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Criadagem

A Flávia (Crônicas do Iglu) vive lamentando a falta de faxineiras, babás, empregadas e toda essa categoria de trabalhadores que ela chama "carinhosamente" de criadagem. Ela até confessa que sente inveja dos brasileiros que têm condições de manter estes funcionários em suas casas. E eu aqui me descabelando com as figuras que tenho encontrado pra trabalhar comigo.

Já tive aqui em casa um pouquinho de tudo. Minha primeira faxineira que vinha 1 vez por semana era ótima. Eu tabalhava o dia todo e já deixava o pagamento dela sobre a mesa e nos encontrávamos raramente quando eu chegava mais cedo do trabalho. Ela fazia tudo super bem feitinho e tem mania de limpeza: era maravilhoso! Hj, com certeza não daria certo porque ela não gosta de gente pisando quando ela está limpando e é uma pessoa super grossa. Ela ainda trabalha pra minha mãe e as vezes eu fico inconformada com as coisas e o jeito como ela fala com minha mãe.

Depois que voltamos dos EUA tivemos que encontrar outra pessoa porque ela preencheu todos os seus dias enquanto estive fora. Contratei então uma conhecida da minha sogra que é de total confiança mas que não aguentei nem 2 meses. Apesar de muito educadinha ela não tinha a menor noção de higiene. Fazia umas coisas absurdas e sem se preocupar em esconder de mim porque achava que não tinha problema nenhum. Então eu vi varias vezes ela pegando a toalha de rosto do banheiro pra enxugar o vaso sanitário e a pia recem lavados, ou passar alguma roupa que estava no cesto de roupa suja pra enxugar o chão, ou ainda usar pano de prato pra limpar alguma coisa que caiu no chão da cozinha. Com estas pequenas amostras eu ficava imaginando qual pano ela usava pra limpar a mesa ou enxugar a louça. Pra completar, assim que a primeira conta de telefone chegou eu levei um susto: alem do numero de pulsos ter ido às alturas ainda havia dezenas de ligações pra celulares que eu não conhecia.

As vezes eu me pergunto se fiz certo em simplesmente inventar uma desculpa e demiti-la. Talvez fosse minha obrigação ter ensinado a ela regrinhas básicas de higiene e educação.

Contratei uma outra moça indicada pela antiga faxineira com mania de limpeza. No quesito higiene e educação ela era 10 porque segundo ela, quando chegou da Bahia, foi trabalhar na casa de um moço que a ensinou fazer tudo em uma casa e ainda corrigia os erros de portugues que ela cometia. Apesar de ter estudado pouco ela jamais dizia coisas como "pra mim fazer" e também gostava muito das crianças. Mas como perfeição não existe, descobri que as coisas que ela quebrava ou estragava, ela simplemente escondia, jogava fora e quando eu perguntava ela dizia que não sabia. Como eu estava no final da gravidez da Helena acabei deixando que ela tomasse conta da minha casa e quando vi, ela fazia o que bem entendesse sem me dar a menor satisfação. Alem disso, ela tinha um defeito que pra mim é terrivel: ficava me adulando. Me enchia de elogios, passava o dia falando das minhas qualidades como mãe, como esposa, como mulher e elogiava as crianças o tempo todo, tratava as minhas visitas como se fossem amigas intimas dela e dependendo da situação até parava o trabalho pra ficar batendo papo quando eu recebia alguem em casa. Como sou muito direta, conversei com ela sobre o que estava acontecendo e percebi que ela mentiria até o fim sobre as inumeras coisas que se quebraram e desapareceram, fui perdendo a confiança nela e um dia acabei perdendo a paciência porque ela quebrou uma lâmpada e simplesmente tirou a lâmpada da edícula e colocou no lugar da outra como se eu não fosse perceber. Quando questionada a respeito, se fez de boba e jurou de pé junto que não tinha sido ela. Resolvi neste dia eu mesma cuidar da casa.

Quando engravidei da Luisa percebi que não daria mais conta de duas crianças, gravidez, casa e do blog (risos), então contratei minha atual ajudante. Gosto muito dela e nos damos super bem. Conversamos muito sobre varias coisas e ela parece ser aquelas pessoas que assumem seus erros. Esta semana ela começou a vir todos os dias porque ando um pouco insegura de ficar sozinha o dia todo com as crianças. Por mais que eu precise, me sinto super incomodada de ter alguem "de fora" todos os dias aqui comigo. Acho que é coisa de pobre que não gosta que os outros façam as coisas por ele, mas vou treinar minha paciencia.

Eu percebi que ela está meio perdida porque o trabalho que ela fazia duas vezes por semana agora vai ter a semana inteira pra fazer. Eu já conversei com ela e resolvemos que vou montar um roteirinho semanal do que eu quero que ela faça em cada dia e vamos ver se nestes quase dois meses que faltam pra Luisa nascer nós conseguimos nos acertar.

Pode ser que no futuro eu sinta muita falta da "criadagem" que é o sonho de consumo da Flavia, mas confesso que meu sonho de consumo nesta área é ter um monte de ajudantes eletrônicas que começam o expediente assim que eu ligue um botão e que termine o serviço ao serem desligadas.