Apr 29, 2009

Vírus no blog

Levei o maior susto quando abri meu e-mail e vi um comentário do blog em um post com um nome super estranho. Fiquei pensando o que poderia estar errado!!! Corri para o blog e percebi que realmente o post estava lá e pra meu espanto com uma história vivida pelo meu maridinho hoje de manhã.

O que acontece é que cadastrei o blog no e-mail dele (aquele compartilhamento de tudo que temos aqui em casa) e quando ele resolveu ter o próprio blog eu acabei usando o mesmo e-mail e assim ficou tudo mais ou menos junto. O problema é que um dos usuários do blog é meio distraído e acabou escrevendo no blog errado!!!


Catholic crosscultural services

Hoje de manhã fui no banco preparar a money order para pagar o aluguel. Dia claro, passou a chuva, mas muito frio, menos de 10 graus. Quer dizer meio frio, rs. Tive que ir a pé, não tenho 3 dolares trocados pelo onibus!!!! Mas foi uma bela caminhada, 35 minutos. Mississauga tá ficando linda com o inicio da primavera.
Mas o objetivo do post não é esse, na volta, resolvi sem ter marcado horário dar uma passada na ccr para ver se eles me ajudam para certificar as cópias (ver post anterior). Minha consultora, uma argentina chamada Dalinda não estava lá. Mas no CCR, como em quase todo o lugar aqui no Canadá, não tem problema, sempre tem um outro consultor disponível (neste caso, um palestino) que pode resolver seu problema.
Mas como diz a Mari, sou o cara mais azarado do mundo, acredita que a máquina de xerox quebrou e não foi possível fazer as cópias (2 por sinal). Eles vão concertar e acreditam que a tarde esteja tudo ok. Vou voltar lá no final da aula de ingles, rs.
Mas a Mari agora não tá querendo mais que eu vá nos lugares, poxa, tudo que eu faço dá errado, rs.

Apr 26, 2009

Vendaval


Ontem fez um dia muito bom; as temperaturas estavam realmente agradáveis e pela janela viamos o dia lindo!!! Pena que foi só pela janela porque tínhamos tantas coisas pra fazer em casa que acabamos não saindo pra lugar nenhum, até porque estávamos sem carro.


No final da tarde ensaiamos um passeio mas eu acabei enrolando tanto que não deu tempo e acabou sendo bom. Em poucos minutos aquele dia lindo foi desaparecendo e uma ventania assustadora apareceu do nada. No site da Weather Channel dizia que os ventos eram de 90 km/h com rajadas de 115 km/h. Realmente assustador.

O predio em frente ao nosso está em construção e eu fiquei com medo que alguma coisa pesada saísse voando de lá e viesse bater no nosso prédio. A quantidade de areia que saiu voando da obra foi impressionante e muitas outras coisas voaram pelos ares. Foi meio desesperador observar as pessoas tentando andar contra o vento; dava pra perceber a força que elas faziam e eu não sei se a Luísa não seria jogada longe.

O que mais me assustou foi uma senhora que mora aqui no nosso prédio e estava cheia de sacolas tentando chegar até a porta lateral. O esforço dela era muito grande e a sensação de impotência nos deixou muito angustiados. Então apareceram dois rapazes e foram se aproximando dela.

No meio daquela ventania a sensação que tivemos foi de que eles estava roubando suas sacolas. Um dele, depois do que pareceu uma luta, pegou as sacolas da mulher e saiu correndo, enquanto o outro a acompanhou até a entrada do predio (gentileza inesperada para quem está roubando uma pessoa de idade). Ficamos todos apavorados na janela sem poder gritar ou fazer nada (até o Edu se assustou vendo o rapaz pegando as coisas da mulher). Ele saiu correndo e de repente se abaixou para pegar alguma coisa no chão. Alguma coisa que caiu da sacola da mulher e ele voltou para buscar!!!

É, acho que ainda não nos livramos totalmente daquele medo da violência. O rapaz pegou o que estava no chão e voltou para o predio. A aparente luta provavelmente foi a dificuldade de pegar a sacola das mãos da mulher naquela ventania horrosora.

Em um curto período 4 caminhões dos bombeiros passaram aqui em frente e até agora ainda tem mais de 1000 famílias sem luz em Ontário.

Quando o vento e a chuva foram embora deu pra entender porque tantas árvores têm sacolinhas plásticas presas em seus galhos. E nós ficamos imaginando o que iríamos fazer se tivéssemos ido sem carro até o parque aqui ao lado.

Mari

Eu sempre reclamei do meu nome: Marilena. Como as minhas três irmãs têm nomes começados com M (Maria Luisa, Marta e Marcia) minha mãe argumenta que queria manter o M. Eu sempre retruco que existem centenas de nomes com M que me deixariam mais feliz do que o Marilena. Eu adoro, por exemplo, Marina e Mariana e até Maria Helena me deixaria mais contente.

Quando cheguei no Canadá fiquei imaginando como eles me chamariam e até gostei da idéia de ver meu nome pronunciado de forma diferente. Mas nunca imaginei que seria tão horrível: MÉRLINA!!!!

Todo mundo me chama assim. Chega a doer nos ouvidos. Então resolvi que vou levar mais a serio o preenchimento dos formulários em que perguntam como gostaria de ser chamada. A partir de agora será Mari. Pelo menos o Mari fica bom independente da pronúncia.

Swine flu

O assunto do momento nos telejornais hoje está sendo a gripe suína que começou no México mas está se espalhando. 4 casos já foram confirmados na Nova Scotia e mais 2 em British Columbia. Nos Estados Unidos já são 20 casos confirmados.

Ainda não há motivos para pânico, eles dizem, mas sempre dá aquela insegurança. O jeito é tentar se manter informado.

Achei interessante ver a ministra da saúde falando na TV. Diferente do que estou acostumada ela não falou em "nós" ou "o governo", ela usava sempre a primeira pessoa para dizer o que estava sendo feito: "Eu fiz", 'Eu falei".

Todos esperamos que alguma coisa esteja mesmo sendo feita e que se consiga impedir um estrago maior.

Mais informações
Pig flu - este site fala somente sobre a doença e esta sempre atualizando os dados.


