Sep 27, 2009

Escola do Eduardo

A semana passada fomos convidados para visitar a escola do Eduardo. Fomos até a classe dele e conversamos muito com a professora.

Como muitos pais não foram tivemos muito tempo para conversar com a professora sobre o desenvolvimento do Edu. Ela foi toda elogios para ele. Segundo ela, ele começou aprendendo um palavra por dia e agora, após três semanas de aula, já entende praticamente tudo o que ela pede e já consegue formular frases completas também. Neste tempo ele teve muita ajuda de uma brasileirinha que está na mesma classe e que o ajudava traduzindo o que ele dizia ou explicando as coisas a ele.

O método da escola parece ser mesmo construtivista ou muito próximo disso. As salas sao separadas umas das outras por paredes mas a face voltada para o corredor é totalmente aberta. As salas são muito coloridas, com muitas coisas feitas pelas crianças coladas nas paredes. Uma coisa que eu sinto aqui é que existe uma grande preocupação com a socialização e um trabalho forte direcionado para auto estima e respeito às diferenças. E em um país de imigrantes, inclusão é tudo de bom, né?

Uma coisa que nos surpreendeu no primeiro dia de aula foi descobrir que a classe do Edu tem crianças do grade 1 e do grade 2 juntas. Este é um programa do governo de Ontário chamado Combined Grades. Ainda não sabemos exatamente como funciona mas todas as classes da escola são classes combinadas: grade 1/2, grade 2/3, 3/4 e 4/5.

O ênfase para a leitura continua aqui em Toronto como era em Mississauga. Todo dia o Edu traz um livrinho para lermos com ele. Depois anotamos o nome do livro em uma lista e o objetivo é que ele leia 100 livros este ano. Além deste livro, eles mandam toda semana dois livrinhos relacionados às letras que eles estão estudando na semana. Esta semana são as letras P e T. Eles estudam o som e as palavras que têm as letras e nós damos um reforso em casa.

A escola também tem reforso para leitura aos alunos que estão defasados. O Edu não está participando do programa ainda porque ainda não fala inglês. Mas para quem já fala, uma professora fica meia hora todos os dias com cada aluno do programa individualmente. E mais livros para ler em casa...

Na nossa região também tem uma professora de ESL (english as a second language) que entrevista os alunos recem chegados e os pais. Depois ela auxilia estes alunos no aprendizado da lingua. A professora que nos entrevistou nos disse que o Edu está aprendendo muito rápido e que provavelmente não terá nenhum problema. Como a demanda é grande eles dão preferência para crianças de grades mais avançadas, mas é bom saber que se o Edu tiver algum problema vai ter alguém para nos auxiliar.

Nós recebemos também uma lista de revistas que podemos assinar com valores bem mais baixos do que em uma assinatura normal. Cada assinatura que fizermos a escola ganha $10.00. Já estamos dando uma olhada e escolhendo algumas revistas. Se vcs estiverem querendo assinar alguma revista vale a pena dar uma olhada. O código da Escola do Edu é 9320 e a professora é a Mrs Durzi. Desde já nós agradecemos!!!!

Por enquanto o Edu está gostando de tudo e com sua "timidez" já conhece todo mundo. Aliás a professora disse que ele já conhece também as outras professoras e crianças de outras classes. As vezes ele reclama que não falou alguma coisa para um colega porque é tímido, rs, rs, rs... E eu fico imaginando se ele não fosse tímido como seria!

Como ele não conta muitas coisas que faz na escola eu tenho que ir descobrindo nos pequenos comentários que ele faz. Há algum tempo atrás eu li alguma coisa sobre uma programa que as escolas de Vancouver faziam de prevenção de Bullying. No programa, mães levam bebês para passarem algumas horas com as crianças como uma forma de criar um vínculo das crianças com crianças menores.

Não sei se o mesmo programa acontece na escola do Edu mas o fato é que tem um bebê que vai todos os dias na escola e as crianças brincam com ele no intervalo.

A semana passada também teve a Terry Fox Run, em homenagem a um rapaz chamado Terry Fox, que teve uma perna amputada devido a um osteosarcoma e tentou fazer uma corrida de costa a costa do Canadá para angariar fundos para pesquisas contra câncer. Infelizmente ele não conseguiu completar a corrida mas ainda é muito famoso por aqui e todo ano em setembro, é feita a Terry Fox Run com o objetivo de arrecadar fundos.

Eu, o Sergio e as meninas participamos junto com os alunos da escola do Edu em uma caminhada de mais de 2 km aqui pelas redondezas. Foi bem divertido e o Edu adorou nos ver ali. Temos que aproveitar enquanto ele quer que participemos.

