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A escola do coração

Eu considero educação uma parte muito importante da vida de uma pessoa, principalmente das crianças. Acho que o ambiente escolar tem que ser muito agradável e a criança tem que sentir prazer em estar na escola para a coisa funcionar bem. Também acho que a participação dos pais na educação dos filhos é muito importante.

De nada adianta exigir que os filhos façam lição de casa, frequentem as aulas, estudem e tirem boas notas se os pais não dão valor pra nenhuma das conquistas dos filhos. Já me cansei de ouvir pais dizendo que tirar notas boas é uma obrigação da criança ou jogar na cara do filho que pagou a escola e que portanto ele tem que fazer a parte dele.

Infelizmente os nossos filhos seguem pouco o que falamos mas prestam atenção em tudo o que fazemos e seguem à risca cada exemplo que damos. De nada adianta dizer que eles precisam ir pra escola se na verdade achamos as atividades extracurriculares um saco, se não damos a menor importância para as coisas que eles fazem na escola e não queremos participar de nada ou sempre temos coisas mais importantes do que as atividades escolares deles para fazer.

Então não preciso dizer que eu e o Sergio participamos de tudo na escola das crianças; vamos em todas as comemorações e nos desdobramos para conseguir participar de tudo porque o Edu vai em uma escola e a Helena em outra. Imaginem a correria que não é no dia dos pais ou das mães!!!!

É engraçado porque vejos muitos pais "brigando" pra ver quem vai ser o "azarado" da vez a participar daquela festividade chata que a escola inventou. Aqui em casa sempre tem briga mas porque todo mundo quer participar: na última reunião eu fui sozinha porque os três estavam com conjutivite mas foi dificil convencer o Sergio que eu deveria ir e não ele. Da mesma forma participamos das lições de casa, dos livros que eles trazem toda semana pra ler em casa e todas as atividades que eles fazem na escola.

Talvez por darmos tanta importância à participação da família no ambiente escolar que tenhamos escolhido o método socio-construtivista. Quando fui pesquisar sobre escolas aqui na região dei preferência a este tipo de método por seguir uma linha muito mais parecida com a educação que eles têm em casa. Alem disso, eu não queria uma escola tradicional como as escolas em que estudei onde os alunos não têm voz ativa, não são incentivados a discutir e argumentar e onde a família é simplesmente a provedora do pagamento da escola.

Eu gosto deste método em que eu tenho que ir até a sala de aula pra entregar e pegar o Edu todo dia; me sinto totalmente à vontade na escola, tenho um contato diário com a professora, podemos sempre conversar sobre os pequenos problemas que vão ocorrendo no dia a dia, posso acompanhar a relação do Eduardo com os amigos e com a professora ao mesmo tempo em que a professora pode observar um pouco da nossa dinâmica familiar também.

O fato de poder entrar na escola a hora que eu quiser também possibilita ver o verdadeiro funcionamento da escola, a questão da segurança, a postura dos funcionários diante dos imprevistos que sempre ocorrem e o conhecimento dos outros pais.

É claro que pra tudo isso tem existir uma predisposição dos próprios pais, né? Muitas mães chegam cedo pra conseguir lugar no estacionamento interno e ficam em seus carro esperando o momento de ir pegar os seus filhos; outras ficam no páteo mas não fazem questão nenhuma de interagir com as outras pessoas que estão por alí.

Eu, apesar da timidez, faço amizade com todo mundo que queira um papinho. Tenho várias conhecidas com quem converso exporádicamente e tenho um grupo de amigas que se tornaram mais que conhecidas da escola. É claro que o assunto preferido é sobre nossos filhos, mas aos poucos conseguimos formar vínculos e conversar sobre tudo.

Além desta liberdade eu gosto do método pelo qual o Eduardo está aprendendo a ler e escrever. Ele já conhece todas as letras, os acentos e várias regras gramaticais e está começando a entender a lógica da coisa; ele conta até 50 e tem curiosidade pra ir adiante nos números, resolve problemas e faz diversas lições relacionadas a raciocínio lógico e tudo sem aquela decoreba exaustiva da minha época escolar.

A regra é que ele faça a lição sozinho; eu posso dar um apoio, explicar o que é pra fazer mas ele tem que fazer sozinho e do jeito que ele acha que é correto e a professora no dia seguinte vai corrigir junto com ele. É legal porque tudo o que eles fazem em casa é retomado no dia seguinte em classe e a professora vai corrigir tudo junto com a criança, explicando cada coisa. Ao mesmo tempo que fazer a lição vai ter retorno do dia seguinte eles ainda desenvolvem a responsabilidade pelas coisas deles, mas sem aquele terrorismo da professora bruxa que dava bronca ou jogava o caderno no chão como ja aconteceu comigo certa vez. Aliás minha experiência na escola merece um post (os absurdos das professoras da Marilena),rs.

As coisas vão sendo dadas todas ao mesmo tempo mas sempre respeitando o tempo de cada aluno, sem forçar nada, sem pressões, respeitando as diferenças. Na classe do Edu tem crianças que já sabem ler e outras não.

Outra coisa que é muito valorizada na escola são as amizades e os relacionamentos. Em poucas semanas de escola o Eduardo já tinha vários amigos e uma noção muito boa de companheirismo e respeito às diferenças. Existe uma preocupação grande em inserir os alunos novos no grupo e até agora eu desconheço um aluno que tenha ficado isolado.

É claro que nem sempre as coisas são perfeitas e muitas situações conflitantes acontecem mas a escola sempre está aberta a discussões e conversas e até hj não tive nenhum problema que não tenha sido resolvido. A história das lutas foi resolvido em sala de aula com a PROIBIÇÃO de lutas entre os alunos na classe do Edu. A professora simplesmente proibiu esta brincadeira. Pode parecer autoritário, mas conhecendo a professora dele tenho certeza que ela conversou muito e tentou muitas alternativas antes de tomar esta posição radical. Pra mim foi ótimo porque assim que ela proibiu na escola as lutas aqui em casa também diminuiram.

O outro lado da moeda é que a liberdade que eles têm na escola pra questionar, discutir, participar, eles querem usar em casa também. O Eduardo é um questionador e pra convencê-lo a argumentação tem que ser boa. Somos exigidos o tempo todo porque não é qualquer respostinha que o convence e ele não aceita "porque sim ou porque não".

A escola sofre muitas e muitas críticas por não ser uma escola conteudista e voltada unica e exclusivamente para o vestibular; muitos pais não confiam na qualidade da escola por isso e talvez por esta imagem o dono da escola tem tido uma preocupação maior com o vestibular nos últimos anos. O desempenho da escola tem melhorado muito na prova do ENEM e está entre as melhores da cidade de São Paulo.

Mas eu sempre me lembro de um depoimento na comunidade da escola no orkut. Estava uma discussão sobre a qualidade do ensino na escola e ela disse:

- talvez eu não tenha entrado na melhor faculdade do mundo mas o que me importa é que nos 11 anos em que estudei lá eu FUI FELIZ!

Este depoimento me ajudou muito a decidir por esta escola. A coisa que mais quero é que meus filhos se lembrem dos tempos de escola com alegria, com saudade, com carinho e quero que a escola me ajude a formar pessoas seguras, independentes e preparadas para a vida.

Uma das coisas de que mais sentirei falta aqui no Brasil vai ser da escola e da liberdade que tenho lá. Não tenho muita idéia de qual o método das escolas canadenses. Preciso pesquisar mais a respeito, mas pelo que tenho visto, acho que vamos nos adaptar bem. Pelo menos é o que eu espero.