Mar 31, 2009

Morando "de aluguel" pela primeira vez

Morar "de aluguel" é sem dúvida uma das grandes experiências que estamos tendo aqui no Canadá. Eu e o Sergio, apesar da infância pobre, sempre tivemos casa própria e quando nos casamos fomos morar em uma casa que a familia dele já tinha há muito tempo e que ficou fechada por anos. Alem disso nós reformamos a casa inteira e nos mudamos com tudo novinho.

O primeiro contato com aluguel foi chegar em uma casa que queríamos alugar e encontrar os antigos inquilinos ainda lá dentro. O Real Estate foi entrando e mostrando a casa enquanto a mocinha tentava esconder as bagunças. Quando chegamos na cozinha o cara comentou que ela era toda equipada e que o fogão seria limpo antes de mudarmos (porque estava muuuuuito sujo e não tinha como não reparar). A mocinha e eu ficamos super constrangidas.

Então a semana passada foi a minha vez de ser vidraça. O nosso landlord chegou aqui em casa sem aviso nenhum, bem na hora do cochilinho da tarde: eu e as crianças deitados no sofá. Pelo menos a casa estava arrumadinha com poucos brinquedos espalhados, mas a pessoa que estava visitando ficou sem graça de terem me acordado, rs. A coitada nem quis ver os quartos.

Mas a experiência máxima é mesmo se mudar para a casa alugada. A primeira vez que fui visitar o ape onde moraremos não deu pra olhar muito, ainda tinham coisas do antigo inquilino e eu achei chato ficar abrindo portas e mexendo nas coisas. Ontem foi a primeira vez que fiquei sozinha com o apartamento e estou meio enojada até agora. O apê precisa de uma boa faxina mas até que as paredes e o carpete estão apresentáveis. Porem, quando entrei na cozinha tive vontade de chorar. A geladeira está suja e a maquina de lavar louça cheia de restos de comida. Eu fiquei imaginando aqueles restos rodando pela louça enquanto a máquina vai "lavando.

Agora o forno é um caso totalmente a parte: talvez com formão e martelo eu consiga tirar a gordura. Eu acho que um forninho elétrico custa menos do que os materiais de limpeza que vou ter que comprar pra limpar aquela nojeira. E o que me deixou perplexa: a familia que morava lá era brasileira!!!

Fiquei tão enojada com aquela cozinha que resolvi doar todas as coisas que eles deixaram: pratos, copos, algumas panelas (imundas), um colchão, um liquidificador. Talvez eu use por um tempo a mesinha do computador, depois de limpá-la muito bem. E olhe que não sou daquelas pessoas nojentas que entram na casa dos outros e ficam procurando coisas pra reparar e nem tenho mania de limpeza.

Mas vou fazer desta experiência uma coisa boa. Meu pai tem uma teoria que proprietário bom é aquele que enche o saco do inquilino. Quando o proprietário é muito bonzinho, o inquilino se acomoda e não corre atrás de comprar a própria casa. Vou sempre me lembrar de como encontrei aquele apartamento como um incentivo para comprar minha casa própria.

Bem, agora chega de lamentações e vamos por a mão na massa porque lágrimas não tiram gordura e limo (os banheiros também estão de dar medo e tem banheira nos 2!!!!) . O que importa é que já temos nosso cantinho e já levamos quase tudo pra lá. Agora vou comprar alguns produtos de limpeza e encarar a gordura de frente; quem sabe eu não perco também algumas gordurinhas acumuladas na cintura, né?

Ficarei sem internet até amanhã, quando me prometeram instalar a do apartamento. Amanhã também inscreverei o Edu no grade 1 que começa em setembro. Sim, meu filhinho já vai pra primeira série!!! E vou ver se ele já pode frequentar estes últimos meses do kindegarten senior. A Helena infelizmente só poderá ir para o kinder em 2010, então vamos pensar outras alternativas para ela até lá.

Assim que possível volto com novidades sobre a escola e as compras para a casa "nova".

