Jan 29, 2008

Material Escolar

Com a volta às aulas as mães desesperadas vão às compras tentando encontrar todos aqueles itens, as vezes absurdos que as escolas pedem. Só no dia de entregar o material na escola eu descobri que não precisava ter ido à 25 de março para comprar o material do Edu com economia. A papelaria da escola tem preços bem competitivos e ainda facilita sua vida: os próprios funcionários pegam os itens (que é lógico, eles têm todos) da lista e ainda encaminham para a professora o material de uso coletivo.

Mas não tem o mesmo charme que encarar a 25 de março em pleno mês de janeiro. Primeiro que é impagável desfilar pela própria 25 nos dias que os carros não podem circular por ela. Aquele monte de camelôs com um olho no cliente o outro no "rapa". De repente, do nada, uma correria sem fim e só vemos caixas e pacotes passando pra todo lado e as pessoas desviando e alguém apitando: fortes emoções. Eu já tive a "sorte" de ir na 25, gravida de 8 mese e ter que sair correndo e me esconder do "confronto" entre polícia e camelôs. Fiquei trancada por quase 1 hora na primeira loja em que consegui entrar: Palacio dos Enfeites. Depois desta agradabilíssima hora em pé com aquele barrigão eu ainda tive que subir a Ladeira Porto Geral correndo pra chegar ao metrô antes de um novo conflito.

O mais engraçado é que a polícia nem bem vira as costas e as barraquinhas aparecem do nada como se nunca tivessem saído dali e as pessoas na maior tranquilidade voltam a olhar as mercadorias, escolher, experimentar e comprar.

Então vc entra naquela sua loja predileta; onde o material escolar é dito mais barato e tem que pegar a fila pra conseguir entrar. Cada item que vc consegue encontrar deve ser comemorado porque sempre tem uma mãozinha afoita tentando chegar antes da sua na prateleira. Quem tem braço comprido sempre sai na vantagem.

Mas definitivamente a 25 não é o local onde as magrinhas façam sucesso. No meio daquele aperto, daquele vai e vem de mães desesperadas, pais mal humorados e crianças chorosas, quem tem o quadril largo se sai muito bem na competição. Eu me senti uma verdadeira peteca levando "bundadas" de todo lado. E a mulherada não se intimida quando o assunto é falta de educação. Com licença, por favor e obrigado são palavras quase proíbidas nestes dias de casa cheia e tem que ter fôlego e coragem pra encarar o desafio de chegar na prateleira onde vc precisaa ir.

A fila pra pagar é outro teste de resistência, paciência e coragem. Naquele dia estava infinita e deixei minha irmã guardando um lugar enquanto fui procurar os últimos itens. Concordo com vc que não foi nada bonito deixar alguem na fila enquanto eu comprava mas não fiquei com peso na consciência porque todo mundo estava acompanhado e fazendo a mesma coisa.

Até que em determinado momento vi que faltavam coisas que estavam há anos luz daquele local onde eu me encontrava e por isso acabei indo conhecer a papelaria do colégio. Alem de alguns centavos economizados eu ganhei alguns arranhões nas mãos e um cansaço enorme. Não me arrependo e apesar dos pesares me diverti muito com aquele pessoal se preparando para o fim do mundo.

Eu só recebi a lista da Helena esta semana e não vou arriscar: vou fazer uma pesquisa rápida entre supermercado e a papelaria da escola e tentar resolver neste dois lugares mesmo. Com a chuvarada que está caindo em São Paulo não me atrevo a encarar comércio sem estacionamento e coberto de preferência.

Volta às aulas

Depois de dois meses de férias e com as ferinhas em casa full time, esta semana se iniciaram as aulas do Edu e da Helena. Bem, iniciaram efetivamente porque já estou correndo atrás das coisas há um mês: material escolar, uniforme e pra Helena o dilema da escolha da escola.

A princípio eu e o Sergio ficamos muito decepcionados pelo fato da Helena não poder ir para a mesma escola que o Edu. Todas as irmazinhas dos amigos do Edu estão fazendo o maternal lá e a Helena foi a única que não pôde só porque não completará 3 anos neste ano de 2008. Depois de muito insistir, conversar, tentar uma alternativa, no final acabamos nos conformando e lá fomos nós atrás de uma outra escola pra ela.

