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5 anos


Hoje o Eduardo está completando 5 anos e não tenho a menor dúvida de que foram os 5 anos mais felizes da minha vida. Pra mim, a chegada das crianças foi mais que a realização de um sonho, foi uma mudança radical no meu estilo de vida e na minha maneira de ver o mundo.

Tenho certeza de que com eles aprendi muito mais do que ensinei. Me tornei uma pessoa muito melhor; mais compreensiva, mais atenta, mais liberal, menos preconceituosa.

Meus filhos me deram coragem, abriram meus horizontes e hoje eu faço o que for preciso pra vê-los felizes e saudáveis. Com eles aprendi muito sobre psicologia, sociologia, pedagogia e desenvolvimento infantil, sobre alimentação, saúde e comportamento.

Entendi que falar nem sempre é a melhor maneira de se fazer entendido e que um bom exemplo pode ensinar muito mais. Hoje eu penso muito mais antes de fazer alguma coisa e tentando ensiná-los o que é certo e o que é melhor pra eles eu me tornei uma pessoa muito melhor, mais consciente, mais justa, mais cidadã.

Aprendi nestes 5 anos a entender como funciona a cabeça de uma criança; entendi o quanto eles estão atentos e o quanto observam os adultos. Quando pensamos que estão distraídos com o desenho preferido eles comentam aquele assunto "proíbido" que falamos baixinho pra ninguém ouvir. Parece que eles ouvem até quando estão dormindo. Rapidinho eles percebem as metáforas, as trocas de nomes, os apelidos secretos e quando vc menos espera eles já entenderam quem é quem e o que vc está querendo dizer nos seus comentários.

Hoje eu os trato como crianças, mas não como bobinhos. Todos os assuntos são conversados na frente deles e apesar de muita gente achar errado, eles podem dar palpite nas conversas de adultos sim!!!! Com este método muito criticado, eu aprendi e não ficar fazendo fofoca, falando mal dos outros, fazendo comentários maldosos. Falo o que penso, comento o que acho certo e errado mas não fico falando coisas que não falaria diretamente pra pessoa.

Aprendi que mesmo amando incondicionalmente não devemos impedir que as frustrações aconteçam de vez em quando. Não estou falando em ser um carrasco e não deixar a criança fazer nada pra ensiná-la que o "mundo é cruel". Mas é preciso saber que existem limites para as coisas e que nem tudo pode ser do jeito que a criança quer, no momento em que ela deseja.

Eu saí pra comprar um presentinho para o Edu e fiquei observando as pessoas em suas compras de Natal; a correria, as 500 parcelas necessárias pra conseguir pagar o presente caro, as crianças querendo mais e mais e mais, os pais desesperados comprando mais e mais e mais; uma competição desenfreada para que os filhos ganhem mais presentes e presentes melhores que as outras crianças; um desespero por consumo que tira todo mundo de sua consciência e muitas vezes acaba em dívidas enormes.


Comprei dois joguinhos simples para o Edu e ele está na maior alegria. A Helena??? Não ganhou nada; não é aniversário dela!!! Provavelmente está sendo frustrante, mas ela precisa aprender; vai ser importante para o desenvolvimento dela. Dia 18 de janeiro será a vez dela e o Edu vai entender! Assim como eles entendem que as coisas custam dinheiro, que existem coisas caras que não podemos comprar, que existem coisas caras que podemos comprar mas que não são necessárias e que muitas coisas não precisam ser compradas também, mesmo sendo baratinhas.
Eles sabem que nem sempre que entramos em lojas de brinquedos eles ganharão alguma coisa e não se frustram com isso. Sabem que o brinquedo do coleguinha É DO COLEGUINHA e que na hora de ir embora ele terá que devolver; e devolvem sem problemas. Eu nunca deixei que eles trouxessem brinquedo dos outros porque choraram que não queriam devolver.
Mas de todos os ensinamentos que meus filhos me trouxeram o que mais mudou a minha vida foi a SIMPLICIDADE. Eu aprendi e ver as coisas de outra maneira, tudo com menos complicações, com menos obstáculos; desburocratizei a minha vida e entendi que pra tudo dá-se um jeito.
Ao contrário do que muita gente diz, os filhos me deram mais liberdade. Eu faço o que quero, quando quero e como quero sem me preocupar com o que vão falar ou pensar. O que me importa é fazer o que for melhor pra nós. Vou com os três em qualquer lugar e se não saio sempre com eles é muito mais por medo da violência do que por ser limitada pela presença deles.

E eles participam de tudo, de quase todas as decisões, opinam, criticam, ensinam e têm voz ativa nas coisas da casa. Conversamos muito, explicamos tudo, perguntamos, orientamos. Poucas coisas são impostas e nada fica sem uma explicação, sem um porquê. É claro que eles não opinaram com relação ao Canadá e eu lamento muito por não ter como envolvê-los nesta discussão, mas nossa permanência lá está diretamente vinculada à adaptação deles e se por algum motivo eu achar que eles não estão bem, voltaremos no dia seguinte sem pestanejar.
Hoje eu curto muito mais a chuva, as poças d'água, a terra, as folhas, galhinhos e pedrinhas que eles pegam a trazem pra casa, andar descalça, me molhar e me sujar, sentar no chão, rolar na areia, se equilibrar na guia e andar nas calçadas sem pisar nas linhas ou pisando só nas pedras claras ou escuras. Hoje eu olho mais pro céu, para os mapas, para as árvores, para os detalhes. Me divirto muito mais do que em qualquer época da minha vida e não troco a maternidade por nada no mundo.

O Edu é uma pessoa cativante que conquista todo mundo facilmente. Ele conversa com qualquer pessoa, faz amizade em segundos, é alegre e carinhoso. É bem verdade que é um pouco reclamão, mas é muito compreensivo e sensível às limitações dos outros.

Eu tenho muito orgulho do meu filho, do seu jeito seguro e tranquilo de ser, do seu jeito atencioso e meigo com todo mundo.