Oct 31, 2008

Tiro pela culatra

O Consulado do Canadá pelo jeito está desesperado com o número de processos de imigração que tem recebido e está mandando uma cartinha para todo mundo que está no processo. A carta diz que se não tivermos mais interesse no processo eles devolvem o dinheiro da taxa inicial. Temos 60 dias para avisá-los e se não entrarmos em contato neste período eles vão considerar que ainda queremos imigrar para o Canadá.

O problema é que brasileiro não consegue lidar muito bem com estas questões sem resposta: "se vcs nao fizerem nada vamos considerar que vcs querem continuar". Eu não sei se é um problema da lingua ou da nossa cultura mas fica sempre aquela questão: "e se eu não disser nada e eles ficarem 2 meses sem mexer no meu processo esperando o prazo pra eu desistir???", " será que se eu avisar que ainda estou interessada eles vão mexer no meu processo mais rápido??". E o texto da carta pode ser óbvio mas deixa a dúvida; é muito difícil ficar esperando sem fazer nada pra dizer que queremos alguma coisa.

O fato é que o Consulado acabou recebendo uma enxurrada de e-mails, de todo mundo que recebeu a tal cartinha, avisando que ainda estão interessados no processo. Eu gostaria muito de saber qual foi a porcentagem de desistência. Até agora não conheci ninguem que tenha desistido e acho que o fato deles devolverem o dinheiro não vai incentivar ninguem a mudar de idéia.

Aparentemente eles estão cheios de coisas pra fazer e agora ainda terão um monte de e-mails pra ler. A menos que esteja tudo realmente parado por lá e eles estejam arrumando o que fazer.

Nós recebemos a tal cartinha há quase um mês e eu estava em dúvida se devia ou não respondê-la. E só hoje resolvemos mandar um e-mail para o Consulado dizendo que desejamos SIM continuar no processo, mas tomei muito cuidado pra não usar nenhuma frase na negativa pra não haver o menor risco de confusões ou mal entendidos.

Oct 23, 2008

Lendas Urbanas

Vira e mexe eu recebo um daquele e-mails URGENTÍSSIMOS falando sobre um remédio que está proíbido porque causa câncer ou uma bala contaminada com produtos radioativos. O último que recebi foi super interessante sobre umas aranhas que se alojaram em banheiros de aviões e cujo veneno causa morte em poucas horas. Tenho que admitir que as histórias são muito bem feitas e muitas vezes pesquisando na internet não é fácil conseguir encontrar argumentos para negá-las.

O que eu sempre fiz foi ignorar e algumas vezes tomar um certo cuidado. Até que um dia eu recebi um e-mail dizendo que o
Decongex Plus continha uma substância que causava efeitos colaterais graves, bla bla bla...

Eu levei um grande susto porque o Edu estava tomando o remédio na época. Peguei a bula do medicamento e não encontrei a tal substância e então fui pesquisar na internet e descobri que o Decongex realmente tinha esta substância mas que ela havia sido substituída em 2000. A partir daí eu comecei pesquisar tudo e sempre encontro alguma histórinha sobre estes e-mails. Nestas buscas acabei encontrando alguns sites legais que verificam a veracidade das informações.

Para o e-mail das aranhas eu encontrei este
link aqui e para lendas em inglês tem este outro link. Geralmente pego as informações que consegui e mando de volta para quem me passou o e-mail. Dependendo da pessoa e do conteúdo do e-mail eu mando pra todos da lista dela também. Mas antes de mandar qualquer coisa pra outras pessoas eu SEMPRE verifico.

Oct 21, 2008

O nascer de uma perua

Eu não sei muito bem como determinadas características são desenvolvidas nas crianças, o que sei é que desde muito pequenos é possivel diferenciar um menino de uma menina através das brincadeiras. Não sei se eles simplesmente copiam o que os adultos fazem e se identificam com o pai ou com a mãe mas desde muito pequenos eles já gostam de coisas diferentes.

O Edu sempre gostou de bola, tanto que a primeira palavra que pronunciou foi Goooooollllll!!!! E sempre gostou de carrinhos e de brincadeiras de menino. Quando estava próximo da Helena nascer eu comprei uma boneca pra ele e fazia como se ela fosse o nosso bebê. Colocava a boneca no berço, fazia ninar, dava banho e ele nem ligava pra boneca. Gostava mesmo do Ted (ursinho), do coelho e de um Husk siberiano de pelúcia que ele mesmo escolheu nas lojas de brinquedo.


