Oct 31, 2007

A lâmpada que queimou

Aceitei o convite da Carla pra escrever sobre histórias horripilantes que nos contaram na infância. Eu sempre fui muito medrosa mas adorava filmes e histórias de terror. Tudo bem que à noite minha irmã tinha que ficar segurando minha mão até eu dormir; isso quando eu não ia pra cama dela porque estava com muito medo.

A história que me lembrei aconteceu comigo quando tinha mais ou menos uns 12 anos. Na rua onde eu morava, éramos em 6 meninas de mais ou menos da mesma idade. Como a rua era sem saída, sem movimento e muito segura nossos pais permitiam que brincássemos até mais tarde e muita vezes chegamos a ficar até as 22 horas brincando na rua.

Certa vez estávamos brincando no quintal de uma delas e o ambiente era bem propício pra se sentir medo: a casa ficava no fundo do terreno e havia um imenso jardim na frente, a rua não era iluminada naquela época e a única iluminação era da varanda da casa dela. Depois de varias brincadeiras resolvemos brincar de casinha. Mas era uma casinha bem diferente: uma de nós seria a mãe e as outras as filhas. O detalhe é que a mãe morria.

Imaginem que naquela escuridão toda nós fizemos até o enterro da mãe e então, na brincadeira, voltávamos pra casa e a mãe, agora uma santa, vinha nos visitar.

Quando a mãe estava em cima da mureta, com um veu na cabeça, um vela na mão, em sua aparição pra ver como nós, as filhas, estávamos, a lâmpada da varanda começou piscar.

Foi uma coisa desesperadora!!! Aquela lâmpada piscando e diminuindo a luminosidade até que se apagou por completo. Em outra situação teríamos até achado engraçado a maneira como a lâmpada se queimou, mas com aquela "mãe" morta nos visitando e todo o contexto da brincadeira foi um desespero. A "mãe" jogou a vela longe e correu pra junto das outras e ficamos todas abraçadas gritando desesperadas até que a mãe da menina e boa parte da vizinhança apareceu pra saber o que estava acontecendo.

Não preciso dizer que nunca mais brinquei que alguem tinha morrido e/ou virado santo.

Quando descobrimos que nosso ídolo usa máscara

Quem nunca sonhou em ter aquela capa da invisibilidade do Harry Poter pra se esconder de vez em quando? Ou sair voando como o Super Homem quando está preso no trânsito? Ter aquelas teias do Homem Aranha para algumas situações... no fundo, todo mundo gostaria de ser um super herói e ter um poderzinho qualquer pra resolver aquele probleminha desagradável.

Pois com as crianças estas sensações também acontecem e estou pra dizer que ainda com mais frequência do que com adultos. Como eles se apaixonam por aqueles personagens super poderosos que resolvem todos os problemas da humanidade e são adorados por todas as pessoas boas.

Depois do Sportakus (Lazy Town), o Eduardo ficou fanático pelo Batman e pelo Homem Aranha, mesmo nunca tendo visto os filmes, nem assistido so desenhos, mesmo sem eu ter citado a existência destes dois. Ele falava tanto, ficava tão encantado que acabei, como já contei
aqui, me rendendo a ele e comprando uma máscara e uma camiseta do Batman.

O problema é que a imaginação de uma criança não tem limites e o meu Batman mirim se sentia super poderoso quando colocava a sua máscara de plástico. Um belo dia ele subiu no encosto do sofá da sala e disse:

- Mamãe, vem ver o salto do Batman.

Eu, com a maior tranquilidade disse pra ele tomar cuidado que quando caísse no sofá pegaria impulso e poderia ser jogado no chão. Mas nem tive tempo de respirar e ele saltou direto para o chão. Eu levei o maior susto e tentei explicar o perigo que era fazer isso mas de nada adiantou porque ele argumentou que era o Batman.

No dia seguinte conversei com a professora e ela prometeu conversar com eles sobre o assunto porque com certeza outras mães estavam passando pelo mesmo problema.

Tambem no dia seguinte, à tarde, eu vi que estava passando o filme do Batman na tv e fiquei naquela dúvida se deixava ou não ele assistir, mas como já estava no final do filme e ele já tinha visto o Batman acabei permitindo e foi ótimo.

No momento em que o Batman tira a máscara para conversar com a mulher gato a decepção do Eduardo foi evidente:

- Mamãe, o Batman usa uma máscara?

Pra resolver certos problemas a gente tem que pensar rápido, vão aprendendo...

- Claro, ele é um homem como a gente e usa a máscara pra nao ser reconhecido.
- Mas e o Homem Aranha?
- O Homem Aranha tambem! (mas não pode mentir pra criança, então eu não falei que o super homem é apenas um homem, mas tambem nao disse o contrario).

- Mas eu não queria que o Batman usasse máscara. Estou muito triste!

Eu pensei em argumentar que ele não era apenas um homem: era o Michael Keaton. Mas pode ser que o gosto dele não seja o mesmo que o meu (espero que não mesmo) e não ia fazer diferença pra ele.

Fiquei de coração partido de ver a decepção dele mas resolvi meu problema. Agora quando pergunto se ele é o Batman ou o Homem Aranha ele responde:

- Não, eu sou o Eduardo!

A máscara anda meio abandonada pela casa e quem está usando é a Helena, mas usa como se fosse uma tiara.

Vocabulário das crianças

A violência traz consigo um vocabulário todo específico e de tanto ver gravações de convesas entre bandidos e entrevistas com delegados, policiais, advogados e outros profissionais da área, a gente começa usar termos como "meliante", "delito", "cliente", "suspeito" e por ai vai... Por mais que vc tente manter seus filhos tranquilos e sonegue a eles boa parte das notícias, sempre alguma coisa escapa.

Ontem o Eduardo estava brincando de mamãe e filhinho com a Helena. É interessante que ela sempre é a mamãe e ele o filhinho, mas quem decide tudo é ele.

Então os dois estavam arrumando a "casinha" e ele disse:

_ Não mamãe, não pode sair na rua porque os criminosos vão te pegar.

Criminosos!!!!????? E eu que achava que não passava pra eles os medos que eu tenho. E eu que digo que não pode sair na rua só porque passa carro.

Oct 30, 2007

Festa de Halloween no Brasil

yih
Amanha será a festa de Halloween na escola do Edu. Ele vai fantasiado de caveira apesar de não saber muito bem o que é uma caveira, risos. Mas acho que vai ser legal pra ele porque a professora de inglês vai trabalhar esta parte da tradição do Halloween.

