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Perguntas idiotas, comentários cretinos e pensamentos maldosos

Eu me considero uma pessoa relativamente educada e quando não tenho intimidade com as pessoas costumo ser muito paciente; mas acho que tenho sido paciente demais. Ainda não entendi porque o fato de ter optado por ter três filhos com pequena diferença de idade entre eles agride e incomoda tanto as pessoas. E porque as pessoas precisam justificar e/ou me consolar por eu ter 3 crianças pequenas em casa. É como se fosse uma doença grave e as pessoas precisam mostrar que estão solidárias ao meu problema; precisam me animar, me dar esperança de que um dia estarei curada e que esta fase ruim vai passar logo.

Ontem fui levar a Luísa ao pediatra e quando cheguei sozinha com os três no estacionamento o manobrista perguntou:

- Mas a senhora consegue ir sozinha com os três?

Era só o que me faltava; só faltou ele repetir uma daquelas frases:

- Que coragem!!!
- Que paciencia!!!
- É bom que cria tudo junto!!!
- Fique tranquila que passa rapidinho!!!

No final o manobrista foi até simpatico diante da minha segurança com as crianças, mochila, bolsa e tíquete do estacionamento e completou:

- Tem mães que precisam de ajuda pra tirar uma criança do carro.

Mas o fato é que depois de 40 semanas de gestação e 5 meses com os três a tira-colo, estas frases corriqueiras para quem fala se tornaram extremamente desagradáveis pra mim, que as escuto o tempo todo.

Hoje uma vizinha super simpática que não se cansa de comentar como sou "corajosa" e "paciente" resolveu inovar e disse:

- Deixe eu dar uma olhada na sua prole.

Não gostei muito da expressão mas pelo menos ela saiu do lugar comum. Logo logo ela pode tentar inovar de novo:

- Deixe eu ver sua ninhada.

Só espero que ela não pergunte o que pretendo fazer com os filhotes.

Mas quer me deixar brava e com cara de pouquíssimos amigos é quando me fazem aquelas perguntas que são quase afirmações sobre a minha vida reprodutiva:

- Agora fechou a fabrica né?
- Vc operou ou foi o seu marido?

E o que me deixa mais irritada é que sempre sou educada e faço aquela cara de paisagem com sorriso.

E uma amiga da minha mãe quis ser a campeã da antipatia. Ao saber que eu estava grávida da Helena, vejam bem, minha filha do meio, disse:

- Agora vc vai operar, né? Porque neto só serve pra dar trabalho para os avós.

Ahhh se ela não fosse tão amiga da minha mãe!!!! Nem preciso dizer que não me dei ao trabalho de avisá-la da gravidez da Luísa e quando nos encontramos no natal não quis muita conversa com ela. Sinceramente minha paciência chegou ao fim para perguntas idiotas, comentários cretinos e pensamentos maldosos.

Ainda bem que tudo sempre tem um lado bom: as pessoas ficam tão horrorizadas com a minha situação, com meu problema grave, com a loucura que cometi que eu me preparei para uma guerra nuclear e hoje, estando o dia todo com as crianças (férias escolares) eu me sinto no meio de uma briguinha de colégio.

Meus dias passam voando e não existe monotonia ou tédio, mas se hoje estou cansada, cheia de olheiras e com o sono atrasadíssimo é por causa dos pernilongos cantores (dignos de um post só pra eles) porque as crianças vão pra cama as 20:30 e só acordam no dia seguinte quando eu levo o mamazinho no quarto as 7:30 (horario de férias). Não dá pra reclamar, né?