enfim; a avó não fez um unico elogio ao menino. Não me falou uma única qualidade dele e só reforçou todos os defeitos que ele tem. Defeitos que com certeza não estão "gravados" no DNA dele e que ele foi adquirindo ao longo do tempo por culpa das próprias pessoas que o educam.

Muito triste!


PS: acho que vou escrever um post só sobre este cultivo da auto estima e dessa maneira que as pessoas têm de reforçar o que é ruim e passar por cima do que é bom nos outros.