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Conversando com estranhos

Fico super chateada por não conseguir escrever no blog. Estou sempre montando "posts mentais" e tenho milhões de coisas pra falar mas não tenho tido tempo. Por aqui todo mundo gripado e a Helena com bronquiolite, fazendo inalação 4 vezes ao dia e a Luísa indo pro mesmo caminho. Esta semana já fui duas vezes ao hospital porque achei que ela estava ofegante. Mas por enquanto está tudo bem, exceto pela chatice. Luísa só quer colo e Helena morrendo de ciúmes; já dá pra imaginar a loucura. Até o Eduardo me pediu um colinho hoje de manhã: todo mundo carente por aqui!!!

E ontem, quando estava indo para o estacionamento do Hospital, as 23:45, exausta e morrendo de dor nas costas de ficar com a Luísa no colo, encontro com uma moça (47 anos) que do nada pediu pra ver a carinha da Luísa que dormia no meu ombro. Então ela me perguntou se eu cuidava da Luísa sozinha, eu disse que sim e dos 2 irmãos dela também e a moça me contou toda sua vida desde que engravidou aos 45 anos das gêmeas, como foi o parto aos 6 meses de gestação e todos os empregados que ela tem em casa pra ajudar a cuidar das crianças. E eu ali, quase caindo, tentando dizer a ela que precisava ir embora e ela me segurando; uma coisa super estranha que em alguns momentos me fez pensar em quais eram as verdadeiras intensões dela, risos.

Fiquei me perguntando se ela pretendia roubar minha bolsa, ou sequestrar a Luísa e apesar de tratá-la com toda educação e atenção eu fiquei o tempo todo olhando para os lados pra ver se não aparecia um comparsa dela, risos. No final, descobri que ela havia demitido uma das 3 babás que tinha e estava com medo de não conseguir dar conta de cuidar das duas filhas de 1,5 anos. E eu me senti quase culpada por desconfiar de uma pessoa tão educada e simpática que estava precisando de alguem pra ouví-la num momento de aflição.

Hoje eu passei o dia pensando em como as pessoas são sozinhas; todo mundo tem muito a dizer e quase ninguem está disponível a escutar e quando encontramos alguem que pare por 5 minutos disposto a ouvir nossa história ultrapassamos os limites e falamos até a pessoa se arrepender.

Fiquei conversando com a moça por quase 20 minutos e só quando seu marido apareceu fomos juntas conversando para o elevador. Eu desci para o estacionamento e ela subiu não sei pra onde. De certa forma foi bom porque não sei a que horas eu teria ido embora caso ela descesse também, risos.

Aquela conversa foi simplesmente estranha; até agora não entendi direito o que aconteceu e de certa forma eu me diverti vendo aquela moça toda desesperada porque agora ela tem apenas 2 babás pra ajuda-la a cuidar das filhas.

Aliás esta semana aconteceu outra coisa engraçada comigo: quando estava pegando o Edu na classe uma mãe veio conversar comigo e perguntou se eu não tinha mais uma menina alem da Luisa. Eu disse que sim e ela falou:

- Fiquei sabendo que vc cuida deles sozinha. Acho que vc precisa de uma pessoa pra dormir na sua casa porque as crianças tomam muito o tempo da gente e seu marido pode começar a reclamar.

- ?????????

O detalhe é que mal a conheço, este é o primeiro ano dela no colégio e nós nos cumprimentamos eventualmente. Fiquei até preocupada em saber que sou o assunto das rodinhas de mães. De qualquer forma vou pensar com carinho no conselho que ela me deu.