Dec 31, 2008

Feliz Ano Novo


Eu adoro a festa de Ano Novo. Sempre me sinto revigorada e com a certeza de que muitas coisas boas estão prestes a acontecer; e o sentimento tem se confirmado. Eu estou super emocionada acompanhando pela internet a chegada do Ano Novo pelo mundo e desejando em pensamento tudo de bom para todos os amigos queridos que estão distantes.

Desejo a todos que passam por aqui um 2009 cheio de saúde, realizações e felicidades.

Dec 29, 2008

Natal pelo mundo

Infelizmente neste Natal nós não viajamos, então não temos muitas novidades. Fomos para a casa da minha mãe e as crianças ficaram esperando ansiosas a chegada do Papai Noel. Todo ano eu coloco os presente embaixo da nossa árvore de natal quando as crianças já estão no carro e eles só vêm os presentes quando retornamos para casa após a meia noite.

É interessante ver as dúvidas do Eduardo em relação ao Papai Noel, como ele pegou a cartinha que escrevemos e colocamos no quadro que ele fez na escola (especialmente para colocar a cartinha), como o Papai Noel entra na nossa casa para deixar os presentes, etc. Acho que no ano que vem ele não vai mais acreditar no bom velhinho!!!

Este ano eu adotei uma tradição alemã que é o calendário de natal, muito bem explicadinho neste blog delicioso da
Sandra. Eu montei o meu na forma de um calendário mesmo em papel camurça vermelho e fiz uns envelopinhos com celofane verde e os dias do mês de dezembro eu imprimi em verde em papel sulfite. Para cada dia eu coloquei uma coisinha nos envelopinhos de celofane. Foi legal porque encontrei um monte de cosinhas que eu guardava desde minha adolescência (fazia muiiiito tempo): figurinhas auto colantes, coleção de palitos de sorvete decorados, miniaturas de várias coisas, etc, e em alguns eu coloquei balas, m&m, pirulito. Fiquei super feliz com o resultado porque eles nunca esqueciam do calendário e as vezes tentavam até abrir o do dia seguinte. Agora já vou me preparar melhor para o ano que vem e já começar a guardar as surpresinhas para colocar em cada dia do mês de dezembro.

Eu venho acompanhando o Natal das minhas amigas pelo mundo e todas as comemorações e histórias interessantíssimas. Como não tenho grandes novidades sobre o meu Natal vou indicar algumas descrições bem legais.

A
Rachel, americana que está morando no Rio fez uma descrição bem legal da comida que costumamos fazer aqui no Brasil.

A
Somnia fala um pouquinho do clima de Natal na Suécia.

A
Flávia contou sobre as tradições de Natal Na Inglaterra e a Dri "complementou" falando dos cartões que os ingleses adoram.

A
Carol falou no Natal na Suiça.

A
Monica não falou do Natal em NY, mas pediu ajuda aos leitores para falarem do Natal no Brasil e todo mundo ajudou; deu pra aprender algumas coisas sobre o Natal fora de São Paulo.

A
Silvinha descreveu os mercados de Natal de Berlin.

A Tata fez dois posts sobre o Natal na Noruega:
este e este outro.

Conforme eu for encontrando mais histórias legais vou colocando aqui.

Dec 19, 2008

Trinidad e Tobago

Trinidad e Tobago ou Trindade e Tobago (em inglês Trinidad and Tobago) é um país caribenho situado ao largo da costa da Venezuela. É constituído pelas ilhas de Trinidad e de Tobago e faz fronteira marítima com avenezuela ao sul e a oeste, e com Granada a noroeste. Sua capital, Port of Spain é a favorita para sediar o Secretariado Geral da ALCA.

