Nov 29, 2008

Por que somos de cores diferentes?


Eu acabei de ler um livrinho infantil que comprei a semana passada para as crianças. A historinha é linda e explica as diferenças de cores do jeito que eu acredito que tem que ser: simples, direto, sem ufanismos, sem dizer que este ou aquele é melhor, é mais bonito, sem desmerecer ou supervalorizar nada nem ninguém.

"Uma simples diferença na quantidade de melanina que a pessoa produz."

É assim que eu tendo ensinar meus filhos: as pessoas são diferentes, gostam de coisas diferentes, têm religiões diferentes, classes sociais diferentes, educação diferente e quando eles me perguntarem sobre cor da pele responderei assim:

"Uma simples diferença na quantidade de melanina que a pessoa produz."

É claro que vamos explicar o porquê desta diferença e vamos aproveitar pra falar de clima, de geografia, de evolução das espécies, herança genética, de cultura, religião, etc... mas principalmente de igualdade e de respeito.
Por mais que as diferenças nos causem dificuldades, eu adoro que as crianças convivam com o diferente e aprendam a escolher o que é melhor pra elas. Não só diferenças de cor da pele, mas crianças com outro tipo de educação, de cultura, de comportamento. E quero que eles aprendam que as pessoas não são formadas por apenas uma característica e que os preconceitos muitas vezes nos privam de conhecer pessoas maravilhosas.

Para quem tem filho em idade escolar é um ótima opção pra começar a tratar de um assunto tão importante e sem preconceitos.

Por que somos de cores diferentes? - Carmen Gil, editado pela Campo das Letras

Nov 28, 2008

Novas regras para imigração

Como prometido, sairam as novas regras para a imigração para o Canada. Veja o texto aqui e as 38 profissões em demanda aqui.

Por um lado foi bom porque termina logo esta angústia de quem entrou com o processo após 27 de fevereiro de 2008, mas não deixa de ser muito triste ver os sonhos de muitas pessoas queridas terminarem ou pelo menos serem adiados.

Pra quem não está na lista de profissões em demanda, meu conselho é: não se desespere!!! Procure os amigos, se informe e vamos pensar juntos em outras alternativas.

Estou torcendo por todos e à disposição para ajudar em tudo o que puder.


PS: O meu processo não foi afetado porque sou de março de 2007 e as mudanças são só a partir de 27/02/2008


Claudio: me confundi porque olhei no calendário, obrigada!!!

Nov 25, 2008

Atualizando o processo

Hoje eu fui buscar os antecedentes criminais da Polícia Federal para poder mandar minhas atualizações para o Consulado e qual não foi minha surpresa quando o atendente da PF me disse que eu precisava ir a um cartório reconhecer a assinatura do escriturário da própria PF!!!!?????

Pelo amor de deus!!! Isto faz sentido pra vcs??? Sou eu quem estou com mania de perseguição???

E ele já me entregou um papelzinho com o endereço do cartório onde eu deveria ir e disse que era uma exigência dos consulados.

Não tive dúvida: voltei pra casa e imediatamente mandei um e-mail para a Maria João e em menos de 2 horas ela já havia me respondido dizendo que não precisa reconhecer nada. Ufa!!! Que alívio!!!

Mas fiquei pensando nesta história; imaginem quantas pessoas não estão reconhecendo a assinatura sem necessidade? E por causa desta história ao invés de mandar meus formulários hoje só poderei mandá-los amanhã; olha a perda de tempo!!!

A brincadeira aqui em casa agora é a de que a Maria João está desesperada com nossos pedidos de exames médicos nas mãos e a gente nunca que manda os formulários atualizados para ela. A pressa é tanta que nem precisamos reconhecer assinatura nenhuma do escrivão: "manda assim mesmo e vamos agilizar este processo!!!" (palavras minhas por favor!!!)

Brincadeiras a parte, estamos confiantes de que esta saga está próxima do fim e que ainda conseguiremos curtir um pouquinho de inverno por lá.

PS: Outra coisa engraçada que aconteceu foi que quando tirei os antecedentes da Justiça Federal eu preenchi o formulário com meu nome mas usei, sem querer, o CPF do Sergio. E não é que deu certo??? Consegui a certidão com meu nome e o CPF errado. E eu que tinha pensado que havia um programa super sofisticado que iria cruzar as informações do meu nome e CPF e fazer uma varredura não sei das quantas... Bobinha!!!


