May 31, 2009

Você é brasileiro?


Uma das dúvidas que sempre tenho aqui é se devo ou não conversar com os brasileiros que encontro pelo meu caminho. É dificil sair de casa e não topar com alguém falando português mas geralmente acabo não indo puxar conversa, até porque até hoje ninguém veio conversar comigo também, então ficamos empatados.

Ontem encontramos um casal com um filho no Wal Mart do Shopping Square One. Apesar de termos nos visto e percebido que todos eramos brasileiros ninguém conversou com ninguém. As vezes eu fico meio chateada comigo mesma porque fico curiosa pra saber quem são as pessoas, o que as trouxe até aqui e de repente pode até ser alguém que já me conhece virtualmente.

Por outro lado eu sei que muita gente não gosta deste "assédio" de outros brasileiros. Se sentem invadidos porque o fato de sermos do mesmo país não é motivo para sermos amigos. Eu concordo que não é mesmo. Para ser meu amigo não basta ser brasileiro mas eu já percebi que pessoas de outras nacionalidades não se preocupam muito com isso e basta reconhecerem uma palavrinha do nosso português já chegam perto com a perguntinha:

- Vocês são brasileiros?

E o papo começa...

PS: Se você estava com seu marido (ou sua esposa) e seu filho ontem à tarde no Wal Mart e encontrou com um casal atrapalhado e três crianças, desculpe não ter ido conversar com você. Mas eu prometo que da próxima vez não perderei a oportunidade. Agora se vc deu graças a deus por eu não ter ido fuja de mim porque da próxima vez você não terá tanta sorte!

Hoje não dá; tem jogo!


Imagino a namorada do Eduardo ligando lá em casa:

- Mari (não vou deixar ninguem me chamar de tia ou de Ms Barbosa) o Edu está?

- Está sim, mas não pode atender agora porque está vendo Roland Garros. Ligue mais tarde!

Desde que chegamos aqui o Eduardo está se mostrando um aficionado por esportes. Primeiro foram os Playoffs do Hockey. Ele passava horas na frente da TV entusiasmado com as jogadas, as brigas, a correria e os gols.

Outro dia ele ficou preso à TV assistindo Baseball. Neste jogo em especial eu sofri um pouco porque ele queria saber as regras, como funcionam as coisas, porque a jogada não valeu e nem sempre eu sabia explicar os porquês.

Em seguida eu tive que inventar uma coisa bem interessante para ele desisitir de assitir um interessantíssimo jogo de Golf. Poxa, ninguém merece ter que assistir um jogo de Golf pela TV.

E hoje ele está há horas grudado na TV vendo Soderling (25°) contra Nadal (1°) no Tennis.

Eu fico impressionada como ele fica interessado, quer entender as regras, presta atenção nas jogadas e depois vem correndo me contar como foram. Faz toda a encenação de como o jogador correu ou caiu ou como pegou a bola em uma espetacular jogada.

Por outro lado ele não tem o menor interesse por futebol. Nunca passou mais do que 5 minutos assistindo a um jogo e se está zapeando a TV nunca pára para assistir.

De certa forma eu consigo entender um pouco o porquê do desinteresse. O jogo de futebol é interessante para quem conhece bem as regras ou para quem, como eu, já passou por algumas copas do mundo e viveu aquela euforia que elas trazem.

Mas se pensarmos bem é um jogo meio chato. Em 90 minutos de jogo vc vê 2 ou 3 gols quando o jogo foi bom. Muitas vezes vc assiste um jogo inteiro sem que ninguem faça sequer um golzinho; isso quando não tem prorrogação. Ao contrários dos outros esportes, quanto melhor forem os times em campo, menor a probabilidade de se fazer um gol.

Acho que para gostar de futebol é preciso ter alguma ligação afetiva pelo esporte; ter aquela paixão por um time. Eu diria que a paixão vem antes de conhecermos as regras ou entendermos quem são aqueles 25 caras que ficam correndo de um lado para o outro do campo, sendo que dois deles ficam literalmente correndo por fora. Com a paixão devidamente instalada a gente acaba gostando de ficar na frente da TV olhando aquela correria e realmente torcendo para que alguma coisa interessante aconteça.

No caso dos meus filhos o futebol talvez não seja interessante porque a paixão não foi devidamente incentivada. Eu sou Palmeirense de uma família de fanáticos; o Sergio é um Corinthiano de uma família não menos fanática. Nós nos damos super bem nesta questão de futebol e conseguimos assistir jogos juntos, conversar a respeito em qualquer situação e nunca tivemos problemas em relação a isso, mas combinamos que jamais iríamos fazer campanha ou tentar influenciar as crianças para que torcessem pelo nosso time do coração.

Sem os gols e sem a paixão nossos filhos simplesmente não têm nenhum interesse pelo esporte nacional do Brasil. Mas coloque-os para assistir um jogo com muita correria ou muitos pontos aparecendo no placar e eles ficam presos na frente da TV uma tarde inteira.
PS: esqueci de incluir aqui dois esportes que o Edu também tem adorado: corrida de carro e luta; em especial aquela luta livre de "mentirinha" que passa bastante por aqui. Enfim, as opções são variadas e a cada dia o futebol vai ficando mais esquecido por ele. Pra completar o time de Toronto levou uma surra de um time texano (deve ter um monte de mexicanos jogando)!!!

May 29, 2009

Vivendo e aprendendo


Estudar inglês no Canadá mais do que estudar um idioma, está sendo estudar história, geografia e culturas diversas. Na minha classe tem um pouquinho de tudo e todos os continentes estão representados. Apesar de muita gente desistir pelo caminho outros tantos começam o curso no lugar de quem saiu e mais histórias e aprendizados acontecem.