Trinidad e Tobago Constitui-se de duas ilhas de clima tropical e terreno montanhoso. A principal cidade da ilha de Trinidad é a capital do país Port of Spain enquanto a cidade principal da ilha de Tobago é Scarborough. A localização do país é entre o mar do Caribe e o oceano Atlântico.
Com mais de 1 milhão de habitantes, Trinidad e Tobago é o país com a segunda maior população de língua inglesa na região, depois da Jamaica. Atualmente, o território atrai investimentos externos e apresenta uma economia florescente, almejando tornar-se um "Tigre do Caribe", a exemplo dos chamados Tigres Asiáticos.
Acabamos de receber os resultados dos nossos exames médicos e eles já foram entregues no consultório do médico para serem encaminhados para Trinidad e Tobago. Meu raio X apresentou uma "cicatriz" de quem já teve contato com o bacilo da tuberculose. Segundo o médico não devemos fazer nada e esperar o parecer de Trinidad e Tobago.
Quem fará a análise será um médico canadense que mora neste "Tigre caribenho". O próprio médico que nos atendeu contou que já perguntou para o canadense porque os exames vão para T&T mas nunca recebeu uma resposta convincente.

Fazendo uma pesquisa básica no google dá pra perceber que o médico deve analisar os nossos exames médicos com muito bom humor porque deve ser difícil ficar mal humorado em prais tão lindas!!

Seja como for, nos próximos dias (ou semanas) toda nossa atenção estará voltada para este país até então desconhecido para nós.
PS: quem quiser conhecer mais um pouco deste paraiso tropical dê uma olhada aqui.
PS1: Eu imaginava que faríamos exames laboratoriais completos como hemograma, glicemia e coisas assim. Na verdade eles são bem objetivos e só pedem exame para HIV, Sífilis, Urina tipo I e o raio X do tórax. Para crianças maiores de 5 anos eles pedem somente urina tipo I (Eduardo) e para os menores somente exame físico.
Nós fomos no médico da Av Angélica: Dr Celso Rodrigues Fava, e gostamos muito do atendimento. A consulta foi de R$250,00 por pessoa e o Fedex para enviar os resultados custou R$170,00. Eles nos deu recibo das consultas e conseguiremos o reembolso de uma parte delas e os exames laboratoriais podem ser feitos pelo convênio. Tudo muito simples e sem grandes problemas até agora.
Hoje vou ligar no consultório para pegar o número do protocolo do Fedex e pelo menos saber quando os resultados chegarão a T&T. No mais, é esperar (mas isso nós já tiramos de letra).


Se alguém tiver mais alguma dúvida estamos à disposição.

Dec 16, 2008

Reações em momentos de stress

Até começar com esta história de imigração eu nunca tinha participado de nenhuma comunidade na internet. Mas com uma informação aqui e outra alí eu acabei conhecendo várias e participando de algumas.

Então esta semana recebo o seguinte e-mail:

- Recebemos a sua solicitação para participar do grupo lista-mrp. Caso vc deseje confirmar a sua entrada clique no link abaixo. Se não quiser confirmar, simplesmente ignore esta mensagem.

Na hora me veio na cabeça aquela história da
cartinha do consulado pedindo pra confirmar se não quisesse continuar no processo e todas as dúvidas que ela gerou. E eu fiquei pensando se deveria confirmar que NÃO QUERIA participar da tal comunidade.

Como já disse antes: as pessoas têm problemas com estas respostas em aberto e então... todo mundo que recebeu a mesma mensagem começou responder que não queria participar da lista. O problema é que eram mais de 50 e-mails diferentes que haviam recebido a mesma mensagem e todos estavam "vinculados" a um determinado e-mail. Sempre que alguém dava um reply todo mundo recebia o e-mail.

A princípio foi um grande susto quando comecei receber mais de 50 e-mails por hora, mas depois acabei me divertindo um pouco com esta história. Tudo bem que minha caixa de e-mails ficou cheia mas foi interessante ver como as pessoas ficam desesperadas e não conseguem pensar no que está acontecendo e acabam piorando a situação ao invés de tentar resolvê-la.

