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Chupar o dedo???? Nunca!

Eu não gosto muito de radicalismos e de dizer que jamais farei isso ou aquilo. Pra tudo existe um momento, uma circunstância, UM PREÇO, e como as coisas mudam e a gente muda também, dizer nunca é correr o risco de ter que voltar atrás. Eu vejo nos blogs de mães que costumo ler muitas afirmações radicais, vias de mão única, sem nenhuma brecha pra negociar; verdades absolutas que só o tempo nos mostra que não existem. O que é bom pra uns não necessariamente é bom para os outros e nem sempre o que eu, a mãe, acho que será bom para os meus filhos, vai mesmo trazer felicidade a eles.

Quando o Eduardo nasceu, eu decretei desde os primeiros dias de vida que não deixaria que ele se viciasse em chupeta, dedo, paninho sujo ou qualquer outro apetrecho utilizado, em geral, pra criança dormir mas que acaba gerando uma certa dependência e um sofrimento futuro pra se livrar deles.

Ah, quantas ilusões eu perdi depois que meu primeiro filho nasceu. Aprendi desde os primeiros dias que muitas coisas eu poderia querer pra ele mas que se ele não as quisesse também, tudo seria diferente do que eu sonhei porque ele ja era um indivíduo e ainda que muito dependente de mim, conseguia fazer exatamente aquilo que queria.

E foi no dia em que saiu da maternidade que conseguiu a sua primeira chupeta: o seu primeiro grande amor, talvez segundo grande amor se eu me iludir acreditando que fui o primeiro.

Chegamos em casa e as tias corujas já nos esperavam ansiosas; a casa toda arrumadinha, o berço preparado, um almocinho delicioso (feito pela minha mãe) esperando a mamãe fresca e tudo parecia perfeito; não fosse o fato do reizinho sentir uma necessidade absurda de sugar e querer ficar no meu peito o tempo todo. Não sei o que acontece com os bebês que ficam tão tranquilos na maternidade e resolvem mostrar suas carinhas somente quando chegam em casa; deve ser pra não correrem o risco de serem deixados lá por mau comportamento.

Pois o Edu, logo na primeira tarde, mostrou que já sabia o que queria e ao que parece ele queria me contrariar e exigia algo pra manter sua boca ocupada. Depois de um certo stress, minha irmã pegou uma chupeta que ele ganhou não sei de quem, ferveu e deu a ele. PROBLEMA RESOLVIDO! A partir deste momento o Edu não chorou mais por quase 6 meses; acordava no berço e chupava sua chupetinha e as vezes resmungava pra me avisar que ja estava com fome e não tive mais problemas.

Na primeira consulta com o pediatra deixei a chupeta escondida na mochila; lógico, eu não o conhecia, não sabia a sua opinião sobre chupetas e não queria parecer aquelas mães que tentam se livrar do trabalho dando algo pra entreter a criança. A consulta transcorreu super bem, até que o Edu ficou com fome e eu meio sem graça de dar a chupeta... perguntei então: posso dar chupeta a ele?

- Claro! Vai acalmá-lo!

Ai que alívio! Tirei a chupeta imediatamente da mochila e a consulta continuou super trânquila.

Quando engravidei da Helena a chupeta foi uma das primeiras aquisições que fiz para o seu enxoval. E foi perfeito com ela também. A Helena nunca foi tão apaixonada pela chupeta e eu acho que posso dizer com tranquilidade que a danada da "pepe" (como ela diz) foi a sua segunda paixão, vindo depois de mim.

Na terceira gravidez, eu, uma mãe super experiente, já comprei duas chupetas de uma vez pra Luísa. Chegamos da maternidade e eu toda animada fervi as chupetinhas e ofereci a ela. Que decepção: teve ânsia, fez careta, empurrou com a lingua e não pegou de jeito nenhum. Tentei várias vezes, inventei algumas táticas; nada deu certo e eu acabei desistindo. De vez em quando minha irmã consegue que ela segure, o Sergio já conseguiu algumas vezes tambem, mas comigo ela não pega nem por decreto.

Agora com 1 mês e 15 dias de vida a espertinha descobriu que tem bem perto de si 10 dedinhos apetitosos que ela pode colocar na boca a hora que quiser e sem correr o risco de perdê-los em algum momento. Fica no berço procurando uma maneira de levar aquelas coisinhas tão lindas à boca quando sente vontade de sugar; e já está ficando craque.

Chupar o dedo???? Volto a repetir que detesto radicalismos mas tenho uma experiência terrível com o vício de chupar o dedo. Conheci uma menina que chupou o dedo indicador até os 10 anos ou mais ( não lembro ao certo). Chupava o dedo e ainda cheirava um travesseiro que ela detestava que fosse lavado.

Para algumas pessoas pode parecer desleixo da mãe da menina, pode parecer sem vergonhice da própria menina que já na pré adolescência parava de brincar pra ir escondida no quarto alimentar seu vício e ficar chupando o dedo e cheirando aquele travesseiro nojento.

O fato é que sua mãe tentou de todas as maneiras acabar com o tal vício: pimenta no dedo, histórias horrorosas de dedos finos que caiam e dentes pra fora como de vampiros. Milhares de conselhos de como era feio chupar o dedo, como era anti-higiênico aquele travesseiro, sem contar com as piadinhas e humilhações das irmãs mais velhas, que ridicularizavam aquele vício.

A menina também não queria continuar e tentava dormir com as mãos presas entre as pernas pra evitar chupar o dedo, mas acabava acordando de manhâ e constatando que após adormecer o dedo tinha voltado involuntariamente à boca.

Não sei bem quanto tempo toda esta história levou e nem exatamente quando o vício foi vencido, mas me lembro com muita clareza, como se fosse ontem, que sofri muito nesta luta pra parar de chupar o dedo e tenho um trauma enorme relacionado a isso. Aceito tranquilamente que meus filhos chupem suas chupetas, durmam com seus paninhos cobrindo o rosto, mamem suas mamadeiras varias vezes ao dia. Aceito estes vícios infantis por ter a certeza de que quando o objeto de desejo for retirado, em poucos dias eles voltarão a viver bem sem eles.

Com o dedo é diferente: não dá pra jogar fora ou entregar pro coelho da páscoa, não dá pra deixar rasgar e esperar que a criança desista dele e não dá pra convencer uma criança de 4-5 anos que ela não deve mais chupar o dedo. Tenho medo de ver se repetir com minha filha uma situação que foi muito triste e traumática pra mim.

Não condeno minha mãe por esta situação, mesmo porque ela foi muito paciente e me ajudou muito naquele momento, mas nao quero que a Luísa passe por nada daquilo. Se ela não quer a chupeta; tudo bem, não é obrigada mas chupar o dedo: NUNCA!