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Falando em violência...

Eu sofri certa vez um tipo de violência por um período de 6 meses aproximadamente. TERRIVEL!!!

Comecei namorar um colega da escola (não vou identifica-lo é claro) e parecia ser o namoro dos sonhos porque teoricamentenós tinhamos uma relação super aberta, tranquila, sem mudar a nossa vida cotidiana. Como o nosso grupo de amigos era diferente ele ficava com os amigos dele o tempo todo, sentava no fundo da sala, saia com os amigos na sexta a noite, uma maravilha!!!

Acontece que com o passar do tempo eu fui percebendo que apesar de não ter mudado a rotina dele a minha vida tinha ficado um pouco mais solitária. Eu fui perdendo o contato com meus amigos da escola, briguei com meu MELHOR amigo, ficava sozinha na sala de aula, fazia laboratório com uma amigo em comum e era a única pessoa com quem eu me relacionava porque todas as outras se afastaram de mim.

Percebi também que sempre que alguem vinha conversar comigo ele aparecia do nada e ficava junto. Em pouco tempo a pessoa ia embora e em seguida ele voltava à rodinha de amigos dele e eu ficava sozinha de novo.

Outra coisa que fui percebendo foi a competição que se instaurou entre nós. Se ele tirava notas maiores que as minhas (o que era normal), não havia problema nenhum, mas se eu tirasse uma nota maior que a dele o mundo caia. Ele ficava inconformado, ficava analisando minha prova pra ver o que eu tinha escrito, porque tinha ido melhor e sempre dava a entender que era impossivel porque eu era "burrinha". Tudo o que eu fazia ele desmerecia, fazia piadinhas na frente dos amigos dele, mostrava meus trabalhos e relatórios pra todo mundo com algum comentário depreciativo, enfim, minha auto estima estava sempre lá embaixo.

Em poucos meses eu me afastei de todo mundo, só saia se ele não tinha outro compromisso com os amigos, brigávamos por causa de nota, por ciume excessivo, e eu fui ficando muito infeliz.

Bastou ele perceber que as coisas não iam bem no nosso realcionamento pra começar uma verdadeira violência psicológica. Ele me contava sonhos em que ele se matava, dizia que não conseguiria viver sem mim, que se me perdesse ele não sabia o que poderia acontecer com a gente, que estava pensando em comprar uma arma e varias coisas deste tipo que me deixavam um tanto amedrontada. Exatamente nesta época um jovem havia matado a namorada e ferido gravemente o novo namorado dela e se matado em seguida. Eu ficava pensando se isso não poderia acontecer comigo também. O pior de tudo é que por algum motivo que não sei explicar, eu sentia muito medo e não contava nada disso pra ninguém, não pedia ajuda e fiquei nesta situação por quase 5 meses.

Foi um período de extrema solidão, de medo, de angústias e de uma sensação terrível de estar em perigo e não ter pra onde fugir (acho que só o Sergio conhece esta história e muita gente vai se surpreender).

A gota d'agua foi no final do ano letivo. Eu precisava de uma nota importante e estudei muito e consegui o que precisava. Ele não conseguiu a nota que precisava e ficou inconformado. Ele queria que eu pedisse revisão da minha prova porque ele achava impossivel que eu tivesse ido tão bem. Foram dias de brigas por causa de uma nota.

Nesta mesma época eu havia descoberto um carocinho na minha mama e estava super preocupada porque talvez tivesse que fazer uma cirúrgia e ele não me deu nenhum apoio, nem se preocupou, estava mesmo preocupado com meu desempenho na escola.

Quando fiquei sabendo que teria mesmo que fazer a cirúrgia e que de repente poderia ter uma doença grave e fiquei pensando em como minha vida estava ruim, no ano em que realizei grandes sonhos, eu decidi que não valia a pena viver daquele jeito.

No último dia de aula eu o chamei pra conversar, expliquei que não dava mais e que estava tudo terminado. Ele começou com aquela história de que morreria, de que faria uma loucura, chorou, falou, brigou, xingou...

Eu estava tão mal, tão desesperada que disse que ele poderia fazer o que quisesse. Que ele poderia me matar, mas que eu não queria mais. Ele ainda insistiu por um tempo, me dava presentes caros, me ligava, foi complicado mas um dia ele percebeu que não teria retorno e desistiu. Eu me considero uma pessoa de muita sorte porque ele não fez nada, ficou só na ameaça.

Eu não gosto muito de falar sobre isso, até porque muitas pessoas que me conhecem o conhecem tambem e é super chato, mas achei importante como um alerta pra muitas pessoas que passam por situações parecidas e não conseguem sair delas. As vezes eu me pergunto como as pessoas não mudam de vida e aceitam tantas violências contra si e contra seus filhos. E então me lembrei que eu passei por uma situação desta e fiquei presa a ela por infinitos 5 meses.

Talvez aquele nódulo de mama tenha me salvado, tenha sido um sinal pra eu me libertar daquilo, mas o que importa foi que eu consegui fazer alguma coisa. A partir deste relacionamento nunca mais me envolvi com pessoas que me jogavam pra baixo. Procuro sempre pessoas otimistas e bem humoradas, pessoas que valorizem os outros, pessoas alegres, pessoas que saibam ver as qualidades dos outros e que de preferência se valorizem também.

Hoje sou contra a palmadinha pedagógica. Porque toda violência começa pequena, quase sem perceber. As pessoas não podem ser controladas pelo medo. Quero falar mais de violência doméstica contra crianças mas vai ficar para um próximo post porque não cuidar das crianças também é uma violência e as minhas estão me chamando.