Como deu pra ver, só a escola já me consome um bom tempo do dia. Mas eu não tenho do que reclamar porque adorei o lugar e o Edu está super feliz também; que é o que verdadeiramente importa.

Sep 21, 2009

Falando e falando inglês

É uma delícia acompanhar o crescimento e desenvolvimento das crianças bem de pertinho. Eu agradeço todos os dias por esta oportunidade. Todo dia tem novidade por aqui e eu me divirto muito apesar de alguns acidentes de percurso.


Se para nós, adultos, qualquer mudança nos deixa meio atordoados, eu fico imaginando como não fica a cabecinha deles que nem sabem direito o que está acontecendo.


A Luísa nas duas últimas semanas soltou a lingua, e em português, por enquanto.


Até a semana passada ela estava na fase Barbooosa (aquele personagem da TV Pirata que repetia a última palavra das frases, lembram?). Mas esta semana não sei o que aconteceu que ela começou falar frases completas e de vez em quando coloca até os artigos.


Esses dias eu estava lendo O grande livro dos lobos (que eles adoram!!!) e a Luisa me perguntou:


- Mamãe, o coyote morde criança?


A coisa mais linda!!!


Apesar de não estar gostando ainda das aulas do Linc, eu tenho um ótimo motivo para ir até lá todos os dias: as meninas estão adorando. No primeiro dia a Luísa chorou um pouco mas assim que eu saí de perto ela parou (fiquei atrás da porta ouvindo, rs). Já a Helena nao chegou a chorar mas fica dando beijos e abraços e não me deixa ir embora, rs. A partir do terceiro dia as duas já ficaram super bem: deram tchau tranquilamente e foram para o colo da "tia".

Todo dia elas chegam em casa contando alguma coisa diferente que fizeram e cantando as musiquinhas que aprenderam. É muito interessante observar o aprendizado do inglês delas. Muitas vezes a Helena canta partes das músicas falando as palavras corretamente e então ela me pergunta:


- Mamãe, o que é clean up em inglês?


O triste é que algumas palavras e expressões estão entrando definitivamente para a linguagem falada do dia a dia e quando eu vejo, eu mesma já estou falando em inglês: obrigada, por favor, com licença, tudo bem, legal, ai meu deus!!!, de nada, vem aqui, fica quietinho, fazer xixi, entre outras.


Hoje eu peguei um brinquedo que a Luísa queria e ela na maior naturalidade disse:


- Thank you mamãe.

O Edu também está aprendendo muita coisa na escola. Todo dia ele chega em casa com palavras novas e a pronúncia corretissima. Sem contar que já entende muitas coisas e não tem medo de tentar. Hoje ele me contou que as vezes não entende o que a professora falou mas que então varios colegas tentam ajuda-lo a entender. Alem da Débora, que é brasileira, ele tambem já fez amizade com outras crianças e hoje estava me contando:

- Mamãe, as vezes todo mundo quer brincar comigo e eu não sei dizer que eu quero brincar com outra criança.

Imagino como seria complicado pra mim, mas ele tira de letra e só se diverte.

E então eu vou percebendo a grande dificuldade que vários amigos têm em manter o português dos filhos. Não é facil, porque nós também estamos expostos à lingua o tempo todo. E no meu caso, eu também estou aprendendo a falar, tentando melhorar meu vocabulário, minha pronúncia e o tempo todo ouvindo ou lendo em inglês. Chega uma hora que o tico e o teco se cansam de tanto troca-troca e sem perceber a gente começa colocar palavras em inglês no meio das frases ou traduz horrivelmente expressões do inglês para o português.



Nesta história de traduzir pra lá e pra cá a gente tem a impressão de que está esquecendo o portugues. Imagine que lindo esquecer o portugues e não aprender o inglês!!!Em breve vamos ter que usar a linguagem dos sinais para se comunicar. Pelo menos nesta eu acho que não teremos sotaque.

Sep 15, 2009

De volta para a escola

A semana passada eu me matriculei em um linc aqui pertinho de casa e foi meu primeiro dia de aula. Pra ser bem sincera eu não estou muito animada com o lugar. A aula foi super entediante com alguns exercícios de gramática e zero de conversação. Não sei se este é mesmo o melhor método para se aprender inglês. A professora passou também um exercício de vocabulário mas de 38 palavras eu só não conhecia 4. Sem contar que ela fala super devagar como se estivesse conversando com crianças.