Já a Helena... sempre adorou bonecas, bolsas, sapatos de salto, pulseiras, colares, batom e estas coisas de mulher. É claro que o Edu também se interessa por algumas destas coisas mas sempre com a preocupação de que sejam de homem. Como homem não usa batom ele gosta de passar protetor labial; homem não usa tiara então ele coloca como se fosse de lutador, anel tem que ser de homem e por aí vai. Há pouco tempo atrás ele adorava rosa e eu nunca me preocupei com isso mas na escola se preocuparam e hj ele detesta. Mas não são coisas naturais dele, tanto é que antes da Helena começar a usar ele nunca se interessou.


A Helena em compensação quer tudo rosa, é super feminina e uma verdadeira peruinha. E ela é super maternal: cuida da boneca como se fosse sua filhinha e toma o maior cuidado com a boneca. Adora fazer comidinha e falar ao telefone e é muito engraçado como ela conversa no celular da Barbie que ela tem. Parece uma mocinha!!!


E agora, a Luísa começou imitá-la. Vive colocando meus sapatos, falando ao celular, dando comidinha pra boneca e andando pela casa com a bolsinha pendurada. Não pode ver um pente que vai "arrumar" o cabelo e não pode ver um espelho também. Em pouco tempo as duas estarão brincando de casinha exatamente como eu fazia quando era criança. Já consigo vê-las com a casinha montada, as bonecas no colo, com sapatos altos e bolsa pendurada falando no celular e fazendo trejeitos de mocinha.


Depois que entrei na adolescência infelizmente perdi aquele meu jeito peruinha da infância. Acho que a timidez e os preconceitos falaram mais alto e eu resolvi ser mais séria e "intelectual" ao invés de vaidosa. Hoje eu vejo que poderia ter equilibrado as duas coisas tranquilamente e que não aproveitei as características físicas que eu tinha na época. Mas tudo bem; estou tirando o atraso hj,rs.


Deixo a Helena ser o que ela quer: deixo pintar as unhas, passar batom, prender o cabelo, usar salto alto, ser a perua que quiser ser. É claro que tudo isso na brincadeira. Pra sair ela está sempre vestida de criança, com sapatinhos e roupas confortáveis pra que ela tenha liberdade pra brincar. Mas se ela pede eu prendo o cabelo, deixo usar pulseirinha ou anelzinho infantil e dependendo do lugar pra onde vamos pode levar uma bolsinha. o que importa é que ela esteja livre pra brincar. Não incentivo mas também não fico podando. Quero que ela seja o que quiser e como quiser; cada coisa a seu tempo mas sempre ela mesma.


A luísa, ao que tudo indica, vai pelo mesmo caminho!!! Espero que ela também encontre seu próprio estilo e que a timidez e as cobranças não a impessam de segui-lo.


Pra contentar o Edu que sofre muito com a falta de acessórios masculinos estou procurando aneis, pulseiras e outras coisas de menino. Ele vai adorar!!! Não gosto destas histórias de que homem não pode se cuidar ou usar acessórios. Não gosto nem destes preconceitos quanto a cor: se ele gosta de rosa não vejo porque não usar (mas ele cismou que detesta rosa). É claro que se ele quiser lacinhos e florzinhas vai ser um pouco complicado mas é interessante que naturalmente ele não é chegado nestas coisas. Ele quer estar bonito e arrumado; acho saudável desde que ele não se torne escravo desta vaidade. Por enquanto está bem controlado e as vezes ele tem aquela atitude bem masculina: não quer tomar banho!!!!

Oct 20, 2008

Corinthians voltando...

Eu não sou corinthiana e nem acompanho muito futebol apesar do meu time estar lutando pra ser campeão da Série A. Eu já falei pro Sérgio que não podemos perder esta chance de comemorar o futebol em família: Palmeiras campeão da primeira e Corinthians campeão da segundona.

O Sérgio adora futebol e assiste até pebolim se for televisionado. E ele participa ativamente de uma comunidade super legal do
Corinthians no Orkut; ao contrário de outras comunidades de futebol, incluindo uma do Palmeiras da qual eu participei e desisti, esta comunidade tem várias regras e uma preocupação em discutir coisas relacionadas ao corinthians e não ficar se preocupando em ofender os outros times. É claro que idiotas tem em todo lugar, mas pelo menos existe um controle.

Uma das discussões que está rolando na comunidade esta semana é sobre a música que a torcida vai cantar no sábado se o Corinthians garantir o acesso à série A. Uma das idéias foi
O portão do Roberto Carlos e outra idéia que achei ótima foi Ói nóis aqui traveis dos Demônios da garoa.