Apr 25, 2009

Overdose de inglês


Definitivamente estou adorando o curso de inglês. É uma forma bem diferente de ministrar as aulas mas o professor é maravilhoso!!! Foram 2,5 horas de aulas todo dia e como cada um vem de um país não tem aquela históra de conversas paralelas no seu idioma de origem: é o tempo todo todo mundo falando inglês.

O professor além de muito experiente é também muito culto, conhece muitas coisas e enriquece demais as discussões. Sem contar que ele adora o Canadá e nos dá muitas dicas de como se introsar na cultura canadense; como conversar, coisas que eles gostam e não gostam que os imigrantes façam e, claro, dicas sobre como falar.

Quando eu perguntei a ele qual a melhor maneira de estudar o conteúdo das aulas em casa ele me disse pra eu ler muito (jornais, revistas, livros, internet), assistir muita TV, em especial entrevistas e noticiário, ouvir radio. Tentar ver a mesma notícia várias vezes em veículos diferentes e perceber que muitas palavras se repetem. Segundo ele esta é a melhor maneira de aumentar o vocabulário.

Nas aulas nós conversamos muito, mas também lemos jornal e textos. Ele diz que o vocabulário é muito importante mas que a entonação também é essencial para uma boa comunicação. Pra nós que com a mesma sequência de palavras fazemos interrogações e afirmações é fácil entender o que é isso, mas muitos colegas sofrem bastante com esta história.

Este professor (tão maravilhos!!!, rs) nasceu na India mas veio para o Canadá ainda muito pequeno. Ele conhece muito sobre a cultura indiana (é logico) mas também sobre toda aquela região chegando até o Japão. As aulas acabam sendo também de história daqueles povos, falando principalmente das origens daqueles idiomas que muitas vezes achamos tão diferentes entre si.

Talvez eu não consiga melhorar muito a minha fluência mas já estou ganhando muito com tudo o que tenho aprendido nestas aulas que passam voando e deixam sempre um gostinho de quero mais.

É bem verdade que eu saio da aula exausta e muitas vezes fico com uma sensação de frustração porque ouço, entendo o que ele diz e apesar de tudo parecer muito simples, eu não consigo falar. Mas eu tento pensar sempre em uma frase que ele disse certa vez:

"O outro lado de um problema é uma oportunidade".

Acho que esta frase cabe perfeitamente para todos os desafios que temos quando chegamos em um novo país, ou mesmo em uma nova cidade. Começar de novo é difícil mas pode nos enriquecer muito, basta olhar os problemas com outro olhos.

O Sergio também está bem satisfeito com o curso e parece que vai aproveitar bastante. Quem quiser ver a opinião dele basta clicar no nome, rs.

Apr 20, 2009

Primeira aula de inglês


Como não sou de ficar reclamando da vida vamos deixar o crédito pra baixo e falar de coisas boas.

Hoje foi minha primeira aula no curso de inglês e foi maravilhosa. Eu voltei pra casa encantada com o professor que o Sergio até me perguntou se ele era bonito, rs. Mas na verdade eu sou um pouco exagerada: quando gosto eu adoro, mas se não gosto...

Ele foi super simpático e já conhecia a maioria dos alunos, que pelo que percebi gostam muito dele. Foi praticamente uma aula de apresentação, ele falou muitas coisas legais sobre o Canadá e sobre a lingua inglesa. De certa forma esta aula mudou um pouco minha maneira de pensar o idioma inglês e acho que este curso vai ser muito produtivo.

Não posso negar que a classe também é muito boa. Somos em quase 20 alunos, sendo que apenas dois rapazes que ficaram apagados a aula inteira porque a mulherada tomou conta. Quando fiz a minha prova fui para o nível avançado e a pessoa que aplicou o teste sugeriu que eu fizesse listening e speaking. Só que quando fui fazer a matrícula não tinha mais o nível avançado no horário que eu queria. Eu teria que fazer o listening e speaking no nivel médio ou gramática no avançado. A moça então sugeriu que eu fizesse o nivel médio porque o professor era muito bom. E parece que é mesmo.

O Sergio não voltou tão encantado quanto eu, rs, mas gostou muito do professor dele. A classe dele é um pouco mais inchada, 31 alunos, mas acho que é por causa do horário (4:00 - 6:30). O meu horário é bem menos procurado (12:30 - 3:00).

Já dá pra imaginar a correria que não está nesta casa, né? O Edu sai pra ir para a escola as 8:30, chega as 11:40, eu saio as 12:15, volto as 3:00 e o Sergio sai as 4:00 e chega quase 7:00 da noite. Agora só falta uma vaguinha para a Helena no child care.

Sem crédito

Hoje eu entendi direitinho o que significa não ter crédito por aqui. Fomos alugar o Carpet Cleaner e não pudemos porque ainda não temos cartão de crédito nem carteira de motorista canadenses. Fiquei muito decepcionada por saber que terei que ficar mais algum tempo com este carpete sujo, mas também fiquei pensando em como as coisas aqui no Canadá podem ser estranhas.

Quem passa pelo processo de imigração tem sua vida inteira pesquisada em todos os detalhes. Só faltaram os testes genéticos e exames psicológicos para determinar se temos doenças hereditárias e/ou problemas psiquiátricos. O consulado do Canadá tem mais informações sobre a nossa vida do qualquer outro orgão brasileiro e então eles nos deram o "green card", nos aceitaram; as provas foram suficientes.

Entretanto quando chegamos em solo canadense o nosso dossier fica esquecido e temos que começar tudo de novo. Nosso crédito, nossos bons antecedentes, nossa idoneidade, nossa saúde, nosso esforço não valem mais nada e nos misturamos á multidão.

Não estou dizendo que eu queria um status diferente por aqui ou que eu quisesse algum tipo de privilégio mas antes de vir temos que ter em mente que o que fizemos aí no Brasil pelo nosso processo vai ficar por aí. Aqui nós somos estranhos e ninguém sabe ao certo como viemos parar aqui. Até agora eu não encontrei um único imigrante que tenha vindo como skilled worker. Já conheci pessoas com varios tipos de vistos e com regras totalmente diferentes das nossas.

A minha vizinha veio do Paquistão através do British Council, não sei detalhes de como foi isso mas segundo ela me informou, a sua família só pode trabalhar em Ontário. Uma amiga do curso de inglês veio da Colombia como refugiada mas ainda está com o processo em andamento. Eu conheci também muitas pessoas que estão naquele processo de reunião familiar.