Nov 24, 2008

Musiquinhas infantis

Este final de semana me surpreendi com o Eduardo cantando alegremente uma musiquinha muito famosa da minha infância:

- Dingou beu, dingou bel, acabou o papel
Não faz mal, não faz mal, usa o jornal...

O bom é que ele só sabia esta parte da música e depois de questionado ele dedurou o amigo que ensinou a tal musiquinha pra ele. Aliás este amigo só ensina coisas culturais para os alunos da classe deles. O triste é que ele nem entendia do que se tratava a música e acredito que nem o amigo. Então, sem dar bronca ou fazer escândalo, eu expliquei a ele o que a letra desta obra prima queria dizer e que não era bonito ficar cantando este tipo de música.

Por mais que a gente tome cuidado com o que diz e canta em casa, nunca podemos nos esquecer de que nossos filhos terão uma vida independente de nós na rua e que aprenderão coisas que nem sempre acharemos legais. O importante é que eles aprendam a selecionar o que é legal ou pelo menos aprendam onde cantar estas musiquinhas horrorosas, afinal, quem nunca cantou uma musiquinha deste tipo, né?

Mas eu prefiro que ele continue com esta liberdade de estar sempre me trazendo tudo o que aprende na rua e com muita conversa eu tento ensiná-lo a selecionar o que é bom pra ele, sempre dando a opção da escolha. Eu sempre dou minha opinião e pergunto o que ele acha e tem dado muito certo.

O pior é que ele estava com a música na cabeça e mesmo depois das explicações de vem em quando, sem perceber, ele começava de novo:

- Dingou beu, dingou beu...

Mas assim que percebia, ele começava a rir e tentava cantar outra coisa.

Nov 23, 2008

A anfitriã tímida


O aniversário do Eduardo será no dia 14 de dezembro, mas como as aulas terminam antes desta data e ele queria há muito tempo um aniversário em um buffet, acabamos comemorando o aniversário na sexta feira, dia 21.

Eu considero que a festa foi um sucesso: foram vários amiguinhos da escola e muitas outras pessoas queridas e o Eduardo estava na maior felicidade. Até mesmo a Helena e a Luísa se divertiram muito. Agora que passou eu acho que até me saí bem mas a semana que antecedeu a festa foi de sofrimento constante.

Primeiro eu estava angustiada com o feriado no dia anterior ( pra quem não sabe, aqui em São Paulo dia 20 de novembro é feriado - consciência negra). Já pensou se ninguém aparecesse na festa por ser emenda de feriado??? Apesar de alguns pais terem confirmado a presença só deu pra relaxar mesmo quando as pessoas começaram chegar. Eu imagino que este tipo de angústia seja normal pra todo mundo e a responsável pelo buffet disse que acontece muito de não ir quase ninguém e a festa ser um fiasco.

Mas o que mais me angustiava era saber que eu seria a anfitriã e teria que receber as pessoas e fazer toda aquela parte social para que ficassem à vontade e não ficassem isoladas. Na verdade eu me coloquei no lugar dos convidados pensando em como é chato ir a uma festa e acabar ficando em uma mesa sozinha, sem conseguir interagir com ninguém.

O pior é que os grupos naturalmente tendem a se fechar e as pessoas nem se dão conta de que tem alguém isolado precisando de um empurrãozinho (ou um puxãozinho, neste caso). Como sempre fui muito tímida e sempre tive muita dificuldade de entrar em um grupo já formado, tive esta preocupação no aniversário do Edu e na medida do possível fiz companhia para os "solitários" até que encontrassem um "par" na festa.

O que me surpreendeu foi que consegui dar atenção para quase todo mundo e até brinquei bastante com a timidez que tentava me boicotar o tempo todo. Acabei conseguindo me aproximar de pessoas tão tímidas quanto eu e muitas pessoas duvidariam se eu dissesse o quanto sou tímida.

No placar final desta luta que eu travo há muito tempo contra este bicho do mato que tenho dentro de mim, eu diria que ganhei com um certo saldo de gols e fiquei muito satisfeita. Chegamos em casa acabados, cansadíssimos, com a adrenalina a mil mas valeu a pena. O Eduardo vai demorar um bom tempo pra esquecer este aniversário e ainda podera comemorar de novo em dezembro.