Algumas escolas estão substituindo esta festa pela festa do Saci Pererê; o argumento é de que o Halloween é uma comemoração americana e então querem incentivar um conhecimento maior das nossas tradições, o nosso folclore.

Não sei como estão as coisas nas escolas hoje em dia e meus filhos ainda não estão nesta fase mas me lembro que quando era criança comemorávamos o dia do folclore e aprendíamos muitas coisas sobre o saci, sereia, mula sem cabeça entre outros. Fazíamos trabalhos em grupo ou individuais que valiam até nota e era bem interessane. E eu estudava em colégio estadual.

Na verdade, ainda não tenho uma opinião formada com respeito ao Halloween. No caso do Eduardo eu achei interessante porque existe o contexto da aula de inglês. Esta semana eu vi as professoras de inglês da escola vestidas de bruxas e certamente vai ser uma forma interessante de estudar inglês.

Oct 28, 2007

O casamento que quase não aconteceu

O dia do meu casamento não podia ser um dia normal na minha vida. Alem de ser o dia do meu casamento, o que já é complicado por si só, ainda tivemos fortes emoções externas.

Eu e o Sergio começamos a discutir os detalhes do nosso casamento já nos primeiros dias de namoro. Queríamos nos casar após dois anos de namoro e esperar mais uns dois anos pra ter o primeiro filho. Logo em seguida já queríamos mais duas crianças e fechar a "fabrica". Queríamos um casamento bem simples e sem festa porque a família do Sergio é muito "tímida" e queríamos substituir a festa por uma viagem bem legal. Acho que mesmo planejando tudo não tinhamos noção de como nossos planos iriam se realizar com tanta precisão.


Mas voltando ao casamento: após 2 anos de namoro fomos até a igreja que eu frequentava e perguntamos ao padre qual a data mais próxima para podermos nos casar. Isto foi feito mais ou menos em novembro e marcamos o casamento para março do ano seguinte porque a igreja precisa acertar a papelada, fazer os proclamas e ainda tem os prazos do cartório, já que o casamento civil tem que ser antes.


Conclusão: tivemos apenas 4 meses para organizar tudo. Apesar de ter sido um casamento super simples deu muito trabalho porque eu resolvi que queria fazer as coisas sozinha, em casa. Então, comprei os convites da kalunga e escrevi o texto e imprimi tudo em casa (com a ajuda da minha irmã);meu vestido foi feito pela minha mãe e bordado pela minha irmã;o vestido da daminha também foi feito pela minha mãe (eu fiz questão absoluta de que fosse assim); como eu frequentava a igreja varias pessoas da comunidade se prontificaram a decorá-la no dia do casamento, até porque ninguem gosta de casar lá por ser uma igreja simples; o senhor que toca orgão na missa fez questão de tocar no casamento e quando fui à casa dele pra escolher as músicas, sua esposa se prontificou a cantar na cerimônia. Enfim, foi tudo feito assim, com a ajuda dos amigos, algumas improvisações, de forma quase artesanal.

Como o Sergio não quis se envolver nesta parte "religiosa", ele ficou responsável pelo preparo da nossa casa: reformamos a coitadinha de cima em baixo, trocando todos os pisos, azulejos, pintando, trocando coisas que estavam quebradas e velhas. E nós dois juntos fomos saindo pra comprar o mínimo necessário como fogão, geladeira, cama, colchão. E eu ainda tive que preparar o enxoval que eu não tinha.

O Sergio tambem ficou encarregado de organizar a lua de mel. Ele mais ou menos montou um roteirinho de alguns lugares de interesse para os dois e depois fomos a uma agência de turismo e com a ajuda do profissional montamos um roteiro super legal de 17 dias.

Acho que foram os 4 meses mais rápidos e movimentados da minha vida. Como eu gosto de fazer TUDO AO MESMO TEMPO, juntamente com os preparativos do casamento eu também fiz a seleção para o meu mestrado, ou seja, uma correria sem fim.

Mas não me arrependo de forma alguma. Fui recompensada com a presença de TODO MUNDO que foi convidado e as duas pessoas que se ausentaram foram as que se perderam.

Mesmo com toda esta falta de tempo conseguimos organizar tudo e então pude ter uma noite de sono tranquila pra estar linda e feliz no grande dia. Mas logo de manhã uma novidade de última hora quase me matou de susto. Digo de última hora porque apesar das coisas já estarem estranhas há algum tempo, foi exatamente na madrugada de sábado, dia do casamento, que o padre da igreja foi mandado embora pelo pessoal da comunidade (esta história vou contar em outro post).

Para minha alegria, apesar dos problemas com o padre (que eu detestava) a comunidade não se esqueceu de mim e foi de madrugada na cúria pedir a saída do pároco e avisar que precisavam de um padre naquela noite para celebrar o casamento.

Imaginem como eu fiquei quando acordei no dia do meu casamento e fiquei sabendo que a igreja estava sem padre!!! Hoje eu morro de rir mas no dia foi um susto. Mas como vcs já devem estar imaginando, a cúria conseguiu encontrar alguem porque o casamento se realizou e dura até hoje muito bem obrigada. No final, apesar do estress foi ótimo porque eu não gostava do padre mesmo, já havia um litígio da comunidade com o cara e o padre que a curia mandou fez um sermão muito bonito: Foi Lindo!!!!

Chegamos na nossa casa nova aquele dia super felizes para passar nossa noite de núpcias no nosso colchão, no chão!!! A cama não chegou a tempo!!!

Oct 24, 2007

Por que ela fala por que?????

Por que você é Flamengo
E meu pai Botafogo?
O que significa
"Impávido colosso"?
Por que os ossos doem
enquanto a gente dorme?
Por que os dentes caem?
Por onde os filhos saem?
Por que os dedos murcham
quando estou no banho?
Por que as ruas enchem
quando está chovendo?
Quanto é mil trilhões
vezes infinito?
Quem é Jesus Cristo?
Onde estão meus primos?
Well, well, well
Gabriel...
Por que o fogo queima?
Por que a lua é branca?
Por que a terra roda?
Por que deitar agora?
Por que as cobras matam?
Por que o vidro embaça?
Por que você se pinta?
Por que o tempo passa?
Por que é que a gente espirra?
Por que as unhas crescem?
Por que o sangue corre?
Por que é que a gente morre?
Do que é feita a nuvem?
Do que é feita a neve?
Como é que se escreve
Réveillon?
A letra desta música da Adriana Calcanhoto tem tudo a ver com a fase em que o Eduardo está. Ele passa o dia todo perguntando os porquês de tudo e quando vc responde ele vem com mais um porquê.
Um dia no carro estávamos ouvindo o CD e depois de pedir pra ouvir esta música pela terceira vez ele me pergunta:
_ Mamãe, por que ela fica perguntando porque de tudo????