Acabamos escolhendo uma escola que o próprio colégio indicou e que tem o método muito parecido e hoje acho que vai ser muito bom pra ela. Desde que nasceu, a Helena sempre teve o Eduardo como referência pra tudo; ela nunca passou uma única noite sem ele e mesmo quando foi dormir na casa de alguém ele sempre esteve junto. Em todos os passeios, viagens, compras; o Eduardo sempre estava presente.

No ano passado ela foi o ano todo comigo buscá-lo na escola e já considera aquele espaço como a casa dela praticamente. Estas coisas a gente não consegue perceber mas agora, tendo que frequentar uma outra escola, eu vi o quanto ela é dependente dele. No primeiro dia ela entrou tranquilamente já que ele foi com ela mas não aceitou sair de perto dele um só minuto. Nos outros dias ela chorava e ficava desesperada quando ia pra outra sala, mesmo sabendo que eu e ele estávamos lá; ou principalmente por saber que nós estávamos lá e ela não podia ficar conosco.

Pra variar a gente menospreza a capacidade da criança em perceber as coisas e o raciocínio lógico que sempre funciona: se minha mãe e meu irmão estão aqui porque eu não posso ficar com eles? Mesmo tendo a certeza de que vai ser bom pra ela ficar na escola eu ainda estava sentindo pena de deixa-la na escola até que um dia conversei um tempão com a avó de um menino que já estava há 15 dias fazendo adaptação na escola e não havia meio de se acostumar. O menino ficava mais ou menos 1 hora na escola todo dia e a avó ficava do lado de fora esperando-o e desesperada porque ele não parava de chorar. Esta semana ficou combinado que ela iria embora e voltaria 1,5 hora depois. Por coincidência eu continuei na escola e quando a avó foi embora o menino simplesmente parou de chorar. Ele foi uma vez até o pátio, olhou pra ver se a estava por ali e como não a viu voltou para o parque e ficou super bem.

Depois desta experiência eu percebi que a Helena só pararia de chorar e se sentiria mais segura se eu fosse embora também. Ontem eu sai meio escondido, mas não gostei nada nada disso porque não gosto de enganar a criança.

Hoje eu entrei com ela na escola e quando chegamos à porta eu expliquei que iria embora e que voltaria para busca-la mais tarde. Ela ameaçou chorar e eu expliquei novamente; disse que quando voltasse levaria a Luísa comigo e que iríamos buscar o Edu na escola. Parece que quando ouviu que o Edu estava na escola também ele ficou mais convencida e a deixei com carinha "tristinha" mas sem chorar. A professora disse que ela ficou a maior parte do tempo no colo, que ameaçou chorar um pouco mas que ficou bem melhor do nos outros dias.

Agora sim tenho certeza de que ela vai ficar bem e que vai ser muito bom pra ela esta primeira experiência sozinha.

Com o Eduardo tudo continua tranquilo como sempre. A escola resolveu manter a mesma turma do Jardim agora no Pré. Então ele está adorando porque os grandes amigos continuam juntos. A turma cresceu um pouco com a entrada de vários alunos de uma outra escola da região que fechou o que vai ser legal pra conhecerem novos amigos.

Tudo bem que a minha correria agora vai ser enorme mas acho que vale muito a pena. O desenvolvimento que eles adquirem no ambiente escolar é enorme e não tem professor melhor do que outra criança. Eu fico super empolgada de ver o Eduardo a um passo de começar a ler. Ele já conhece algumas palavras e falta apenas um detalhe pra ele entender a lógica da coisa. Quando penso que eu entrei na escola com exatos 7 anos e como fiquei feliz quando ao terminar a primeira série eu já sabia ler, fico com pena de mim.

O Edu aos 3 já conhecia todas as letras, sabia escreve-las e sabia algumas palavras de cor como o nome dele, o nome de alguns amigos, papai, mamãe, Helena... Quanta diferença! E do jeito que andam as coisas a Helena talvez aprenda ainda mais cedo porque tudo o que ele faz ela quer acompanhar. Eu fico assustada de -la segurando o lápis e fazendo bolinhas. Ela pega os livros e conta as histórias fazendo caras e bocas e engrossando a vóz do jeito que eu fiz quando li o livro pra eles. Uma delícia acompanhar de perto.