Nestas situações é impossível não pensar na palavra saudade mas este é assunto pra outro post que já está sendo preparado.

Nov 19, 2008

E quando as coisas não dão certo???

As vezes eu leio o que escrevi e fico com aquela sensação de que tudo dá certo sempre por aqui e que o nosso dia a dia é a coisa mais fácil do mundo. Não é verdade porque nem sempre todo mundo está de bem com a vida e basta um mau humorado para a maionese desandar completamente.

E já que estou no papel do adulto que está "organizando" as coisas por aqui geralmente me sinto responsável quando as coisas dão errado. Uma coisa que está muito clara pra mim é que meu humor influencia demais o humor das crianças. Assim, uma noite mal dormida geralmente resulta em um dia cansativo com crianças "encapetadas".

Eles conseguem perceber rapidamente como está o meu humor e nos dias em que a paciência não está lá estas coisas eles ficam impossíveis: ou brigam o tempo todo e fica um colocando a culpa no outro, ou pior, eles se juntam nas traquinagens e enquanto eu resolvo uma coisa aqui eles estão derrubando outra coisa ali.

Sem contar que quando estou nervosa eles me provocam com trocas de risinhos disfarsados e comentários que me deixam ainda mais irritada. Quando o diálogo não funciona mais e eu percebo que perdi a capacidade de argumentação o jeito é colocar todo mundo de castigo no quarto.

Enquanto eles ficam no quarto pra "pensar" no que fizeram eu fico de "castigo" na sala colocando a cabeça no lugar e pensando na estratégia que vou usar para colocar as coisas nos eixos. E não tem jeito; enquanto eu não me acalmo eles continuam pilhados. Parece que minha irritação faz com que eles queiram me provocar cada vez mais; e eles acham tudo engraçado. Eu furiosa querendo derrubar a casa e eles morrendo de rir e fazendo tudo o que eu disser pra não fazer.

As vezes eu tomo algumas atitudes desesperadas que acabam funcionando mais como vingança do que como educação; por exemplo pego todos os brinquedos que eles se recusam a guardar e coloco no saco de lixo como se fosse jogar fora. Da primeira vez que eu fiz isso foi um susto enorme e os brinquedos ficaram desaparecidos por semanas. Agora basta eu aparecer com o saco de lixo na mão que começa uma correria maluca pra guardar as pecinhas espalhadas. Tudo bem que depois eu fico com o maior peso na consciência porque não acho isso nada educativo, mas em momentos de desespero o fim acaba justificando os meios; e a sala fica arrumadinha!!!

A importância do brincar


Eu adoro brincar com as crianças. Sempre me divirto muito com as brincadeiras e muitas vezes chego a ficar tão infantil quanto elas. Mas brincar não é apenas pra mantê-las distraídas e ocupadas. Acredito que em qualquer brincadeira muita coisa possa ser ensinada e desenvolvida nas crianças.


É claro que muitas brincadeiras acontecem sem nenhuma preocupação maior, pelo simples prazer da dar muita risada. Mas geralmente eu me preocupo muito com as brincadeiras e sempre tento tirar delas algum aprendizado. Gosto muito de brinquedos didáticos e minhas crianças têm um monte de quebra-cabeças, jogos da memória, com letras, com números, de encaixar etc etc etc... E eu vivo procurando novidades e brinquedos que desenvolvam habilidades que ainda não explorei; ou não percebi que foram exploradas.


Ultimamente tenho dado muito ênfase para os jogos. Acho que no caso de irmãos com pouca diferença de idade e que sejam extremamente competitivos entre si como o Eduardo e a Helena os jogos são importantíssimos. Eu joguei uma vez um jogo muito interessante na escola do Edu (em plena reunião de pais) que estou pensando em montá-lo aqui em casa, onde a solidariedade com o adversário faz vc ganhar pontos e ir pra frente. Por enquanto eles têm jogado dominós e outros jogos de tabuleiro. A Helena ainda tem uma certa dificuldade mas tem sido legal para eles aprenderem a seguir regras, aprender a perder, aprender a não desistir no primeiro obstáculo e que muitas vezes tentar prejudicar seu adversário pode prejudicar a vc mesmo.