Teve uma moça que mandou até um e-mail ameaça, dizendo que estava guardando todos os e-mails que recebia para fazer uma investigação e processar os culpados. É claro que no meio disso tudo sempre surgem os engraçadinhos que começaram anunciar o carro ou moto que querem vender, o emprego que está procurando e outras gracinhas como estas. A maioria no entando xingava, alguns até com palavrões e exigiam que o problema fosse resolvido.

Ao mesmo tempo apareceram várias pessoas tentando ajudar, dando dicas de como bloquear os e-mails e não só resolveram seu próprio problema como tentaram ajudar quem estava passando pela mesma coisa.

Foram dois dias de muitos e-mails na caixa de entrada e muito estudo do meu próprio e-mail até descobrir porque os filtros que eu colocava não funcionavam, rs.

Mas agora estou até frustrada porque o filtro funcionou tão bem que não sei mais que fim levou a história e minha caixa de entrada está "limpa" de novo.

Dec 14, 2008

5 anos


Hoje o Eduardo está completando 5 anos e não tenho a menor dúvida de que foram os 5 anos mais felizes da minha vida. Pra mim, a chegada das crianças foi mais que a realização de um sonho, foi uma mudança radical no meu estilo de vida e na minha maneira de ver o mundo.

Tenho certeza de que com eles aprendi muito mais do que ensinei. Me tornei uma pessoa muito melhor; mais compreensiva, mais atenta, mais liberal, menos preconceituosa.

Meus filhos me deram coragem, abriram meus horizontes e hoje eu faço o que for preciso pra vê-los felizes e saudáveis. Com eles aprendi muito sobre psicologia, sociologia, pedagogia e desenvolvimento infantil, sobre alimentação, saúde e comportamento.

Entendi que falar nem sempre é a melhor maneira de se fazer entendido e que um bom exemplo pode ensinar muito mais. Hoje eu penso muito mais antes de fazer alguma coisa e tentando ensiná-los o que é certo e o que é melhor pra eles eu me tornei uma pessoa muito melhor, mais consciente, mais justa, mais cidadã.

Aprendi nestes 5 anos a entender como funciona a cabeça de uma criança; entendi o quanto eles estão atentos e o quanto observam os adultos. Quando pensamos que estão distraídos com o desenho preferido eles comentam aquele assunto "proíbido" que falamos baixinho pra ninguém ouvir. Parece que eles ouvem até quando estão dormindo. Rapidinho eles percebem as metáforas, as trocas de nomes, os apelidos secretos e quando vc menos espera eles já entenderam quem é quem e o que vc está querendo dizer nos seus comentários.

Hoje eu os trato como crianças, mas não como bobinhos. Todos os assuntos são conversados na frente deles e apesar de muita gente achar errado, eles podem dar palpite nas conversas de adultos sim!!!! Com este método muito criticado, eu aprendi e não ficar fazendo fofoca, falando mal dos outros, fazendo comentários maldosos. Falo o que penso, comento o que acho certo e errado mas não fico falando coisas que não falaria diretamente pra pessoa.

Aprendi que mesmo amando incondicionalmente não devemos impedir que as frustrações aconteçam de vez em quando. Não estou falando em ser um carrasco e não deixar a criança fazer nada pra ensiná-la que o "mundo é cruel". Mas é preciso saber que existem limites para as coisas e que nem tudo pode ser do jeito que a criança quer, no momento em que ela deseja.

Eu saí pra comprar um presentinho para o Edu e fiquei observando as pessoas em suas compras de Natal; a correria, as 500 parcelas necessárias pra conseguir pagar o presente caro, as crianças querendo mais e mais e mais, os pais desesperados comprando mais e mais e mais; uma competição desenfreada para que os filhos ganhem mais presentes e presentes melhores que as outras crianças; um desespero por consumo que tira todo mundo de sua consciência e muitas vezes acaba em dívidas enormes.