O antigo morador deste apartamento recebe correspondências quase diárias do governo do Canadá. São vários envelopes de papel reciclado que chegam por aqui em nome dele e da esposa. Parece que governo canadense não foi avisado que ele ia partir. Varios bancos e cartões de crédito também não.
Se por um lado é decepcionante saber que vc não é ninguém por aqui, por outro lado não deve ser fácil separar o joio do trigo. E por mais que as pessoas simpatizem com a gente, fiquem chateadas por, não sei como, perceberem que poderiam confiar em nós, existem regras fechadas e todos temos que cumprí-las. O jeitinho brasileiro não funciona por aqui, pelo menos não nesta esfera pequena de alugar um equipamento na loja de departamentos.

Apr 18, 2009

O que faz vc feliz?


Hoje estamos completando um mês de Canadá!!!

Já faz um mês que deixamos São Paulo embaixo de um dilúvio, com um trânsito ainda mais caótico que o normal; deixamos pra trás toda uma vida que construímos com muita luta e determinação e deixamos a famosa zona de conforto.

Hoje eu entendo perfeitamente as caras de espanto, a surpresa geral, aquele gesto negativo com a cabeça... Entendo como é dificil aceitar que uma familia privilegiada como a minha em um país como o Brasil, de repente largue tudo pra começar do zero (e com temperaturas abaixo de zero em boa parte do ano).

Eu tenho certeza que há uns 10 anos atrás, quando eu e o Sergio ainda negociávamos se teríamos 2 ou 4 filhos, uma história como a nossa também me causaria espanto. Em uma sociedade capitalista o que nós fizemos realmente não é coisa de gente normal, não dá mesmo pra entender; não tem explicação que seja suficiente.

Ao contrário do que ocorria no Brasil, por aqui nós matamos pelo menos um leão por dia. Não houve um dia sequer de folga, quase não passeamos por enquanto. Só conseguimos ter algum lazer depois que o nosso leão do dia foi resolvido e quando olhamos nossa agenda vemos a longa fila que nos espera para os próximos dias. E tudo com três crianças a tira colo e pedindo colo, pedindo água, pedindo pra fazer xixi, pedindo pra fazer exatamente o que o outro está fazendo e não dá pra dois fazerem ao mesmo tempo...

O nosso poder de compra caiu muito porque além de não estarmos mais recebendo, aqui o nosso dinheiro vale a metade (sem contar o IOF!!!). Hoje eu faço continha de novo, economizo, compro menos ou não compro. A casa agora é por nossa conta e apesar das minhas
ajudantes colaborarem muito elas não fazem nada sozinhas e eu sempre tenho que finalizar o trabalho.



A comida é outro sacrifício porque além de ter que descobrir o que é o que e onde comprar, ainda tenho que aprender como preparar e depois ir testanto até ficar do jeito que a minha família gosta.

Às vezes cansa, às vezes desanima, às vezes parece que nada está dando certo ou que não estamos conseguindo sair do lugar. Às vezes a gente se desentende, tenta encontrar um culpado e logo em seguida morre de rir com tanta confusão que fazemos.

Eu olho pra trás e fico me lembrando do que nós tínhamos e de como fomos felizes no Brasil mas... não sinto saudades. Sinto saudades das pessoas mas não daquela vida.



Apesar dos atropelos, este mês foi muito gratificante e enriquecedor. Aprendemos muito, mudamos muitos conceitos, nos unimos ainda mais. As preocupações ainda existem mas em outra dimensão. Nós nos desarmamos, não temos mais medo das pessoas, sorrimos com mais facilidade e permitimos que as pessoas se aproximem mais; e elas se aproximam, elas nos ajudam, dão dicas, conhecem os nossos problemas muitas vezes por experiência própria e nos tranquilizam. Se não se aproximam também não nos repelem; não sentem medo de nós e não nos causam medo.



Não sei quanto tempo isso vai durar mas estamos sendo mimados, cuidados e muito bem tratados pela grande maioria das pessoas. E não são só brasileiros; são pessoas que nunca nos viram antes, pessoas que passam por nós na rua, pessoas que mal conseguem entender o que falamos por falarem um inglês ainda pior que o nosso.



As crianças estão sendo um caso à parte. Eles sempre adoraram conhecer pessoas, conversar com todo mundo, fazer novos amigos. Era raríssimo ir a algum lugar com eles e o Edu não sair conversando com alguém. De repente tudo mudou: eles não conheciam mais ninguém e ainda perderam a capacidade de comunicação. Eles não entendem o que as pessoas falam e ninguém entende o que eles dizem. Meu medo foi que esta nova situação acabasse com este jeito aberto que eles sempre tiveram e que eu tento cultivar ao máximo.

E mais uma vez eles me surpreenderam: vão ao parque e fazem amigos, vão à biblioteca e conhecem alguém; no supermercado mexem com todo mundo. Não falam, não entendem mas usam como ninguém os gestos e a linguagem do sorriso. Assim como nós estão mais abertos, mais tranquilos e até a Helena que é mais quietinha já está colocando as asinhas de fora.



Se interessam pela lingua, querem aprender, querem saber como se fala, querem entender o que os outros dizem. Assistem a TV com atenção e não reclamam por não entenderem nem se desinteressam. Têm se comportado super bem (com algumas exceções, é claro!!!) e colaborado muito. Se esforçam quando a comida fica ruim e encaram tudo como um divertimento.


Várias pessoas têm me perguntado se está valendo a pena e minha resposta é sempre sim. Está valendo muito a pena pra mim. Está sendo muito parecido com o que eu esperava e a perda de certos privilégios que eu tinha no Brasil não estão me incomodando; tenho vivido muito bem sem eles.


Mas o que é bom para mim pode não ser bom para você. E pior, pode ser insuportável ter que começar de novo do zero; pode ser inaceitável ter que voltar a ser estagiário depois de ter sido presidente; pode ser muito sofrido ter que fazer faxina e comida todo dia pra quem tinha uma fada como eu tinha. E para a maioria dos skilled workers tudo isso pode acontecer por aqui. Não devemos imaginar que teremos aqui no Canadá o status que tínhamos no Brasil e pode ser muito difícil conviver com isso.