É claro que os conflitos sempre aparecem e tudo é muito conversado, discutido, explicado, ou seja, trabalhoso, mas vale muito a pena. E não pensem que tem café-com-leite por aqui; a maioria dos jogos são jogados de igual pra igual. Pra poder fazer assim os jogos são escolhidos a dedo e aprender a perder não pode significar perder sempre ou passar aquela imagem de que o maior sempre ganha do menor e que vc só vai ser capaz de ganhar alguma coisa quando "brigar" com um mais fraco que vc. E muitas vezes tudo termina com peças espalhadas e cara feia por todos os lados porque paciência tem limite, rs.


Muitas pessoas devem me achar meio irresponsável porque não gosto muito de proibições e dou muita liberdade de exploração para as crianças; com isso a Luísa sobe e desce do berço sozinha desde os 12 meses, e está craque em escaladas: sobe em qualquer lugar fazendo uso de qualquer brinquedo como degrau, sobe e desce escadas com uma desenvoltura impressionante e as vezes eu fico assustada com o raciocínio que ela tem para conseguir chegar onde tenha alguma coisa que ela quer.


Apesar de muitas vezes ser perigoso e eu ter que tomar algumas providências para tornar o ambiente mais seguro pra ela, eu ainda acho que esta liberdade não só desenvolve habilidades motoras e de raciocínio, como lhe dá autonomia, coisa que eu acho importantíssima no desenvolvimento de uma criança. Eu fico super feliz quando vejo que o Edu se vira sozinho em varias situações e consegue tomar decisões responsáveis, com noções de ação e reação. A Helena já está aprendendo também e hj tem total independência quanto ao banheiro, por exemplo, e se por acaso um xixizinho vaza, ela não tem dúvidas, vai para o quarto e se troca sozinha. O mais impressionante é que ela já sabe as roupas de sair e ficar em casa e sua única preocupação é me perguntar:


- "Mamãe, esta calça combina com a minha camiseta???" (eu sei, eu sei, estou sendo castigada pela minha lingua!!!).


Com muitas brincadeiras, conversas e explicações dá pra perceber que a trabelheira toda nunca é em vão, o tempo nunca é perdido. E criança tem uma facilidade muito grande de trazer os aprendizados das brincadeiras para outras situações do cotidiano.


Por isso eu aconselho: brinque muito com seu filho, brinque sempre que puder, invente coisas novas, reinvente aquilo que vc fazia quando criança, explique as regras e a importância de segui-las e NUNCA, NUNCA mesmo menospreze a capacidade do seu filho. Eu não gosto de criança tratada como coitadinho, como fraco, como indefeso, desprotegido. Eu sempre os incentivo a fazerem sozinhos: fico ao lado, ajudo se necessário, não forço a barra com coisas mais difíceis do que a capacidade deles, mas gosto que eles tentem fazer sozinhos e do jeito deles.

Aos poucos estou introduzindo na vida deles algumas responsabilidades, que é claro, aumentam meu trabalho e testam ainda mais a minha paciência, mas eu acredito que vai ser bom pra eles. Então cada um tira sua mochila do carro quando chega da escola, cada um leva seu copo ou prato na pia depois que come, cada um guarda seu tenis e na medida do possivel eles guardam todos os brinquedos. Nesta última tarefa eu tenho que ter bom senso porque a Luísa atrapalha muito a arrumação, mas eles são esperto e já aprenderam a driblar esta dificuldade colocando o que está arrumado no alto.

Eles também são responsáveis por não deixar a Luísa estragar os brinquedos: tudo o que se rasga com facilidade ou quebra ou tem pecinhas que não podem ser perdidas ficam no alto e rapidamente eles entenderam o porquê e tomam o maior cuidado.


A maior lição que eles me deram nesta convivência foi a de que criança as vezes ouve o que a gente fala mas sempre faz o que a gente faz. Se as regras nos seus jogos só servem para os outros, seus filhos vão aprender que as regras não servem pra eles também.

Nov 14, 2008

Tudo cor de rosa

Eu sempre detestei a cor rosa e ficava criticando as mães que vestiam suas filhinhas de Barbie. Até que engravidei da Helena e sai alegre e saltitante pra comprar o enxoval e percebi que teria que mudar meus conceitos.

