Skip to main content

Quando mudar de escola???


Acho que meus leitores habituais estão estranhando tanta falação sobre escola. Na verdade já estou pensando nas escolas canadenses para as crianças e estou acompanhando uma discussão muito interessante no site Desabafo de mãe sobre educação e os caminhos pra discutir são muito, né?

Na minha humilde experiência eu aprendi muito sobre meus filhos, sobre as escolas e o que eu procurava pra eles; e principalmente como foi a decisão de mudá-los de escola.

Pra todos entenderem um pouco o que aconteceu com o Eduardo vou ter que descrevê-lo. Desde que nasceu, o Edu nunca teve problemas com timidez: conversa com qualquer pessoa, se sente à vontade em qualquer ambiente, tem muita facilidade de relacionamento. Quando fui procurar uma escola pra ele eu queria um lugar onde ele tivesse contato com outras crianças, onde pudesse desenvolver coisas que em casa eu não poderia. Escolhi uma escola muito conhecida aqui no bairro, com muitas décadas de experiência e que todo mundo acha o máximo. Desde o primeiro dia o Edu ficou na escola sem chorar e não tive problemas aparentes com a adaptação. Chegávamos à escola e ele entrava sem problemas e eu ficava no portão, mas em poucas semanas pude perceber uma mudança gigantesca em seu comportamento.

O Edu não falava absolutamente nada da escola, não contava NADA e não sabia o nome de nenhum coleguinha. Por mais que eu perguntasse ele nada respondia. Em compensação fui percebendo várias mudanças. Primeiro que ele se tornou uma criança muito mais fechada. Parou de conversar com pessoas com quem não tinha intimidade, se tornou muito mais tímido, mais agressivo com pessoas estranhas, parou de desenhar sozinho, só queria desenhos impressos e queria que eu os pintasse. Se tornou muito exigente com organização e não admitia cometer erros; quando errava ficava muito chateado, chorava, ficou inseguro, coisa que nunca foi. E separou todas as coisas aqui de casa: o que era dele era só dele e o que era da Helena ele não pegava nem por decreto.

Por um tempo eu achei que a mudanças eram devidas aos Terrible Twos, mas olhando a escola mais de perto eu fui percebendo que o problema não estava nele e sim no método de educação da escola.

Entrar na escola era quase impossível e o tempo todo eu me sentia vigiada. Até nas reuniões com a professora uma das donas ficava por perto corrigindo a professora. A dona da escola me dizia que eu não deveria ficar conversando muito com ele antes de entrar na escola e que deveria chamar a professora para pegá-lo. O Edu entrava só quando eu conseguia convencê-lo a entrar sem chorar, mas me cortava o coração vê-lo arrastando sua mochilinha.

Então, mais ou menos em agosto nós tomamos a decisão: o Eduardo vai mudar de escola... no ano que vem. Não preciso dizer que me odeio por isso até hoje e meu castigo é ter que passar em frente à escola quase todo dia, hahaha.

A certeza de que nossa decisão foi acertada foi logo nos primeiros dias de aula na nova escola: como num passe de mágica o Eduardo voltou a ser aquele menino de antes: ele não conta muitas coisas da escola mas fez muitas amizades, conhece todos os coleguinhas, voltou a ser uma criança generosa, preocupada com os amiguinhos, preocupado em dividir o lanche ou os brinquedos com os "amigos" e a timidez desapareceu completamente.

Então, no início deste ano achamos que a Helena deveria ir pra escola também e como ela não poderia estudar na escola do Edu fomos procurar uma alternativa. Nós adoramos o método da escola onde o Eduardo esta estudando e fomos pedir auxilio na direção da escola e eles nos indicaram 3 instituições. Fizemos as visitas, eu gostei de uma e o Sergio gostou de outra e no final nos decidimos por uma que tinha um espaço físico maravilhoso.

Diferente do Eduardo, a Helena é mais tímida, mais apegada comigo e eu entendi que o choro dela na chegada à escola fosse relacionado a isso. Eu gostava muito da dona da escola e nós conversávamos muito quando eu levava a Helena, mas até por poder entrar na escola com mais liberdade eu pude perceber que as coisas eram meio desorganizadas lá dentro. A Helena não se adaptava e depois de quase um mês ela chorava assim que eu estacionava em frente à escola. O engraçado é que ela levantava super animada, se trocava e ia pro carro toda alegre, mas no portão da escola chorava dizendo que não queria ir. Um dia, na ausência da dona da escola, a professora me disse que eu poderia olhá-la no parque e confesso que fiquei chocada: minha filha olhava as outras crianças brincando e não tocava em nada, ela não pegava em nenhum brinquedo, não comia nada, ficava parada num canto, não interagia com ninguém, nem com os outros funcionários. No máximo segurava a mão da auxiliar.

Quando questionada a dona da escola me disse que isso era normal e que estava tudo bem, mas eu comecei perceber que ela estava roendo a unha e estava muito mais apegada a mim, insegura, diferente. Lembrando do que fiz com o Eduardo fui procurar ajuda de novo e na escola do Eduardo me indicaram novamente uma escola que eu e o Sérgio desprezamos no inicio do ano.

Foi amor à primeira vista: a Helena já quis ficar na escola no dia que eu fui visitar. Já ficou quase 2 horas lá sozinha. No dia seguinte, levantou de manhã toda animada e quando chegamos na escola já quis entrar sem reclamar e ainda quis levar a mochila sozinha. Em poucas semanas já falava de todos os coleguinhas, das professoras, começou cantar musiquinhas, histórias, mesmo sem falar muito ainda. Parou de roer a unha pouco tempo depois e eu percebo que melhorou muito a sua timidez.

Estamos tão felizes com a escola que criei coragem e coloquei a Luisa lá também. É claro que ela não vai todos os dias porque a acho muito pequena ainda, mas sempre que tenho alguma coisa pra fazer pela manhã, a Luísa fica na escola e ela adora. Vai com as professoras na maior tranquilidade e quando eu chego pra buscá-la ela fica apontando o parque como quem diz: eu queri ir lá, mamãe!

O que aprendi disso tudo? Cada criança é diferente e escolher a escola não é uma tarefa fácil. Entretanto, as crianças têm uma linguagem própria que diz tudo a respeito delas e cabe a nós pais estarmos atentos pra ouvi-las. Desânimo é uma coisa que a criança não deve sentir nunca em relação á escola onde estuda; este já é um grande sinal de que algo vai mal na relação entre os dois.
Mas muitas vezes só mudar de escola não vai resolver o problema uma vez que nem sempre a escola é culpada. Acho que por isso eu gosto de escolas mais liberais e não gosto muito das tradicionalistas; gosto de ter liberdade pra questionar a escola e de tentar resolver os problemas em conjunto. Mas só com muita observação e isenção dá pra diferenciar o que é um problema que a criança trouxe de casa de um problema causado pela escola.