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Soletrando

Eu estou ficando expert em soletrar. Passo o dia todo soletrando palavras para o Eduardo. E não pensem que fico fazendo meu filho de 3 anos e 10 meses estudar o dia inteiro. Ao contrário, fico até insegura de vê-lo já conhecendo e escrevendo todas as letras e ele gosta muito disso porque pelo menos uma vez ao dia pega caneta e papel e começa:

- Mamãe, com letra começa o nome da fulana?

ou

- Mamãe, com que letra começa o brinquedo tal?

Quando o papel que dou a ele é uma folha sem linhas ele mesmo risca as linhas pra escrever nelas. Uma graça!

Agora engraçado mesmo foi a Helena. Enquanto eu soletrava algumas palavras para o Edu, ela pegou caneta e papel e começou:

- Mamãe, mamãe. Eni, Be, A...

E fingia que estava escrevendo, ou melhor, ia escrevendo do jeito que ela achava que era. Então fui soletrando para os dois e passamos um tempão nesta história de soletrar.

Ao mesmo tempo que fico super orgulhosa dos meus filhos, eu fico super chateada de ver como o nosso país é injusto e como as oportunidades são somente para poucos. Para algumas pessoas, meus filhos são muito inteligentes e espertos, quase superdotados. O difícil é explicar que a diferença deles é que têm os estímulos corretos. Não é possível que o Edu estude em uma escola de superdotados, né?

É tão interessante ver como eles absorvem todas as informações, como querem aprender, como têm curiosidade. E não estou falando dos meus filhos, estou falando de qualquer criança. Tenho certeza que qualquer criança bem estimulada, insentivada sem cobranças, está totalmente aberta ao aprendizado.

É uma pena que tantos talentos são "perdidos" porque as pessoas não têm oportunidade. Como não me sinto capaz de fazer muita coisa neste sentido, faço o que acho que posso. Gosto muito de dar presentes para criança e quando saio pra escolher procuro sempre os didáticos. Deixo as bonecas e os carrinhos para os pais. Adoro presentear com quebra-cabeças, livros, jogos. Eu tenho consciência de que nem sempre agrado, mas tento.

Voltando à soletração: eu fico super feliz de ver meu filho quase alfabetizado e levando tudo na brincadeira. Eu sempre gostei muito de ler e sempre estou lendo alguma coisa. É bem verdade que com a chegada dos meus filhos eu só consigo ler um pouquinho antes de dormir mas é um vício que não quero perder nunca.

O legal disso tudo é que consegui trazer o Sergio para este mundo da leitura e já faz algum tempo que ele está sempre com um livro na cabeceira. Pode parecer bobagem, mas este costume influenciou de tal maneira as crianças que eles adoram livros também. A Helena vive pra cima e pra baixo com um livrinho a tira colo, apontando as letras com os dedinhos como se estivesse lendo e com o Edu não é diferente. Dentro em breve ele estará entrando neste mundo mágico da leitura e ao que tudo indica vai ser mais um devorador de livros. Não faltarão estímulos para conquistá-lo.

PS: Falando em livros, eu sempre tento contagiar as pessoas com esta paixão que tenho pela leitura. Não preciso dizer que meus sobrinhos, coitados, sempre ganhavam livros de presente. Dois deles adoram ler e nem posso me gabar de tê-los influenciado; dois deles ainda não consegui fisgar, mas me orgulho muito de ter obtido sucesso com um deles (são 5 ao todo). Sabe aquele menino que não gosta da escola de jeito nenhum e que vê os livros como inimigos??? Pois consegui convencer este carinha de que poderia ser diferente presenteando-o com o primeiro livro do Harry Potter. A paixão foi tão grande que ele praticamente decorou o livro e os outros todos da série. Me lembro como se fosse hoje o dia em que comprei o livro pra ele e que meu cunhado ficou furioso por eu estar jogando dinheiro fora. Viu como valeu a pena arriscar???

Minha mais nova vítima está sendo a Silvana (a moça que trabalha aqui em casa comigo). Já disse que ela pode pegar emprestado o livro que quiser. O primeiro que ela pegou foi o Código Da Vinci. Espero que ela não desanime.