Tudo que é feito para meninas ou é cor de rosa ou é de mau gosto. Eu lutei contra esta realidade o quanto pude mas acabei desistindo e hoje aderi ao rosa até mesmo nas minhas roupas. Claro que aos 37 não dá mais pra fazer o estilo Barbie. Minha chance foi perdida e não vou fazer papel ridículo, mas hoje quando abro meu guarda roupa percebo que ele está meio monocromático saindo do rosinha bebê e caminhando para o roxo (outra cor que eu não usava nem por decreto).

Eu só não sei o que vem primeiro: se a falta de opções ou a lavagem cerebral. A Helena que até bem pouco tempo atrás gostava instintivamente do azul, agora passou a gostar de rosa e nada mais. Se não tiver rosa ela aceita o roxo, eventualmente um branquinho e não tem discussão.

Quando o Eduardo me disse que queria que o passaporte dele continuasse verde, eu brinquei com ele :


- Vou ver em qual país o passaporte é verde.


Diante desta possibilidade de escolha e com um passaporte azul sem graça na mão a Helena se pronunciou:

- Mamãe eu quero um rosa.
- Eu acho que não existe passaporte rosa, Helena.
- Então eu quero um roxo.

Nov 13, 2008

Tudo se encaixando como um quebra-cabeça


Eu sempre usei muito uma frase que li certa vez e que não sei quem escreveu: "O universo conspira para que as coisas deem certo".

Após 18 meses neste processo de imigração infinito a ansiedade vai tomando conta de todo mundo e passamos a pensar apenas com o coração e não mais com a razão. No auge do meu stress por não ter nenhuma previsão resolvi me esquecer um pouco do processo e me conformar de que só chegaria no Canadá em 2009.

Relaxei e comecei pensar nas coisas práticas que tinha que fazer neste final de ano e resgatei uma daquelas enormes listinhas de tarefas que eu faço sempre. Em uma delas estava escrito: visto americano para as meninas. Eu, o Sergio e o Eduardo ainda temos visto válido até o final do ano que vem, mas as meninas nunca tiraram o visto americano e eu acho interessante ter esta opção na hora de comprar as passagens aéreas.

Para crianças menores de 14 anos existe o
Minors Plus Program e nós nos encaixávamos perfeitamente nesta história e nos livraríamos da entrevista.

Quando fui separar os documentos me dei conta de que o passaporte da Luísa, com validade de apenas 1 ano, venceria em dezembro. Como teríamos que renovar o passaporte dela já aproveitamos e renovamos o passaporte da Helena e do Sergio que venceriam em 2009.

É claro que as coisas são demoradas e só conseguimos um horário na PF para dali 30 dias. Quando finalmente os passaportes ficaram prontos nós começamos separar os documentos para o visto das meninas e neste ínterim recebemos esta cartinha pedindo a atualização dos formulários. Pura sorte, porque íamos mandar todos os passaportes originais (dos pais e das crianças) para o Consulado Americano e como íamos preencher o Imm0008 Schedule 3 sem saber os números dos passaportes (vcs acham que alguem se lembrou de anotá-los???)????

Mas tudo foi se encaixando perfeitamente e vamos conseguir fazer tudo sem atropelos e sem perda de tempo. Agora que todos os formulários estão preenchidos já estamos mandando todos os documentos para o despachante (TEM que ser feito com despachante) e já teremos tudo prontinho quando, um dia, o Consulado do Canadá pedir os nossos passaportes.

PS: O passaporte do Eduardo ainda é o antigo e vale até 2012 e ele já falou: "mamãe, eu não quero este passaporte azul, eu gosto do verde".

Nov 10, 2008

Notícias do Consulado

Hoje recebemos um e-mail da Maria João pedindo atualização dos formulários e dos antecedentes criminais. Estou animada porque significa que não está tudo parado como parecia.

Não quero ficar muito entusiasmada porque o Consulado do Canadá adora surpresas desagradáveis mas pelo menos agora eu tenho alguma coisa pra fazer em relação ao processo.

Apesar de ser possível tirar as certidões pela internet, as coisas não estão tão simples assim e por enquanto eu só consegui a da Polícia Civil.

O mais animador foi ver que aquela cartinha que causou tanta aflição em todo mundo na verdade não significou que os processos ficariam parados por 60 dias. Não sei se ter mandado uma resposta para o Consulado dizendo que temos interesse em continuar no processo ajudou, mas o fato é que eles deram sinal de vida.