Meu professor não gosta muito de discussões, então os temas polêmicos acabam sendo meio proibidos (que pena), mas de qualquer forma temos a chance de conhecer um pouquinho de cada país, de cada cultura, de cada problema que estas pessoas enfrentaram em suas vidas antes de terem chegado por aqui.

Hoje por exemplo uma coreana estava falando da tristeza que ela e todos os sul coreanos sentiram com o suicídio do
ex presidente Roh Moo-Hyun. É muito diferente vc ver uma pessoa comum do país contando aquela história que vc leu no jornal.

Aos poucos eu estou percebendo os diferentes sotaques e as dificuldades que cada um tem na pronúncia de determinadas palavras. Os coreanos, japoneses e chineses têm um sotaque muito familiar mesmo em inglês. Eu consigo identificar um sul americano falando há quilômetros e até os indianos e paquistaneses têm algumas peculiaridades no sotaque que a gente começa perceber por conversar muito com eles.

De vez em quando eu tenho dificuldade de entender alguns colegas e tento buscar algum conhecimento escondido para me ajudar no entendimento.

Hoje um colega fez uma apresentação muito interessante falando de um instrumento musical chamado Oud. Este vídeo mostra uma apresentação feita pelo compositor Naseer Shamma.


Segundo meu colega, Naseer ensinava este instrumento no Iraque e um dos seus alunos perdeu um dos braços em um ataque Norte Americano e ele compôs esta música e a tocou com apenas uma mão para mostrar ao seu aluno que ele não precisava desistir de aprender a tocar o instrumento. Imagine a dificuldade de tocar com apenas uma mão um instrumento que já é bastante difícil pra tocar com as duas.


Mas pra conseguir entender tudo isso eu tive que me lembrar dos conhecidos libaneses do Brasil que têm uma certa dificuldade para pronunciar a letra P e acabam falando tudo com B. Só quando eu percebi que Balestrin era na verdade o Estado da Palestina eu comecei entender melhor a apresentação do meu colega; que diga-se de passagem foi muito boa.

Eu simplesmente amo ouvir estas histórias e conhecer um pouco mais de cada uma destas culturas tão distantes da nossa. E as pessoas ficam super felizes quando percebem que a gente conhece um pouquinho do país delas (viva a imigração que veio para o Brasil e nos deu esta oportunidade).

Não preciso dizer que quando digo que sou do Brasil todo mundo tráz a referência do futebol ou do carnaval. Fazer o que; é o que a gente vende para o exterior. Mas eu fico bem contente quando vejo colegas da China ou da Nova Guinea falando o nome de jogadores brasileiros; afinal, se tem uma coisa que nos une do Oiapoqui ao Chuí é mesmo o futebol.


Eu já preparei varias apresentações mas ainda não me decidi qual vou apresentar. Eu percebo que muita gente não tem idéia do que seja o Brasil, tudo depende de qual região a pessoa ouviu falar. Já me perguntaram se o Brasil era uma ilha do Caribe, outros acham que vivemos no meio da floresta amazônica, outros devem me imaginar desfilando como destaque de escola de samba e por aí vai.

Em uma apresentação de 15 minutos vai ser difícil mostrar a verdadeira cara nacional e dar a todos uma noção do que é este país imenso. Se alguém tiver alguma idéia...


PS: agora educação e respeito são coisas que independem de nacionalidade, né? Ou vc tem ou vc não tem. Meu professor é maravilhoso e muita gente vai fazer este curso só pra ter aulas com ele. Ele faltou três vezes desde que as aulas começaram e sempre vem alguem substituir. Eu achei que as substitutas fizeram um trabalho muito bom e não tenho queixas. Mas nem todos meus colegas pensam assim e então temos um festival de falta de educação na sala de aula que me deixa muitas vezes envergonhada, mesmo não tendo feito nada de errado.
Alguns ficam conversando a aula inteira, outros fazem cara de tedio, tem um fulano que fica provocando a professora com piadinhas sem graça que me deixam com vontade de avançar no pescoço dele. Tem uma fulana que fica fazendo careta pelas costas da professora a aula toda. De repente aqueles "jovens" que já passaram dos 30 em sua maioria, se tornam novamente adolescentes rebeldes e não percebem o ridículo em que se colocam. No intervalo quase todo mundo vai embora escondido da professora e só então a coitada pode começar a dar aula para alunos adultos e interessados. Eu fico morrendo de vergonha!

May 28, 2009

Primeiro dia no day care


Hoje foi o primeiro dia da Helena no day care da escola de inglês e eu não estou cabendo em mim de tanto orgulho. Ela teve que esperar dois dias para começar porque eu faltei da aula duas vezes esta semana (prova de direção do Sergio e entrevista de emprego no dia seguinte). Finalmente hoje pudemos ir e ela não estava mais aguentando a expectativa.


Foi o caminho inteiro andando sem reclamar (o que não é bem a cara dela). Estava uma chuvinha chatérrima mas que acabou sendo bem útil porque ela adorou levar o guarda chuva sozinha.


Quando chegamos na classe dela já haviam muitas outras crianças e eu vi a "professora" dizendo para duas outras meninas:


- Aquela é a Helena, ela está começando hoje mas está um pouco tímida, vcs me ajudam a cuidar dela?


Imediatamente as meninas levantaram-se e já ficaram esperando pela Helena. Eu tirei o casaco dela, coloquei a mochilinha na estante e conversei com ela. Expliquei que eu iria pra minha sala mas que se ela precisasse de mim a professora iria me chamar, que ela podia ficar brincando que eu estaria ali perto (minha sala é do outro lado do predio!!!). Eu a levei até a mesinha onde estavam as duas meninas e ela já foi sentando e começou brincar com uns joguinhos de montar (que ela adora).