Então, antes de qualquer coisa pensem bem o que vcs estão procurando aqui no Canadá e prestem muita atenção ao que o Canadá está te oferecendo. Podem ser coisas completamente diferentes e a decepção vai ser grande.


E a todo momento pense no que você precisa para ser feliz, o que não pode faltar na sua vida para vc se sentir realizado. Se você descobrir que no Canadá vc vai encontrar estas coisas eu tenho certeza que o Canadá vai valer a pena pra vc também.



Apr 15, 2009

Que falar com a família todo dia???


Seguindo a super dica da Camila, nós fizemos o Skype In aqui no Canadá. Nem vou explicar muito porque o post da Camila está perfeito e seguindo o passo a passo dela não tem erro.

Depois de fazer os pagamentos do pacote e do número Skype In (com DDD de São Paulo, que é onde a maioria dos meus contatos mora), precisei apenas configurar o meu Skype para transferir minhas chamadas para o meu telefone fixo. Agora mantenho meu skype offline e todas as chamadas são tranferidas para meu número aqui do Canadá.

PS: Tudo bem que a semana passada tivemos alguns problemas e minha linha constava como não existente. Entao entramos em contato com a Transit Telecom e mandamos um e-mail para o Skype com todas nossas informações e o serviço foi normalizado novamente.


Apr 14, 2009

Aulas de inglês

A semana passada nós fomos até um centro de ajuda aos imigrantes à procura de um curso de inglês. Chegamos às 7 da noite só pra obter informações e pra minha surpresa eles já quiseram fazer um teste do nosso inglês.

Como estávamos com as crianças eu fui e o Sergio ficou com eles. Eu pensei que seria algo bem rápido e que em seguida o Sergio poderia fazer o teste dele, mas o negócio demorou mais de 1 hora e meia. Primeiro ela me entrevistou, pediu pra eu falar um pouco de mim. Em seguida eu fiz uma listening, depois respondi algumas questões dissertativas e escrevi um pequeno texto falando sobre viver em cidade ou no interior. Quando terminei ela me trouxe um caderninho com três textos e mais uns 20 testes de múltipla escolha.

No final ela me deu a nota e me aconselhou a fazer aulas de conversação. Tenho que fazer a inscrição amanhã e as aulas começam dia 20. O Sergio não pode fazer a prova porque ficou muito tarde. Nós ligamos lá no dia seguinte e só conseguimos agendar a prova dele para hoje, dia 14. Ele fez o teste hoje e também fará a inscrição amanhã.

O curso tem duração de 2 meses e meio, com 2,5 horas de aula todos os dias. É gratuito, e pagaremos apenas uma taxa de CAD30.00 para o material. E o melhor: eles têm child care!!! Na verdade eles só aceitam criança com mais de 3 anos, então a Luísa não poderá ficar lá. Mas será ótimo pra Helena que ainda não pode ir para a escola. O Sergio terá então, que fazer em outro horário pra poder ficar com a Luísa enquanto estou no curso. Eles cobram uma taxa de aproximadamente CAD50.00 a cada duas semanas mas tenho certeza que valerá muito a pena para a Helena que já está aprendendo algumas palavras em inglês mesmo sem ir para a escola.


Nós vamos tentar no período da manhã para mim e para a Helena (das 9 as 11:30). Este horário é muito concorrido mas seria ótimo porque coincidiria com o horário do Edu na escola. E o Sérgio pretende pegar o horário do final da tarde (das 4 as 6:30 PM). Amanhã bem cedinho pretendemos chegar lá para conseguir este horário da manhã!!!

Ainda falando de inglês: hoje a Helena começou contar em inglês e não é que ela já sabe contar até 10!!!!???? É claro que ela ainda comete uns errinhos mas sabe a sequência inteirinha. E o Edu já está começando a se desenvolver também: estávamos lendo um livrinho que ele trouxe da escola (toda semana ele traz um para lermos em casa) e ele reconheceu várias palavras que eu ia lendo.

Não sei ainda muito bem como fazer com a leitura dos livros. Eu trouxe do Brasil vários livrinhos de história para eles e sempre leio em português mesmo. Estes livros da escola eu leio em inglês e vou traduzindo mas sempre reforçando as palavras em inglês, principalmente os substantivos. Mas não sei se é a melhor forma.

Agora o máximo é a Luísa. Estes dias eu agradeci alguma coisa que ela fez e disse "thank you Luísa" e ela repetiu "tenqui". Agora sempre que alguém fala thank you ela repete "tenqui". E quando a gente fala " by by" ela repete direitinho e dá tchau.

Nós temos uma amiga que certa vez nos disse que pra ela falar inglês ou português é a mesma coisa (ela foi muito jovem para os EUA e viveu muito anos lá). O nosso sonho é que as crianças possam dizer isso um dia. Esperamos que eles aprendam o inglês como se fossem nativos e não percam o português. Estamos nos esforçando para realizar mais este sonho (bem mais fácil por sinal).

Updating: fui hj, dia 15 bem cedinho e era a segunda da fila. Infelizmente não haviam mais vagas para o período da manhã e também não tinha vaga para o child care. Mas como pra tudo dá-se um jeito, vou fazer minhas aulas no horário das 12:30 à 3 PM. Vai ser meio corrido porque o Edu sai as 11:30 da escola mas vai dar. Também não tinha o meu nível então vou fazer um nivel mais baixo, mas pra quem não tem nada já vai ajudar. A Helena entrou na lista de espera, tinham 3 crianças na minha frente então não estou contando muito com isso. Vamos procurar outras alternativas pra ela.

Mas o tempo não foi perdido: conheci um imigrante que está aqui há três anos e morou muito tempo no mesmo condominio que eu. Hoje ele mora aqui perto mas em uma casa e ele me falou um pouco do bairro, da escola pública e da escola católica onde os filhos dele estudam. Acho que as melhores pessoas para nos falar sobre estas coisas são exatamente estas pessoas que encontramos por acaso e que não têm nenhum interesse em falar mal ou bem do local. Valeu pelo horário que cheguei lá.

Apr 11, 2009

Casa com cara de lar

Enfim conseguimos dar uma leve organizada nas coisas por aqui. Ainda temos algumas malas cheias mas para resolver este problema preciso comprar estante para a sala e ármários para o quarto das crianças e para o nosso.