O e-mail foi o seguinte:

In order to proceed with your immigration application, you must provide the following documents:

- send an updated form "IMM0008 Schedule 1"- for you and spouse;
- - also you must update form "IMM0008 Schedule 3 ",
- - you and spouse must update the police certificates;
- Atestado de antecedente criminal emitido pela Polícia Federal;
- Atestado de antecedente criminal emitido pelo Justiça Federal
- Certidão de Ações, Execuções, Cíveis, Criminais e Fiscais;
- Atestado de antecedente criminal emitido pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do SP;

(Please also note that is possible to obtain them via internet).

Please also confirm if you received this message.

Best Regards,
Maria João Guimarães


Nosso timeline:

- 28/03/2007 - abertura do processo
- 01/11/2007 - pedido de doctos
- 08/01/2008 - entrega dos doctos
- 08/10/2008 - recebimento da famosa cartinha
- 30/10/2008 - e-mail confirmando interesse em continuar no processo
-10/11/2008 - pedido de atualização dos formulários e antecedentes criminais

De repente as coisas ficaram muito reais e eu estou começando enxergar uma pontinha de terra lááááá longe.

Boa sorte, então, pra todos nós.



Nov 7, 2008

Processo de imigração


Este processo de imigração não é uma brincadeira como as vezes pode parecer; ele é caro, é demorado e chega um momento em que as nossas emoções ficam em frangalhos. É desgastante demais esperar por algo que vc não tem certeza se vai dar certo, esperar sem uma precisão de quando vai acabar e com regras que podem mudar a qualquer momento.

Mas é interessante pensar em todo o tempo que investimos neste processo e nas pessoas que nos ajudaram em todo este tempo sem nem imaginar. Fico pensando em toda a minha trajetória escolar, em todos os anos de estudo a que me dediquei; os três anos de mestrado que pode parecer não terem servido pra nada já que parei de trabalhar quando o Eduardo nasceu, mas que nos valeram preciosos pontinhos no questionário do consulado. O doutorado do Sergio, todos os anos de trabalho duro que ele enfrentou, com viagens horrorosas por lugares tenebrosos que só nós sabemos como foram.

E bem lá atrás, quando ainda éramos pequenos, todas as conversas dos nossos pais, todo o incentivo para estudar, para sermos responsáveis, toda orientação em relação a dinheiro que sempre foi curto para os dois, todos os NÃOS que nos ensinaram a lidar com as situações adversas e todo apoio pra não desistirmos dos nossos sonhos no primeiro obstáculo.

Foram tantas pessoas e situações que foram passando por nossas vidas e nos preparando para todas estas emoções contraditórias que vivemos hoje.

No final sempre podemos tirar de toda esta experiência algum aprendizado; entender que ficar parado nem sempre é sinal de comodismo e que em alguns momento simplesmente temos que parar, respirar fundo e esperar (coisa dificílima pra mim).

Este processo também nos ensina a conhecer as pessoas e nos traz muitas surpresas com elas; nos afasta de umas, nos aproxima de outras, e nos dá uma força muito grande pra aguentar todas as pressões.

E ele é demorado, lento, angustiante, mas atrás desta demora ele nos dá tempo de digerir toda a mudança que vai acontecer. Podemos pensar em todas as possibilidades, em tudo o que pode dar errado, temos tempo pra conhecer o Canadá de trás pra frente, temos tempo de viajar pelas províncias, pelas cidades, ter uma idéia do clima, do mercado de trabalho, das escolas, alimentação, costumes e ir se preparando psicologicamente para o que vamos encontrar por lá.

Temos tempo de nos despedir das coisas daqui, das pessoas, dos lugares, das comidas...

E ainda temos tempo de aprender que imigrar não é pra todos e entender que as reações das pessoas não são para nos prejudicar. pra imigrar é preciso ter um espírito de aventura, um desejo de enfrentar o desconhecido, uma vontade quase incontrolável de enfrentar os nossos medos; é preciso um desapego e uma paixão que nem todo mundo consegue entender. É se dar uma nova chance, a chance de renascer no local que vc escolheu pra viver e onde vc quer começar uma nova vida.

Muitas pessoas nos chamam de corajosos. Corajosos foram meus avós que chegaram no Brasil no início do século XX com poucas informações e pouquíssimas chances de retornar se as coisas não dessem certo. Nenhum deles jamais voltou à terra natal e as poucas informações que trocavam eram através de cartas que levavam mais de 3 meses para ir e outros três pra receberem a resposta.