Mar 26, 2009

Começando a se adaptar


Muitas coisas são estranhas por aqui e a gente tem que se acostumar com elas. O chuveiro na banheira e a casa sem um único ralo é uma delas. É muito estranho imaginar que ninguém joga água no banheiro para lavá-lo. Talvez com o tempo eu ache normal mas por enquanto acho esquisito.

Ir ao supermercado e ter que comprar tudo em frascos de 2L é outra coisa que não gosto muito. Suco, leite, produtos de limpeza; não tem essa de comprar um pequeno só pra experimentar. Geralmente tudo esta em tamanho grande ou enorme.

Mas está sendo facil se adaptar às múltiplas opções. Dificilmente vc encontra apenas uma marca daquilo que precisa e para algumas coisas as opções te deixam totalmente confusa. Neste primeiro momento em que vou ao supermercado com uma certa pressa e a familia inteira a tira-colo tenho optado pelas marcas que já conheço ou que alguém indicou em algum lugar, assim a chance de errar é menor.

Ainda assim, comprei uma deliciosa macarronada pronta porque já estava tarde para preparar algo quando chegasse em casa e quando abri o pacote vi que era apenas o molho. O macarrão era apenas ilustrativo e eu tive que cozinhar macarrão às pressas pra completar o jantar.

Na parte dos vegetais também não estamos tendo problemas. Excetuando o feijão que ainda não encontrei do que eu gosto, aqui tem uma boa variedade e muita coisa bem parecida com o que eu fazia no Brasil. Tudo bem que eu, o arroz e o sal ainda não nos acertamos, mas isto é questão de tempo. No dia que acerto o sal o arroz fica papa, ou então não cozinha direito; quando ele cresceu e ficou bonito na panela estava sem sal algum ou uma salmora. Enfim: a briga esta dificil e eu perdendo feio por enquanto. Quando eu sirvo a refeição o Edu fala logo:

_ Mamãe, eu não quero arroz!

Quando eu pensei que teria que me adaptar ao telefone quieto, mudo, sem ninguém me oferecendo nada por telemarketing, o telefone tocou e qual não foi a nossa surpresa quando vimos que estavam nos oferecendo celulares. Em pouco mais de uma semana foram tantas as ofertas via telefone que já estamos começando a usar aquele velho método de dispensar vendedores:

_ Não compro nada pelo telefone, obrigado!

Mas eu tenho a impressão de que haverá apenas uma coisa com a qual nunca vou me acostumar por aqui: os choques!!!

Eu não sei porque eu sou a maior vítima aqui de casa. Eu levo estes pequenos choquinhos o tempo todo e já estou treinadinha: sempre coloco a manga da blusa na frente antes de apertar o botão do elevador, antes de encostar no carro ou pegar nas maçanetas das portas. O problema é que nem sempre dá pra prever e as vezes eu levo choque quando encosto nas crianças ou no Sergio. Horrível!!!!
E quanto ao frio??? Bem, não posso falar muito do frio porque estamos aqui na média do zero grau e está absolutamente tranquilo. O que acho importantíssimo por aqui são os cremes. Ao contrário do Brasil onde eu usava creme pra deixar a pele mais bonitinha e me esquecia o tempo todo de passar; aqui cuidar da pele é questão de saúde, em especial das crianças.
Já nos primeiros dias a pele deles ficou avermelhada, principalmente a da Luísa. Uma brasileira que mora em um apartamento que queríamos alugar nos indicou o Aveeno Baby da Johnson. O de tampinha azul escuro é pra tratar quando já está queimadinho e o de tampa azul clara pra manutenção. Estamos passando direto nas crianças e está sendo bom mesmo. Tem uma linha completa de produtos desta marca e os que eu ja usei foram muito bons. E eu estou usando um da mesma marca para adulto. E filtro solar em todo mundo o tempo todo.
Criança é uma maravilha porque se acostuma com qualquer coisa facilmente. A Helena fica meio de saco cheio de ter que colocar tanta blusa, até porque ainda não comprei roupas aqui e estamos usando o que eu trouxe do Brasil, então eu capricho e exagero!!! Mas basta colocarem o pé pra fora de casa que o frio é esquecido e todo mundo sai correndo como se estivessem de biquini na praia.
Meu sonho é que em breve eles possam ter o próprio backyard, mas enquanto não for possível teremos que nos contentar com os inumeros parquinhos que temos visto por aqui.