Eu sai da sala e ela ficou super bem. É claro que no intervalo eu fui correndo babar na minha cria. Ela estava super tranquila em uma fila para lavar as mãos. Uma das meninas com quem a professora falou estava acariciando o cabelo dela e depois eu vi a menina ajudando a Helena a guardar a mochilinha no lugar. Uma graça.


Quando ela me viu no final da aula abriu um sorrisão e veio me mostrar os desenhos que ela tinha feito. Estava super contente e já fazendo planos para o que vai fazer amanhã. Veio o caminho inteiro pulando nas poças d'água; apesar da chuva ter passado chegamos as duas molhadas em casa.


De toda a família quem realmente está dando a cara para bater são o Eduardo e agora a Helena. Bem ou mal, eu e o Sergio conseguimos nos comunicar em qualquer situação. Eu fico imaginando o sufoco que eles não passam na escola, sem entender uma palavra do que os outros estão dizendo e ainda assim seguindo regras, fazendo as coisas, se divertindo e chegando em casa na maior animação para voltar no dia seguinte.


Eu estou me sentindo um balão de tão cheia, de tão orgulhosa; não paro de babar um minuto. Estava aqui olhando os três brincando de bola e com aquela cara de boba provavelmente porque a Helena parou de jogar e me disse:


- Eu sou linda, né mamãe? Vc estava olhando que eu sou linda?


- Vcs não imaginam o quanto vcs são lindos!

PS: o day care é pago mas o preço é acessível: são $55.00 por duas semanas. A sala é bem ampla e com varias opções de jogos, livros e brinquedos. Nos dias mais agradáveis eles também brincam na área externa ou no ginásio da escola. Ele solicitam que a criança leve um lanchinho bem simples sem chocolate ou nuts (padrão por aqui).

Primeira entrevista de emprego


Ficamos super animados esta semana quando encontramos uma ligação perdida a respeito de uma entrevista de emprego. Na mesma hora eu fiz o Sergio ligar para o cara para saber do que se tratava. Ele ligou e marcou a entrevista para o dia seguinte lá em North York.

Saiu de casa com quase 3 horas de antecedencia e chegou em cima da hora. Foi entrevistado e me ligou dizendo que havia passado na primeira "fase" e que a segunda entrevista seria feita as 7 da noite. Fiquei feliz por esta possibilidade mas morrendo de pena de saber que ele ficaria a tarde inteira rodando por Toronto naquela chuvinha insistente.

Então ele me falou o nome da empresa e pediu que eu desse uma pesquisada na internet. Encontrei varias coisas a respeito dela mas nada muito explicativo. Sabe aqueles sites super positivos explicando o quanto a empresa é maravilhosa, o quanto vc vai se dar bem de se associar a ela, como os funcionários estão satisfeitos etc etc mas vc não consegue descobrir o que a empresa faz ou que produto ela vende?

Passei a tarde lendo coisas a respeito dela e no final eu não sabia dizer se ela vendia seguro de vida ou se emprestava dinheiro a juros, mas tive certeza que não seria o primeiro emprego do Sergio.

Já eram quase 11 da noite quando ele chegou em casa exausto, sem emprego, mas com muito bom humor apesar da perda de tempo. Não sabemos exatamente o que ele faria na empresa mas sabemos que é aquele tipo de pirâmide que eu já vi muito no Brasil. Nada contra quem gosta e participa mas não é para nossa família.

Hoje, as 9 da manhã o telefone tocou e eu vi que era o cara. O Sergio estava no banho e eu preferi não atender, rs. Espero que ele não volte a ligar.

Tempos de infância

O caminho mais curto para o meu curso de inglês é atravessando um terreno "baldio" enorme e depois passando pelo pátio da escola do Eduardo. Confesso que algumas vezes eu ficava meio indecisa se aquilo era mesmo permitido mas agora até abro o portão se ele estiver fechado e passo sem nenhum problema.

O detalhe é que as crianças, muitas vezes, estão no pátio brincando e eu tenho que tentar desviar das bolas de futebol americano e soccer (tem que se acostumar com a linguagem local, rs). É claro que os professores das crianças menores estão ali observando os pequenos que normalmente fazem o intervalo em horário diferente. Mas já observei que as crianças maiores ficam um pouco mais livres e são observadas apenas por algumas voluntárias, que imagino serem mães de alunos. Mas apesar do portão aberto, ninguém sai do pátio, elas estão mais preocupadas com a bola ou as comidinhas feitas de folhas e terra.

Todo dia quando passo pelo pátio do colégio me sinto transportada para aqueles anos de liberdade da minha infância. Aquela época em que eu brincava na rua da minha casa e minha mãe podia ficar tranquila fazendo os seus afazeres. E olha que eu reclamava porque não tinha liberdade: minha mãe estava sempre me chamando pra saber o que eu estava fazendo e com quem estava brincando.


Observando as brincadeiras daquelas crianças eu também volto ao passado. Os meninos correm de um lado para o outro chutando bola, brincando de pega-pega, fazendo buracos na terra ou apostando quem sobe mais alto nos brinquedos. As meninas fazendo comidinha de folhinha e terra. Algumas seguindo bichinhos no chão, outras dançando, brincando de roda ou daqueles trava lingua cheios de coreografias, falando bem rápido.

Eu passo por aquele pátio cheio de terra voando pra todo lado, as crianças completamente sujas, uma chuva de bolas vindo em minha direção e consigo ver a mim e meus amiguinhos brincando naquele terrão seco.

Muitas vezes quando me aproximo do portão aparece alguma criança sorridente e abre o portão pra mim. Para eles é a coisa mais natural do mundo um transeunte atravessar por ali para cortar caminho.