Aos poucos vamos percebendo coisinhas que fazem falta e encontrando soluções para elas. Já nos livramos dos móveis pesados e escuros que o antigo morador deixou por aqui e acho que fiquei tão mal impressionada que comprei tudo branco e agora estou sentindo falta de cor, rs.

A faxina foi difícil; a casa estava realmente cheia de poeira, gordura e limo mas os produtos de limpeza me pareceram realmente bons. Só o limo do meu banheiro que está persistindo. Já passei 3 produtos diferentes mas ainda tem um rosadinho entre alguns azulejos. Pois é, o limo aqui fica rosado!!!

A sujeira da banheira saiu sem eu precisar chegar perto. Eu não encontrei alguns produtos que me indicaram e então comprei um tal de
Mr Clean multi-surfaces e conforme eu ia aplicando na banheira um caldo escuro ia saindo e ficou tudo branquinho. Eu só fico imaginando o que o Mr Clean tem em sua composição.

Aquele forno imundo eu estou limpando em etapas; cada dia limpo um pouquinho e coloco mais desengordurante e deixo mais um tempo de molho. Se não me engano se chama Easy-off, mas usei inteiro para limpar as peças do fogão e deixar o forno "de molho" e joguei a embalagem fora.

O carpete foi outro caso à parte; era inacreditável como saia poeira e sujeira dele. Eu passava o aspirador de pó em um cômodo e já tinha que limpar o cestinho. Os filtros foram lavados duas vezes devido à quantidade de poeira que tinha no carpete. Estou aceitando indicações de limpa carpete porque não encontrei no supermercado. Tenho limpado com água e detergente mas não está ficando nenhuma maravilha; tem sujeira velha que não quer sair de jeito nenhum.

Mas não estou reclamando não. O apartamento é bem espaçoso e como é o último do andar é cheio de janelas e muita claridade. Ele fica na rua de trás da biblioteca central mas em uma posição que eu vejo a biblioteca de quase todos os cômodos da casa; e a Prefeitura também!!!

Algumas coisas são um tanto estranhas. Os quartos e a sala não têm lâmpadas no teto, então tivemos que comprar luminárias. É interessante porque nos corredores e sala de jantar tem. No quarto eu até posso tentar entender mas na sala de estar...

Deixamos o quarto maior para as crianças e eles estão na maior felicidade porque têm um banheiro só para eles dentro do quarto. E o quarto é realmente grande, então coube as três caminhas e ainda vai dar pra colocar um armário grande se eu quiser; alem dos brinquedos.

Eu não sei explicar o porquê mas limpar a casa aqui me parece mais fácil, mais simples e mais rápido. As coisas são feitas para facilitar a sua vida e diminuir o seu trabalho. Então o escorredor de louças tem uma bandeja embaixo que faz com que a água escorra para dentro da pia. Parece bobagem mas a pia fica sequinha o tempo todo mesmo depois de lavar a louça.

A escovinha de lavar mamadeira tem uma buchinha acoplada na ponta. Eu nunca vi nenhuma assim no Brasil. Além de não riscar, limpa super bem o fundo da mamadeira. O saco de lixo tem a boca em forma de semi circulo; quando eu vi fiquei procurando um motivo e quando fui colocar o lixo descobri na hora. Fica muito mais fácil amarrar o saquinho porque já se formam duas pontas.

Mesmo o aspirador de pó me parece mais prático. Eu comprei um igual ao que tinha no hotel e gosto muito. À primeira vista ele parece um
trambolhão enorme mas o acho super prático e tem funcionado bem.


Ir ao supermercado aqui tem levado horas porque as opções são muitas e eu fico lendo rótulo por rótulo. Agora que mais ou menos passou a fase de limpeza pesadíssima, pretendo encontrar os produtos mais fraquinhos para manutenção e para o dia a dia voltar ao meu vinagrinho que funcionava super bem no Brasil (apesar das reclamações da Telma que gostava de usar "produto").



E já estou encontrando os Paraisos das Compras: aguardem notícias...


Apr 10, 2009

A escolha da escola

Apesar das escolas no Canadá serem gratuitas e a criança ter que estudar perto de casa, a escolha da escola não necessariamente é uma tarefa fácil porque aqui existem dois tipos de escola: as chamadas públicas e as católicas.

As duas estão diretamente vinculadas ao Ministério da Educação mas são separadas e cada uma tem suas regras para incrição. Para as escolas católicas a criança tem que ser cristã, ou seja batizada. Uma coisa que eu só descobri quando cheguei aqui foi que a família não precisa necessariamente ser católica e crianças de outras religiões também são aceitas, basta que tenham o comprovante de batismo.

Minha família é católica, eu frequentei a igreja por muitos anos, fiz primeira comunhão, crisma, participei de grupos de jovens, enfim, fui uma católica bem praticante mas hoje não frequento mais e pra ser bem sincera não pretendo voltar a frequentar, pelo menos não por enquanto. De qualquer forma meus filhos poderiam, em tese, estudar em uma escola católica porque são batizados e eu trouxe o comprovante comigo.

Então chegou o momento do Eduardo ir para a escola e eu tinha que optar. Optamos pela escola pública. Nós achamos que seria melhor porque ele teria contato com todo tipo de cultura, com muitos não cristãos e que seria muito enriquecedor. Além disso eu achei que estudar em uma escola ligada a religião poderia gerar conflitos entre a escola e a educação que nós damos a eles.

Nos primeiros dias eu fiquei um pouco insegura porque praticamente todos os alunos são muçulmanos ou indianos. Eu fiquei com medo que ele sofresse algum tipo de preconceito e não conseguisse se integrar. Em uma conversa com a diretora da escola eu falei do meu medo e ela me disse algo que talvez eu precisasse ouvir:

"Deixe o seu filho decidir se é bom ou não pra ele. Observe o seu filho, converse com ele, pergunte, participe das coisas dele e veja o que ele quer."

Outra coisa interessante que ela me disse:

"Nós queremos proteger nossos filhos de tudo e acabamos não dando a eles a chance de escolher o que é melhor pra eles. Deixe os problemas aparecerem para vcs resolverem juntos e se o seu filho não estiver feliz aqui, então eu te aconselho a mudá-lo de escola".