Que dia!!!

Em São Paulo amanheceu aqueles dias típicos de inverno com aquele friozinho horrível e uma garoinha que é a cara da Terra da Garoa daminha infância. Só mandei o Edu pra escola porque ele pediu pra ir; então tive que sair da cama também. Bom, sair da cama é modo de dizer porque a dona Luisa me fez sair da cama as 4:15 da matina; estava com fome!!!! E não dormiu mais até as 6 hora da manha (hora que levanto normalmente). O pior é que ela nem queria muito a minha presença; estava tranquila e toda sorridente no berço, mas quando a chupeta caia ela começava chupar o dedo, então lá ia eu tentar resolver o problema.

Aliás acho que ainda não contei que ela enfim encontrou uma chupeta para seu gosto apurado. É uma chupeta de silicone mas com o bico reto e chatinho. Não vou dizer que seja a grande paixão da vida dela, mas ela aceita bem quando quer dormir e sente aquele necessidade louca de sugar. Também basta pegar no sono pra chupeta ser cuspida longe.

Agora a chuva aumentou um pouco e pelo que estou vendo vai assim o dia todo. O duro é que a "assistente" não vem de quarta-feira e eu vou ter que levar Luísa e Helena pra buscar o Edu. Eu fico morrendo de dó, principalmente da Helena que vai ter que ir pra classe andando: não tem nada melhor neste friozinho do que um colinho, né? Mas fazer o que; ela já tem que ir se acostumando para o frio do Canadá.

Nem podemos reclamar muito porque a escola tem estacionamento coberto e não andaremos na chuva em nenhum momento. Pra facilitar o portão da minha casa ja fica aberto pra quando eu chegar não ter que sair na chuva pra abri-lo.

Na verdade, deixar o portão aberto é mais uma medida de segurança do que de praticidade. Eu acho mais seguro o portão ficar aberto e correr o risco de alguem entrar na garagem (que é aberta e nao tem nada pra ser roubado) do que ter que descer do carro na rua e deixar as crianças sozinhas nele enquanto eu vou abrir o portão. Eu entro em pânico quando imagino que alguem pode levar meu carro com as crianças dentro.

No fim, acaba sendo mais prático tambem deixar o portao aberto e não ter que pegar chuva.

Dias como hj também é um excelente treinamento para o Canadá: tem que ter muita imaginação pra manter 3 crianças presas dentro de casa o dia todo sem poder sair. No geral eu os mantinha trancados bagunçando na sala ou no quarto deles. Pensando já no Canadá, eu os agasalho bem e deixo que brinquem na garagem. E como o próprio Eduardo diz: mamãe, eu não tenho medo de frio!

Oct 23, 2007

Coisas de irmãos

Eu sou a caçula de 4 filhas e apesar de ter 3 irmãs sempre me senti muito sozinha porque elas eram mais velhas. Quando eu já tinha idade pra entender alguma coisa e poder brincar com elas os seus interesses já tinham mudado; estavam na adolescência. Quando saíam juntas para algum lugar em geral eu não podia ir e minha participação se reduzia a vê-las se arrumando ou ouvir os comentários quando retornavam.

As coisas ficaram um pouco melhores quando a minha irmã mais velha começou a namorar e só podia sair com o namorado se eu fosse junto, como vela. Eu até tinha uma participação maior porque ia junto, mas não tinha a menor graça.

Não é um lamento ou reclamação; apenas um fato. Tive uma infância super feliz e cheia de travessuras e amiguinhos, mas sentia falta de ter uma irmã da minha idade na hora que as amigas tinham que ir embora. Na adolescência eu ficava imaginando como seria ter um irmão; de qualquer idade desde que mais velho que eu (sempre gostei de ser a caçula, risos).

No final, o fato de ter apenas irmãs mais velhas influenciou muito a decisão de ter filhos com pouca diferença entre si. Pode ser que eu tenha muito mais trabalho neste momento em que os três são pequenos mas acho que está sendo bom. Eles brigam, choram, reclamam um do outro, morrem de ciúmes de tudo mas não se desgrudam; passam o dia procurando um pelo outro.

Alem da companhia que um faz para o outro, ambos estão aprendendo a dividir, compartilhar, brincar junto. Os dois brincam de super heróis e fazem comidinha sem a preocupação se a brincadeira é de menino ou menina; brincam de tudo um pouco. Apesar da liberdade a Helena gosta mais de brincar com o nenê, colocar roupinhas nele, dar comidinha e o Eduardo prefere as brincadeiras mais ativas como pular no sofá, virar cambalhota, andar de bicicleta. Mas os dois adoram jogos. quebra-cabeças, carimbos, escrever e desenhar e passam horas juntos brigando e dividindo os materiais.

Quando tiverem mais noção das coisas tenho certeza que ambos vão dizer em alguns momentos que preferiam não ter irmãos. Não tem jeito, as experiências que nunca tivemos sempre nos parecem ótimas em algumas situações.

Tendo um irmão sempre é possivel encontrar algum momento pra ficar sozinho como se fosse filho único; não tendo nenhum; não tem nem como sonhar como seria se tivesse.

Oct 20, 2007

Abrindo os portões

Por medo da violência a rua fica deserta; todo mundo escondido atrás das suas grades; todos presos; amedrontados. As crianças mal podem se aproximar do portão: brincam dentro de casa com seus video games ou assistindo tv e as escolas são agora o ponto de encontro com os amiguinhos; as vezes um aniversário e só.

Os vizinhos mal se encontram e quando vc passa com seu carro de vidro fechado e insulfilme e acena, muitas vezes ele nem olha pra vc. Mas será que ele viu que era vc??? Será que ele viu o seu aceno?