Quem casa quer casa...


... e quem imigra precisa de um endereço fixo!!!

Em primeiro lugar quero agradecer muito o carinho de todos vcs. É muito bom saber que tem tanta gente mentalizando para que as nossas coisas dêm certo. Não deu pra pedir ajuda pra todo mundo que ofereceu porque as coisas não foram tão dificeis assim... mas já deixei anotado o nome de todo mundo e vou dividir o trabalho entre todos pra não sobrecarregar ninguem.

De qualquer forma: muito obrigada por tudo!

Os primeiros dias foram gastos procurando onde morar. É meio decepcionante ter dinheiro e nao ter crédito. Vc encontra o que quer, aceita pagar o que o dono pede, todos parecem estar satisfeitos até o momento de dizer que somos recem chegados e nao temos emprego. A recusa vinha educadamente, com uma desculpa qualquer e a promessa de uma ligação futura mas na verdade rapidinho nós entendemos que a tarefa ia ser cansativa.

Conseguimos então alguns anúncios no Brasil News e encontramos um basement em Toronto, em um bairro maravilhos, com um casal super gentil que não só nos aceitou sem nenhuma exigência. No valor do aluguel estava tudo incluso e apenas dividiríamos a lavanderia com eles. E o melhor, poderíamos ficar pelo tempo que quiséssemos.

Pode parecer desfeita ou falta de consideração, mas eu fiquei muito indecisa. A oferta era ótima, o preço do aluguel também, e o melhor de tudo: eles eram realmente pessoas muito gentis e estavam querendo nos ajudar. Mas ainda não me acostumei com esta idéia de basement.

Fiquei me imaginando ali, com aquele teto baixinho, pouca claridade...

Mas então, o administrador do apartamento em que estamos nos ofereceu um apartamento aqui perto. Fomos visitá-lo e apesar de não ser minha casa dos sonhos foi a melhor opção que tivemos até o momento. É um ape de dois quartos, sala grande, cozinha e lavanderia no apartamento (vcs não imaginam como isso é importante por aqui). Teremos uma vaga na garagem inclusa no aluguel e com as utilities (água, luz, gas) inclusas também.

Tudo bem que o aluguel não é dos mais baratos mas esta dentro do valor que queríamos e será por apenas 4 meses, com a facilidade de poder ficar o tempo que quiser. Pagamos o primeiro e último mês adiantado como é normal aqui e nos mudaremos no dia primeiro de abril (só espero que não tenha nenhuma mentira nisto).

Ainda não nos mudamos mas já estamos usando o endereço pra cima e pra baixo e conseguimos assim fazer a maioria dos doctos necessarios aqui (falo disso depois). E assim que puder coloco umas fotinhas pra vcs terem uma idéia.

Como ainda não conheço Mississauga como a palma da minha mãe não sei dizer muito bem se estamos ou não bem localizados, mas eu gostei do lugar. Estamos bem próximos do Square One (que muita gente conhece) e bem pertinho de uma biblioteca pública. Eu tenho a impressão de que estamos perto de tudo e estou adorando a cidade.

Mar 18, 2009

Sim, nós já estamos no Canadá

Apesar de São Paulo e São Pedro tramarem contra nossa ida nós conseguimos chegar no aeroporto a tempo. Na radio sul américa transito as notícias eram as piores possiveis, mas o encaixe do quebra cabeça já estava pronto e nem a chuva que inundou São Paulo neste dia 17 de março conseguiu nos segurar.