Jan 25, 2008

SÃO PAULO, SÃO PAULO

Hoje, no aniversário da minha cidade tão querida eu me lembrei de uma época em que eu acreditava que jamais na vida iria querer morar em outro lugar. O amor pela cidade continua o mesmo, as lembranças boas vão estar sempre comigo e tenho muito a agradecer a esta grande cidade por todas as oportunidades que ela sempre me deu. Infelizmente as coisas mudaram muito por aqui e, principalmente, eu mudei muito. É mesmo uma pena que muitacoisa que sonhei pra minha vida, ou melhor, pra nossa vida São Paulo, de certa forma não se concretizou e eu estou sonhando em realizar em outro lugar.

Mas sempre que penso em São Paulo me lembro desta música do Premeditando o Breque, que pra mim é "a tua mais completa tradução":

É sempre lindo andar na cidade de São Paulo
O clima engana, a vida é grana em São Paulo
A japonesa loura, a nordestina moura de São Paulo
Gatinhas punks, um jeito yankee de São Paulo
Na grande cidade me realizar
Morando num BNH.
Na periferia a fábrica escurece o dia.
Não vá se incomodar com a fauna urbana de São Paulo
Pardais, baratas, ratos na Rota de São Paulo
E pra você criança muita diversão e poluição
Tomar um banho no Tietê ou ver TV
Na grande cidade me realizar
Morando num BNH
Na periferia a fábrica escurece o dia.
Chora Menino, Freguesia do Ó, Carandiru, Mandaqui, ali
Vila Sônia, Vila Ema, Vila Alpina, Vila Carrão, Morumbi, Pari,
Butantã, Utinga, Embu e Imirim, Brás, Brás, Belém
Bom Retiro, Barra Funda, Ermelino Matarazzo
Mooca, Penha, Lapa, Sé, Jabaquara, Pirituba, Tucuruvi, Tatuapé
Pra quebrar a rotina num fim de semana em São Paulo
Lavar um carro comendo um churro é bom pra burro
Um ponto de partida pra subir na vida em São Paulo
Terraço Itália, Jaraguá, Viaduto do Chá.
Na grande cidade me realizar
Morando num BNH
Na periferia a fábrica escurece o dia
Na periferia a fábrica escurece o dia

Jan 22, 2008

Questão de oportunidade

Eu sempre achei que todo mundo tem oportunidades na vida e que o importante é conseguir percebe-las quando elas aparecem. Eu sempre fui considerada uma pessoa de sorte mas na verdade eu acho que meu grande diferencial foi agarrar todas as oportunidades com unhas e dentes e correr atrás das coisas que eu queria; desistir jamais!!!

Um dia, observando minha faxineira fiquei pensando no perfil dela: ela tem o primeiro colegial, fala muito bem, escreve bem, lê bem, é super desenvolta pra atender o telefone e sem preconceitos; não tem o perfil de faxineira. Em uma das nossas longas conversas aqui em casa ela me disse que sonhava em poder trabalhar em outra coisa, que gostaria de trabalhar como recepcionista ou coisa parecida mas que era difícil porque sempre que fala que é faxineira as pessoas acabam preferindo uma outra com mais experiência.

Desde esta conversa o Sérgio passou a prestar mais atenção ao setor das recepcionistas da empresa em que trabalha e ficou de olho em uma vaga pra ela. Infelizmente a vaga não apareceu mas a oportunidade sim. Meu cunhado tem um escritório (onde ela também trabalha) e a partir do mês que vem ela começa lá como recepcionista.

Vou perder a melhor empregada que já tive na vida mas estou tão feliz por ela que vou fazer a faxina da casa cantando (pelo menos na primeira semana). O bonde passou e abriu a porta na frente dela e ela está entrando. Tenho certeza que ela saberá aproveitar esta oportunidade.

A semana passada três meninos passaram aqui em frente de casa e um deles ao me ver no computador perguntou se eu não tinha um trocado. Não sei porque eu disse que se ele limpasse a minha calçada eu lhe daria R$5,00. Ele aceitou na hora e os outros dois voltaram imediatamente pra ajuda-lo pelos R$5,00 que ofereci.

Minha calçada é de pedra e os vãos entre as pedras ficam cheios de mato nesta época de muita chuva. Eles aceitaram sem pestanejar e ainda fizeram a limpeza com 3 faquinhas sem corte que eu emprestei (não queria correr muitos riscos). Não ficou perfeito mas ficou muito bom e acabei dando R$3,00 para cada um e uns cookies que eu tinha em casa.

Espero que eles tenham entendido que o trabalho pode cansar mais que pedir mas vale mais a pena. Espero que daqui há alguns meses pelo menos um deles volte e me pergunte se preciso que corte novamente o mato da calçada. Espero também que eles entendam que quanto mais a pessoa estuda menos esforço braçal ela faz e ganha mais dinheiro por ele.