Comprei dois joguinhos simples para o Edu e ele está na maior alegria. A Helena??? Não ganhou nada; não é aniversário dela!!! Provavelmente está sendo frustrante, mas ela precisa aprender; vai ser importante para o desenvolvimento dela. Dia 18 de janeiro será a vez dela e o Edu vai entender! Assim como eles entendem que as coisas custam dinheiro, que existem coisas caras que não podemos comprar, que existem coisas caras que podemos comprar mas que não são necessárias e que muitas coisas não precisam ser compradas também, mesmo sendo baratinhas.
Eles sabem que nem sempre que entramos em lojas de brinquedos eles ganharão alguma coisa e não se frustram com isso. Sabem que o brinquedo do coleguinha É DO COLEGUINHA e que na hora de ir embora ele terá que devolver; e devolvem sem problemas. Eu nunca deixei que eles trouxessem brinquedo dos outros porque choraram que não queriam devolver.
Mas de todos os ensinamentos que meus filhos me trouxeram o que mais mudou a minha vida foi a SIMPLICIDADE. Eu aprendi e ver as coisas de outra maneira, tudo com menos complicações, com menos obstáculos; desburocratizei a minha vida e entendi que pra tudo dá-se um jeito.
Ao contrário do que muita gente diz, os filhos me deram mais liberdade. Eu faço o que quero, quando quero e como quero sem me preocupar com o que vão falar ou pensar. O que me importa é fazer o que for melhor pra nós. Vou com os três em qualquer lugar e se não saio sempre com eles é muito mais por medo da violência do que por ser limitada pela presença deles.

E eles participam de tudo, de quase todas as decisões, opinam, criticam, ensinam e têm voz ativa nas coisas da casa. Conversamos muito, explicamos tudo, perguntamos, orientamos. Poucas coisas são impostas e nada fica sem uma explicação, sem um porquê. É claro que eles não opinaram com relação ao Canadá e eu lamento muito por não ter como envolvê-los nesta discussão, mas nossa permanência lá está diretamente vinculada à adaptação deles e se por algum motivo eu achar que eles não estão bem, voltaremos no dia seguinte sem pestanejar.
Hoje eu curto muito mais a chuva, as poças d'água, a terra, as folhas, galhinhos e pedrinhas que eles pegam a trazem pra casa, andar descalça, me molhar e me sujar, sentar no chão, rolar na areia, se equilibrar na guia e andar nas calçadas sem pisar nas linhas ou pisando só nas pedras claras ou escuras. Hoje eu olho mais pro céu, para os mapas, para as árvores, para os detalhes. Me divirto muito mais do que em qualquer época da minha vida e não troco a maternidade por nada no mundo.

O Edu é uma pessoa cativante que conquista todo mundo facilmente. Ele conversa com qualquer pessoa, faz amizade em segundos, é alegre e carinhoso. É bem verdade que é um pouco reclamão, mas é muito compreensivo e sensível às limitações dos outros.

Eu tenho muito orgulho do meu filho, do seu jeito seguro e tranquilo de ser, do seu jeito atencioso e meigo com todo mundo.

Dec 13, 2008

Pela última vez

Existem algumas palavras e expressões que eu evito ao máximo usar. Nunca e radical são duas delas; eu sempre tento usá-las com muita cautela porque usando-as corremos o risco de estar mentindo ou sendo intolerantes.

Estou acrescentando uma expressão a esta minha listinha negra: pela última vez.

Esta semana foi a última semana de aulas nas escolas das crianças, todo ano eu me emociono muito com a despedida da professora e dos amiguinhos. Mas este ano foi muito diferente, tudo foi feito pela última vez, todas as despedidas foram mais dolorosas e com um caráter mais definitivo.

A cada abraço, cada desejo de boas festas, cada tchauzinho de longe me deixou com o coração partido em pensar que talvez eu estivesse vendo aquela pessoa pela última vez e que nunca mais passaria por aquela situação. O Sergio já não sabe mais o que fazer pra me consolar porque entro no carro e desabo; começo chorar compulsivamente e fica todo mundo assustado.