Se as discussões fossem sempre assim com certeza futebol seria um esporte bem mais interessante e divertido. Aqui em casa reina a paz total nesta área. Nós NUNCA brigamos por causa de futebol e olhe que tanto o Palmeiras quanto o Corinthians já foram visitar a segundona; sem contar que vivem se esbarrando por aí e nós assistimos aos jogos juntos e sempre é um divertimento.


Outra regra que temos: futebol é divertimento mas não nos impede de fazer nada. Se temos um passeio, um dia bonito ou simplesmente uma coisa pra comprar não nos prendemos por causa do jogo que vai ser televisionado. É claro que sábado eu vou fazer um esforço para que o Sérgio possa acompanhar o acesso do Corinthians, mas sem obrigações.


Espero que o Palmeiras coopere pra podermos comemorar juntos porque só deus sabe quando teremos outra oportunidade (bate na madeira pra demorar bastante!!!)

Preconceito

Aproveitando esta fase preconceituosa da propaganda política da cidade de São Paulo eu vou falar um pouco sobre estes conceitos predeterminados. Sempre que eu ouço música no carro eu me lembro da propaganda do Renaut Scènic kids e de todos os preconceitos embutidos nela.

A propaganda mostra uma família brigando no carro e um rock tocando no fundo e depois mostra um Scènic com a tecnologia "acalma criança"(dvd) e no fundo tocando música clássica e todo mundo quietinho.

Pra ser frança eu detesto a idéia do acalma criança com TV (dvd, video, filme, desenho ou joguinho). Gosto muito mais quando meus filhos estão pulando no sofá ou fazendo cabaninha no berço da Luísa do que quando estão sentadinhos assistindo TV. E esta idéia de que rock esteja associado à desordem e gritaria é muito preconceituosa!!! No carro ouvimos rock o tempo todo e o stress independe da música: se estão com fome, cansados ou de mal humor qualquer música é estressante.

No geral, ouvimos muito rock no carro (e em casa) e eles ficam super bem: conversamos muito, brincamos, rimos, eles brigam entre si (é claro), dormem, comem e geralmente são momentos de muita interação e divertimento e a música não interfere em nada.

Mas é interessante observar as pessoas, suas idéias sobre as coisas e os pequenos conceitos pré determinados que elas têm. Muitas vezes julgamos e montamos um perfil completo de alguém simplesmente por um pequeno detalhe que a pessoa apresente: as roupas, o carro que tem, a música que ouve, os lugares que frequenta, a idade.

Ahhhhh, a idade: como sofremos preconceitos só pela nossa idade. Como temos prontinhas as regras de comportamento dependendo do ano em que vc nasceu. Há uns meses atrás meu sobrinho de apenas 21 anos e aparentemente um libertário me disse:

"Vc não acha que já passou da idade pra ter um blog???"

Não é o máximo do conservadorismo e do preconceito??? Imagine se o blog fosse todo rosinha e com flores e laços!!!!!

Eu cresci ouvindo da minha mãe a frase: "diga-me com quem andas e eu lhe direi quem és". Por muito tempo eu acreditei nesta frase e acho que só há bem pouco tempo eu descobri que ela não é tão verdadeira assim. É claro que na maioria das vezes nós nos aproximamos de pessoas que pensam como a gente, mas em muitas situações nós acabamos frequentando lugares e conhecendo pessoas que aparentemente não têm nada em comum com a gente. Se conseguirmos nestas oportunidades nos despir dos nossos preconceitos e aceitar as diferenças, acabamos descobrindo que muitos destes "pré-conceitos" são tolos e só servem pra empobrecer a nossa vida; e descobrimos pessoas maravilhosas e que têm muitas coisas interessantes para nos ensinar.

Um excelente exemplo disso eu vi no orkut. Na comunidade do Whitesnake no Orkut umas meninas abriram um tópico pra mostrar as fotos que tiraram com os integrantes da banda. Detalhe: elas foram no hotel onde eles estavam pra ver o integrantes de uma banda adolescente e quando viram aqueles gringos de cabelos compridos e cercados de fãs, resolveram se aproximar e tirar umas fotos com eles. O mais interessante é que elas foram na comunidade do grupo no orkut pra colocar as fotos e contar como os conheceram para os fãs deles.