Uma amiga argentina estava contando que quando veio para o Brasil, há 20 anos atrás, sem dinheiro, precisava tirar cópia das cartas que mandava para a mãe porque quando recebia a resposta já não se lembrava o que tinha escrito na carta que havia enviado. Isto sim era ter coragem!!!

Pra nós, tudo vai ser bem mais fácil, bem mais simples, bem mais tranquilo. Será que vai ser melhor ou pior que a vida que temos aqui? Será que vamos ser mais felizes lá? Eu não sei. Mas o bonde parou na nossa frente e abriu a porta. Muitas pessoas deixariam que ele fosse embora, mas existe em mim uma força incontrolável que me leva a entrar nele e seguir viagem.

PS: segundo minha amiga argentina: Oportunidade é uma pessoa que só tem cabelo na frente; é careca nas costas. Depois que ela passou vc não consegue mais segurá-la.

Nov 6, 2008

Conquistadores de crianças

Eu adoro crianças e fico encantada com elas. Em qualquer lugar e qualquer situação elas chamam minha atenção e, exceto as crianças que fazem birra ou são mal educadas, eu fico sempre meio emocionada observando-as.

Conheço muita gente que também gosta de crianças, que têm jeito pra lidar com elas, que em poucos encontros deixam a criança totalmente à vontade como se fossem velhos conhecidos.

Mas existem pessoas que têm uma coisa a mais; um não sei o quê que atrai as crianças, que hipnotiza, que fascina; um dom especial que, eu acho, já nasce com a pessoa e não tem explicação.

Eu tenho um primo, um pouco mais velho que eu, que sempre teve muito contato com minhas irmãs. É aquela pessoa super especial que todo mundo adora e que me traz ótimas lembranças da infância. Ele é destas pessoas que gostam de criança, que pegam no colo, fazem bagunça, judiam e as crianças adoram. Com o tempo nós nos afastamos um pouco, ele foi morar em outra cidade e só nos vemos em casamentos, velórios e eventualmente em algum encontro na casa da minha tia.

Ontem tivemos um destes encontros e foi a segunda vez que ele viu meus filhos. Na primeira vez, em uma missa, mal tiveram tempo de se cumprimentar.

Pois bastaram 3 minutos, no máximo 3 minutos para o Eduardo e a Helena estarem pulando no colo dele como velhos conhecidos, brincando de esconde esconde e fazendo a maior algazarra como se eles se conhecessem de longa data; como se ele convivesse com as crianças desde que nasceram.

Até a Luísa, que está naquela fase de estranhar as pessoas, quando viu a bagunça começou dar os bracinhos pra ir no colo dele. E era um tal de joga um pra cima, esconde do outro, corre pra lá e pra cá, uma gritaria sem tamanho que eu estava vendo a hora em que minha tia ia jogar todo mundo pela janela, rs.

A farra foi tão boa que no final o Edu falou:

- Mamãe, amanhã nós podemos vir aqui de novo?

As vezes eu vejo uma criança, tenho vontade de conversar com ela e acabo não sabendo o que fazer; não sei se elogio ou se faço um comentário qualquer, mas acabo muitas vezes apenas sorrindo e só. E meu primo, chega, cumprimenta, pergunta o nome e pronto: a criança já pula nos braços dele e já se tornaram amigos.

Fiquei emocionada de ver aquele carinho todo e aquela atenção toda e fiquei pensando no netinho dele de 2 meses: imagine a farra que não vai ser!!!!


Nov 4, 2008

Obama ou McCain?

Hoje os Estados Unidos estarão escolhendo o seu novo presidente. Por mais que doa aos anti-americanos é um momento importante porque de uma forma ou de outra o que acontece por lá sempre acaba influenciando a vida de todo mundo.

Ao que parece a maioria dos países elegeria Barack Obama presidente e eu faço coro a esta opinião, mas nosso voto não conta; que pena!!!

Eu estou apostando em uma lavada!!! Não que as pessoas realmente estejam apostando em Obama, mas acredito que será um voto de protesto contra o Bush e todos os problemas que ele acabou trazendo para os Estados Unidos com suas políticas internas e externas.