Mesmo na minha infância segura o meu colégio já tinha muros altos e portão trancado durante o horário de aula (e à noite, é claro). Aqui, o portãozinho que eu atravesso é fechado ao anoitecer; ufa!!!! Mas ainda não faz muito sentido pra mim porque a frente da escola não tem nem um murinho baixo. Tem uma correntinha pra evitar que as pessoas estacionem ali.

Quando começamos comparar o "nosso tempo" com os tempos atuais geralmente somos chamados de velhos e saudosistas. Talvez eu esteja mesmo ficando velha e começando a ficar saudosista, mas fico feliz em imaginar que meus filhos talvez tenham a oportunidade de ter uma infância um pouquinho parecida com a minha. Tenho certeza que eles guardarão lembranças muito boas dela.

May 26, 2009

Carteira de Motorista


Depois de muitas idas e vindas (a Toronto), hoje o Sergio fez a prova prática de direção e conseguiu a carteira G. Estamos super felizes porque isto vai facilitar muito a nossa vida por aqui. Sem contar que a driver's licence é um documento muito importante no Canadá (haja visto que não conseguimos alugar o limpador de carpete porque não tinhamos a tal driver's licence).


O processo está muito bem explicadinho aqui, mas eu sempre acho importante ter as informações completas, então sugiro dar uma olhada aqui também. Antes de fazer a prova teórica e o exame médico tivemos que traduzir a nossa carteira de habilitação brasileira e pegar uma declação de autenticidade no Consulado Geral do Brasil em Toronto.


Esta declaração gera uma certa reclamação porque na verdade ela nada mais é do que a tradução da nossa carteira de motorista, então temos que apresentar dois documentos idênticos. Até um tempo atrás muitos brasileiros conseguiam fazer o teste sem precisar do documento do consulado, mas parece que estão mais exigentes e todo mundo que fez na mesma época que o Sergio precisou deste documento.


O atendimento no Consulado brasileiro foi um caso à parte. O Sergio foi até lá duas vezes e o tratamento foi nota 10: digno de primeiro mundo!!!


Após o teste escrito o Sergio recebeu a carteira G1 e então pode agendar o teste de direção. Nós entramos em contato com um brasileiro que dá aulas de direção em Toronto e ele deu algumas aulas para o Sergio e o preparou para o teste.


A prova é cheia de pequenos detalhes e eu recomendo aulas particulares para se preparar. Infelizmente estudando um pouco as leis por aqui eu percebi o quanto dirigimos mau em São Paulo (e no Brasil de uma maneira geral).


Eu já estou com meus documentos traduzidos e a carta do consulado; já li o livrinho e agora estou precisando encontrar um tempo (leia-se vergonha na cara) e ir até Toronto fazer o teste. Infelizmente o agendamento da prova prática demora um pouquinho (mais ou menos uns 20 dias) e só pode ser feito após o teste escrito. Mas confesso que a aprovação do Sergio tirou totalmente a responsabilidade das minhas costas, rs. Estou bem mais tranquila para tirar a minha carteira.


PS: nada como uma semana cheia de notícias boas para dar uma movimentada na nossa rotina.

May 25, 2009

Child Care para a Helena


Hoje me ligaram do child care da escola de inglês para avisar que eles têm uma vaga disponível para a Helena. Nós ficamos super felizes porque vai ser uma boa oportunidade para ela sair de casa, conhecer outras crianças e ter um contato mais próximo com o inglês.
Eu imagino que não seja muito fácil pra ela ver o Eduardo indo para a escola e ela ter que ficar presa aqui em casa. Sem contar que ela não tem muita noção de tempo e sempre está dizendo:
- Quando eu tiver 4 anos eu vou pra escola.
Ela não imagina que ainda falta muito tempo para que ela faça aniversário e que mesmo depois de ter 4 anos ela ainda terá que esperar quase nove meses para poder ir para a escola. Mas agora ela terá esta oportunidade e tenho certeza que vai ser muito bom pra ela.


Amanhã ela já irá comigo para o primeiro dia. Quando contei a novidade, ela já ficou toda animada porque vive me perguntando quando ela vai poder ir à escola. Pois bem, Helena, chegou o momento e eu espero que vc se divirta bastante.

Marilena e a máquina de jornal


No início da minha adolescência eu decobri que era desajeitada: acho que cresci rápido demais e demorei um bom tempo para me acostumar com aqueles braços e pernas enormes que saiam do meu corpo e então vivia tropeçando e me enroscando em tudo que passava perto de mim.

Depois de um tempo eu consegui controlar os meus braços e pernas mas continuei desajeita dando cabeçada em pilar do metro ou poste de rua enquanto andava lendo distraída pela cidade. E quando de alguma forma me sinto pressionada ou observada, fico totalmente perdida e começo fazer besteiras. No momento tenho sido intimidada por uma máquina que vende jornal e não dou uma dentro com ela.

Meu primeiro contato com uma destas máquinas foi em Atlanta há 4 anos atrás, mas nesta ocasião nós não fomos apresentadas formalmente. Como tenho que levar jornal duas vezes por semana no curso de inglês tive que me aproximar de uma aqui no predio e a antipatia foi total e recíproca.

No primeiro encontro eu fiquei um tempão procurando onde deveria colocar as moedinhas. Apesar da seta indicando o local eu demorei um certo tempo para descobri como abrir a "portinha" que fechava a entrada das moedas. Depois de um bom tempo puxando pra cima, pra baixo, empurrando e xingando com um sorriso no rosto eu descobri que bastava puxar para o lado: facil e simples.

Li as instruções, vi o preço do jornal (50 cents de segunda a sexta; 1 dolar aos sabados e 1.50 aos domingos) e fui com minhas moedinhas fazer a primeira tentativa. Era uma segunda-feira e então coloquei duas moedinhas de 25 centavos e apertei o botaozinho: a máquina devolveu meu dinheiro.

