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Vivendo e aprendendo


Estudar inglês no Canadá mais do que estudar um idioma, está sendo estudar história, geografia e culturas diversas. Na minha classe tem um pouquinho de tudo e todos os continentes estão representados. Apesar de muita gente desistir pelo caminho outros tantos começam o curso no lugar de quem saiu e mais histórias e aprendizados acontecem.

Meu professor não gosta muito de discussões, então os temas polêmicos acabam sendo meio proibidos (que pena), mas de qualquer forma temos a chance de conhecer um pouquinho de cada país, de cada cultura, de cada problema que estas pessoas enfrentaram em suas vidas antes de terem chegado por aqui.

Hoje por exemplo uma coreana estava falando da tristeza que ela e todos os sul coreanos sentiram com o suicídio do
ex presidente Roh Moo-Hyun. É muito diferente vc ver uma pessoa comum do país contando aquela história que vc leu no jornal.

Aos poucos eu estou percebendo os diferentes sotaques e as dificuldades que cada um tem na pronúncia de determinadas palavras. Os coreanos, japoneses e chineses têm um sotaque muito familiar mesmo em inglês. Eu consigo identificar um sul americano falando há quilômetros e até os indianos e paquistaneses têm algumas peculiaridades no sotaque que a gente começa perceber por conversar muito com eles.

De vez em quando eu tenho dificuldade de entender alguns colegas e tento buscar algum conhecimento escondido para me ajudar no entendimento.

Hoje um colega fez uma apresentação muito interessante falando de um instrumento musical chamado Oud. Este vídeo mostra uma apresentação feita pelo compositor Naseer Shamma.


Segundo meu colega, Naseer ensinava este instrumento no Iraque e um dos seus alunos perdeu um dos braços em um ataque Norte Americano e ele compôs esta música e a tocou com apenas uma mão para mostrar ao seu aluno que ele não precisava desistir de aprender a tocar o instrumento. Imagine a dificuldade de tocar com apenas uma mão um instrumento que já é bastante difícil pra tocar com as duas.


Mas pra conseguir entender tudo isso eu tive que me lembrar dos conhecidos libaneses do Brasil que têm uma certa dificuldade para pronunciar a letra P e acabam falando tudo com B. Só quando eu percebi que Balestrin era na verdade o Estado da Palestina eu comecei entender melhor a apresentação do meu colega; que diga-se de passagem foi muito boa.

Eu simplesmente amo ouvir estas histórias e conhecer um pouco mais de cada uma destas culturas tão distantes da nossa. E as pessoas ficam super felizes quando percebem que a gente conhece um pouquinho do país delas (viva a imigração que veio para o Brasil e nos deu esta oportunidade).

Não preciso dizer que quando digo que sou do Brasil todo mundo tráz a referência do futebol ou do carnaval. Fazer o que; é o que a gente vende para o exterior. Mas eu fico bem contente quando vejo colegas da China ou da Nova Guinea falando o nome de jogadores brasileiros; afinal, se tem uma coisa que nos une do Oiapoqui ao Chuí é mesmo o futebol.


Eu já preparei varias apresentações mas ainda não me decidi qual vou apresentar. Eu percebo que muita gente não tem idéia do que seja o Brasil, tudo depende de qual região a pessoa ouviu falar. Já me perguntaram se o Brasil era uma ilha do Caribe, outros acham que vivemos no meio da floresta amazônica, outros devem me imaginar desfilando como destaque de escola de samba e por aí vai.

Em uma apresentação de 15 minutos vai ser difícil mostrar a verdadeira cara nacional e dar a todos uma noção do que é este país imenso. Se alguém tiver alguma idéia...


PS: agora educação e respeito são coisas que independem de nacionalidade, né? Ou vc tem ou vc não tem. Meu professor é maravilhoso e muita gente vai fazer este curso só pra ter aulas com ele. Ele faltou três vezes desde que as aulas começaram e sempre vem alguem substituir. Eu achei que as substitutas fizeram um trabalho muito bom e não tenho queixas. Mas nem todos meus colegas pensam assim e então temos um festival de falta de educação na sala de aula que me deixa muitas vezes envergonhada, mesmo não tendo feito nada de errado.
Alguns ficam conversando a aula inteira, outros fazem cara de tedio, tem um fulano que fica provocando a professora com piadinhas sem graça que me deixam com vontade de avançar no pescoço dele. Tem uma fulana que fica fazendo careta pelas costas da professora a aula toda. De repente aqueles "jovens" que já passaram dos 30 em sua maioria, se tornam novamente adolescentes rebeldes e não percebem o ridículo em que se colocam. No intervalo quase todo mundo vai embora escondido da professora e só então a coitada pode começar a dar aula para alunos adultos e interessados. Eu fico morrendo de vergonha!