Até que um dia vc decide deixar as crianças sairem na rua pra andar de bicicleta a despeito do risco de ser assaltado. Em pouco tempo outros portões começam a se abrir, outras crianças surgem, alguns pais meio tímidos usando tb seus filhos como desculpa pra estar saindo de casa e em alguns minutos várias famílias voltando aos tempos de antigamente: os pais convesando animadamente no portão, as crianças andando de bicicleta na rua, o cachorro latindo para o movimento, o bebê chorando no carrinho.

Eu fiquei tão feliz com esse contato com meus vizinhos que há tanto tempo moram aqui pertinho e que nunca tivemos oportunidade de conversar. Ver que todos eles sentem os mesmos medos que eu mas também as mesmas necessidades, as mesmas carências, a mesma falta de contato humano, de ver os filhos brincando com outras crianças.

Na verdade a maioria das pessoas não mudou: todos queriam sair na rua, conversar no portão, abrir sua casa para um café com a vizinha. Os discursos são sempre os mesmos e todo mundo sonha com isso (quase todo mundo).

Eu fico me perguntando como são estas relações no Canadá; será que os portões estão sempre abertos? Mais que isso: será que os corações estão abertos?

Enquanto isso vamos tentando manter nossa vida o mais saudável possível por aqui, procurando alternativas para esta solidão a que somos empurrados o tempo todo pela violência.

Oct 19, 2007

Flores da cidade

Já faz alguns dias que venho observando a cidade de São Paulo toda florida. De uma maneira geral a gente sempre olha para o lado feio da cidade, os muros pixados, as ruas esburacadas, as casas mal cuidadas e a imagem que fica é sempre a pior possivel.

De repente, não sei bem quando mas no caminho da escola do Edu eu vi uma linda primavera cor maravilha. Ela me chamou a atenção porque tenho uma aqui em casa e está completamente pelada tadinha!!!! Minha auxiliar resolveu podá-la exatamente quando as flores estavam começando e ela agora está toda confusa tentando brotar enquanto o tempo diz que ela deveria estar dando flores. No fim, nem uma coisa nem outra. É bem verdade que este ano descuidei muito das minhas plantas e tudo por aqui está meio assim... caidinho.

Então eu fico babando todos os dias com esta primavera que está a coisa mais linda de se ver. E a partir dela eu comecei olhar com outros olhos para a paisagem que encontro todos os dias no caminho da escola: Ipês amarelose roxos, primaveras de várias cores também, carramanchões lindos caindo sobre muros e as vezes apoiados em árvores de calçada.

Ao invés de olhar o lado feio da cidade (que é o mais facil de ser encontrado) tenho tentado encontrar coisas bonitas de se ver e o mais interessante é que tenho encontrado muita coisa.

Pena não poder ter este ano a minha primavera maravilha toda florida.

PS: assim que tiver um tempinho vou tirar umas fotos pra florir meu post.

Timidez

Eu não canso de dizer que sou tímida; acho que é uma maneira de tentar me livrar desta característica que as vezes me incomoda muito e muitas vezes atrapalha minha vida.

Uma amiga minha se inscreveu no site da Ana Maria Braga e foi convidada a ir hj na comemoração dos 8 anos de programa. Tenho que confessar que fiquei com inveja. Nem tanto pelo fato dela ter ido junto com o marido e ter aparecido o tempo todo na tela (risos). Fiquei com inveja da coragem de se inscrever, se dispor a fazer uma coisa assim e ainda correr o risco de ganhar um prêmio no programa.

As vezes estou assistindo o programa e ela dá um número de telefone pra ligar e concorrer a alguma coisa e eu nunca tenho coragem de ligar. Já pensou se ela pega o meu número e liga pra mim??? Já pensou eu ao vivo na tv (pelo telefone)???? Ir até os estúdios, nem pensar!!!!

Fico pensando em quantas coisas ainda mais interessantes eu perdi na vida simplesmente porque sou tímida, porque tenho vergonha de aparecer, de chamar a atenção.

No fundo, no fundo, ter filhos me ajudou muito a liberar este meu lado que gostaria de ser visto. Apesar de ser a coisa mais natural do mundo e que acompanha a humanidade desde sempre, uma mulher grávida sempre chama a atenção. Todo mundo vem passar a mão naquela barriga sem dono e todos os olhares se voltam pra vc quando a sua barrigona aparece.

Tenho que confessar que fiz muitas amizades graças àquelas barrigas que me acompanharam nos últimos 4 anos e com três crianças tão pequenas continuo conhecendo pessoas que se maravilham com minha "coragem", que se assustam com minha "situação" ou que se penalizam com meu "fardo". Ainda que as reações sejam inexperadas e os comentários nem sempre agradáveis, a presença dos meus filhos me tira do total anonimato e me coloca em evidência em várias situações trazendo até mim pessoas que jamais se aproximariam em outra circunstância.

Ainda estou aprendendo a lidar com este "sucesso" e até a tirar proveito da situação pra fazer coisas que sozinha eu não faria. Consegui conhecer pessoas muito legais e interessantes com quem hoje mantenho contato independente das crianças. Aos poucos estou perdendo o medo de entrar em uma roda já formada e de ir ao encontro das pessoas que não conheço. E analisando o meu jeito de ser e todas as impressoes que eu devo ter passado a minha vida inteira eu começo a entender melhor algumas pessoas de quem não gosto, que acho metidas, que acho que não gosta de mim.

Já disse milhares de vezes que não gosto de sonhar coisas para os meus filhos, mas gostaria muito de vê-los sempre rodeados de amigos e sem medo da exposição. Perdi muitas coisas na vida por medo de aparecer, passei na sombra, me escondendo e só agora tenho a noção de que quanto mais eu me escondia, mais eu aparecia e que a imagem que eu passava só afastava ainda mais as pessoas de mim.

Oct 17, 2007

Entrando nos eixos

Depois de 2 meses e 11 dias do nascimento da Luísa acho que agora as coisas estão realmente entrando nos eixos e estamos conseguindo ter uma rotina aqui em casa. Não que a Luisa tenha me dado muito trabalho, ao contrário...

Mas tive alguns problemas:

- Luísa queria ficar no colo o dia todo e queria dormir no colo a noite tb.
- Helena queria dormir na minha cama e bastou que eu deixasse uma vez pra ela começar acordar de madrugada e vir na calada da noite se aconchegar entre eu e o Sergio.
- O Edu ficou enciumado e começou bater na Helena o dia todo.
- A Luísa acordava varias vezes de madrugada querendo mamar.

