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Hoje não dá; tem jogo!


Imagino a namorada do Eduardo ligando lá em casa:

- Mari (não vou deixar ninguem me chamar de tia ou de Ms Barbosa) o Edu está?

- Está sim, mas não pode atender agora porque está vendo Roland Garros. Ligue mais tarde!

Desde que chegamos aqui o Eduardo está se mostrando um aficionado por esportes. Primeiro foram os Playoffs do Hockey. Ele passava horas na frente da TV entusiasmado com as jogadas, as brigas, a correria e os gols.

Outro dia ele ficou preso à TV assistindo Baseball. Neste jogo em especial eu sofri um pouco porque ele queria saber as regras, como funcionam as coisas, porque a jogada não valeu e nem sempre eu sabia explicar os porquês.

Em seguida eu tive que inventar uma coisa bem interessante para ele desisitir de assitir um interessantíssimo jogo de Golf. Poxa, ninguém merece ter que assistir um jogo de Golf pela TV.

E hoje ele está há horas grudado na TV vendo Soderling (25°) contra Nadal (1°) no Tennis.

Eu fico impressionada como ele fica interessado, quer entender as regras, presta atenção nas jogadas e depois vem correndo me contar como foram. Faz toda a encenação de como o jogador correu ou caiu ou como pegou a bola em uma espetacular jogada.

Por outro lado ele não tem o menor interesse por futebol. Nunca passou mais do que 5 minutos assistindo a um jogo e se está zapeando a TV nunca pára para assistir.

De certa forma eu consigo entender um pouco o porquê do desinteresse. O jogo de futebol é interessante para quem conhece bem as regras ou para quem, como eu, já passou por algumas copas do mundo e viveu aquela euforia que elas trazem.

Mas se pensarmos bem é um jogo meio chato. Em 90 minutos de jogo vc vê 2 ou 3 gols quando o jogo foi bom. Muitas vezes vc assiste um jogo inteiro sem que ninguem faça sequer um golzinho; isso quando não tem prorrogação. Ao contrários dos outros esportes, quanto melhor forem os times em campo, menor a probabilidade de se fazer um gol.

Acho que para gostar de futebol é preciso ter alguma ligação afetiva pelo esporte; ter aquela paixão por um time. Eu diria que a paixão vem antes de conhecermos as regras ou entendermos quem são aqueles 25 caras que ficam correndo de um lado para o outro do campo, sendo que dois deles ficam literalmente correndo por fora. Com a paixão devidamente instalada a gente acaba gostando de ficar na frente da TV olhando aquela correria e realmente torcendo para que alguma coisa interessante aconteça.

No caso dos meus filhos o futebol talvez não seja interessante porque a paixão não foi devidamente incentivada. Eu sou Palmeirense de uma família de fanáticos; o Sergio é um Corinthiano de uma família não menos fanática. Nós nos damos super bem nesta questão de futebol e conseguimos assistir jogos juntos, conversar a respeito em qualquer situação e nunca tivemos problemas em relação a isso, mas combinamos que jamais iríamos fazer campanha ou tentar influenciar as crianças para que torcessem pelo nosso time do coração.

Sem os gols e sem a paixão nossos filhos simplesmente não têm nenhum interesse pelo esporte nacional do Brasil. Mas coloque-os para assistir um jogo com muita correria ou muitos pontos aparecendo no placar e eles ficam presos na frente da TV uma tarde inteira.
PS: esqueci de incluir aqui dois esportes que o Edu também tem adorado: corrida de carro e luta; em especial aquela luta livre de "mentirinha" que passa bastante por aqui. Enfim, as opções são variadas e a cada dia o futebol vai ficando mais esquecido por ele. Pra completar o time de Toronto levou uma surra de um time texano (deve ter um monte de mexicanos jogando)!!!