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Falando demais!!!

Apesar de ser muito tímida, eu sou muito falante e muitas vezes as palavras chegam à lingua sem antes passar pelo cérebro e quando eu vejo: já falei! Em algumas situações eu falo porque quis, porque achei que deveria ter falado e não me arrependo. De vez em quando eu falo na hora da raiva e depois fico me remoendo de remorso. E muitas vezes eu falo simplesmente porque a lingua foi mais rápida; infelizmente minha lingua é muito rápida e vira e mexe eu falo demais.

Segunda feira estava conversando com a moça que passa a roupa aqui de casa e comentando que as crianças perdem as roupas muito rápido, aglumas roupas são usadas poucas vezes e já ficam pequenas e agora com a Luísa não poderei nem guardar. Ela tem um menino de 10 meses e com ele acontece o mesmo.

Então eu falei de um macacãozinho verde e azul que o Eduardo tinha e que ele usou tanto, mas tanto, que nem deu pra guardar pra Helena porque estava muito velho. Não sei se foi sem querer ou se foi pra me dar um "toque" a moça fala:

_ Não é um de capuz? Quando vc deu pra Fulana levar ela deu pro meu filho. Ele usou bastante também.

Fiquei super sem graça e ao mesmo tempo chateada porque o que deu a entender é que o que é lixo para mim ainda pode ser muito usado por ela. A minha intensão não foi essa até porque o macacão já estava com o pezinho puido de tanto o Edu se arrastar, e desenho já estava manchado porque causa do ferro de passar. Mas de qualquer forma ela ainda o usou, nem que tenha sido para o menino ficar em casa.

E eu me lembrei de outro fora que eu dei uma vez:

Eu tinha dado um monte de roupas das crianças para Maria, uma colega de infância que estava grávida. Ela estava passando por uma situação super difícil e eu separei um monte de coisas e mandei pra casa da avó dela e pedi que entregasse a ela.

Passado alguns meses, a tia da Maria veio me mostrar o seu netinho e ele estava com um body idêntico a um body que o Eduardo tinha e que eu adorava. Na maior inocência eu comentei:

_ Olha Sergio, igualzinho o que o Eduardo tinha!!!

O Sergio na hora percebeu que era o do Eduardo e fingiu que eu não tinha dito nada e todo mundo ficou com a maior cara de tacho. Foi um constrangimento geral e eu descobri que antes de mandar as roupas para a prima pobre foi feita uma pré-seleção pela prima não tão pobre.

Ficou parecendo que eu reconheci a roupa do Edu e quis jogar uma indireta, mas não foi nada disso; até porque eu não imaginava que aquela moça ficasse pegando roupa usada para o filho dela. Com esta história eu aprendi que se quero dar alguma coisa para alguem, devo entregar em mãos.


Outra coisa que aprendi a duras penas foi escolher pra quem dar as coisas que não quero mais. Tem um monte de gente sempre pronta a receber roupas e brinquedos usados, seja nas igrejas, seja nas instituições e mesmo na vizinhança, mas nem sempre o destino final das coisas doadas é na casa de quem realmente precisa .

Meu cunhado sempre dava os ternos velhos para uma senhora que visitava minha mãe. Ela morava na Bahia e sempre que vinha a São Paulo dava uma passadinha lá em casa e ia embora com sacolas de roupas usadas mas em ótimo estado (*minha mãe tem vergonha de dar roupa velha) e muitos ternos do meu cunhado. Depois de muito tempo nós descobrimos que ela vendia tudo na Bahia.

Quando passei 6 meses nos EUA acabei acumulando um monte de roupas do Edu que não serviam mais e pra não ocupar lugar na nossa bagagem na volta eu acabei doando tudo para a faxineira do hotel, que era mexicana. Achei que tinha feito uma boa ação e descobri que elas não dão nada pra ninguem: vendem tudo.

Eu fico super chateada com este tipo de coisa e só entrego as minhas roupas para quem eu conheço e sei que vai distribuir pra quem precisa e não sair vendendo. Também procuro dar as coisas pra pessoas trabalhadoras. Detesto esta história de ficar sustentando quem não quer trabalhar.

* minha mãe adora ajudar todo mundo mas as vezes fica com vergonha de dar alguma coisa muito velha. Certa vez ela jogou no lixo umas roupinhas dos meus sobrinhos porque achou que não dava nem pra doar. Passado alguns dias ela viu uma menininha com um shorts que minha mãe tinha feito pra minha sobrinha. Estava velhinho mas a mãe da menina tinha lavado, passado e ela estava toda faceira com o shortinho "novo".

As pessoas confundem muito pobreza com sujeira, com falta de cuidado, com desmanzelo. A frase: sou pobre mas sou limpinha tem muito a ver mas vou parar por aqui pra não falar demais!