Ela é uma chinesa que chegou ao Canadá há uns 10 anos atrás com uma filhinha pequena. Em um momento da nossa conversa (na verdade era uma palestra para imigrantes com filhos na escola) ela contou alguns problemas que a filha dela teve na escola e como ela tentou resolve-los.

Saí de lá muito mais tranquila com a escolha que eu fiz. O Eduardo ainda está super animado e feliz com a escola, com o onibus, com os amiguinhos que tem feito mesmo sem conseguirem conversar. Ele entende todos os recados da professora e parece gostar muito dela. E o Sergio sempre pergunta:

_ Como a tia fala seu nome?

_ Eduarrrrdou. Ele responde imitando o sotaque dela e rindo.

PS: A semana passada ele trouxe lição de casa; recortar palavras com J. A desta semana foi com Z. A sorte é que eu tinha uma revista da IKEA aqui em casa e encontramos varias palavras (size, organize, organization). Nem dá pra imaginar que é uma revista de moveis e decoração, rs.



PS: Marilia, até onde eu sei aqui em Mississauga as escolas católicas são gratuitas (como a Mirela já disse).
Quanto a ele escolher, talvez não tenha ficado bem claro, mas eu me referia a continuar ou não nesta escola. Até o momento o Eduardo teve pouco contato com religião. Nós falamos em deus, em caridade, boas ações, bons sentimentos, mas não entramos na questão religiosa. Quando ele se interessar pelo assunto, muito provavelmente o cristianismo será apresentado a ele, afinal de contas mesmo não tendo nenhuma religião a nossa educação foi cristã e nossos pensamentos se aproximam muito disso. Mas ele também terá a chance de escolher se quer ter uma.

Apr 6, 2009

Caminho das Indias


Eu sei que todo mundo acompanha a novela da globo. Eu não acompanhava no Brasil, mas quem diria, estou aprendendo muito sobre a India aqui em Mississauga. E não só sobre a India, sobre os muçulmanos também!!!

Estamos, ao que parece, bem no centro da cidade e também bem no meio das colonias de indianos e muçulmanos. No meu prédio eles são maioria assim como na escola do Edu. Tem sido uma experiência interessante e eu não me canso de olhá-los. Em especial as mulheres: as indianas com suas roupas super coloridas e muitas tão bonitas quanto a Juliana Paes. Já as muçulmanas com seus lenços coloridos cobrindo a cabeça e também muitas mulheres lindas.

Eventualmente encontramos com mulheres usando a burca. Até aconteceu uma história engraçada relacionada a isso. No primeiro dia de aula do Edu eu fui buscá-lo a pé e quando estávamos voltando eu percebi que o Edu olhava pra trás o tempo todo e super desconfiado. Quando olhei pra ver o que era percebi que bem perto de nós estava uma mulher de burca e não dava pra ver nem seus olhos.

Então perguntei pro Edu o que estava acontecendo e ele diz:

_ Mamãe, vc não disse que aqui no Canadá não tem bandido!!!???

Eu quase rolei de tanto rir. A sorte é que a moça com certeza não entendia a nossa lingua. Neste momento ela nos ultrapassou e ele segurou minha mão com força meio amedrontado. Então eu expliquei pra ele que aquela moça não era um bandido, que na religião dela as mulheres usavam aquela vestimenta mas que na casa dela ela podia tirar e que ele não precisava ter medo dela. Foi uma boa hora pra falar um pouco de diferenças culturais e foi ótimo.

Não sei se vamos ficar definitivamente em Mississauga, não sei se vamos continuar por muito tempo neste bairro ou nesta escola, mas esta sendo muito enriquecedor ficar tão próximo de culturas tão diferentes da nossa, tentar entendê-lo e como disse o
Fernando, aprender a respeitá-los. E principalmente, perceber o quanto somos parecidos.

Falando inglês

Eu fico impressionada com a minha cara de pau quando tenho que perguntar alguma coisa para alguém. Não sei o que aconteceu mas eu simplesmente perdi o medo, a vergonha, e quando não sei a palavra em inglês já aviso que não sei o nome mas vou explicar o que eu quero.

Foi assim com o humidificador. Cheguei na Walmart e disse para o funcionário que eu queria um aparelho mas não sabia o nome e expliquei: ele solta vapor d'água no ambiente para aumentar a umidade. Foi até engraçado quando ele disse: humidifier (que obvio!!!).

E quando não entendo o que me perguntaram não tenho vergonha de pedir que repitam e quantas vezes forem necessárias. O legal é que todo mundo tem sido super paciente e ninguém me deixou, até agora, sem resposta.

Mas o que está sendo legal mesmo é ver as crianças. A Helena passa o dia falando um inglês que ela inventou. Ela pega o celularzinho dela e fica na frente do espelho fazendo caras e bocas e misturando o português com palavras inventadas. O interessante é que apesar de não terem significado, estas palavras são cheias de rrrrr igualzinho na pronuncia do idioma inglês.

O Edu, que já sabe contar até 10 também fala um pouco mas tentando repetir o que os personagens dos desenhos falam. E sempre fica pedindo pra eu traduzir as coisas para o inglês.

Logo que chegamos, quando estávamos abrindo a conta no banco e conversando com o funcionário, os dois ficaram sentadinhos atrás de nós falando baixinho. Quando eu prestei atenção o Edu falava palavras inventadas e dizia: " isto quer dizer 'tal coisa'". E a Helena treinando e tentando repetir a palavra que ele havia inventado.

Então eu tive que explicar que ele não podia inventar palavras porque a Helena ia aprender coisas que não existiam. Mas foi muito engraçado ele ensinando a Helena e ela tentando memorizar.

O que me anima muito é o interesse dos dois. Eles ouvem as pessoas na rua, prestam atenção e quando eu vejo estão tentando falar igual. Mesmo sem conhecer as palavras, os dois já perceberam a sonoridade da lingua e vão tirar tudo de letra.

Agora aprenderam a me chamar de mamy. Só me chamam assim o tempo todo e com sotaque canadense; igualzinho eles ouvem as outras crianças falando.

Ainda falando no idioma: a assistente da diretora da escola vai me levar pra conhecer um centro de apoio ao imigrante aqui perto de casa. Segundo me informaram eles têm childcare e nós poderemos fazer os cursos que eles oferecem com mais tranquilidade.

