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Saco de brinquedos


No último dia de aulas a professora entregou aos pais um saco preto enorme com os brinquedos que as crianças fizeram no primeiro semestre. Foram vários brinquedos daqueles que a gente mesmo fazia quando era criança (catavento, saquinhos de arroz, peteca, bolinha de sabão, bola de meia, cavalo de cabo de vassoura, etc...). Eles se basearam no livro Saco de Brinquedos com poemas de Carlos Urbim e ilustrações de Laura Castilhos.
Eu achei super interessante porque nestes novos tempos de Fisher-Price as crianças acabam se acostumando a pegar tudo pronto e nem param pra pensar que elas mesmas podem fazer seus brinquedos com coisas simples.

Eu fiquei um pouco frustrada com o livro a princípio porque ele não ensina como fazer os brinquedos mas agora acho que a intensão é mesmo essa: as ilustrações são ótimas, tem os poemas que vc pode ler para seu filho relacionado a cada brinquedo e vc e a criança têm que usar a imaginação.

Já faz muito tempo que eu venho guardando coisinhas para as crianças brincarem e fazerem seus próprios brinquedos: copinhos de danoninho, tampinhas de garrafa de leite, pazinhas de medida de leite em pó, etc. Me lembro que quando criança eu guardava as embalagens do Yakult pra fazer "esculturas"; era o nosso lego da época.

Eu também adorava brincar com barro e sempre que encontrávamos uma terrinha dando sopa levávamos pra casa e fazíamos panelinhas pra brincar de casinha. O canudinho pra fazer bolinha de sabão tinha que ser com galho de mamona; hj em dia, pelo menos aqui em São Paulo quase não se vê essa planta que era uma praga na minha infância.

Os pais, naquela época também participavam bastante fazendo alguns brinquedos que nem se sonhava comprar prontinho. No fundo do meu quintal meu pai fez um balanço: duas cordas presas em um caibro chumbado na parede da casa e com um assento de madeira super bem feitinho. E também tinha as pernas de pau, na qual eu era craque: desciamos desde a rua onde eu morava até as intermináveis escadas da casa da minha melhor amiga.

Com folhas de jornal e a ajuda dos varais e pregadores da minha mãe saíam as casinhas de bonecas. Nós fazíamos até divisórias separando a sala, a cozinha e assim como as modernas tinham janelas e portas. Com baldes, bacias, pedaços de madeira e outras coisas que íamos encontrando fazíamos os móveis. Dava tanto trabalho pra montar a casinha que quando ela ficava pronta a gente acabava começando a desmontar tudo pra brincar de outra coisa.

Quando nossos filhos nasceram nosso primeiro ímpeto foi o de comprar tudo prontinho. Minha casa é abarrotada de brinquedos com várias opções diferentes na tentativa de dar a eles o melhor. Hj, não vou dizer que me arrependo da escolha que fizemos mas sinto um pouco de falta de improvisação.

Não acho que eles foram prejudicados até agora porque criança pequena tem uma imaginação super fértil e eu brinco que gasto uma fortuna com brinquedos e eles se interessam só pela caixa de papelão. Mas ultimamente tenho incentivado bastante a improvisação aqui em casa.

Com uma madeira velha, por exemplo, fiz uma lousinha pra eles. O apagador foi feito com meias sem par enroladinhas*. Com essa lousinha eu consegui impedir que eles riscassem minhas paredes com o giz que o Edu traz da escola de vez em quando e eles ganharam distração por longas horas. E o melhor de tudo: estão aprendendo a respeitar o espaço do outro, compartilhar os brinquedos e brincar juntos; sem contar que nestes momentos de paz entre os dois eu posso fazer outras coisas como por exemplo escrever um pouquinho aqui.