Tentei de novo: ela devolveu.
Mudei a posição das moedas: ela devolveu.
Troquei por outras moedas: ela devolveu.
Coloquei uma moeda de 1 dolar: a danada aceitou!

Peguei meu jornal e fui pra aula. No caminho encontrei outra máquina destas na rua e vi que o preço era diferente (1 dolar de segunda a sexta, 1.50 no sabado e 2 dolares no domingo). Quando cheguei na classe eu descobri que o jornal deve ser levado na terça e quinta e não na segunda feira. Tudo bem: o Sergio leu o jornal inteirinho e não foi perdido.

No dia seguinte voltei até a máquina para comprar o jornal. Coloquei as duas moedas de 25 centavos e ela devolveu.

Fiz varias tentativas e ela não aceitou. Então me lembrei dos preços da outra máquina da rua e cheguei à conclusão de que o preço estava errado ali porque não teria porque ser mais barato no predio. Como eu já estava atrasada tasquei uma moeda de 2 dolares porque só tinha duas moedas de 25 centavos. A máquina aceitou e eu pude pegar o jornal: DO DIA ANTERIOR!!! Alem de ter pagado mais caro pelo jornal ainda era o do dia anterior que já havia sido comprado e lido.

Na quinta-feira cheguei perto da máquina de cara feia. Peguei todos os trocadinhos que eu tinha em casa e coloquei dentro dela: ela devolveu tudo. Coloquei tudo de novo: moedinhas de 1, 5 e 10 centavos e ela devolveu tudo outra vez. Então reli as instruções e descobri que ela não aceita 1 centavo!!! Coloquei uma moeda de 1 dolar e peguei meu jornal mau humorada.

Na próxima terça feira mal olhei para a cara dela. Olhei a data do jornal, coloquei minha moedinha de 1 dolar para encurtar conversa, apertei o botão, peguei meu jornal, deixei a portinha bater e quando tentei sair percebi que o fio do meu fone de ouvido tinha ficado preso dentro da máquina.

Apesar das minhas inúmeras tentativas, não houve jeito de tirá-lo. Minha vontade foi a de chutar a máquina gritando todos os impropérios que conheço em portugues, mas como (também) sou uma pessoa adulta e equilibrada eu só desconectei o fone de ouvido do ipod e fui pra minha aula roxa de raiva. Quando voltei da aula o Sergio resgatou o fone de ouvido pagando por mais um jornal.

Agora eu passo por ela sempre na defensiva: coloco minha moedinha, aperto o botao com delicadeza, pego meu jornal devagarinho e fecho a portinha com cuidado. Na dúvida é melhor tratá-la com respeito.

May 24, 2009

Xixi no Banho

Foi lançada esta campanha estimulando as pessoas a fazerem um xixizinho básico durante o banho. Um ato tão "simples" ajudaria a economizar água uma vez que não precisaria acionar a descarga. Imagine a economia de quem toma vários banhos por dia???

A Luísa já aderiu!! E você, não quer aderir também pelo bem do planeta?

May 23, 2009

Silvio Santos não morreu


Ontem o Sergio estava na sua comunidade preferida do orkut (a do Corinthians) quando viu um tópico que chamou a nossa atenção: Silvio Santos morreu. A pessoa que postou o tópico estava dizendo que viu no site O fuxico que vazou uma informação do Einstein dizendo que o Silvio Santos tinha tido um ataque cardíaco durante a gravação do programa de domingo e morrido.

Levamos o maior susto e fomos procurar mais notícias mas nas páginas de notícias nacionais não encontramos nada. O Sergio entrou na página do Silvio no
wikipedia para saber a idade dele e qual não foi a nossa surpresa quando vimos que já estava atualizada com a data da morte dele; 22 de maio de 2009.

O Sergio até copiou a página e postou na comunidade e fomos procurar notícias em outros lugares mas nao encontramos nada. Alguns minutos depois, retornamos para o wikipedia e a data de falecimento já tinha sido retirada.

Ficamos surpresos com a rapidez como se atualizam estas coisas. Imagino que o pessoal já fique de prontidão para ser o primeiro a postar este tipo de coisa. O bom é que quando percebeu que a notícia estava equivocada a pessoa corrigiu rapidinho.

Triste foi o autor do tópico ter que explicar o que estava fazendo no site O fuxico para literalmente, toda a torcida do corinthians.

De casa nova

Nossa nova casa


Agora é oficial!!!! Estamos nos mudando para Toronto!!! Nada contra Mississauga, muito pelo contrário. Fomos muito bem tratados nesta região, conseguimos fazer muitos amigos e pelo menos uns 4 irão manter contato conosco.
Mas pra ser sincera, me decepcionei um pouco. Acho que minha expectativa era grande demais e encontrei outra coisa por aqui. Estamos em uma região muito central de Mississauga; uma região cheia de prédios residenciais o que torna tudo muito cheio. A escola do Edu é enorme e talvez por ser uma região muito central não temos muitas opções de lazer perto de casa (pelo menos não temos encontrado). O único parque que dá pra ir a pé com as crianças é lotadérrimo e quase temos que pegar fila pra conseguir ir ao balanço (isto a 10 graus, imagine no verão!!!).

Outra coisa que me incomoda aqui é a sujeira. Preciso fotografar meu percurso de casa pra escola para vcs terem uma idéia da quantidade de bituca de cigarros que tem nas calçadas por aqui; sem contar os copinhos do Tim Hortons.

O transporte público também não tem nos ajudado muito porque os onibus demoram demais e temos tido muitas coisas para fazer em Toronto. Além de ser uma viagem longa ainda fica caro porque as passagens não valem de uma cidade para a outra. Até existe uma passagem especial que acaba ficando mais barata mas é mensal e só vale a pena se você for todos os dias para Toronto, o que não é o caso.