Estou animada não só pela saída dos republicanos do poder mas por achar que a eleição de um negro nos Estados Unidos pode ser um marco na nossa história. A pouca convivência que tive junto à sociedade norte americana foi suficiente pra perceber que lá sim existe um preconceito racial escancarado; um verdadeiro apartheid com pouca mistura entre brancos e negros, principalmente nas cidades dos sul (aquelas que perderam a Guerra de Secessão).

Certa vez em um museu que falava sobre os preconceitos que os negros sofriam nos anos 60, eu perguntei ao responsável pelo museu se ele não achava que hj o preconceito continua e é recíproco. Ele ficou um tempo sem me dizer nada, pensando e apesar de não ter respondido claramente deu pra perceber que as feridas ainda estão abertas nas pessoas que viveram aquela época.

Uma eleição do Obama pode significar que as feridas começaram a cicatrizar e quem sabe o mundo não inicie uma época de menos preconceitos, de mais igualdade e respeito às diferenças.

E pra vc:

- Quem vai ganhar estas eleições?
- Em quem vc votaria se pudesse opinar?

Se está em dúvida responda ao quiz uol e descubra qual candidato está mais próximo das suas opiniões. É bem legal quando a gente percebe que nosso discurso corresponde com o que pensamos realmente.

Quer saber mais???


Mapa Eleitoral

Links Uol





PS: desculpem, mas não tenho a menor intensão de ser imparcial.

Nov 1, 2008

Nota Fiscal Paulista e Eletrônica


O governo do Estado de São Paulo criou a nota fiscal paulista. Pra quem não conhece: vc entra no site da Secretaria da Fazenda, se cadastra e quando vai às compras pede pra incluir o seu CPF nas notas fiscais. A maioria das lojas aqui na cidade de Sâo Paulo já participa do programa e eles sempre perguntam se vc quer colocar o CPF.

Infelizmente ainda existe muita desinformação neste tipo de coisa e minha faxineira estava me falando que não tem pedido pra colocar o CPF nas notas de suas compras porque isso só serve para o governo controlar o quanto vc está gastando. Então eu perguntei a ela: vc tem alguma coisa pra esconder? Claro que não, então não tem com que se preocupar.

Na verdade esta é uma forma do governo obrigar os estabelecimentos a pagarem o ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços). Na verdade o governo quer que as pessoas peçam nota fiscal em suas compras para que as empresas paguem o imposto e uma parte do que ele arrecadou com suas compras ele te devolve.

Nós aderimos e já temos um crédito de R$127,00 liberados e um outro tanto que ainda não foi calculado. Não é nenhum valor exorbitante mas também não tive trabalho nenhum para recebe-lo: basta falar o meu cpf na hora de emitir a nota fiscal das minhas compras.

E enquanto escrevi este post descobri que a partir de dezembro a secretaria da fazenda estará fazendo
sorteios em dinheiro para quem pede nota e eu já aderi também. Não gostei muito do regulamento onde tenho que aceitar o uso da minha imagem, mas se o prêmio for bom o que é que tem, até porque eu sou cadastrada com o CPF do Sérgio, rs.

Seguindo a mesma linha a Prefeitura de São Paulo tem a
Nota Fiscal Eletrônica. O procedimento é o mesmo: vc se cadastra no site da prefeitura e pede para colocarem o seu CPF na NF-e nos prestadores de serviços. O interesse da Prefeitura, neste caso, é que os prestadores de serviços paguem o ISS (imposto sobre serviços) e uma parte do que a Prefeitura arrecada com este imposto ela te devolve na forma de desconto no IPTU. Nós já temos R$139,00 de desconto no nosso IPTU de 2009.

Esta nota fiscal eletrônica é bem interessante porque quando as empresas mandam a nota fiscal pra Prefeitura eu recebo um e-mail com uma cópia da nota fiscal e o valor do crédito que estou recebendo.

Infelizmente os estabelecimentos não te falam nada sobre ela e vc tem que pedir sempre. Mas eu já estou tão acostumada que não me esqueço mais de perguntar se eles emitem a nota fiscal eletrônica. Em muitos lugares eles deixam um adesivo com o logo da prefeitura bem a vista, mas tem lugar que não coloca nada e o jeito é perguntar.

Acho que estes R$250,00 valeram a pena pelo trabalho que tive.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!