Quem acompanha o blog sempre sabe que eu me preocupo muito com a educação das crianças e que dou muita importância para a escola na vida dos nossos filhos. Hoje eu posso dizer que sou uma pessoa de muita sorte porque, ao contrário de muitos pais, eu consegui encontrar duas escolas maravilhosas que seguem diretrizes muito parecidas com a educação que meus filhos recebem aqui em casa e nas quais nós e as crianças nos adaptamos super bem.

Nestas duas escolas meu filhos foram muito felizes e eu e o Sergio ficamos muito satisfeitos com os resultados alcançados. Vamos sentir muitas saudades daquele ambiente afetuoso onde ficávamos totalmente à vontade, onde fizemos muitos amigos e onde as rianças aprenderam mais do que ler, escrever ou desenhar: aprenderam lições de convivência, amor e respeito.

Provavelmente as crianças ainda voltarão para a escola no início do ano, mas sempre fica aquela sensação de despedida.

Apesar de toda esta choradeira estamos muito felizes com tantas demonstrações de carinho que temos recebidos nestes últimos dias e acho que não tem coisa melhor para um pai do que sentir que seu filho é querido por todos. Fortes emoções!!


Dec 11, 2008

O doutorando e a estagiária


Há exatos 10 anos esta história de amor começou oficialmente. Mas vamos relembrar um pouco antes quando a estagiária ainda procurava um estágio interessante que lhe desse além de meios de se manter sozinha, muito aprendizado.

Depois de algumas entrevistas e de ter se desiludido totalmente com o trabalho em indústria farmacêutica, um telefonema mudaria de vez o seu destino: "vc foi aprovada para a vaga no agrupamento de biotecnologia do IPT. Vc ainda tem interesse na vaga?"

Claro que tinha!!!!
Já nos primeiros dias, depois de muitas informações sobre equipamentos e cultivo de bactérias, a estagiária o viu pela primeira vez. Ele estava sentado na "sala dos estagiários" lendo seu jornal. A notícia deveria ser tão boa que ele nem respondeu ao "Bom dia" tímido.

Pegando uma informação aqui e outra ali a estagiária foi descobrindo quem era aquele carinha "metido" que ficava todo dia lendo jornal na sala dela: aluno de doutorado, engenheiro, solteiro, sem namorada, 6 anos mais velho e segundo as boas linguas: um bom partido!!!!

Como uma boa história de amor, a antipatia foi instantânea mas o tempo foi mostrando que provavelmente a notícia era boa mesmo e que atrás daquela cara séria e aparentemente sempre com pressa havia uma pessoa maravilhosa, divertida e que vivia rodeada de gente o tempo todo.

A antipatia foi se transformando em simpatia que foi se transformando em admiração que foi se transformando em interesse e de repente a estagiária estava apaixonada e prestes a entrar em férias coletivas. Seria quase um mês sem nenhum contato e um risco enorme de tudo cair no esquecimento.

Pra estas horas a melhor coisa do mundo são os amigos e uma outra estagiária resolveu dar um empurrãozinho: mandou um e-mail super idiota, com uma piadinha mais idiota ainda para o doutorando e as duas estagiárias ficaram esperando ansiosas a resposta; que diga-se de passagem veio no mesmo dia já pedindo o e-mail da estagiária apaixonada: ele estava interessado também!!!!

Foram quase 20 dias trocando e-mails diários e gigantescos que falavam de música, gramática, literatura, religião, pesquisa mas nada sobre eles mesmos. Pessoalmente as conversas eram travadas e impossibilitadas pela presença constante de outros amigos; lembra que ele vivia rodeado de gente???

E então, no dia 11 de dezembro de 1998, já no final da tarde, um pouco antes dele ir pra casa e ela ir para a faculdade, ele tomou coragem e fez o pedido de namoro mais original que ela já havia recebido: um pedido que falava de uma oportunidade única e que acabou no ponto do Circular da USP embaixo do maior toró!