Nós queríamos uma casa em um bairro mais próximo de Toronto ou na região oeste de Toronto (pra não ficar longe de Missi, rs). Entramos em contato com uma Real State que tinha uma casa em Etobicoke. O bairro é lindo, perto do Centenial Park (que é maravilhoso) e a escola da região é muito boa. O único senão foi o fato de ter que dividir a lavanderia. Eu demorei um bom tempo pra me acostumar com a idéia mas depois comecei me lembrar de varias pessoas que passam por esta experiência e não me pareceu assim tão terrivel.

Sem contar que foi amor à primeira vista da família inteira!!! Visitamos várias casas mas o Edu sempre dizia quando saíamos:

- Eu quero morar naquela primeira que nós fomos.

Hoje, nós fechamos o contrato e nos mudaremos dia primeiro de julho. Na verdade vamos nos mudar ao longo do mês de julho porque nosso aluguel aqui vence no final do mês e já temos muita tralha pra levar.

Agora só estou rezando pra dividir a lavanderia com pessoas bem organizadinhas; sabe aquelas que separam as roupas por cores e tipos!?
E vamos ver como as coisas funcionam em Toronto!

May 21, 2009

Nana Nenê na voz de Luísa

Após o início não oficial do verão no Canadá (Victoria Day) as temperaturas resolveram subir, os dias estão cada vez mais lindos e como todo bom canadense, nós só temos vontade de ficar na rua. Vou deixar a Luísa cantando pra vcs enquanto vamos matar as saudades dos 28 graus.


May 20, 2009

Escolas em Ontário


Aproveitando a pergunta da Flavia nos comentários, vou tentar explicar como funciona a escolha da escola por aqui.

Não sei se no Canadá inteiro funciona da mesma maneira, mas aqui em Ontário a escola atende uma determinada região próxima a ela. Em Mississauga vc liga para o PEEL School Board, passa seu endereço e eles te falam qual a escola pública a que vc tem direito.

Em Toronto a coisa é ainda mais simples. No próprio site da Toronto School Board tem as ruas que pertencem a cada escola. A pesquisa pode ser feita de duas maneiras: se vc digitar o nome da sua rua aparece qual escola pertence àquele endereço; se vc for pelo nome da escola aparecerão todas as ruas que pertencem a ela. Todas as crianças de uma determinada região têm vaga garantida na escola pública desta região.

Uma alternativa à escola pública são as escolas católicas. Em Toronto a criança tem que ser batizada na igreja católica para ser aceita. Eles também podem aceitar crianças não batizadas desde que os pais sejam católicos. Em ambos os casos os pais devem residir em Toronto e a aceitação vai depender das vagas disponíveis. Crianças não católicas de pais não católicos não são aceitas na escola "elementar".

No nível secundário as escolas católicas são abertas a todos alunos residentes em Toronto. E aqui em Ontário as escolas católicas são gratuitas, diferente de outras províncias do Canadá.

Em Mississauga parece funcionar mais ou menos do mesmo jeito.

Existe também a possibilidade de conseguir uma transferência para uma escola de outra região que não a sua, mas a transferência vai ocorrer em função da existência de vagas. No site da School Board de Toronto aparece a disponibilidade de cada escola para este tipo de transferência. Se existirem vagas disponíveis e não forem suficientes para o número de interessados, estas vagas são sorteadas entre eles.

Enfim, pra tudo sempre existe uma alternativa só temos que procurar as informações nos lugares certos. O que tem me animado é que aparentemente o jeitinho brasileiro não tem muito espaço por aqui; aparentemente!

May 19, 2009

Be-a-ba de Ontário

Há muito tempo atrás, em uma das comunidades que falavam sobre o Canadá, que participei, uma pessoa que morava aqui há muito tempo disse que não precisávamos nos preocupar com as escolas porque o nivel era alto e não mudava muito de uma escola para outra.

Ainda que ela tenha sido enfática, eu fiquei curiosa e comecei pesquisar sobre o assunto e acabei descobrindo que existe SIM muita diferença. Enquanto algumas escolas têm 90% dos alunos com notas maiores ou iguais ao que é aceito pela província, outras têm apenas 40% dos alunos com notas aceitáveis.

Mas os resultados do teste não nos mostra apenas a performance dos alunos. Olhando atentamente é possivel ter uma ideia do nivel cultural das familias, o numero de "novos imigrantes" que estudam na escola e algumas dificuldades que a escola tem que superar pra conseguir ensinar seus alunos escrita, leitura e matemática.


Só por diversão ou talvez por ser chata demais, sempre que visito um bairro diferente, que vejo um anúncio de casa pra alugar ou alguém me indica um lugar legal por algum motivo, eu dou uma olhada nas escolas do bairro. Sempre comparo a escola católica e a pública da mesma região e infelizmente, não existe regra: as vezes a católica é melhor, as vezes a pública e as vezes, nenhuma das duas ou ambas.


Na verdade tudo depende da população do bairro. E de certa forma eu acabo extrapolando a qualidade da escola com a qualidade de vida do bairro. Em um bairro onde a maioria das crianças apresentam problemas escolares, muito provavelmente tem outros tipos de problemas. O ideal então seria tentar morar em um bairro onde ambas escolas sejam boas, rs.

PS: Para encontrar os resultados do EQAO das escolas em Ontário, basta clicar no link abaixo e escolher as opções. Lembresse que nas cidades menores, geralmente o board escolar é unificado com outras cidades menores da região, mas jogando o nome da cidade no google com a expressão "school board" normalmente te traz o nome usado (por exemplo: PEEL para Mississauga, Brampton e Caledon(.