Já disse aqui que tenho muito medo do discurso da moda: "não estudou mas virou presidente da república". Espero que nossos jovens não dêem ouvidos a este discurso porque não dá pra todo mundo virar presidente.

Jan 18, 2008

Perguntas idiotas, comentários cretinos e pensamentos maldosos

Eu me considero uma pessoa relativamente educada e quando não tenho intimidade com as pessoas costumo ser muito paciente; mas acho que tenho sido paciente demais. Ainda não entendi porque o fato de ter optado por ter três filhos com pequena diferença de idade entre eles agride e incomoda tanto as pessoas. E porque as pessoas precisam justificar e/ou me consolar por eu ter 3 crianças pequenas em casa. É como se fosse uma doença grave e as pessoas precisam mostrar que estão solidárias ao meu problema; precisam me animar, me dar esperança de que um dia estarei curada e que esta fase ruim vai passar logo.

Ontem fui levar a Luísa ao pediatra e quando cheguei sozinha com os três no estacionamento o manobrista perguntou:

- Mas a senhora consegue ir sozinha com os três?

Era só o que me faltava; só faltou ele repetir uma daquelas frases:

- Que coragem!!!
- Que paciencia!!!
- É bom que cria tudo junto!!!
- Fique tranquila que passa rapidinho!!!

No final o manobrista foi até simpatico diante da minha segurança com as crianças, mochila, bolsa e tíquete do estacionamento e completou:

- Tem mães que precisam de ajuda pra tirar uma criança do carro.

Mas o fato é que depois de 40 semanas de gestação e 5 meses com os três a tira-colo, estas frases corriqueiras para quem fala se tornaram extremamente desagradáveis pra mim, que as escuto o tempo todo.

Hoje uma vizinha super simpática que não se cansa de comentar como sou "corajosa" e "paciente" resolveu inovar e disse:

- Deixe eu dar uma olhada na sua prole.

Não gostei muito da expressão mas pelo menos ela saiu do lugar comum. Logo logo ela pode tentar inovar de novo:

- Deixe eu ver sua ninhada.

Só espero que ela não pergunte o que pretendo fazer com os filhotes.

Mas quer me deixar brava e com cara de pouquíssimos amigos é quando me fazem aquelas perguntas que são quase afirmações sobre a minha vida reprodutiva:

- Agora fechou a fabrica né?
- Vc operou ou foi o seu marido?

E o que me deixa mais irritada é que sempre sou educada e faço aquela cara de paisagem com sorriso.

E uma amiga da minha mãe quis ser a campeã da antipatia. Ao saber que eu estava grávida da Helena, vejam bem, minha filha do meio, disse:

- Agora vc vai operar, né? Porque neto só serve pra dar trabalho para os avós.

Ahhh se ela não fosse tão amiga da minha mãe!!!! Nem preciso dizer que não me dei ao trabalho de avisá-la da gravidez da Luísa e quando nos encontramos no natal não quis muita conversa com ela. Sinceramente minha paciência chegou ao fim para perguntas idiotas, comentários cretinos e pensamentos maldosos.

Ainda bem que tudo sempre tem um lado bom: as pessoas ficam tão horrorizadas com a minha situação, com meu problema grave, com a loucura que cometi que eu me preparei para uma guerra nuclear e hoje, estando o dia todo com as crianças (férias escolares) eu me sinto no meio de uma briguinha de colégio.

Meus dias passam voando e não existe monotonia ou tédio, mas se hoje estou cansada, cheia de olheiras e com o sono atrasadíssimo é por causa dos pernilongos cantores (dignos de um post só pra eles) porque as crianças vão pra cama as 20:30 e só acordam no dia seguinte quando eu levo o mamazinho no quarto as 7:30 (horario de férias). Não dá pra reclamar, né?

Aniversário da Helena

Nem acredito que a minha menininha já está completando 2 aninhos!!! Tudo bem que ela esta entrando nos terrible two's e está me tirando do sério, mas mesmo achando que é dona do proprio nariz e que já pode fazer tudo sozinha continua uma graça de criança.

A Helena é uma menina muito independente e não quer ajuda pra nada. Tudo o que vamos fazer acaba demorando porque ela quer fazer sozinha: tirar e colocar a roupa, escovar os dentes, lavar as mãos, comer, subir no carro e fechar o cinto do cadeirão.