Alí começava esta história de amor que vem sendo contada aqui no TUDO AO MESMO TEMPO. Alí começaram os planos de um casamento, de três filhos, do mestrado dela, do término do doutorado dele e tantos outros sonhos que aos poucos estão se realizando e enchendo de alegrias esta história.

Até hoje eles têm todos os e-mails trocados desde o primeiro. São vários arquivos no word com suas longas conversas durante o dia: não importa onde ele esteja, não importa onde ela esteja, sempre encontram uma internet pra mandar um recadinho, um aviso, um link, uma bronca ou um beijo.

E tanta coisa já aconteceu nestes 10 anos que parece ter passado muito mais. A ex-estagiária aprendeu tanta coisa, eles aprenderam tanto juntos e se conhecem tão bem que um olhar já vale por uma conversa inteira. E foram mudando tanto, se doando tanto que já é dificil saber quem influenciou quem em cada coisa.

O nosso presentão de aniversário chegou ontem, dia 10: pedido de exames médicos para o processo de imigraçao para o Canadá. Recomeçaremos nossa história lá no Canadá com muitos outros sonhos mas com a mesma alegria de viver e de aproveitar tudo o que o mundo tem pra nos oferecer nesta oportunidade única que é a nossa vida.

Dec 10, 2008

Presente antecipado

E o nosso quebra-cabeça continua se encaixando...

Acabamos de receber nosso pedido de exames médicos. Estamos super felizes e ansiosos mas a saudade já começou.

Depois de tanta espera, tantos sonhos, tantos medos, parece que tudo está se tornando mais real, mais palpável. Esta semana em especial está sendo uma loucura.

Ontem foi a reunião de pais na escola do Edu e as despedidas já começaram. Quem acompanha o blog sabe o quanto gosto daquela escola e como fico triste de ter que tirar as crianças de lá. Sem contar os incontáveis amigos que fiz lá e que vão me fazer muita falta lá no Canadá.

Amanhã eu e o Sergio completaremos 10 anos juntos.

Sexta-feira será o aniversário do Edu na escola e será também o último dia de aulas pra ele e para as meninas. Já estou me preparando para a choradeira.

No sábado teremos a reunião de pais na escola da Helena e lá vem mais choradeira por aí.

E agora este tão sonhado pedido de exames médicos. Já marcamos a consulta para segunda-feira a tarde e depois daremos todos os detalhes pra quem ainda vai passar por isso.

São muitas emoções, muitos sonhos, muitas coisas para pensar, organizar, correr atrás e a época mais emocionante do ano, pra mim, está tão próxima!!! Este natal vai ser de fato muito especial para todos nós e apesar de tudo o que temos passado estamos muito felizes e confiantes.

Desejo então, do fundo do meu coração, que o papai noel chegue um pouco mais cedo este ano para tantas outras famílias que estão na espera como estávamos. Que todos vcs recebam neste natal um pedido de exames médicos embrulhado em um lindo envelope de papel reciclado.



PS: Obrigada a todos!!! Este processo de imigração nos ensina que nunca estamos sozinhos e nos aproxima demais das outras pessoas; seja nas despedidas, seja nos encontros. Cada processo que caminha nos deixa super felizes e nos angustiamos com cada amigo que espera.

Estamos super felizes com as nossas conquistas mas não nos esquecemos dos nossos amigos que ainda esperam. Sabemos bem como é angustiante e torcemos para que as coisas andem mais rápido a partir de agora.

Dec 2, 2008

E este processo de imigração...


Este processo de imigração não é uma brincadeira como as vezes pode parecer; ele é caro, é demorado e chega um momento em que as nossas emoções ficam em frangalhos. É desgastante demais esperar por algo que vc não tem certeza se vai dar certo, esperar sem uma precisão de quando vai acabar e com regras que podem mudar a qualquer momento.