Hoje passamos a tarde fazendo lição com o Eduardo. Foi legal porque ele ficou procurando palavras com a letra J no jornal e em revistas. Apesar dele já estar careca de fazer isso pois no Brasil ele já estava na primeira série, foi bom porque agora é tudo em inglês.

Eu estou bem contente com o fato dele estar no kindergarten ainda. Eu sempre ficava aflita na antiga escola achando que ele era muito novinho para já estar na primeira séria. Ainda que ele acompanhasse, ele sempre era o mais novinho, o menorzinho e tinha que fazer um esforço um pouco maior para acompanhar a maioria dos amiguinhos. Muitas vezes ele ficava meio frustrado porque alguns amigos já sabiam ler e ele ainda não. Agora ele vai entrar na escola na idade certinha e eu acho que vai acompanhar com mais tranquilidade.

A Helena vai entrar um pouquinho mais tarde; com 6 anos e meio, mas isso também não me preocupa. Não tenho pressa e acho que vai ser bom pra ela. E a Luísa vai entrar com exatamente 6 aninhos.

Até lá espero que as duas já estejam bem adaptadas ao inglês.

Apr 5, 2009

Eduardo na escola


Dia primeiro de abril foi a inscrição das crianças para o grade 1 e lá se foi o Sergio para inscrever o Eduardo e ter informações sobre o kindergarten. Mas bastou dizer que o Edu nasceu em 2003 para ser mandado direto para a administração da escola porque o Edu já podia começar as aulas no dia seguinte no senior kindergarten.

E lá fomos nós levá-lo com seu lanchinho para o primeiro dia de aula. Fomos direto à administração onde uma senhora nos acompanhou até a sala dele e nos apresentou à professora. Os 5 entraram na sala e foram olhar cada cantinho acompanhados da professora. Ela foi super solícita com a gente, nos mostrou tudo e explicou mais ou menos como funcionavam as coisas. Me pediu pra providenciar uma mochilinha pra ele levar nas costas e avisou que o lanche tem que ser bem simples. Só é permitido que se leve água, não pode levar suco, refrigerante, leite ou outro líquido. Pode levar bolachinha ou pãozinho mas sem chocolate ou
nuts devido aos riscos de alergia. Também é proibido levar balas e doces em geral. E também é permitido levar frutas, claro.

Eu achei ótimo porque não costumo mandar porcarias no lanche e se ninguém levar também as crianças não ficam passando vontade e fica mais fácil acostumá-los a uma alimentação saudável.

Depois de 2 minutinhos na sala, chegou o momento de ir embora e eu comecei ficar aflita pensando em como o Edu ia reagir, mas não me surpreendi quando ele me deu tchau tranquilamente e acompanhou a professora mesmo sem entender uma palavra do que ela dizia.

Saímos da sala e só então eu consegui prestar atenção na escola. É um prédio muito simples mas bem arrumadinho, tudo é muito colorido, cheio de figuras e desenhos que os alunos fizeram. Tem uma espécie de mural onde estão retratados vários países, entre eles o Brasil, com uma foto de uma bahiana vendendo acarajé.

De repente, no alto falante, algumas crianças anunciaram que iria ser tocado o Hino do Canadá e todas as crianças nas salas de aula começaram a se levantar e cantaram o hino em pé. O Edu ficou sentado mas não o recrimino porque ele não devia estar entendendo nada.

Ele entra na escola as 8:55 da manhã e sai as 11:35. Estamos muito perto da escola mas temos que atravessar um terreno particular para chegar até lá (um verdadeiro barreiro esburacado). Para fazer um caminho correto o trajeto se torna longo demais e então o Edu acabou tendo direito ao transporte escolar. Não preciso dizer que ele ficou felicíssimo pois o ônibus escolar é aquele amarelinho dos filmes americanos.

Fomos buscá-lo as 11:30 e a professora nos disse que ele foi super bem, ele veio nos encontrar na maior felicidade. Estava todo animado apesar de não ter entendido nada do que a professora ou os coleguinhas disseram. Me contou que andou de bicicleta com um amiguinho e à noite não conseguia dormir pensando em pegar o ônibus escolar na manhã seguinte.

É claro que no dia seguinte amanheceu chovendo e o ônibus para do outro lado da rua. E a chegada do ônibus é de parar o trânsito literalmente. Nas laterais de todos os ônibus escolares tem uma plaquinha escrito: PARE. Quando alguma criança vai entrar ou sair do ônibus o motorista abre estas plaquinhas e todo mundo tem que parar; e todo mundo para mesmo. Todos os carros ficam parados exatamente onde estão até que o ônibus escolar feche a porta e saia. Nestes momentos vc pode atravessar a rua tranquilamente porque fica todo mundo parado esperando. Segundo informações não oficiais, a multa para quem não para é de CAD1000.00.

Só no meu prédio são 30 crianças atravessando a rua, algumas com suas mães. Já dá pra imaginar a correria na rua, né? E imagine em um dia de chuva, com todo mundo tentando salvar a chapinha, rs. Eu fui a única que ficou na chuva até o ônibus sair. Não deu pra ver onde o Edu se sentou mas eu sabia que ele estava na maior alegria. Na volta foi a mesma confusão porque a chuva não deu tregua. E os moveis da ikea chegaram exatamente no momento em que o ônibus chegaria, então eu fui sozinha com a Helena e a Luisa para receber o Edu. Desta vez o ônibus parou do nosso lado da calçada mas estava frio e chovendo muito e eu tive que deixar as meninas sozinhas na portaria. Uma mãe se ofereceu pra pegar o Edu pra mim, mas acabou não dando certo porque o Edu não a conhecia e não vinha pra frente do ônibus, então o motorista não o deixava sair.

Estas situações são meio Punk, como diz meu oftalmo, mas temos que pensar rápido e tomar uma decisão. O que eu não podia era deixar que o Edu fosse levado de volta pra escola, então eu deixei as meninas na portaria sozinhas (Helena cuidando da Luisa) e fui pegar o Edu. Tudo bem que é tudo fechadinho, mas ainda assim, dá medo. Fiquei com um olho no ônibus e outro na portaria até ver aquela mãe super solícita ali, parada, cuidando das meninas pra mim. Então relaxei e pude esperar o Edu com mais tranquilidade,

Ele saiu todo alegre do ônibus, contando mil novidades e apesar de não entender uma palavra do que a professora falou ele conseguiu entender que eu deveria comprar um guarda chuva pra ele e que uma menina da classe dele mora em frente ao nosso apartamento. Ele está todo animado e não vê a hora de ir pra escola falar pra ela vir brincar aqui em casa qualquer dia.


