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A importância do brincar


Eu adoro brincar com as crianças. Sempre me divirto muito com as brincadeiras e muitas vezes chego a ficar tão infantil quanto elas. Mas brincar não é apenas pra mantê-las distraídas e ocupadas. Acredito que em qualquer brincadeira muita coisa possa ser ensinada e desenvolvida nas crianças.


É claro que muitas brincadeiras acontecem sem nenhuma preocupação maior, pelo simples prazer da dar muita risada. Mas geralmente eu me preocupo muito com as brincadeiras e sempre tento tirar delas algum aprendizado. Gosto muito de brinquedos didáticos e minhas crianças têm um monte de quebra-cabeças, jogos da memória, com letras, com números, de encaixar etc etc etc... E eu vivo procurando novidades e brinquedos que desenvolvam habilidades que ainda não explorei; ou não percebi que foram exploradas.


Ultimamente tenho dado muito ênfase para os jogos. Acho que no caso de irmãos com pouca diferença de idade e que sejam extremamente competitivos entre si como o Eduardo e a Helena os jogos são importantíssimos. Eu joguei uma vez um jogo muito interessante na escola do Edu (em plena reunião de pais) que estou pensando em montá-lo aqui em casa, onde a solidariedade com o adversário faz vc ganhar pontos e ir pra frente. Por enquanto eles têm jogado dominós e outros jogos de tabuleiro. A Helena ainda tem uma certa dificuldade mas tem sido legal para eles aprenderem a seguir regras, aprender a perder, aprender a não desistir no primeiro obstáculo e que muitas vezes tentar prejudicar seu adversário pode prejudicar a vc mesmo.


É claro que os conflitos sempre aparecem e tudo é muito conversado, discutido, explicado, ou seja, trabalhoso, mas vale muito a pena. E não pensem que tem café-com-leite por aqui; a maioria dos jogos são jogados de igual pra igual. Pra poder fazer assim os jogos são escolhidos a dedo e aprender a perder não pode significar perder sempre ou passar aquela imagem de que o maior sempre ganha do menor e que vc só vai ser capaz de ganhar alguma coisa quando "brigar" com um mais fraco que vc. E muitas vezes tudo termina com peças espalhadas e cara feia por todos os lados porque paciência tem limite, rs.


Muitas pessoas devem me achar meio irresponsável porque não gosto muito de proibições e dou muita liberdade de exploração para as crianças; com isso a Luísa sobe e desce do berço sozinha desde os 12 meses, e está craque em escaladas: sobe em qualquer lugar fazendo uso de qualquer brinquedo como degrau, sobe e desce escadas com uma desenvoltura impressionante e as vezes eu fico assustada com o raciocínio que ela tem para conseguir chegar onde tenha alguma coisa que ela quer.


Apesar de muitas vezes ser perigoso e eu ter que tomar algumas providências para tornar o ambiente mais seguro pra ela, eu ainda acho que esta liberdade não só desenvolve habilidades motoras e de raciocínio, como lhe dá autonomia, coisa que eu acho importantíssima no desenvolvimento de uma criança. Eu fico super feliz quando vejo que o Edu se vira sozinho em varias situações e consegue tomar decisões responsáveis, com noções de ação e reação. A Helena já está aprendendo também e hj tem total independência quanto ao banheiro, por exemplo, e se por acaso um xixizinho vaza, ela não tem dúvidas, vai para o quarto e se troca sozinha. O mais impressionante é que ela já sabe as roupas de sair e ficar em casa e sua única preocupação é me perguntar:


- "Mamãe, esta calça combina com a minha camiseta???" (eu sei, eu sei, estou sendo castigada pela minha lingua!!!).


Com muitas brincadeiras, conversas e explicações dá pra perceber que a trabelheira toda nunca é em vão, o tempo nunca é perdido. E criança tem uma facilidade muito grande de trazer os aprendizados das brincadeiras para outras situações do cotidiano.


Por isso eu aconselho: brinque muito com seu filho, brinque sempre que puder, invente coisas novas, reinvente aquilo que vc fazia quando criança, explique as regras e a importância de segui-las e NUNCA, NUNCA mesmo menospreze a capacidade do seu filho. Eu não gosto de criança tratada como coitadinho, como fraco, como indefeso, desprotegido. Eu sempre os incentivo a fazerem sozinhos: fico ao lado, ajudo se necessário, não forço a barra com coisas mais difíceis do que a capacidade deles, mas gosto que eles tentem fazer sozinhos e do jeito deles.

Aos poucos estou introduzindo na vida deles algumas responsabilidades, que é claro, aumentam meu trabalho e testam ainda mais a minha paciência, mas eu acredito que vai ser bom pra eles. Então cada um tira sua mochila do carro quando chega da escola, cada um leva seu copo ou prato na pia depois que come, cada um guarda seu tenis e na medida do possivel eles guardam todos os brinquedos. Nesta última tarefa eu tenho que ter bom senso porque a Luísa atrapalha muito a arrumação, mas eles são esperto e já aprenderam a driblar esta dificuldade colocando o que está arrumado no alto.

Eles também são responsáveis por não deixar a Luísa estragar os brinquedos: tudo o que se rasga com facilidade ou quebra ou tem pecinhas que não podem ser perdidas ficam no alto e rapidamente eles entenderam o porquê e tomam o maior cuidado.


A maior lição que eles me deram nesta convivência foi a de que criança as vezes ouve o que a gente fala mas sempre faz o que a gente faz. Se as regras nos seus jogos só servem para os outros, seus filhos vão aprender que as regras não servem pra eles também.