Foram 7 malas despachadas e mais 5 maletinhas de mão, sem contar as 3 malinhas sem alça (Edu, Helena e Luisa). O voo foi bem tranquilo, as crianças dormiram quase o tempo todo e quando estavam acordados se distrairam bastante assistindo desenho EM INGLÊS!!! Tivemos muita sorte pois o avião não estava lotado e conseguimos duas fileiras com três assentos cada uma, o que facilitou muito a acomodação das crianças. Eu e o Sergio passamos a noite nos revezando e foi uma troca-troca de lugares a noite toda que acabamos não dormindo nem um pouquinho.


A passagem pela imigração também foi super tranquila e a fila estava pequena. Tivemos muita sorte porque depois que fomos chamados a fila cresceu muito e dava até pena de ver as carinhas cansadas das crianças que devem ter viajado a noite toda e ainda teriam que esperar muito ali na fila.


Então, com todos os pacotes em mãos, o Sergio chegou à feliz conclusão de que precisávamos de ajuda e contratamos um senhor para levar nossas malas até o taxis. Pagamos CAD$18.00 mas valeu a pena porque o senhor que realizou o serviço foi muito prestativo e simpático. Em compensação os taxistas (precisamos de 2!!!) estavam mau humorados-mal educados; deu até raiva ter que gastar aquele dinheirão com eles, mas em determinados momentos não dá pra ficar fazendo malabarismos e precisávamos urgentemente chegar em algum lugar e descansar um pouco.


E como mesmo das situações ruins podemos tirar coisas boas... A van de um dos taxistas tinha uma coisa que nunca tinha ouvido falar antes (e acho que no Brasil ainda não tem): o banco de trás tem uma cadeirinha embutida; basta abaixar o encosto do banco e ele vira uma cadeirinha. achei a idéia maravilhosa porque não fica ocupando espaço no carro e não precisa ficar tirando sempre que algum adulto vai sentar ali. O único defeitinho dela é que quando a criança dorme a cabecinha fica sem ter onde se apoiar então acaba não sendo muito confortável para criança pequena, mas ainda assim é muito interessante e o taxista mau educado-mal humorado me disse que existem varios carros por aqui que já vem com este tipo de banco.

Apesar do azar com os taxistas estamos sendo muito bem tratados por todas as outras pessoas e tendo uma sensação de que somos bem vindos.


Estamos em um apartamento mobiliado de dois quartos muito confortável, em Mississauga. É uma espécie de apart hotel com serviço de limpeza uma vez por semana. E não preciso me preocupar com roupa de cama e de banho. Ainda podemos usar todas as facilities do prédio. A diária é um pouco carinha: CAD$95.00 mas eu achei que valia a pena o investimento para proporcionar o máximo conforto para as crianças. O dono do nosso apartamento é super simpático e prestativo e está sendo super tranquilo negociar com ele.


Não sei dizer ainda se quero ficar aqui em Mississauga mas a partir de amanhã vamos começar a pensar no assunto. Hoje o dia foi praticamente perdido porque estávamos (estamos) exaustos. Todo mundo dormiu quase o dia todo e as crianças ainda estão cansadas. Aos poucos estou desfazendo algumas malas e espalhando nossas coisas pelo apartamento. Fomos a um shopping agora a tarde que fica aqui perto mas o cansaço apressou a nossa volta e daqui a pouco todo mundo vai pra cama.


Ainda estamos meio abobados com tudo: quando o avião decolou eu tive uma sensação de tristeza muito grande. De repente pareceu que estávamos fazendo uma loucura, um ato impensado e um medo enorme tomou conta de mim. Mas quando o avião tocou o solo canadense parece que eu já tinha processado tudo e eu senti apenas uma profunda alegria de estar realizando este sonho.

Passamos o dia inteiro emocionados tentando ter certeza de que está acontecendo mesmo. Em varias situações um olhava pra cara do outro e alguém dizia aquela frase:

- Sim, nós já estamos no Canadá!

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!