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A lâmpada que queimou

Aceitei o convite da Carla pra escrever sobre histórias horripilantes que nos contaram na infância. Eu sempre fui muito medrosa mas adorava filmes e histórias de terror. Tudo bem que à noite minha irmã tinha que ficar segurando minha mão até eu dormir; isso quando eu não ia pra cama dela porque estava com muito medo.

A história que me lembrei aconteceu comigo quando tinha mais ou menos uns 12 anos. Na rua onde eu morava, éramos em 6 meninas de mais ou menos da mesma idade. Como a rua era sem saída, sem movimento e muito segura nossos pais permitiam que brincássemos até mais tarde e muita vezes chegamos a ficar até as 22 horas brincando na rua.

Certa vez estávamos brincando no quintal de uma delas e o ambiente era bem propício pra se sentir medo: a casa ficava no fundo do terreno e havia um imenso jardim na frente, a rua não era iluminada naquela época e a única iluminação era da varanda da casa dela. Depois de varias brincadeiras resolvemos brincar de casinha. Mas era uma casinha bem diferente: uma de nós seria a mãe e as outras as filhas. O detalhe é que a mãe morria.

Imaginem que naquela escuridão toda nós fizemos até o enterro da mãe e então, na brincadeira, voltávamos pra casa e a mãe, agora uma santa, vinha nos visitar.

Quando a mãe estava em cima da mureta, com um veu na cabeça, um vela na mão, em sua aparição pra ver como nós, as filhas, estávamos, a lâmpada da varanda começou piscar.

Foi uma coisa desesperadora!!! Aquela lâmpada piscando e diminuindo a luminosidade até que se apagou por completo. Em outra situação teríamos até achado engraçado a maneira como a lâmpada se queimou, mas com aquela "mãe" morta nos visitando e todo o contexto da brincadeira foi um desespero. A "mãe" jogou a vela longe e correu pra junto das outras e ficamos todas abraçadas gritando desesperadas até que a mãe da menina e boa parte da vizinhança apareceu pra saber o que estava acontecendo.

Não preciso dizer que nunca mais brinquei que alguem tinha morrido e/ou virado santo.