E com essas e outras intercorrências esperadas e inesperadas, passamos 2 meses dormindo mal, acordando cansados, passando o dia sonolentos e indo dormir pensando nas mil coisas que tinhamos que fazer no dia seguinte.

Quando as olheiras ficaram parecendo marcas de soco e a paciência estava sempre pro um fio eu resolvi parar e pensar no que estava acontecendo e tentar encontrar uma solução para o caos em que as nossas noites estavam se tornando.

A primeira coisa que fiz foi um tratamento de choque na Luísa. Calma, calma, eu não coloquei nenhum fio ligado nela. Eu somente apliquei a técnica controversa do livro Nana Nene. Muita gente critica e acha um absurdo mas com um pouquinho de choro a Luísa entendeu rapidinho que não dá pra ficar no colo o tempo todo e que dormir no berço é bem mais confortável. É bem verdade que não tenho coragem de usar a técnica como é sugerida com um bebê tão pequeno, mas fiz uma adaptação que funcionou bem com ela.

Ao mesmo tempo dei um jeito nas escapadelas noturnas da Helena. Quando ela chegava pé ante pé na minha cama já encontrava minha mão estendida para levá-la direto para sua cama. A primeira noite foi um chororo naquele quarto que até o vizinho comentou como quem não quer nada, mas já na segunda noite a choradeira foi bem menor e não teve choro na terceira.

Pra coisa ficar como eu queria tive que começar tirar a Helena cedo da cama. 8 horas passou a ser o limite, a menos que algo extraordinário aconteça. Com isso, ela dorme um pouquinho antes do almoço e quando chega o início da noite já está com sono. Ainda assim só dorme mesmo lá pelas 21 horas mas já fica sozinha na cama desde as 20:30; cantando, falando, resmungando...

Ainda tive a feliz idéia de tira-la da bi-cama e passá-la pra mini-cama que era do Edu. Agora ela dorme em uma caminha só dela e não mais "no chão". Não preciso dizer que ela está adorando e ficar na cama virou uma coisa legal pra ela.

É bem verdade que o cansaço ainda não foi resolvido porque pra colocar 3 camas em um mesmo quarto tivemos que trocar de quarto, já que trocar de casa no meio do processo de imigração não valeria a pena. Ainda estou arrumando as coisas e tentando me acostumar com o novo quarto.

A maior dificuldade está sendo porque troquei um lado de cada guarda-roupa mas o outro ainda não. Assim, metade das minhas coisas ainda estão no quarto das crianças e metade das coisas deles estão no meu quarto. O Sergio nem perde o tempo dele procurando; ele só diz:

- Lena, onde ficam as meias?

As vezes nem eu mesma sei e pego o que ele precisa no cesto de roupa pra passar.

Já deu pra perceber que nestas bagunças todas o Eduardo é o anjinho da história. Usei o Nana Nenê com ele quando tinha uns 6 meses. Mas nem teve muito estress porque já na primeira noite ele parou de chorar quando saí do quarto na segunda vez e até hj dorme tranquilamente.

É claro que ele sempre tenta prolongar o tempo em que eu fico no quarto; pede que eu conte mais uma história ou repita aquela história que ele adora ou cante aquela música que ele está tentando decorar ou sente sede;coisas de criança. Mas dorme com a maior facilidade.

Agora é só colocar a casa em ordem e aproveitar a tranquilidade da noite.

Oct 14, 2007

Bonecas

Não sou daquelas pessoas saudosistas que acham que tudo o que foi da sua "época" foi melhor do que o que tem agora. Acho que cada época tem seu encanto e muita coisa que vivi na infância não cabe mais nos dias de hoje. Criar uma criança como nós fomos educados nas décadas passadas seria excluí-la da sociedade, criá-la em um mundo isolado.


Eu consigo ver as vantagens que as crianças de hoje têm sobre minha própria infância e até sinto um pouco de inveja de tantas possibilidades que eu não tive.

Agora, em termos de bonecas, sou saudosista mesmo!!!!

Tenho tentado, de verdade, ver algum encanto nas bonecas que encontro nas lojas mas não tenho tido sucesso. Eu diria que 90% delas são horrorosas e outros 9% são só feias. Certamente existe um percentual de 1% que sejam bonitinhas mas ainda não me encontrei com elas.

Me lembro das inúmeras bonecas lindas que tive na minha infância. Bonecas com rostinhos lindos, dava até vontade de beijar, de morder... Eu tive uma boneca chamada Maezinha que fazia o bebê dormir tocando uma caixinha de música e embalando-o. Ela tinha um rosto verdadeiramente de boneca e até a bonequinha que vinha com ela era bonitinha.

Tive uma outra que se chamava Bebê coração, que vinha com estetoscópio e o coração dela batia. Era linda também.

Mas a minha preferida era uma coleção de bonequinhas que tinham o rostinho lindo de vinil e o corpinho todo molinho com enchimento de bolinhas de isopor: o feijãozinho. Tudo bem que aquelas bolinhas eram um desespero porque quando as costuras cediam a casa ficava forrada de bolinhas de isopor; um perigo pra criança pequena. Mas não se pode negar que o rostinho era lindo!

Hoje em dia acho as bonecas horrorosas, os traços são grosseiros, algumas são até enrugadas. As recordistas em falta de beleza são as bonecas de gente famosa como angélixa, xuxa, eliana, etc... Eu detestaria ter uma boneca feia como aquelas com o meu nome.

As vezes eu acho que as crianças não percebem o quanto aquele bebezinho que ela chama de filhinha é feio. Talvez por pura falta de outro modelo.

A minha irmã tem uma teoria de que para baixar o custo as indústrias pararam de investir nos profissionais e então não tem gente de qualidade pra fazer os moldes. Pode ser; não duvido de mais nada.

Eu só lamento não ter guardado as minhas bonecas. Hoje, minhas filhas teriam lindos rostinhos pra chamar de filhinha.

Oct 13, 2007

Que medo!!!!

Eu sou uma medrosa convicta!!! Ou melhor: consciente. Sempre fui assim medrosona. Quando vou dormir sozinha em casa tenho que olhar atras das portas, embaixo das camas e revistar a casa inteira pra ter certeza que ninguem entrou e está escondido esperando eu pegar no sono. Coisa de doido né?