Não preciso dizer que sofreram o maior preconceito do pessoal da comunidade, né? Tanto é que não encontrei mais o tópico lá!!!! E eu fiquei pensando a respeito: eu, com todos os meus preconceitos, jamais iria tirar fotos com os integrantes daquela banda adolescente e nem com muitos outros cantores que eu acho terríveis. E elas tiraram fotos, conversaram e ainda colocaram as fotos na comunidade dos fãs. Era super engraçado elas falando do loirinho, do moreninho que elas nem sabiam o nome e menos ainda as música que eles fazem.

Eu tenho lutado muito contra os meus preconceitos e tentado não julgar as pessoas pelas aparências. É dificil, eu admito, mas tenho me esforçado bastante e aprendido muito nestas experiências. Aos poucos estou aprendendo que eu posso mudar algumas coisas em mim, aprender muitas coisas novas e fugir daquele personagem que foi sendo criado pra mim e que eu incorporei como sendo eu. Tenho feito um monte de coisas que nunca me imaginei fazendo só porque tinha preconceito contra elas e estou percebendo que posso experimentar o diferente sem deixar de lado o que é realmente importante. E muitas vezes deixando de lado babagens que eu achava tão importantes e que não fazem a menor diferença.

PS: voltando às eleições em São Paulo, se há uma coisa que ninguém pode dizer é que a população paulistana é preconceituosa. Nos últimos anos tivemos na Prefeitura duas mulheres, uma nordestina, um alcoolatra, um conhecido corrupto, um negro, uma sexóloga e se as pesquisas e os sites de fofoca estiverem certos, teremos um homossexual. Só está faltando encontrar aquele político em extinsão no Brasil: o honesto que pensa em primeiro lugar nos interesses da cidade ao invés de passar 4 anos pensando nas próximas eleições.

Oct 16, 2008

Paixão, amizade, ciúmes (II)


Sabe que estas coisas de relacionamento são muito engraçadas. Eu tinha uma grande amiga que ficou morrendo de ciúmes quando eu comecei namorar com o Sérgio. Pra ela foi como se eu não fosse mais ser amiga dela.

É claro que sempre ocorre um afastamento, mas são coisas que podem ser conciliadas e ao invés de perder a amiga ela poderia ter ganhado um amigo: e foi o que aconteceu!!! Hoje, eles são super amigos e certa vez ela confessou a ele sobre este ciúme, que pra ser sincera eu não percebi.

E eu já fui muito, mas muito, muito, muuuuuito ciumenta. Eu chegava a terminar os relacionamentos por sentir ciúme da pessoa. Minhas amigas de infância e adolescência eram verdadeiras heroínas porque meu ciúme era doentil e eu tinha ciúme até da irmã da minha melhor amiga.

Até que um dia a ficha caiu e eu percebi que a pessoa que mais sofria com isso tudo era eu e que ao invés de trazer as pessoas pra mais perto de mim, eu as afastava. E eu comecei minha luta contra o ciúme com um namorado que me dava total liberdade, que confiava em mim cegamente, que não me questionava em nada e com quem eu namorei 5 anos (tudo bem que ele não olhou mais na minha cara depois que terminei o namoro; e olha que ele nunca foi traído!!!).

Hoje posso dizer que tenho meu ciúme totalmente controlado. Não tenho ciúmes das crianças, nem de amigos, nem de parentes e quando acho que ele vai aparecer tento ser racional e pensar o que pode acontecer naquela situação e sempre acabo vendo que não vale a pena ter ciúmes.

Do maridão??? Sou super tranquila com ele também!!! Tudo bem que fiquei sabendo que a dermatologista dele é um "mulherão". Tranquilo!!! Eu sou mais eu!!!

Vou marcar uma consulta pra minha mãe no dermatologista pra fazer um check up e olha que coincidência: é a mesma dermatologista do Sérgio!!! Ela parece ser tããããão boa!!!


Oct 14, 2008

Paixão, amizade, ciúmes




Depois de uma tosse que não me largava de jeito nenhum e de uma dor no braço causada pela posição errada do computador, eu consegui voltar pra contar as novidades. O pior é que não temos novidades...

Nas últimas semanas o Eduardo está em crise: vive reclamando que fica sozinho na escola, que ninguém brinca com ele, que todo mundo fica brigando o tempo todo, etc,etc, etc... Eu já conversei com a professora e ela achou estranhíssimo porque disse que ele brinca com todo mundo, todos os alunos têm o maior carinho por ele porque ele é todo meiguinho e faz amizade com a maior facilidade e resolvemos observar o que está acontecendo.