Ela adora escrever, recortar e fica horas folheando os livrinhos de historia. E vai virando as paginas e contando a historia. Também adora cantar, dançar, e brincadeiras de menina: meus sapatos, bolsa, boneca, celular, panelinha... Não pode ver um baton que já faz biquinho e qualquer coisa em forma de circulo ela coloca no braço como se fosse pulseira. Também adora brincar de dirigir; talvez influenciada pelo edu, e alem do barulho do carro ela faz "bibii".

Bastou balbuciar a primeira palavra pra achar que fala fluentemente o português e sai falando, falando, contando, explicando, pedindo e fica irritadíssima se não é entendida. Quando percebe que nao vão mesmo entender o que ela esta dizendo, pacientemente ela pega a mão do individuo desprovido de fluencia na lingua e mostra o que ela quer. Só falta perguntar se quer que desenhe.

O irmão mais velho corta um doze com ela: qualquer coisa que acontece ela me explica direitinho o que aconteceu e se as "palavras" não são suficientes ela faz gestos, encena perfeitamente o que aconteceu descrevendo a situação como ninguem; até a sonoplastia ela faz: pá, tum... se joga no chão; impossivel nao compreender.

Apesar de ser um pouco tímida em ambientes que não conhece quando se sente em casa perde totalmente a timidez. As visitas rapidamente se tornam amigos intimos com direito a sentar no colo, beijos, abraços e longas conversas na sua lingua particular. Todo mundo que passa na rua recebe um "Oi" todo sorridente e os desavisados que se aproximam do portão são bombardeados com sua conversa. Não preciso dizer que meu portão vive cheio de vizinhos conversando com ela.

Agora ela aprendeu que quando nosso portão faz barulho (e como faz barulho ao ser aberto - falta de oleo) é o papai querido que está chegando. Esteja onde estiver, ela para tudo pra receber o papai. E como adora esse papai sem limites que faz tudo o que eles querem.

Outra coisa que ela aprendeu foi identificar as motos que entregam comida; qualquer moto que passa na rua e buzina ela diz: papa e corre pra porta porque aqui é uma competição pra quem chega primeiro ao portão. É parece que ando comprando muita fast food aqui em casa.

O telefone é outra paixão dela. Tocou ela corre pra atender: - Oi!

E sabe que esta historia das crianças atenderem o telefone tem sido ótima!!! Eles atendem, quando é telemarketing os caras desligam ou não falam nada na esperança da mãe pegar o telefone da mão da criança. As outras pessoas todas conversam com eles e mandam chamar a mamãe. Faz tempo que não tenho que aguentar chateação por telefone.

Segunda feira ela começa na escolinha. Vamos mandar aos poucos pra ver a reação dela quando ficar sozinha. Ja estou com aperto no coração mas acho que vai ser bom pra ela.

Feliz aniversário minha bonequinha e que vc tenha muitos e muitos anos de vida com saúde e felicidade.

Jan 14, 2008

A História de amor

Há muitos anos atrás, algo em torno de 1917, uma jovem portuguesa da cidadezinha de Belide (subdistrito de Coimbra) se preparava para o seu casamento. Ela tinha 19 anos e seu noivo estava terminando a construção da casa onde morariam. Eram 3 irmãs que se casariam com 3 irmãos e tudo corria muito bem até que um dia, colocando o telhado na casa o noivo tomou uma forte chuva, adoeceu e acabou morrendo de pneumonia.

A jovem noiva ficou arrasada e se trancou em seu quarto por mais de 30 dias. A única pessoa que entrava em seu quarto era o irmão caçula e mais ninguem. Passado este mês de luto, ela deciciu partir para Coimbra para trabalhar e encontrou emprego em uma residência muito chique da cidade. Pra se ter uma idéia, as correspondências eram entregues aos donos da casa em bandejas de prata.

Passados alguns anos, um conhecido da família foi servir o exército em Coimbra e a pedido da mãe da jovem, foi procura-la para saber noticias dela. Cada vez que tinha uma folga procurava a jovem antes de voltar a Belide. E assim, de visita em visita, meus avós paternos começaram namorar, se casaram e em 1926 meu avô chegava no porto de Santos. Em 29 minha avó chegou por aqui com a sua filha mais velha. Pra complicar minha vida, meu pai nasceu em solo brasileiro em 1930 e alguns anos mais tarde nascia meu tio.