Resultados do EQAO (Education Quality and Accountability Office) para escolas de ontário

Pra facilitar um pouquinho, aqui vão so links para os Boards de Toronto e PEEL.
 
Toronto School Board - eu sou fã deste site porque nele vc encontra facilmente as escolas, os endereços, telefone e as ruas que pertencem a cada uma delas.Toronto Catholic School Board
PEEL School Board

Dufferin PEEL Catholic DSB - Compreende PEEL region e Dufferin county

May 16, 2009

Diferenças entre meninos e meninas

Estamos nos preparando para sair e eu chamo:

- Crianças, venham passar o filtro solar.

Em 2 segundos Helena e Luísa se apresentam e quem passar o protetor sozinhas, ficam pedindo pra eu passar mais, querem usar aquele creme que eu estava passando agora há pouco e falando coisas do tipo:

- O protetor é pra deixar o rosto bonito, né mamãe?
- O creme é lisinho e cheiroso, né mamãe?
- Criança também usa creme, né mamãe?
- Mamanuminenenanimo, né mamãe? (esta é a Luisa usando o seu vasto vocabulário)

Então, chega a vez do Eduardo que está lá longe fazendo outra coisa:

- Eduardo, vem passar protetor solar.

Duas 2 horas depois chega ele entediado:

- Que saco ter que passar protetor. Esse negocio é melequento. Mas lá fora nem está com sol. Ainda não terminou? Não precisa passar no braço porque eu quero colocar blusa. bla bla bla ...

Não tem jeito, deve ser algum gene ligado ao cromossomo Y.

May 14, 2009

Ecologicamente correto


Apesar de tentar ser ecologicamente correta em várias coisas eu tento ter equilíbrio para não me tornar uma ECOCHATA. Acho que ficar pentalhando as pessoas acaba gerando um resultado contrário e as pessoas acabam não levando a sério por causa dos radicalismos.

Então vamos ensinar nossos filhos brincando. De uma passadinha no
The animals save the planet e divirta-se com os videos; vale a pena!!!











May 10, 2009

Você jamais se arrependerá!

Ser mãe...

Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em 'começar uma família'.


'Nós estamos fazendo uma pesquisa', ela diz, meio de brincadeira. 'Você acha que eu deveria ter um bebê?'

'Vai mudar a sua vida,' eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.

'Eu sei,' ela diz, 'nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas.. .'

Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável. Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar 'E se tivesse sido o MEU filho?' Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de 'Mãe!' fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante. Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.

Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonald's se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro. Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.


Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida -- não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.

Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra. O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar pomadinhas num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas. Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.

Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos. Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer.


O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

'Você jamais se arrependerá', digo finalmente.

Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados. Este presente abençoado de Deus... que é ser Mãe.'

PS: recebi este e-mail de uma querida amiga, mãe de duas crianças lindas e encantadoras. Desejo a todas as mães um feliz dia das mães e que elas nunca esqueçam o quanto são privilegiadas por terem a oportunidade de fazer a diferença na vida de alguém.

May 8, 2009

Dia a Dia

E aos poucos vamos entrando na rotina. A parte burocrática já esta quase toda feita e já podemos começar a pensar a longo prazo. Não que isto signifique calmaria porque sem empregada a correria é constante. Sem contar que sempre aparece algum compromisso extra pra nos tirar da rotina.
Pra minha sorte o maridinho faz o possível pra me ajudar em tudo o que pode. É bem verdade que sempre tenho que dizer o que é pra fazer e ele ME AJUDA, dá pra entender a diferença? Mas nem posso reclamar porque na medida do possível ele faz tudo certinho e tenta seguir o padrão Marilena de qualidade (palavras dele, rs).
Infelizmente ainda não posso me gabar de ter uma casa organizadinha porque as crianças na falta de mais espaço acabam espalhando os brinquedos pela casa toda. O que estou fazendo para amenizar a bagunça é a estratégia do multirão: todo mundo participa e até nos divertimos.
Geralmente quando chego do curso de inglês a sala está parecendo um campo de batalha. Quando o Sergio interfona pra eu abrir o portão, eu falo para as crianças que precisamos guardar tudo antes do papai chegar no apartamento. Imagine a correria que não vira pra conseguir guardar tudo. As crianças ficam parecendo a menina do Big Comfy Couch. Eu assistia muito este programa quando estava em Atlanta e agora as crianças também assistem sempre. E quando o Sergio chega no ape já está quase tudo guardado e todo mundo ofegante.
É legal constatar que tudo-muda-e-nada-muda. Os pequenos probleminhas do dia a dia vão aparecendo e a gente vai contornando como pode.
Os dias estão se tornando mais longos e cada vez fica mais difícil convencer as crianças que apesar do dia claro, já está na hora de dormir. Mas para nós, adultos, também é complicado. Acabamos jantando cada vez mais tarde e indo pra cama depois da 1 da manhã. O problema é que pra levantar o relógio é implacável e levantamos como zumbis.
As temperaturas estão subindo e parece que só agora a primavera chegou por aqui. Tem muito mais gente nas ruas, muita gente arrumando seus jardins e a cada dia uma surpresa nova nos caminhos que eu faço. É aquela sensação boa de recomeçar. O ano deveria começar nesta época, junto com esta renovação que começa nos jardins e toma conta de todos nós.
Pra ilustrar, aqui vão algumas fotinhas da família (em especial das crianças). Boa oportunidade para me conhecer, rs!!!


May 6, 2009

Como conquistar meu coração

Eu não sou muito exigente em relação ao que leio. Tenho acompanhado 74 blogs e sempre estou encontrando coisas legais por aí. Geralmente eu só coloco nos feeds e quando sobra um tempinho extra eu coloco o link no meu blog.