Como as reclamações por parte dele continuaram eu fui falar com a psicóloga da escola e pensamos juntas em várias coisas que podem estar acontecendo. Ele é o mais novo da classe e está naquela fase em que quer ser grande, forte, maior que todo mundo e apesar de acreditar que já é um mocinho ele continua sendo o bebezinho da turma.

Nos últimos tempos eu percebi que o melhor amigo dele se afastou um pouco e ele está mais próximo de outros meninos que antes não eram tão amigos. Enfim, conversei bastante com a psicóloga e depois fui falar com a professora e ela me fez uma revelação que parece ter respondido algumas das minhas perguntas.

Descobri que o melhor amigo do Edu está APAIXONADO. E eu pude ver os corações flutuando pela sala enquanto ele e a menina escreviam na lousa. Pareciam dois pombinhos: ele tirava o cabelinho dela do olho, apagava a lousa pra ela, ficavam de mãos dadas... a cena mais linda de se ver!!!! O único detalhe é que ele vai fazer 6 anos e ela tem 5, mas é apenas um detalhe!!! O fato é que os dois acabaram se afastando um pouco da turma e ficam sempre juntos pra cima e pra baixo.

E acho que o Edu sentiu este distanciamento do melhor amigo. Ele (o amigo) é um pouco mais velho que o resto da turma e é o heroi de todo mundo: ele é super carinhoso, atencioso, cuida de todo mundo, protege os menores, ajuda resolver os conflitos entre os outros colegas e agora está apaixonado e meio distante. Parece que o Edu está se sentindo desamparado e apesar de ter contato com todo mundo está se sentindo meio sozinho.

Pode ser isso mas pode não ser: imagino o quanto seja complicado para o Edu entender o que ele sente, entender que mesmo estando com todo mundo ele se sinta sozinho. E se é dificil pra ele, imaginem pra mim!!! Eu percebo que tem alguma coisa acontecendo e que ele está em conflito; não sei se ele sente ciúmes ou se simplesmente sente falta do amigo; ou se não é nada disso!!!!

Mas não deixa de ser engraçado ver o casalzinho arrulhando pela sala. E formam um casal tão lindo!!!!!!

Oct 2, 2008

Quando mudar de escola???


Acho que meus leitores habituais estão estranhando tanta falação sobre escola. Na verdade já estou pensando nas escolas canadenses para as crianças e estou acompanhando uma discussão muito interessante no site Desabafo de mãe sobre educação e os caminhos pra discutir são muito, né?

Na minha humilde experiência eu aprendi muito sobre meus filhos, sobre as escolas e o que eu procurava pra eles; e principalmente como foi a decisão de mudá-los de escola.

Pra todos entenderem um pouco o que aconteceu com o Eduardo vou ter que descrevê-lo. Desde que nasceu, o Edu nunca teve problemas com timidez: conversa com qualquer pessoa, se sente à vontade em qualquer ambiente, tem muita facilidade de relacionamento. Quando fui procurar uma escola pra ele eu queria um lugar onde ele tivesse contato com outras crianças, onde pudesse desenvolver coisas que em casa eu não poderia. Escolhi uma escola muito conhecida aqui no bairro, com muitas décadas de experiência e que todo mundo acha o máximo. Desde o primeiro dia o Edu ficou na escola sem chorar e não tive problemas aparentes com a adaptação. Chegávamos à escola e ele entrava sem problemas e eu ficava no portão, mas em poucas semanas pude perceber uma mudança gigantesca em seu comportamento.

O Edu não falava absolutamente nada da escola, não contava NADA e não sabia o nome de nenhum coleguinha. Por mais que eu perguntasse ele nada respondia. Em compensação fui percebendo várias mudanças. Primeiro que ele se tornou uma criança muito mais fechada. Parou de conversar com pessoas com quem não tinha intimidade, se tornou muito mais tímido, mais agressivo com pessoas estranhas, parou de desenhar sozinho, só queria desenhos impressos e queria que eu os pintasse. Se tornou muito exigente com organização e não admitia cometer erros; quando errava ficava muito chateado, chorava, ficou inseguro, coisa que nunca foi. E separou todas as coisas aqui de casa: o que era dele era só dele e o que era da Helena ele não pegava nem por decreto.

Por um tempo eu achei que a mudanças eram devidas aos Terrible Twos, mas olhando a escola mais de perto eu fui percebendo que o problema não estava nele e sim no método de educação da escola.