O coitado do cachorro fica de saco cheio porque qualquer barulho que ouço ou penso ter ouvido, chamo pelo nome dele. É pra garantir que o suposto meliante não fez alguma coisa com o coitado do cachorro pra poder invadir o quintal. Tenho certeza que ele se enche pois depois de um tempo eu tenho que chamá-lo várias vezes pra ele dar sinal de vida.

Hoje o Sergio foi com o Edu e a Helena para a farra. E o pior: eu fui levá-los e voltei pra casa com a Luísa. A festa começou as 19 hora e eles me ligaram pra ir buscá-los só as 22: 31 exatamente. Pela animação parece que os três se esbaldaram.

Enquanto isso, eu fiquei aqui em casa morrendo de medo. Medo de que??? A princípio de nada; até que zapeando a TV vi uma cena com o Denzel Washington (que eu adoro!!!) e comecei assistir o filme. E o filme era de suspense!!!

Agora imagine a cena: eu morrendo de medo do nada começo assistir um filme de suspense e apesar de estar morrendo de medo não consigo mudar o canal porque o filme foi ficando super interessante. Quando vinha o intervalo eu mudava de canal na tentativa de me interessar por um programa mais ameno mas não conseguia parar de pensar no que estaria acontecendo no filme; acabava voltando pra warner pra matar a curiosidade! Então mesmo morrendo de medo acabei assistindo o filme inteiro e gostei muito. O final foi até engraçado!

Eu adoro filmes de suspense e mesmo que esteja morrendo de medo, minha curiosidade é mais forte e eu acabo sempre assistindo o filme até o fim. Com certeza o filme que mais me causou medo foi o "Os Outros". Fui assistir no cinema junto com o Sergio e em determinado momento eu fiquei tão aterrorizada que mordi o braço dele. Até hj ele fala disso.

Se por um lado eu até me divirto com meus medos, muitas vezes absurdos; por outro eles me dão muito trabalho. Eu tento controlá-los mas de vez em quando eles são mais fortes que eu. Vira e mexe eu me vejo à noite no fundo do quintal criando coragem pra apagar a luz da lavanderia e ir no escuro até a cozinha. Muitas vezes o medo é tanto que eu tenho que chamar o Sergio pra me acompanhar.

Feliz é a Luísa: ficou na maior tranquilidade dormindo no sofá.

Oct 11, 2007

Deixando de ser bebê

É com uma certa nostalgia que estou vendo meu bebezinho loirinho mudando da fase bebê pra fase menino. Talvez ele já seja um menino há muito tempo mas mãe sempre vê seus filhos menores do que eles realmente são.

Acho que me conscientizei da mudança de fase do Edu quando saí pra comprar roupas pra ele. Estava super acostumada com aquela sessão de roupas até 3 anos com o Mickey, o Pluto, o Ursinho Puff...

De repente percebi que apesar das roupas até 3 anos continuarem lindas, agora estão pequenas demais pra ele e quando mudei de sessão percebi a mudança. Agora ao invés das ilustrações da Disney as roupas do Eduardo estão ilustradas com pranchas de surf, skates, desenhos psicodélicos, bermudas cheias de bolsos e super largas e compridas e claro: muitos super heróis. Eram tantas opções de camisetas com estampas da liga da justiça que fica até dificil comprar.

E não foram só os desenhos que mudaram; as tintas usadas são diferentes, a forma como as estampas são feitas, um visual totalmente diferente e que eu confesso nunca tinha me interessado e nem pensado que passaria um tempão ali olhando e escolhendo um pro meu filho.

Na fila do caixa me achei super engraçado eu abraçada com uma camiseta branca com um enorme desenho preto do Batman, Homem Aranha e Capitão América. Há alguns anos atrás eu gargalharia se alguem me dissesse que em algum momento da minha vida eu iria trazer pra minha casa vários produtos dos super herois e o pior: que eu os acharia bonitos.

Coincidência

Falando em bicicletas: em comemoração ao dia das crianças ontem teve um passeio ciclístico na escola do Edu. Ele ficou a semana inteira esperando por este dia na maior ansiedade e eu tive até que marcar na folhinha o dia em que ele poderia levar a bicicleta pra escola.

Foi até legal porque ele começou usar o calendário e entender que depois de cada noite começa um novo dia e ter uma idéia de tempo.

No dia do evento ele levantou na maior animação e não via a hora de ir pra escola com sua bicicleta do Super Homem (sim!!! Eu que detesto esta história de super heróis tive que aceitar a bicicleta do Super Homem).

O problema foi na hora de ir buscá-lo. Quarta feira é o dia que a minha "assistente" não vem e então eu tenho que ir buscar o Edu na escola com a Helena e a Luísa. Isso porque o Edu queria muito que eu voltasse a buscá-lo na escola e pra mim acaba sendo legal porque saio um pouco de casa e encontro minhas amigas-mães da escola.

Sai bem mais cedo de casa porque sabia que teria problemas pra carregar todo mundo e a tal bicicleta até o carro. Logo que cheguei já encontrei com duas amigas e enquanto uma foi dar uma volta com a Helena a outra entrou comigo no pátio pra procurar a bicicleta do Edu naquele mar de bicicletas.

De cara já avistei a "linda" bicicletinha do Super Homem e a Claudia viu um papel colado nela com o nome EDUARDO - Jardim A. Achei estranho porque o Edu é do Jardim B e fui procurar a identificação que eu coloquei mas não tinha nada. Dei mais uma olhada ao redor e vi a verdadeira bicicleta do Edu com o nome dele e a turma.

Dá pra acreditar que os dois Eduardos do Jardim têm as bicicletas iguaizinhas??? Por muito pouco eu não trouxe a bicicleta errada.

Também por coincidência o Edu estava no parque naquele momento e quando viu aquela moça alta e loira pegando a bicicleta dele correu a nosso encontro e ficou segurando a bicicleta com cara de assustado. Só quando me viu ele relaxou mas pediu que nao levássemos a bicicleta pro carro. Só quando ele entrou na sala dele é que a Claudia finalmente conseguiu pegar a bicicleta e me ajudar até o carro.

Não sei o que teria sido de mim se não fossem as minhas amigas.

Música ao vivo no carro

Troquei de carro!

Nós gostávamos muito do nosso carrinho antigo mas infelizmente seu porta malas ficou pequeno. Com o nascimento da Luísa tinhamos sempre que escolher: ou levava o carrinho dela ou as bicicletas. Se resolvêssemos viajar teríamos que decidir entre as malas, o carrinho ou ... as bicicletas. E são duas: a do Edu e a tonquinha da Helena.

