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Trauma com babás

Com o aumento da minha barriga e do meu cansaço, aumenta também o número de pessoas me dizendo que precisarei de mais ajuda quando a Luisa nascer. Aos poucos estou tentando me convencer disto e pelo menos uma pessoa que venha todos os dias limpar a casa eu já concordo que vou precisar. Pelo menos para estes primeiros meses da Luisa ainda aqui no Brasil. Já no Canadá eu vou pensar quando as coisas estiverem se concretizando.

Quanto a ter uma babá... eu ainda sou muito relutante. Eu sei que existem excelentes profissionais mas acompanhei uma certa babá por um período e fiquei traumatizada.

Sabe aquela pessoa perfeita que atende a todas as necessidades de uma família no sentido de cuidar do seu filho querido e ainda limpar a casa, preparar as refeições e organizar tudo o que a gente detesta organizar na casa? À primeira vista ela era a perfeição em pessoa. Todos os membros da família só teciam elogios a ela e como nosso contato era raro eu ficava pensando na sorte de ter uma pessoa assim em casa.

Depois que o Edu nasceu e eu passei a ficar em casa tempo integral nosso contato aumentou muito e em nossas conversas eu comecei a perceber que aquela fada não era tão fada assim.

Várias vezes ela me contava com orgulho que a mãe do menino queria que ela fizesse algo de um jeito mas que assim que a mãe saia para trabalhar ela fazia de outro porque nao concordava com aquilo.

Quando o menino foi para a escola a babá EXIGIU que os pais tirassem o menino da escola porque o menino tinha alergia e ela achou a escola suja, empoeirada, com crianças doentes e então decidiu que ele não deveria ir para a escola ainda (palavras dela).

Mas estas coisas não me incomodaram e dependem da relação dos pais com a babá e a criança. O que me incomodou foi um dia em que eu passei e conversando com o menino perguntei da "mamãe" e antes que o menino respondesse a babá perfeita disse:

- Tenho dó desta criança, a mãe já saiu cedinho e vai saber a que horas vai voltar. Ela nem liga pra ele.

E depois falando diretamente pra criança:

- Não é XXXXXX, que a mamãe nem liga pra vc? Ainda bem que a YYYYYY está aqui pra cuidar de vc.

Eu fiquei perplexa e fui embora. Naquele dia eu me lembro que enchi o saco do Sergio com meu chororô. Fiquei inconformada imaginando alguem falando mal de mim pelas costas para o meu filho.

Como nos encontrávamos com frequência ela por algum motivo achou que eu seria uma boa ouvinte para essas críticas que ela fazia à mãe do menino; e sempre na frente do menino; e sempre reforçando as críticas perguntando para o menino de uns 4 anos se não era assim como ela estava contando. Nas palavras dela a mãe era ausente, relapsa, não cuidava da criança, só pensava em trabalho, etc, etc, etc...

Minha vontade a princípio foi de contar pra mãe do menino, mas este tipo de intromissão é tão complicado; ainda mais que ela estava na família havia muitos anos e todos a adoravam. Resolvi então me afastar dela o máximo que pude e transformei a nossa "amizade" em "bom dia - boa tarde".

Conclusão: quando vejo uma babá já a olho com preconceito e acabo não querendo nem em sonho uma aqui em casa.