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Ainda dá tempo pra sonhar

O ano novo já começou com fortes emoções por aqui: pegamos o passaporte e os antecedentes na policia federal e como presente de aniversário (06/01) eu ganhei duas horas na kodak express tirando fotos 3,5 X 4,5 cm e recortando foto por foto. Foram nada menos que 30 fotos da família inteira (6 de cada membro) e haja paciência pra cortar tudo no tamanho certinho com reguinha e tesoura porque eles não tinham cortador no tamanho que eu precisava. Cada conjunto com 6 fotos custou R$8,00.

Mas o que importa é que os nossos documentos enfim estão a caminho do Consulado e mais uma etapa desta "aventura" foi finalizada. A sensação de insegurança é enorme mas o alívio é maior ainda.

Muitas coisas importantes aconteceram em 2007 e eu nem pude fazer minha retrospectiva por causa destes documentos; foram muitas emoções maravilhosas e muitas descobertas não tão boas assim.

Infelizmente nem todo mundo conseguiu partilhar das nossas alegrias e não conseguiram entender o quanto este processo de imigração está nos fazendo felizes. De repente ir para o Canadá se tornou vital pra mim e me trouxe a responsabilidade de mostrar que sempre é tempo de recomeçar. Que a vida só termina quando o coração pára de bater e que não podemos perder as oportunidades que a vida nos traz.

Muita gente acredita em reencarnação e talvez por isso aceite ficar parado porque terá uma nova oportunidade. Eu prefiro acreditar que minha chance é agora e que minha vida é esta, prefiro acreditar que existe muita coisa pra ser vivida e que sou jovem demais pra começar a morrer.

Podem me chamar de irresponsável por sair da minha vidinha organizada com três filhos pequenos e me aventurar no desconhecido, mas eu não posso deixar esta porta se fechar sem ter ao menos tentado. Eu assisti o filme "A fuga das galinhas" e me identifiquei muito com aquela galinha que via a grama verdinha depois da cerca e queria experimentá-la. Não quero passar o resto da minha vida olhando alem da cerca e imaginando como teria sido se eu tivesse tentado ir até lá.

Mas e se eu não me adaptar? E se não me acostumar com o frio, com a comida, com a solidão, com a falta da familia ou simplesmente descobrir que minha vidinha organizadinha do Brasil era melhor???? Eu volto!!!! Pego meus filhos, meu marido, minhas coisas e volto. Simples assim.

O que é inaceitável pra mim é nao tentar; é deixar esta oportunidade passar e ficar o resto da vida sem saber se teria sido bom ou não. Talvez no alto dos meus 37 anos recem completados eu ainda seja uma adolescente tardia, deslumbrada com o "primeiro amor". Mas vou me dar uma chance e, principalmente, dar uma chance aos meus filhos. Nestes 37 anos fiz milhoes de coisas; muitas deram bons frutos, outras nao deram certo, mas nunca deixei que o medo me deixasse presa ao chão.

Se esta minha "loucura" servir para alertar uma só pessoa de que a vida é cheia de possibilidades e nunca é tarde pra começar a experimenta-las, já terá valido a pena.