Eu não vejo a hora de me livrar do carrinho da Luísa mas com a minha experiência já sei que a saída do carrinho acarreta na chegada de mais uma bicicleta. E como eles adoram!!! Passam a tarde inteira no pequeno espaço da minha garagem dando voltas e mais voltas imaginando viagens, trânsito, passeios... E sempre que eu saio de casa os dois trazem as bikes pra colocar no carro.

Pois então, troquei de carro e acabei trocando também de radio do carro.

Não sei se já disse aqui mas sou fã apaixonada pelo Pearl Jam e sempre tenho um CD deles no carro que ouço incansavelmente sempre que dirijo. Pois não é que o tal rádio "novo" está fazendo até o Eddie Vedder me irritar???

A porcaria do rádio não deve ter aqueles amortecedores que não deixam o som ficar falhando. Pra quem anda na cidade de São Paulo já dá pra imaginar como fica o som: pára o tempo todo! É tão irritante que dá vontade de jogar o rádio pela janela!!!

De vez em quando a buraqueira é tanta que o rádio acusa falha e devolve o CD; ou talvez o CD se recuse a tocar naquele ambiente turbulento e se jogue pra fora do radio.

Como foi a minha irmã quem comprou o meu carro "velhinho" acompanhado do meu radinho "novinho", não fiquei nem um pouco intimidada em pedir meu radinho de volta e assim poder ouvir as músicas do Pearl Jam na voz do Eddie Vedder, e não na minha.

Oct 6, 2007

E a ficha caiu...

Foi assim, de repente, num piscar de olhos, que a Helena acordou da sua condição de princesinha suprema da família e percebeu que estava dividindo o posto com aquele "nenê" que chegou há exatos 2 meses atrás.


Foi assim, indo buscar o Edu na escola e vendo que todas as crianças que antes corriam para pegá-la no colo assim que chegávamos, agora dividiam as atenções com aquele "nenê" sem graça que passa o dia todo deitado no berço ou chorando no carrinho (isso quando não está roubando o colo da mãe dela).

Pra minha alegria os adultos foram muito sensíveis e antes de correr pra conhecer a Luísa, se preocuparam em dar atenção à Helena como sempre fizeram. Mas criança não tem essas sutilezas e são sempre sinceras: queriam ver a novidade, afinal, a Helena já é mais do que conhecida no colégio e famosíssima também.


A surpresa da Helena com aquela situação, pra ela inusitada, foi tão grande, que ela sequer desceu do banco onde estava, pra explorar ou conversar com as pessoas. Ficou sentada, séria, olhando todo mundo como se fosse a primeira vez e com uma carinha de quem não estava entendendo nada. Não tentou chamar a atenção pra si, não fez gracinha, não sorriu pra ninguém; ficou sentada o tempo todo como que tentando entender o que estava acontecendo. Como eu gosto de dizer: perplexa!


Pela primeira vez não foi correndo para a sala do Edu quando o portão abriu. Foi para o pátio procurando outras coisas como se já soubesse o que ia acontecer quando os amiguinhos do irmão vissem a nova irmazinha que estava indo pela primeira vez ao colégio.


Pela primeira vez fez birra pra entrar na sala e pela primeira vez não deu atenção para ninguém. Se eu pudesse medir acho que aquele foi o dia mais dificil da vida delal. Assim como aconteceu com o Edu nos primeiros dias da Luísa, naquela tarde ela ficou mais manhosa, querendo colo, brigando com o irmão já que o bebê é meio intocável. Acordou de madrugada querendo ir pra minha cama; perdeu até o sono...


Fiquei pensando nas reações dela a partir dali e em como eu faria pra amenizar o que ela estava sentindo. Mas acho que foi uma reação passageira. No dia seguinte, na escola, a Luísa dormiu o tempo todo e bebê dormindo não tem a menor graça. Então ela pôde reinar absoluta novamente enquanto esperávamos o portão abrir.

Aparentemente tudo voltou à normalidade: sem ciúmes, sem manha e com a bagunça de sempre!

Oct 4, 2007

Soletrando

Eu estou ficando expert em soletrar. Passo o dia todo soletrando palavras para o Eduardo. E não pensem que fico fazendo meu filho de 3 anos e 10 meses estudar o dia inteiro. Ao contrário, fico até insegura de vê-lo já conhecendo e escrevendo todas as letras e ele gosta muito disso porque pelo menos uma vez ao dia pega caneta e papel e começa:

- Mamãe, com letra começa o nome da fulana?

ou

- Mamãe, com que letra começa o brinquedo tal?

Quando o papel que dou a ele é uma folha sem linhas ele mesmo risca as linhas pra escrever nelas. Uma graça!

Agora engraçado mesmo foi a Helena. Enquanto eu soletrava algumas palavras para o Edu, ela pegou caneta e papel e começou:

- Mamãe, mamãe. Eni, Be, A...

E fingia que estava escrevendo, ou melhor, ia escrevendo do jeito que ela achava que era. Então fui soletrando para os dois e passamos um tempão nesta história de soletrar.

Ao mesmo tempo que fico super orgulhosa dos meus filhos, eu fico super chateada de ver como o nosso país é injusto e como as oportunidades são somente para poucos. Para algumas pessoas, meus filhos são muito inteligentes e espertos, quase superdotados. O difícil é explicar que a diferença deles é que têm os estímulos corretos. Não é possível que o Edu estude em uma escola de superdotados, né?

É tão interessante ver como eles absorvem todas as informações, como querem aprender, como têm curiosidade. E não estou falando dos meus filhos, estou falando de qualquer criança. Tenho certeza que qualquer criança bem estimulada, insentivada sem cobranças, está totalmente aberta ao aprendizado.

É uma pena que tantos talentos são "perdidos" porque as pessoas não têm oportunidade. Como não me sinto capaz de fazer muita coisa neste sentido, faço o que acho que posso. Gosto muito de dar presentes para criança e quando saio pra escolher procuro sempre os didáticos. Deixo as bonecas e os carrinhos para os pais. Adoro presentear com quebra-cabeças, livros, jogos. Eu tenho consciência de que nem sempre agrado, mas tento.

Voltando à soletração: eu fico super feliz de ver meu filho quase alfabetizado e levando tudo na brincadeira. Eu sempre gostei muito de ler e sempre estou lendo alguma coisa. É bem verdade que com a chegada dos meus filhos eu só consigo ler um pouquinho antes de dormir mas é um vício que não quero perder nunca.

