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Meu menino parecia um homenzinho

Bom, dizer que o Eduardo parecia um homenzinho não é verdade porque a maioria dos homens não teria tido o comportamento dele.


Depois de decidido que ele precisava da cirurgia e com a data marcada tive que pensar em um jeito de convencê-lo a querer ser operado. No fim, em uma daquelas inspirações que aparecem do nada eu consegui. Enquanto ele fazia xixi eu falei que seria bom se a gente tirasse aquela pelinha do "pipi" para que não ficasse mais pingando. Na hora ele já se animou e queria que eu mesma resolvesse o assunto. Quem dera fosse tão fácil e rapido assim.


Então eu expliquei que não sabia fazer aquilo e que só o médico sabia fazer. De segunda-feira até hj ele ficava sempre me perguntando quando o médico ia tirar aquela pelinha. Parecia que não, mas acho que aquele pinga-pinga toda vez que fazia xixi devia incomodá-lo.


Ontem expliquei que a cirurgia seria hj de manhã e que por isso a Helena teria que ir pra casa da vovó. Esta parte foi a mais difícil porque ele queria ir também. No final, tanto ele quanto ela acabaram dormindo antes de se separarem e ele só se lembrou da ausência dela quando já estavamos voltando pra casa na hora do almoço.


Mesmo tendo ido dormir após a meia noite e sabendo que teria que me levantar as 3 da manhã tive uma certa dificuldade pra pegar no sono e parece que a Luisa também estava meio preocupada porque não consguia dormir. As 3:15 o relógio despertou e com o Eduardo ainda dormindo nos encaminhamos para o Hospital, onde deveríamos estar as 5 da manhã pra interná-lo. Apesar da escuridão e das ruas desertas achei o horário bom porque seria mais fácil manter o Eduardo em jejum.


Assim que chegamos ao hospital o Edu acordou e estava meio eufórico com a história de ser internado e de falar com o médico. Já no quarto eu perguntei o que tinhamos ido fazer lá e ele na maior animação falou que tinhamos ido "tirar a pelinha do pipi". Tudo pra ele era interessante e em nenhum momento ele pareceu estar com medo ou inseguro. Nem quando expliquei que não poderia entrar na sala de cirurgia, ele demonstrou medo. O que ele queria mesmo era que o médico chegasse logo.


Enquanto eu e o Sergio tentávamos nos manter calmos e confiantes ele se divertia com tudo: com a cama que subia e descia, com a pulseira que tinha seu nome, com o avental verde que ele teve que vestir (justamente sua cor predileta).

Depois de conversar com o anestesista, de tomar um sedativo oral, de se trocar e tirar a pulseira de identificação que deu alergia, o Sergio o levou de colinho até o centro cirúrgico. Na porta, recebemos as últimas instruções e sem nem mesmo poder dar um beijo nele o anestesista o "roubou" do meu colo e foi embora. Eu e o Sergio ficamos quase chorando e o Edu nem olhou pra traz, tamanha era sua expectativa.


Tomamos um café na lanchonete que nem tinha aberto direito e depois fomos pro quarto esperar o término da cirurgia. Após uma hora fomos chamados ao centro cirurgico pra conversar com o cirurgião e eu pude então ficar com ele na sala de recuperação até que ele acordasse. Apesar do alívio de saber que tudo tinha dado certo fiquei um pouco impressionada de vê-lo ali, largadinho, inconsciente. Até que ele começou a despertar e foi liberado pra voltar pro quarto.


Quando chegamos no quarto a sua primeira pergunta foi:


"O médico não vai tirar a pelinha???"


Vcs não imaginam a decepção que ele teve quando eu disse que já tinha tirado e que ele não viu porque dormiu. Fiquei morrendo de dó do meu filhinho. Então mostrei pra ele o pipi já sem a pelinha e expliquei que era preciso dormir pra não sentir dor e que ficaria inchado só por alguns dias mas que depois ia melhorar e tratei tudo com tanta naturalidade que ele se animou novamente e quis fazer o teste do xixi. Fez xixi tranquilamente sem medo nenhum e acordou de uma vez porque não queria mais ficar na cama, queria que tirassem o soro e tomou o café da manhã sem problema nenhum.


Depois de explorar o quarto todo ele resolveu que queria passear pelo corredor e explicava direitinho pra todo mundo o que o médico tinha feito e toda hora queria fazer xixi.

Eu ainda estou impressionada com a tranquilidade dele, com a maturidade com que ele encarou toda a situação e o grau de entendimento que ele teve. Mesmo quando começou sentir um pouco de dor ele não deu nenhum trabalho: pediu pra dar um remédio e ficou quietinho no sofá esperando que fizesse efeito. Da mesma forma ele toma todos os remedios sem reclamar e quando eu digo que se doer é pra ele me avisar ele responde: não vai doer, já está sarando.

Eu estou super orgulhosa do meu filho e super aliviada que tudo já tenha passado e da melhor maneira possível. A dificuldade agora é aguentar a família mimando o paciente. Minha irmã trouxe um monte de "porcarias" pra agrada-lo. Ele e a Helena, é claro, passaram a tarde toda comendo suspiros, bis, cheetos e mais um monte de "tranqueiras" que eles não deram conta de comer ainda. Mas não tenho do que reclamar: meu menino está super bem.