Mas é interessante pensar em todo o tempo que investimos neste processo e nas pessoas que nos ajudaram em todo este tempo sem nem imaginar. Fico pensando em toda a minha trajetória escolar, em todos os anos de estudo a que me dediquei; os três anos de mestrado, que pode parecer não terem servido pra nada já que parei de trabalhar quando o Eduardo nasceu, mas que nos valeram preciosos pontinhos no questionário do consulado. O doutorado do Sergio, todos os anos de trabalho duro que ele enfrentou, com viagens horrorosas por lugares tenebrosos que só nós sabemos como foram.

E bem lá atrás, quando ainda éramos pequenos, todas as conversas dos nossos pais, todo o incentivo para estudar, para sermos responsáveis, toda orientação em relação a dinheiro que sempre foi curto para os dois, todos os NÃOS que nos ensinaram a lidar com as situações adversas e todo apoio pra não desistirmos dos nossos sonhos no primeiro obstáculo.

Foram tantas pessoas e situações que foram passando por nossas vidas e nos preparando para todas estas emoções contraditórias que vivemos hoje.

No final sempre podemos tirar de toda esta experiência algum aprendizado; entender que ficar parado nem sempre é sinal de comodismo e que em alguns momentos simplesmente temos que parar, respirar fundo e esperar (coisa dificílima pra mim).
Este processo também nos ensina a conhecer as pessoas e nos traz muitas surpresas com elas; nos afasta de umas, nos aproxima de outras, e nos dá uma força muito grande pra aguentar todas as pressões.
E ele é demorado, lento, angustiante, mas atrás desta demora ele nos dá tempo de digerir toda a mudança que vai acontecer. Podemos pensar em todas as possibilidades, em tudo o que pode dar errado, temos tempo pra conhecer o Canadá de trás pra frente, temos tempo de viajar pelas províncias, pelas cidades, ter uma idéia do clima, do mercado de trabalho, das escolas, alimentação, costumes e ir se preparando psicologicamente para o que vamos encontrar por lá.
Temos tempo de nos despedir das coisas daqui, das pessoas, dos lugares, das comidas...

E ainda temos tempo de aprender que imigrar não é pra todos e entender que as reações das pessoas não são para nos prejudicar. Para imigrar é preciso ter um espírito de aventura, uma vontade quase incontrolável de enfrentar o desconhecido; é preciso um desapego e uma paixão que nem todo mundo consegue entender. É se dar uma nova chance, a chance de renascer no local que vc escolheu pra viver e onde vc quer começar uma nova vida.
Muitas pessoas nos chamam de corajosos. Corajosos foram meus avós que chegaram no Brasil no início do século XX com poucas informações e pouquíssimas chances de retornar se as coisas não dessem certo. Nenhum deles jamais voltou à terra natal e as poucas informações que trocavam com parentes de lá eram através de cartas que levavam mais de 3 meses para ir e outros três pra receberem a resposta.
Uma amiga argentina estava contando que quando veio para o Brasil, há 20 anos atrás, sem dinheiro, precisava tirar cópia das cartas que mandava para a mãe porque quando recebia a resposta já não se lembrava o que tinha escrito na carta que havia enviado. Este pessoal sim, teve muita coragem!!!
Pra nós, tudo vai ser bem mais fácil, bem mais simples, bem mais tranquilo. Será que vai ser melhor ou pior que a vida que temos aqui? Será que vamos ser mais felizes lá? Eu não sei. Mas o bonde parou na nossa frente e abriu a porta. Muitas pessoas deixariam que ele fosse embora, mas existe em mim uma força incontrolável que me leva a entrar nele e seguir viagem. Pra minha alegria esta força age sobre meu marido e ele embarcou ao meu lado.

PS: segundo minha amiga argentina: Oportunidade é uma pessoa que só tem cabelo na frente; é careca nas costas. Depois que ela passou vc não consegue mais segurá-la.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!