Entrar na escola era quase impossível e o tempo todo eu me sentia vigiada. Até nas reuniões com a professora uma das donas ficava por perto corrigindo a professora. A dona da escola me dizia que eu não deveria ficar conversando muito com ele antes de entrar na escola e que deveria chamar a professora para pegá-lo. O Edu entrava só quando eu conseguia convencê-lo a entrar sem chorar, mas me cortava o coração vê-lo arrastando sua mochilinha.

Então, mais ou menos em agosto nós tomamos a decisão: o Eduardo vai mudar de escola... no ano que vem. Não preciso dizer que me odeio por isso até hoje e meu castigo é ter que passar em frente à escola quase todo dia, hahaha.

A certeza de que nossa decisão foi acertada foi logo nos primeiros dias de aula na nova escola: como num passe de mágica o Eduardo voltou a ser aquele menino de antes: ele não conta muitas coisas da escola mas fez muitas amizades, conhece todos os coleguinhas, voltou a ser uma criança generosa, preocupada com os amiguinhos, preocupado em dividir o lanche ou os brinquedos com os "amigos" e a timidez desapareceu completamente.

Então, no início deste ano achamos que a Helena deveria ir pra escola também e como ela não poderia estudar na escola do Edu fomos procurar uma alternativa. Nós adoramos o método da escola onde o Eduardo esta estudando e fomos pedir auxilio na direção da escola e eles nos indicaram 3 instituições. Fizemos as visitas, eu gostei de uma e o Sergio gostou de outra e no final nos decidimos por uma que tinha um espaço físico maravilhoso.

Diferente do Eduardo, a Helena é mais tímida, mais apegada comigo e eu entendi que o choro dela na chegada à escola fosse relacionado a isso. Eu gostava muito da dona da escola e nós conversávamos muito quando eu levava a Helena, mas até por poder entrar na escola com mais liberdade eu pude perceber que as coisas eram meio desorganizadas lá dentro. A Helena não se adaptava e depois de quase um mês ela chorava assim que eu estacionava em frente à escola. O engraçado é que ela levantava super animada, se trocava e ia pro carro toda alegre, mas no portão da escola chorava dizendo que não queria ir. Um dia, na ausência da dona da escola, a professora me disse que eu poderia olhá-la no parque e confesso que fiquei chocada: minha filha olhava as outras crianças brincando e não tocava em nada, ela não pegava em nenhum brinquedo, não comia nada, ficava parada num canto, não interagia com ninguém, nem com os outros funcionários. No máximo segurava a mão da auxiliar.

Quando questionada a dona da escola me disse que isso era normal e que estava tudo bem, mas eu comecei perceber que ela estava roendo a unha e estava muito mais apegada a mim, insegura, diferente. Lembrando do que fiz com o Eduardo fui procurar ajuda de novo e na escola do Eduardo me indicaram novamente uma escola que eu e o Sérgio desprezamos no inicio do ano.

Foi amor à primeira vista: a Helena já quis ficar na escola no dia que eu fui visitar. Já ficou quase 2 horas lá sozinha. No dia seguinte, levantou de manhã toda animada e quando chegamos na escola já quis entrar sem reclamar e ainda quis levar a mochila sozinha. Em poucas semanas já falava de todos os coleguinhas, das professoras, começou cantar musiquinhas, histórias, mesmo sem falar muito ainda. Parou de roer a unha pouco tempo depois e eu percebo que melhorou muito a sua timidez.

Estamos tão felizes com a escola que criei coragem e coloquei a Luisa lá também. É claro que ela não vai todos os dias porque a acho muito pequena ainda, mas sempre que tenho alguma coisa pra fazer pela manhã, a Luísa fica na escola e ela adora. Vai com as professoras na maior tranquilidade e quando eu chego pra buscá-la ela fica apontando o parque como quem diz: eu queri ir lá, mamãe!

O que aprendi disso tudo? Cada criança é diferente e escolher a escola não é uma tarefa fácil. Entretanto, as crianças têm uma linguagem própria que diz tudo a respeito delas e cabe a nós pais estarmos atentos pra ouvi-las. Desânimo é uma coisa que a criança não deve sentir nunca em relação á escola onde estuda; este já é um grande sinal de que algo vai mal na relação entre os dois.
Mas muitas vezes só mudar de escola não vai resolver o problema uma vez que nem sempre a escola é culpada. Acho que por isso eu gosto de escolas mais liberais e não gosto muito das tradicionalistas; gosto de ter liberdade pra questionar a escola e de tentar resolver os problemas em conjunto. Mas só com muita observação e isenção dá pra diferenciar o que é um problema que a criança trouxe de casa de um problema causado pela escola.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!