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Tempos de infância

O caminho mais curto para o meu curso de inglês é atravessando um terreno "baldio" enorme e depois passando pelo pátio da escola do Eduardo. Confesso que algumas vezes eu ficava meio indecisa se aquilo era mesmo permitido mas agora até abro o portão se ele estiver fechado e passo sem nenhum problema.

O detalhe é que as crianças, muitas vezes, estão no pátio brincando e eu tenho que tentar desviar das bolas de futebol americano e soccer (tem que se acostumar com a linguagem local, rs). É claro que os professores das crianças menores estão ali observando os pequenos que normalmente fazem o intervalo em horário diferente. Mas já observei que as crianças maiores ficam um pouco mais livres e são observadas apenas por algumas voluntárias, que imagino serem mães de alunos. Mas apesar do portão aberto, ninguém sai do pátio, elas estão mais preocupadas com a bola ou as comidinhas feitas de folhas e terra.

Todo dia quando passo pelo pátio do colégio me sinto transportada para aqueles anos de liberdade da minha infância. Aquela época em que eu brincava na rua da minha casa e minha mãe podia ficar tranquila fazendo os seus afazeres. E olha que eu reclamava porque não tinha liberdade: minha mãe estava sempre me chamando pra saber o que eu estava fazendo e com quem estava brincando.


Observando as brincadeiras daquelas crianças eu também volto ao passado. Os meninos correm de um lado para o outro chutando bola, brincando de pega-pega, fazendo buracos na terra ou apostando quem sobe mais alto nos brinquedos. As meninas fazendo comidinha de folhinha e terra. Algumas seguindo bichinhos no chão, outras dançando, brincando de roda ou daqueles trava lingua cheios de coreografias, falando bem rápido.

Eu passo por aquele pátio cheio de terra voando pra todo lado, as crianças completamente sujas, uma chuva de bolas vindo em minha direção e consigo ver a mim e meus amiguinhos brincando naquele terrão seco.

Muitas vezes quando me aproximo do portão aparece alguma criança sorridente e abre o portão pra mim. Para eles é a coisa mais natural do mundo um transeunte atravessar por ali para cortar caminho.

Mesmo na minha infância segura o meu colégio já tinha muros altos e portão trancado durante o horário de aula (e à noite, é claro). Aqui, o portãozinho que eu atravesso é fechado ao anoitecer; ufa!!!! Mas ainda não faz muito sentido pra mim porque a frente da escola não tem nem um murinho baixo. Tem uma correntinha pra evitar que as pessoas estacionem ali.

Quando começamos comparar o "nosso tempo" com os tempos atuais geralmente somos chamados de velhos e saudosistas. Talvez eu esteja mesmo ficando velha e começando a ficar saudosista, mas fico feliz em imaginar que meus filhos talvez tenham a oportunidade de ter uma infância um pouquinho parecida com a minha. Tenho certeza que eles guardarão lembranças muito boas dela.