É claro que a afinidade com quem escreve tem que existir. Pelo menos alguma idéia da pessoa tem que bater com a minha mas não sou radical e acompanho varios blogs de pessoas totalmente diferentes de mim. Adoro pessoas bem humoradas, que conseguem rir de si mesmas.

Adoro blogs de quem tem criança. É super legal ver que existem tantas mães preocupadas com seus filhos, se dedicando à maternidade, tendo os mesmos problemas que eu tenho e tentando, como eu, acertar e fazer o melhor para a "nossa cria". Entre um post coruja e outro sempre tem uma dica básica e alguma coisa legal pra gente aprender e copiar.

Também adoro blogs que contem sobre o dia a dia, principalmente de quem mora em outro país, não importa o lugar. Mas também acompanho pessoas que moram fora de São Paulo (o que é quase outro país muitas vezes). Adoro aprender sobre novas culturas, sobre como são as coisas em outros lugares, comidas, clima, qualquer coisa. Até futilidade pode ser interessante quando bem escrita.

Também adoro quem escreve bem. Um texto bem escrito, geralmente me cativa rapidinho. É por isso que eu sempre digo que a palavra escrita é uma arma perigosa. A pessoa que escreve bem pode nos convencer coisas absurdas.
Mas acho que o principal fator que me faz voltar sempre a um blog é a empatia. Não tem nada mais agradável do que ler o texto de uma pessoa simpática, educada, sensível. Tem alguns blogs que eu fico esperando por uma atualização, muitas vezes deixo pra le-lo por ultimo porque quero ler devagar, com atenção (isto nao tem sido muito bom porque acabo ficando sem tempo de ler e quando vou ver já tem varios posts atrasados, rs).
Agora o que me faz deixar de ler um blog é a intolerância, de qualquer tipo. Não tem nada mais chato do que ler um blog e não poder discordar do que leu. É claro que ninguém tem que aguentar gente mal educada e muita gente faz comentários grosseiros por aí, em especial quando podem usar o recurso do anonimato. Entretanto eu já vi muitos donos de blog darem respostas grosseiras a comentários que simplesmente discordaram de suas posições.

Blogs que não são atualizados também me desestimulam um pouco. Como tem gente que eu adoro mas que não escreve com muita frequência eu os acompanho pelo feed. Quando tem atualização aparece no feed e eu vou verificar. Esta nova forma de colocar os links dos blogs do blogspot também tem sido legal porque assim aqueles blogs que sempre atualizam estão sempre lá em cima e fica mais facil acompanhar.


PS: tudo isso porque esta semana eu fui visitar um blog que há muito tempo eu deixei de acompanhar pela falta de educação da autora. O tempo passou, a raiva que eu estava dela também passou e eu fui dar uma nova chance ao blog dela porque ela escreve bem e fala de uma cidade que não conheço e que gostaria de conhecer. Infelizmente ela continua mal educada,  e no último post falou um monte de bobagens sobre um assunto que eu acho super importante. Como já conheço a peça resolvi não responder e sai do blog tão quietinha quanto entrei, rs.

May 2, 2009

Arroz com Feijão


A diferença entre persistência e teimosia é muito sutil e muitas vezes nós confundimos estas duas coisas. Geralmente eu sou muito persistente e não gosto muito de caminhos super fáceis, que deslizam sob os meus pés. Depois de um mês sofrendo por causa do arroz eu resolvi esquecer que um dia na minha vida eu fiz arroz soltinho, gostoso, bem temperadinho e com o pé nas costas. Fazer arroz no Canadá tem sido quase uma arte.

Eu peguei o tal pacote do arroz com o galo na frente (aquele que eu comprei errado) e comecei fazer testes: diminui a água, não coloca oleo, coloca margarina, nao coloca cebola, deixa secar bem e tira do fogo, deixa secar menos e tampa, água fervendo, água fria (pior opção) e consegui chegar em um arroz mais ou menos solto mas com um sabor bom. Tentar melhorar já seria teimosia.

Comprei então o arroz Basmati. Um pacote de 4,5 Kg (o menor que tinha) e fiquei rezando pra não estar comprando errado. Olhei a receitinha no verso da embalagem (que vem com ziper) e lá explicava a medida de água para cada medida de arroz e como preparar. Eles mandam lavar e deixar de molho, depois colocar o arroz em água fervente, colocar sal e manteiga no final. Como muita gente já me ensinou o segredo é tirar do fogo no final.

Eu segui a receita quase à risca. Só mudei um pouco no início: lavei o arroz mas não deixei de molho; fritei a cebola em um fio de óleo, coloquei a água sobre a cebola e quando ferveu eu coloquei o arroz, o sal, deixei cozinhar em fogo baixo por 15 minutos e depois mais 10 minutos fora do fogo.

Acho que nunca comi tanto arroz de uma vez só em toda minha vida!!! Achei maravilhoso e meus fregueses adoraram também. No jantar o Edu até perguntou porque eu não faço sempre deste arroz!!!

Pra acompanhar e formar o par perfeito eu assino embaixo da recomendação para o Pinto Beans. Ele fica realmente muito parecido com o nosso feijão carioquinha e as crianças adoraram.

Estes dias eu fiquei pensando que em boa parte do Brasil se come feijão preto, né? Eu sempre vejo em todo supermercado mas não sei se é bom ou se é igual ao nosso. Eu particularmente só como feijão preto na feijoada por isso nem pensei com comprar para experimentar. Qualquer dia destes vou comprar uma linguicinha, uma costelinha de porco e fazer um feijãozinho preto só pra variar. Pelo menos o arroz já está garantido!!!
PS: Beatriz, me mande um e-mail de contato para podermos conversar. Meu e-mail é marcosta@usp.br.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!