Segundo meu pai e minha tia, o meu avô tinha verdadeira adoração pela minha avó. Eu me lembro de ter ido com meu avô visitar o tumulo dela e ficou marcado pra mim o choro dele sentado em seu túmulo e as palavras:

Ah Maria, Maria!

Inesquecível!

Infelizmente a outra parte da minha história não conheço em detalhes. meus avós maternos se conheceram num navio vindo ele de Portugal e ela da Itália. Eu sei que ele era casado e tinha uma filha mas como essa outra história de amor começou eu não sei ao certo. mas certamente foi uma linda história de amor.

Jan 8, 2008

Ainda dá tempo pra sonhar

O ano novo já começou com fortes emoções por aqui: pegamos o passaporte e os antecedentes na policia federal e como presente de aniversário (06/01) eu ganhei duas horas na kodak express tirando fotos 3,5 X 4,5 cm e recortando foto por foto. Foram nada menos que 30 fotos da família inteira (6 de cada membro) e haja paciência pra cortar tudo no tamanho certinho com reguinha e tesoura porque eles não tinham cortador no tamanho que eu precisava. Cada conjunto com 6 fotos custou R$8,00.

Mas o que importa é que os nossos documentos enfim estão a caminho do Consulado e mais uma etapa desta "aventura" foi finalizada. A sensação de insegurança é enorme mas o alívio é maior ainda.

Muitas coisas importantes aconteceram em 2007 e eu nem pude fazer minha retrospectiva por causa destes documentos; foram muitas emoções maravilhosas e muitas descobertas não tão boas assim.

Infelizmente nem todo mundo conseguiu partilhar das nossas alegrias e não conseguiram entender o quanto este processo de imigração está nos fazendo felizes. De repente ir para o Canadá se tornou vital pra mim e me trouxe a responsabilidade de mostrar que sempre é tempo de recomeçar. Que a vida só termina quando o coração pára de bater e que não podemos perder as oportunidades que a vida nos traz.

Muita gente acredita em reencarnação e talvez por isso aceite ficar parado porque terá uma nova oportunidade. Eu prefiro acreditar que minha chance é agora e que minha vida é esta, prefiro acreditar que existe muita coisa pra ser vivida e que sou jovem demais pra começar a morrer.

Podem me chamar de irresponsável por sair da minha vidinha organizada com três filhos pequenos e me aventurar no desconhecido, mas eu não posso deixar esta porta se fechar sem ter ao menos tentado. Eu assisti o filme "A fuga das galinhas" e me identifiquei muito com aquela galinha que via a grama verdinha depois da cerca e queria experimentá-la. Não quero passar o resto da minha vida olhando alem da cerca e imaginando como teria sido se eu tivesse tentado ir até lá.

Mas e se eu não me adaptar? E se não me acostumar com o frio, com a comida, com a solidão, com a falta da familia ou simplesmente descobrir que minha vidinha organizadinha do Brasil era melhor???? Eu volto!!!! Pego meus filhos, meu marido, minhas coisas e volto. Simples assim.

O que é inaceitável pra mim é nao tentar; é deixar esta oportunidade passar e ficar o resto da vida sem saber se teria sido bom ou não. Talvez no alto dos meus 37 anos recem completados eu ainda seja uma adolescente tardia, deslumbrada com o "primeiro amor". Mas vou me dar uma chance e, principalmente, dar uma chance aos meus filhos. Nestes 37 anos fiz milhoes de coisas; muitas deram bons frutos, outras nao deram certo, mas nunca deixei que o medo me deixasse presa ao chão.

Se esta minha "loucura" servir para alertar uma só pessoa de que a vida é cheia de possibilidades e nunca é tarde pra começar a experimenta-las, já terá valido a pena.

Jan 3, 2008

Pro papai se emocionar

Depois de 4 dias com o papai pra cima e pra baixo as crianças não gostaram muito de saber que o Sergio voltaria ao trabalho no dia 02/01. Na hora de dormir:

- Dudu, vamos dormir porque amanhã o papai vai trabalhar.
- Por que vc tem que ir trabalhar?
- Pra ganhar dinheiro pra comprar comida, pagar as contas, comprar roupas e brinquedos pra vcs.
- Então papai trabalha só pra ganhar medio e chegar em casa ainda no claro.

É Dudu, a chantagem deu certo: papai tem chegado cedo todo dia e ainda fica emocionado toda vez que se lembra dessa historia.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!