Logo logo vou estar fazendo um post igual ao da Mirela falando das minhas amigas do ônibus.

Apr 3, 2009

3 dias na IKEA

Infelizmente não pude ver as dicas antes; só conseguimos internet ontem e ainda estamos comprando móveis pra casa. Mas sempre dá tempo porque a casa estava realmente suja. Eu tenho passado aspirador de pó todos os dias mas ainda nao consegui acabar com o pó acumulado. Vou experimentar os produtos indicados para a banheira porque uma delas está nojenta e ainda nao estamos usando.


Mas, apesar da sujeira, o apartamento é bem legal. A sala é bem clara e espaçosa, a cozinha tem muitos armários pra esconder as bagunças e um dos quartos é bem grande e vai caber com conforto as caminhas das crianças e os brinquedos.


Hoje os nossos móveis chegarão e então a casa ficará com uma carinha melhor. Compramos tudo no Ikea e foi uma aventura de varios dias. No primeiro dia eu detestei tudo o que vi e saímos de lá horas depois sem nenhuma agulha.


No dia seguinte fomos a outras lojas e eu cheguei à conclusão de que neste momento o nosso bolso só comportava os móveis da Ikea mesmo. Entao no final da tarde voltamos e comecei ver as coisas com outros olhos e enxerguei alguma beleza naquilo tudo. Mas demoramos muito e quando vimos a loja ia fechar e não conseguimos comprar nada, mas pelo menos fizemos a listinha.


Ontem chegamos lá na hora do almoço, comemos na propria loja que tem uma lanchonete legal, com uma comida gostosa e barata. Antes da 1 da tarde começamos a olhar produto por produto e verificar as etiquetas (depois explico pra quem não conhece) e só no final da tarde chegamos ao caixa exaustos mas com tudo comprado.


A loja é igualzinha a Tok & Stok, só não sei se na hora de pegar a mecadoria e pagar é igual. Eu nunca comprei nada nesta loja porque sempre achei caro. Vc entra na Ikea e tem um percurso a seguir. É claro que vc pode cortar caminho, mas mais ou menos tem um percurso com setas no chão e vc vai passando pelos setores: sala, cozinha, banheiro, e por ai vai...


Ficam todos os produtos expostos, alguns ambientes decorados com todos os acessorios, tudo vc pode encontrar na propria loja pra comprar. Tudo tem etiquetas com descrição do produto e preços. Nestas etiquetas tem também dois numeros: aisle (corredor) e bin (meu dicionário diz que é container, mas no caso da loja é a posição onde ficam as coisas). Se vc quer comprar este produto vc deve anotar o nome e o código. Se vc quiser em outra cor por exemplo, eu aconselho a perguntar para um vendedor e ele te passará o codigo da nova cor. Os produtos com estes códigos são os que vc deve pegar no estoque e levar pra casa. E quando eu digo vc, é VC mesmo!!! Então vc pega o que quer seguindo o código e leva ao caixa.


Alguns produtos não tem estes códigos, são produtos que vc pode mandar entregar. Para estes produtos vc procura um vendendor e ele faz uma especie de nota que vc leva ao caixa, paga e leva para o departamento de entrega. Claro que vc pode pedir pra entregarem tudo, mas tem que pagar e depois ir com o carrinho para o departamento de entrega. Os produtos para entrega também podem ser retirados por vc mas de novo, vc pega a nota com o vendedor, paga e depois vai no departamento de pick up retirar. Nós pagamos CAD65.00 para entregarem 25 produtos independente do tamanho. O valor da entrega já será pago juntamente com os seus produtos.

Se vc efetuar a compra até as 2 da tarde eles entregam no mesmo dia e a partir das duas, eles entregam no dia seguinte.

Se eu fosse começar de novo eu faria o seguinte: iria na loja sem compromisso, escolheria tudo o que achasse legal e anotaria tudo. Tem papel, lápis e reguinha espalhados pela loja toda e fica super facil anotar tudo. O que tivesse certeza já pegaria no estoque e pagaria, e o que ficou na duvida, voltaria outro dia e olharia novamente mas com tudo anotado. Em cada setor já pegaria os codigos certinho e o que for pra entrega já pegaria a "nota" com o vendedor.


E prepare-se, porque nenhuma organização garante que vc vai encontrar o que quer no estoque, mesmo que o vendedor verifique pra vc porque alguem pode estar no caminho pegando exatamente o que vc queria e te deixar sem. Algumas coisas eu encontrei meio escondidinho e peguei o ultimo; e teve uma cômoda que estava com o preço muito bom e eu não encontrei nenhuma. E eu queria 4.


Se vc não encontrar o que queria no estoque eles podem ver quando vai chegar mais e vc já pode ir direto lá pegar. E se precisar tirar alguma duvida (algumas coisas têm o preço total no mostruario mas quando vc pega no estoque vem com tudo separado) os funcionários ajudam muito e até pegam as coisas pra vc.

Depois de tudo entregue vem a montagem. Eles montam mas eu não sei quanto eles cobram. Aquela história de montagem incluída na compra não tem. Vem tudo desmontado de verdade.

Se vc pretende montar tudo não se esqueça de um kit básico de ferramentas com pelo menos um martelo, uma chave de fenda, uma chave philips e chave de boca (estas foram as que precisamos até agora). Para as cadeiras foi necessária aquela chavinha que parece um L (não sei o nome) mas veio uma com cada cadeira, ou seja, agora eu tenho 6 iguais, rs.

Enfim, estamos cheios de tarefas e diversão por um bom tempo e as crianças estão adorando a bagunça. Assim que estiver tudo mais ou menos em ordem eu coloco algumas fotos da casa. Fotos desta bagunça eu tenho até vergonha de mostrar!!!

PS: todas estas informações são relacionadas à nossa experiência na IKEA de Etobicoke, Toronto, mas imagino que funcione do mesmo jeito nas outras.

PS2: tenho muitas novidades, muita coisa acontecendo e logo logo vou comentar sobre o paraiso das compras que encontramos hj aqui em Mississauga.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!