O legal disso tudo é que consegui trazer o Sergio para este mundo da leitura e já faz algum tempo que ele está sempre com um livro na cabeceira. Pode parecer bobagem, mas este costume influenciou de tal maneira as crianças que eles adoram livros também. A Helena vive pra cima e pra baixo com um livrinho a tira colo, apontando as letras com os dedinhos como se estivesse lendo e com o Edu não é diferente. Dentro em breve ele estará entrando neste mundo mágico da leitura e ao que tudo indica vai ser mais um devorador de livros. Não faltarão estímulos para conquistá-lo.

PS: Falando em livros, eu sempre tento contagiar as pessoas com esta paixão que tenho pela leitura. Não preciso dizer que meus sobrinhos, coitados, sempre ganhavam livros de presente. Dois deles adoram ler e nem posso me gabar de tê-los influenciado; dois deles ainda não consegui fisgar, mas me orgulho muito de ter obtido sucesso com um deles (são 5 ao todo). Sabe aquele menino que não gosta da escola de jeito nenhum e que vê os livros como inimigos??? Pois consegui convencer este carinha de que poderia ser diferente presenteando-o com o primeiro livro do Harry Potter. A paixão foi tão grande que ele praticamente decorou o livro e os outros todos da série. Me lembro como se fosse hoje o dia em que comprei o livro pra ele e que meu cunhado ficou furioso por eu estar jogando dinheiro fora. Viu como valeu a pena arriscar???

Minha mais nova vítima está sendo a Silvana (a moça que trabalha aqui em casa comigo). Já disse que ela pode pegar emprestado o livro que quiser. O primeiro que ela pegou foi o Código Da Vinci. Espero que ela não desanime.


Oct 1, 2007

Imprudência da juventude

No curso de farmácia noturno da USP, algumas matérias têm uma carga horária bem puxada pra conseguir dar o mesmo conteúdo do período integral. Então, quando vem marcado que as aulas começam as 18 horas e terminam as 24 horas não é brincadeira nem maquiagem pra enganar o MEC.

Em uma destas disciplinas malucas, certa vez eu saí do laboratório mais de meia noite e decidi pegar o ônibus pra Santana em um ponto onde tivesse várias opções. Conforme o tempo foi passando e todos meus amigos foram embora eu percebi que meu ônibus provavelmente não viria e eu tinha que pensar o que fazer. Quem conhece a Cidade Universitária sabe o quanto fica sinistro aquele campus depois que todos os alunos vão embora.

De repente, eu vejo se aproximando 4 rapazes. Fiquei apavorada mas não tinha muito pra onde correr cheia de livros e só me tranquilizei quando eles estavam atravessando a avenida e eu percebi que falavam francês. Provavelmente eram africanos que vieram estudar na USP por convênios que a Universidade mantem com esses países. Não sei muito bem o porquê desta segurança que eles me passaram, mas ficamos ali um tempão esperando um ônibus ou uma carona.

Na época eu estudava francês e conseguia entender algumas coisas que eles falavam e como eram assuntos pessoais fiquei ainda mais tranquila.

Logo em seguida à chegada deles passou um carro de uma empresa e eles fizeram sinal de carona. O cara parou e eles foram conversar. Todos entraram no carro e eu fiquei ali pensando se não deveria pegar uma carona também, mas ao mesmo tempo estava aterrorizada com a idéia de entrar naquele carro cheio de estranhos.

O motorista então desceu do carro e veio conversar comigo. Ele era super jovem, quis saber pra onde eu ia, insistiu muito pra eu ir com ele e acabei chegando à conclusão de que seria o melhor a fazer naquele momento.

Os africanos deixaram que eu fosse na frente (nada mais obvio) e eu fui até o Largo da Batata, onde os africanos desceram, pensando o que eu deveria fazer: ficar sozinha de madrugada no Largo da Batata ou ver pra onde aquele moço ia e tentar uma carona pra um lugar melhor???

Acho que nunca passei tanto medo na minha vida. Quando enfim os africanos pediram para o motorista parar, ele me perguntou pra onde eu ia e se ofereceu pra me levar em casa. Imagine: estávamos no Largo da batata, zona oeste da cidade e ele se ofereceu pra me levar até minha casa, bem depois de Santana na zona norte.

Então, naqueles poucos segundos que tive pra decidir, pensei o que ele poderia fazer comigo já que estaríamos sozinhos no carro e ele estaria no volante. Alem disso eu conhecia o caminho e se percebesse algo estranho poderia tentar uma reação. Imaginei varias situações e ao mesmo tempo vi como a cidade ainda estava movimentada mesmo naquela hora da madrugada.

Acabei aceitando a carona e não me arrependi. O rapaz me levou sã e salva até a minha casa e quando cheguei ele foi super gentil e demonstrou que não tinha nenhum outro interesse a não ser ficar com a consciência tranquila de ter me colocado em segurança.

Hoje, com toda a vivência e maturidade acho que jamais teria aceitado aquela carona e teria tomado decisões diferentes das que tomei naquele dia.

Algum tempo depois, em outra aula maluca que terminava de madrugada, eu e mais um montão de alunos e funcionários ficamos presos na Cidade Universitária por causa de uma forte chuva que fechou todas as saídas. Só que nesta enchente eu já era veterana, conhecia a USP como a palma da minha mão e não tive dúvidas: fui com um amigo que morava no CRUSP (moradia estudantil) e passei a noite em um sofá na portaria do prédio dele. Quando acordei de manhã o porteiro havia me coberto com sua blusa porque achou que eu estava com frio.

Neste mesmo dia me inscrevi pra uma vaga no CRUSP e apesar de não ser o paraíso, tenho certeza que foi uma decisão super acertada e pude terminar a faculdade com mais segurança.

O episódio da carona na madrugada me deixou muito mais sensível em relação as pessoas que estão perdidas, ou em um lugar que não conhecem. Sempre que sou parada pra dar informação procuro fazer o máximo que esteja a meu alcance e varias vezes já mudei o meu caminho pra ajudar alguem a chegar ao seu destino. Infelizmente não me sinto segura para dar carona a estranhos e não sei se algum dia conseguirei retribuir aquela enorme gentileza daquele rapaz que por puro acaso estava no lugar certo e na hora certa.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!