Skip to main content

Preconceito

Aproveitando esta fase preconceituosa da propaganda política da cidade de São Paulo eu vou falar um pouco sobre estes conceitos predeterminados. Sempre que eu ouço música no carro eu me lembro da propaganda do Renaut Scènic kids e de todos os preconceitos embutidos nela.

A propaganda mostra uma família brigando no carro e um rock tocando no fundo e depois mostra um Scènic com a tecnologia "acalma criança"(dvd) e no fundo tocando música clássica e todo mundo quietinho.

Pra ser frança eu detesto a idéia do acalma criança com TV (dvd, video, filme, desenho ou joguinho). Gosto muito mais quando meus filhos estão pulando no sofá ou fazendo cabaninha no berço da Luísa do que quando estão sentadinhos assistindo TV. E esta idéia de que rock esteja associado à desordem e gritaria é muito preconceituosa!!! No carro ouvimos rock o tempo todo e o stress independe da música: se estão com fome, cansados ou de mal humor qualquer música é estressante.

No geral, ouvimos muito rock no carro (e em casa) e eles ficam super bem: conversamos muito, brincamos, rimos, eles brigam entre si (é claro), dormem, comem e geralmente são momentos de muita interação e divertimento e a música não interfere em nada.

Mas é interessante observar as pessoas, suas idéias sobre as coisas e os pequenos conceitos pré determinados que elas têm. Muitas vezes julgamos e montamos um perfil completo de alguém simplesmente por um pequeno detalhe que a pessoa apresente: as roupas, o carro que tem, a música que ouve, os lugares que frequenta, a idade.

Ahhhhh, a idade: como sofremos preconceitos só pela nossa idade. Como temos prontinhas as regras de comportamento dependendo do ano em que vc nasceu. Há uns meses atrás meu sobrinho de apenas 21 anos e aparentemente um libertário me disse:

"Vc não acha que já passou da idade pra ter um blog???"

Não é o máximo do conservadorismo e do preconceito??? Imagine se o blog fosse todo rosinha e com flores e laços!!!!!

Eu cresci ouvindo da minha mãe a frase: "diga-me com quem andas e eu lhe direi quem és". Por muito tempo eu acreditei nesta frase e acho que só há bem pouco tempo eu descobri que ela não é tão verdadeira assim. É claro que na maioria das vezes nós nos aproximamos de pessoas que pensam como a gente, mas em muitas situações nós acabamos frequentando lugares e conhecendo pessoas que aparentemente não têm nada em comum com a gente. Se conseguirmos nestas oportunidades nos despir dos nossos preconceitos e aceitar as diferenças, acabamos descobrindo que muitos destes "pré-conceitos" são tolos e só servem pra empobrecer a nossa vida; e descobrimos pessoas maravilhosas e que têm muitas coisas interessantes para nos ensinar.

Um excelente exemplo disso eu vi no orkut. Na comunidade do Whitesnake no Orkut umas meninas abriram um tópico pra mostrar as fotos que tiraram com os integrantes da banda. Detalhe: elas foram no hotel onde eles estavam pra ver o integrantes de uma banda adolescente e quando viram aqueles gringos de cabelos compridos e cercados de fãs, resolveram se aproximar e tirar umas fotos com eles. O mais interessante é que elas foram na comunidade do grupo no orkut pra colocar as fotos e contar como os conheceram para os fãs deles.

Não preciso dizer que sofreram o maior preconceito do pessoal da comunidade, né? Tanto é que não encontrei mais o tópico lá!!!! E eu fiquei pensando a respeito: eu, com todos os meus preconceitos, jamais iria tirar fotos com os integrantes daquela banda adolescente e nem com muitos outros cantores que eu acho terríveis. E elas tiraram fotos, conversaram e ainda colocaram as fotos na comunidade dos fãs. Era super engraçado elas falando do loirinho, do moreninho que elas nem sabiam o nome e menos ainda as música que eles fazem.

Eu tenho lutado muito contra os meus preconceitos e tentado não julgar as pessoas pelas aparências. É dificil, eu admito, mas tenho me esforçado bastante e aprendido muito nestas experiências. Aos poucos estou aprendendo que eu posso mudar algumas coisas em mim, aprender muitas coisas novas e fugir daquele personagem que foi sendo criado pra mim e que eu incorporei como sendo eu. Tenho feito um monte de coisas que nunca me imaginei fazendo só porque tinha preconceito contra elas e estou percebendo que posso experimentar o diferente sem deixar de lado o que é realmente importante. E muitas vezes deixando de lado babagens que eu achava tão importantes e que não fazem a menor diferença.

PS: voltando às eleições em São Paulo, se há uma coisa que ninguém pode dizer é que a população paulistana é preconceituosa. Nos últimos anos tivemos na Prefeitura duas mulheres, uma nordestina, um alcoolatra, um conhecido corrupto, um negro, uma sexóloga e se as pesquisas e os sites de fofoca estiverem certos, teremos um homossexual. Só está faltando encontrar aquele político em extinsão no Brasil: o honesto que pensa em primeiro lugar nos interesses da cidade ao invés de passar 4 anos pensando nas próximas eleições.