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Revoltada


Hoje, todos vão poder dizer que estou reclamando, que estou decepcionada, que estou de mau.



Eu moro perto do Square One e sempre vamos até lá dar uma voltinha. Voltinha é modo de dizer porque além de ser enorme, eu considero o percurso da minha casa até lá um tanto longe para uma criança de 5 ou de 3 anos. Mas ainda assim, nós vamos com frequência até lá, Edu e Helena geralmente caminhando e ainda andamos bastante pelo shopping e depois voltamos: a pé de novo.



Sempre que vamos ao Wal Mart ou à Zellers, eu pego um carrinho e as crianças ficam dentro até a hora de ir embora, mas assim que chegamos ao estacionamento, vai todo mundo para o chão (a Luísa sempre no carrinho dela) e vamos embora: a pé, sempre com um monte de coisas que compramos.



Estes dias, indo até a biblioteca aqui em frente de casa, eu vejo passar uma fulana com um carrinho da Zellers. Sim, ela tinha feito compras e trouxe o carrinho até a porta da casa dela, há mais de um kilômetro do shopping. Em plena luz do dia passou em frente à Prefeitura da cidade na maior cara de pau, como se fosse a coisa mais natural do mundo fazer isso.



E é!!! Tanto é que em frente ao meu prédio a cada dia o número de carrinhos aumenta mais. Quando me mudei pra cá, eu e o Sergio sempre comentávamos de onde teria vindo aquele carrinho de supermercado estacionado em frente ao predio. Passadas algumas semanas um segundo carrinho apareceu. E agora já são 4 ou 5, não estou bem certa.



Sabe aquela história da impunidade e do mau exemplo?? Sabe aquele papo de um imbecil fazer algo errado e nada acontecer e estimular outros imbecis a fazerem o mesmo??



Ontem, voltando da minha aula de inglês, eu vejo bem à minha frente uma inbecil deste tipo levando "seu" carrinho da Zellers cheio de compras. Alguns metros antes de chegar ao nosso prédio (sim, a fulana mora no mesmo predio que eu e ficou com vergonha de levar o carrinho até a entrada), ela pegou suas compras e largou o carrinho estacionado na calçada (atrapalhando a minha passagem, já que eu estava com o carrinho da Helena).



Eu fico furiosa porque acho um desaforo; como vou explicar para meus filhos que eles têm que andar 1 Km enquanto um monte de vagabundos levam suas compras tranquilamente no carrinho do mercado??? De novo eu vou passar por idiota na frente deles? De novo eu vou ter que ficar explicando que aquilo é errado e não acontece nada porque vivemos em um país sem lei?



Minha raiva foi tão grande que uma das sacolas da mulher rasgou e os pratos que estavam dentro ficaram em pedaços no chão. Quando passei por ela, ela estava lá, vendo se algo tinha sido salvo. Fiquei com peso na consciência (agora a idiota fui eu) e ofereci ajuda porque ela estava com várias sacolas (ela não aceitou e depois eu descobri o porquê). No elevador, esperei por ela e ainda apertei o andar dela porque as mãos dela estavam ocupadas e nem um sorriso, nem olhar pra mim pra agradecer.



Mas já me arrependi; de ter desejado mal a ela e de ter oferecido ajuda porque hoje o Sergio viu os cacos azuis que a (bad word) largou no mesmo lugar onde caíram.



Nestas horas eu me lembro de uma frase do Piggley_Winks: Nenhuma boa ação fica impune!