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Propaganda de parto normal

Para o meu obstetra a cesária também é um parto normal, mas esta é uma das maneiras que ele tem pra justificar a sua preferência pelo bisturi. Ainda assim, ele já se prepara para o parto via vaginal da Luisa e eu fico super tranquila que ele fará o possível pra não ter que fazer uma cesárea. O combinado entre nós é que o parto será normal desde que nem eu nem o bebê estejamos correndo nenhum risco e que ele, o obstetra, é quem decide até quando dá pra esperar.

Já deu pra perceber que eu sou uma defensora do parto normal ou via vaginal como alguns gostam de dizer e sempre que alguem me pergunta a respeito eu faço a maior propaganda. Mas tomo muito cuidado pra não ser radical ou injusta. Cada um tem que saber o que é melhor pra si e a decisão sobre o parto tem que ser tomada entre o casal e o médico que acompanha a gravidez. E na hora H quem tem que avaliar os riscos e a viabilidade é o médico; daí a importância de um médico de total confiança.

Pra mim, é muito fácil defender o parto normal uma vez que não tive dificuldades no momento do nascimento dos meus filhos e a minha dilatação ja estava em torno dos 4 centímetros. No parto da Helena foi tudo tão rápido que quando o anestesista me mandou fazer força eu não imaginava que ela já nasceria de primeira.

É óbvio que para o obstetra a cesárea é muito conveniente pois em um parto normal nao tem muito como prever em quanto tempo tudo estará resolvido e ainda pode ser que a cesárea acabe sendo inevitável. Alem disso, na cesárea o médico tem um maior controle do que está acontecendo. A paciente é anestesiada e o obstetra orquestra o parto ficando mais tranquilo e seguro do que esperar a evolução de um processo em que ele nunca tem certeza do que pode acontecer.

A minha única ressalva é que muitas vezes as mulheres não são corretamente orientada e desconhecem todas as possibilidades que temos a nossa disposição quando a "hora" chega. Para algumas mulheres não tem jeito: não têm dilatação ou o bebê começa apresentar algum problema e não pode ficar esperando ou simplesmente não têm as contrações ou têm pressão alta, e por ai vai...

Mas na maioria das vezes as mulheres optam pela cesárea simplesmente por ser mais rápido e ser indolor. Concordo que sejam dois excelentes motivos mas ainda ninguem conseguiu me convencer que o pós operatório seja tranquilo como em um parto normal. Meu médico tenta de todas as maneiras mudar a imagem que tenho da cesárea depois que o efeito da anestesia passou; segundo ele as mulheres sentem muita dor porque os médicos não tomam cuidado na hora de unir os tecidos cortados e que se for tudo muito bem feito a dor é mínima. Ainda assim, eu não me convenci até hj.

Não posso mentir que o trabalho de parto seja indolor mas não considero que seja uma dor insuportável. Para quem tem cólicas deve ser uma dor até bem normal. E a saída do bebê deve ser bem traumática porque a dilatação é muito grande. Só que não é necessário sentir dor até o bebê nascer. A partir de um determinado momento a mulher pode ser anestesiada e pronto: tudo tranquilo e indolor como em uma cesáres, com a diferença que a mãe tem uma participação ativa no nascimento do seu filho e a emoção é muito forte nesta hora. Talvez este seja um motivo pelo qual os médicos não gostam muito: depois da anestesia, se tudo correr bem, o médico perde um pouco a importancia e a mãe e a criança passam a fazer o trabalho sozinhas, risos.

Outra coisa super legal é a indução do parto. Mesmo no parto da Helena que foi super rápido eu recebi oxitocina na veia, o que adiantou o expediente que poderia ter demorado horas. Assim, com um parto conduzido o tempo de contrações dolorosas é bem menor e o parto muito mais tranquilo.

Algumas horas após o parto eu tive vida normal: nenhuma dor pra me levantar, exceto um pouco de tontura, nenhuma dor pra fazer nada; se não fosse a barriga proeminente ninguém diria que passei por um parto poucas horas antes.

Não concordo, entretanto, com estes partos "normais a qualquer custo" em que as mulheres ficam horas e horas rolando de dor, sem aceitar anestesia e tentando até o último segundo um parto via vaginal. Bom senso do médico e da paciente são indispensáveis e não considero nenhuma mãe melhor ou pior por não ter feito parto normal.

Cada um tem que ter total liberdade pra escolher o que acha melhor pra si e para seu bebê; o que não aceito é que as mulheres tomem suas decisões sem ter pleno conhecimento de todas as possibilidades que existem.

Por outro lado, jamais arriscaria um parto que não fosse em ambiente hospitalar e com a presença de um médico. Esta moda de parto em casa, com parteira, na água e outras histórias que a gente ouve por aí não fazem a minha cabeça. Acho que sou racional demais e gosto de ter o controle das coisas. Prefiro uma maternidade, com uma obstetriz ao meu lado, de preferência no dia do plantão do meu médico (no Edu e na Helena consegui esta proeza), com anestesista, pediatra, enfermeiras e tudo o que eu tiver direito pra ter um parto seguro. Não deixa de ser constrangedor aquela plateia toda vendo vc fazer força pro seu bebê sair mas considero esta assistência muito importante caso alguma coisa saia do controle.

PS: não posso deixar de dizer que no nosso sistema público de saúde o parto normal é a primeira escolha e que o médico que fez o pré-natal não necessariamente será o médico que fará o parto. Alem disso, por falta de profissionais o parto normal é sem anestesia uma vez que o anestesista só pode cuidar de uma paciente por vez e na cesárea ele é obrigatório. Indução do parto eu acredito que seja impensável em um hospital público.
Tem que ser muito corajosa pra ter mais que um filho com um parto assim. Eu acho que teria parado no primeiro.