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Amor, meu grande Amor

Quando a gente se apaixona tudo fica mais colorido e aquele objeto da nossa paixão é sempre maravilhoso e perfeito. Com o tempo, a paixão se transforma : ou vc começa enxergar tudo o que não via e fica com aquela sensação de "onde eu estava com a cabeça" ou começa enxergar o que nunca viu e como as coisas podem ser boas mesmo sendo diferente daquilo que vc sempre acreditou.

Depois de quase 7 anos de casada eu tenho me dado conta do quanto mudei nesta minha convivência com o Sergio; muitas coisas mudaram por mim mesma mas consigo perceber grandes influências que ele teve sobre mim.

Ontem o Corinthians caiu pra segunda divisão e devo confessar que torci fervorosamente até o finalzinho pra que eles conseguissem um golzinho de misericórdia. Quem me conhece sabe que eu sempre fui mais anti-conrinthiana do que palmeirense mesmo. E ontem, me vi participando da dor do Sergio e atraves de todos os disfarses dele, conversando como se nada estivesse acontecendo, eu percebi o quanto ele estava chateado. Me lembrei da força que ele sempre me deu nos inúmeros escorregões e quedas do meu time e quando em 2002 ele até torceu para o Palmeiras não cair. Me lembrei também do quanto é triste ver seu time caindo para a segunda divisão e estou chateada até agora; quase nem acredito.

E fiquei pensando agora de manhã em quantas coisas eu conheci através dele e que com o tempo aprendi a gostar.

Ele me ensinou gostar de guitarra. Infelizmente depois que nos casamos ele acabou abandonando a escola de música e parou de estudar seu instrumento musical preferido; tambem não tem ouvido muito as centenas de CD's que temos aqui em casa, mas eu fui aprendendo muito sobre música; fui apresentada aos Beatles, Rolim Stones, White Snake, Black Sabbath e muitas outras bandas e músicos que eu nunca imaginei que existissem. Sem contar a trajetória dessas pessoas, com todas as agruras e realizações das suas vidas. Através dele eu conheci minha banda predileta, Pearl Jam e quem vê imagina que eu fui quem a apresentou a ele.

Ele também me ensinou a ser libertária. Não posso dizer já sou totalmente mas tenho tentado bastante. Toda e qualquer forma de autoritarismo incomoda-o profundamente e aos poucos eu fui percebendo o quanto nós todos somos ditadores, controladores, o quanto precisamos manter as estruturas, o quanto temos dificuldade com mudanças, dificuldade de aceitar o novo, de aceitar opiniões e crenças diferentes, de aceitar outros estilos de vida, de mudar os planos, dificuldade de aceitar críticas. Acho que nunca na minha vida tive tanta liberdade; o que pode não ser bom porque tenho que tomar as decisões sozinha e arcar com a responsabilidade delas.

Não que ele não esteja presente e deixe tudo nas minhas costas. Ele sempre participa de tudo e de pertinho; sempre vai ao pediatra comigo, sempre foi em todas as consultas do pré-natal, ficou o tempo todo comigo na maternidade e com a Luísa, fez questão de ficar no hospital conosco, sempre quer participar de todas as coisas da casa mas raramente impõe a sua opinião; sempre tenta negociar.

Ele também me ensinou que bater na criança é mais um sinal de fraqueza do que uma forma de educar. Ele entende que as vezes a paciência se esgota e escapa um tapinha no bumbum, mas sempre diz: quando um adulto bate em uma criança ele está demonstrando que a criança venceu a discussão e o adulto teve que fazer uso da sua superioridade física pra fingir que venceu. Ele também é contra educar pelo medo e a gente tenta ao máximo que as crianças façam as coisas porque é correto e não porque eles têm medo de um castigo ou de apanhar.

Outra coisa que ele me ensinou foi que eu adoraria os Estados Unidos. Ele sempre me disse que o dia que eu conhecesse "a América" eu me apaixonaria. Não deu outra: já na primeira semana eu estava caída de amores pelas terras do Tio Sam e fui aprendendo a entender como funcionam as coisas por lá e a cabeça do americano.

Mas a grande mudança mesmo eu percebo todo final de ano quando começam as propagandas do Especial do Roberto Carlos. Ele é fã e me ensinou a ver o Roberto com outros olhos, me ensinou ouvir as letras despida de preconceitos e entender o quanto muitas músicas do Roberto são influenciadas pela Black Music americana que eu gosto tanto.

Agora, até eu fico esperando o Especial do Roberto e me emociono com algumas músicas inesquecíveis que todo ano ele canta no programa.

Vai entender o que é o amor, né?