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A escolha da escola

Apesar das escolas no Canadá serem gratuitas e a criança ter que estudar perto de casa, a escolha da escola não necessariamente é uma tarefa fácil porque aqui existem dois tipos de escola: as chamadas públicas e as católicas.

As duas estão diretamente vinculadas ao Ministério da Educação mas são separadas e cada uma tem suas regras para incrição. Para as escolas católicas a criança tem que ser cristã, ou seja batizada. Uma coisa que eu só descobri quando cheguei aqui foi que a família não precisa necessariamente ser católica e crianças de outras religiões também são aceitas, basta que tenham o comprovante de batismo.

Minha família é católica, eu frequentei a igreja por muitos anos, fiz primeira comunhão, crisma, participei de grupos de jovens, enfim, fui uma católica bem praticante mas hoje não frequento mais e pra ser bem sincera não pretendo voltar a frequentar, pelo menos não por enquanto. De qualquer forma meus filhos poderiam, em tese, estudar em uma escola católica porque são batizados e eu trouxe o comprovante comigo.

Então chegou o momento do Eduardo ir para a escola e eu tinha que optar. Optamos pela escola pública. Nós achamos que seria melhor porque ele teria contato com todo tipo de cultura, com muitos não cristãos e que seria muito enriquecedor. Além disso eu achei que estudar em uma escola ligada a religião poderia gerar conflitos entre a escola e a educação que nós damos a eles.

Nos primeiros dias eu fiquei um pouco insegura porque praticamente todos os alunos são muçulmanos ou indianos. Eu fiquei com medo que ele sofresse algum tipo de preconceito e não conseguisse se integrar. Em uma conversa com a diretora da escola eu falei do meu medo e ela me disse algo que talvez eu precisasse ouvir:

"Deixe o seu filho decidir se é bom ou não pra ele. Observe o seu filho, converse com ele, pergunte, participe das coisas dele e veja o que ele quer."

Outra coisa interessante que ela me disse:

"Nós queremos proteger nossos filhos de tudo e acabamos não dando a eles a chance de escolher o que é melhor pra eles. Deixe os problemas aparecerem para vcs resolverem juntos e se o seu filho não estiver feliz aqui, então eu te aconselho a mudá-lo de escola".

Ela é uma chinesa que chegou ao Canadá há uns 10 anos atrás com uma filhinha pequena. Em um momento da nossa conversa (na verdade era uma palestra para imigrantes com filhos na escola) ela contou alguns problemas que a filha dela teve na escola e como ela tentou resolve-los.

Saí de lá muito mais tranquila com a escolha que eu fiz. O Eduardo ainda está super animado e feliz com a escola, com o onibus, com os amiguinhos que tem feito mesmo sem conseguirem conversar. Ele entende todos os recados da professora e parece gostar muito dela. E o Sergio sempre pergunta:

_ Como a tia fala seu nome?

_ Eduarrrrdou. Ele responde imitando o sotaque dela e rindo.

PS: A semana passada ele trouxe lição de casa; recortar palavras com J. A desta semana foi com Z. A sorte é que eu tinha uma revista da IKEA aqui em casa e encontramos varias palavras (size, organize, organization). Nem dá pra imaginar que é uma revista de moveis e decoração, rs.



PS: Marilia, até onde eu sei aqui em Mississauga as escolas católicas são gratuitas (como a Mirela já disse).
Quanto a ele escolher, talvez não tenha ficado bem claro, mas eu me referia a continuar ou não nesta escola. Até o momento o Eduardo teve pouco contato com religião. Nós falamos em deus, em caridade, boas ações, bons sentimentos, mas não entramos na questão religiosa. Quando ele se interessar pelo assunto, muito provavelmente o cristianismo será apresentado a ele, afinal de contas mesmo não tendo nenhuma religião a nossa educação foi cristã e nossos pensamentos se aproximam muito disso. Mas ele também terá a chance de escolher se quer ter uma.