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Lista telefônica e adolescência

Ontem passou um cara entregando listas telefônicas. Eu nem abri a janela porque sei que eles pedem uma caixinha e se vc não dá ele não entrega a lista. Meu telefone sequer está na lista e eu consulto tudo bem mais rapido na internet.

E eu me lembrei de quando eu era mais nova (bem mais nova) e eles passavam entregando as listas telefônicas da Telesp gratuitamente. Tinha a de assinantes e a de endereços e vc entregava de volta a do ano anterior.

Quantas coisas eu encontrava na lista telefônica da Telesp; quantas informações que na época eram importantíssimas pra mim.

Por exemplo: tinha um menino lindo que morava no bairro mas que não tinha amizade com ninguém, nós só sabíamos que ele se chamava Maurício. Até irmos procurar seu telefone na lista e ficar o dia todo ligando pra casa dele pra conversar com ele. É claro que quando ele atendia nós desligávamos o telefone. Tudo bem que eu só tinha uns 12 anos.

Pior mesmo foi um menino que conheci no shopping e por quem me apaixonei perdidamente; agora com 15 anos. Foi um amor platônico de quase 5 anos porque minha mãe me achava muito nova pra namorar e eu "tinha que estudar". Tudo bem, como eu já disse no meu post anterior: os pensamentos são meus e ninguém tasca.

Eu ainda consegui me encontrar com ele umas 2 ou 3 vezes em 2 anos até que pedi pra ele não me ligar mais porque desisti de lutar contra minha mãe, mas continuei apaixonada por ele até quase os 20 anos.

E então, adolescente apaixonada, sem poder encontrar o namorado pra passar o tempo, fui pesquisar a vida dele. Eu sabia o primeiro nome dele, o bairro onde ele morava e tinha o número do telefone. E lá fui eu pra lista telefônica. Procurei rua por rua no bairro onde ele disse que morava. Em cada rua eu olhava todos os telefones pra ver se encontrava o dele.

Foi um trampo de semanas mas um belo dia... eu encontrei!!! Descobri não só o endereço dele como o nome do pai, o provável sobrenome dele e o nome de outros prováveis parentes porque todos moravam no mesmo bairro (tinha pouca gente com aquele sobrenome).

Em um dos nossos poucos encontros ele foi me mostrar o bairro onde morava e eu morrendo de vontade de rir porque conhecia todas as ruas, sabia o endereço dele e acabei descobrindo quem eram as outras pessoas da lista telefônica assim como quem não quer nada.

Há uns tempos atrás eu o encontrei no orkut e diria que... bem... não iria dar certo mesmo!!