Sei lá, acho que o meu outro curso tinha um nível muito maior: eu sofria pra acompanhar e era obrigada a falar, fazer apresentações, ouvíamos rádio, liamos jornal. O vocabulário que o professor nos apresentava era muito maior e pelo menos metade das palavras eu não conhecia. Saí da aula de hoje com um desânimo enorme, achando que vou mais perder tempo do que outra coisa.

O grande ponto positivo foi o child care que tinha vagas para a Helena e para a Luísa, o que pode ser muito bom para as duas começarem a ter contato com o inglês, alem do contato com outras crianças. Só fiquei um pouco insegura porque todas as funcionárias são imigrantes também e possuem um sotaque super carregado; será que vai ser mesmo bom para as meninas aprender inglês com quem tem sotaque?

Vou insistir até o final da semana e ver se alguma coisa melhora. Quem sabe não foi apenas uma má impressão de primeiro dia de aula.

Sep 11, 2009

Liberal, libertário, libertino

Por muito tempo eu acompanhei um blog com este nome. Já faz algum tempo que não entro nele mas acho o nome muito interessante. Desde que fomos para os Estados Unidos em 2004, eu e o Sergio temos uma brincadeirinha sobre liberdade.
Quando eu pergunto se posso fazer alguma coisa ele sempre responde: "este aqui é um país livre, Lena". É uma frase muito usada pelos americanos mas que muita gente, mesmo os próprios americanos, muitas vezes não conseguem entender direito.

Acho que eu demorei um pouco pra descobrir o verdadeiro significado da palavra liberdade, e hoje, mesmo que digam que liberdade não existe e que na verdade eu sou induzida a acreditar que tenho liberdade pelas forças manipuladoras (rs, rs, rs), eu me considero uma pessoas com muita liberdade. E melhor, morando em um país livre.

Na verdade estou falando tudo isso porque com o início das aulas muitos pais começam a discutir qualidade de ensino, a melhor escola para colocar os filhos, se as escolas católicas são melhores que as públicas (ambas gratuitas em Ontário)... e a frase que eu mais ouvi até agora foi:

"Vou colocar meus filhos na escola católica porque a escola pública é muito liberal".

Calma, não estou citando ninguem em especial, porque na verdade vários leitores do blog me disseram esta frase, e muitos outros amigos fora da internet disseram a mesma coisa. Parece que esta é uma grande preocupação dos brasileiros por aqui e também de outros latinos.

E eu fiquei super confusa porque uma coisa que eu prezo muito é exatamente esta história de ser liberal. Não sei se é por causa da minha vida escolar que de liberdade não teve nada: estudei em escola pública na transição da ditadura e depois em escola católica ultra conservadora no colegial (ensino médio para os mais novos, rs). Sempre achei o ambiente escolar um lugar autoritário, opressivo, onde as crianças se sentiam constantemente ameaçadas por professores inimigos.

Dá pra contar nos dedos de uma só mão os professores legais que eu tive; compreensivos e que tinham prazer em ensinar. Como a vida escolar do Sergio não foi mais prazeirosa que a minha (nem sei como ainda insistimos em estudar mais 10 anos após o colegial) nós sempre nos preocupamos com a escola das crianças. Não bastava ter qualidade, tinha que ter um método mais liberal, e de preferência laico (eu fico de cabelo em pé quando as escolas misturam religião com educação!).

Apesar da constatada qualidade do ensino canadense, eu sempre me preocupei muito com o método por aqui. Até agora ninguem conseguiu me explicar que linha as escolas daqui seguem. Alguns dizem que é construtivista mas ainda não sei. O que sei é que todo mundo tem medo porque as escolas são ditas liberais, seja lá o que isso signifique.

Quando comentei com uma conhecida onde o Edu ia estudar este ano ela me disse: "Esta escola é ótima!!! Ela não é tao liberal como as outras; ela é mais família".

Devo confessar que achei a descrição muito engraçada. Quer dizer que liberdade não é uma coisa de ambiente familiar? Hum, preciso rever os meus conceitos, rs, rs, rs.

Então eu queria que as minhas conselheiras espalhadas pelo mundo me ajudassem a entender:

- Por que uma escola liberal não é legal?
- O que quer dizer "escola liberal demais"?
- Será que um ambiente liberal pode transformar os meus filhos em jovens libertinos? rs, rs

Eu não sei a resposta, mas gosto da idéia de liberdade. Gosto de deixar as crianças escolherem, gosto que eles participem das decisões sempre que possivel. Gosto quando eles fazem as coisas por consciência, por acreditar que aquilo é o certo e não por medo ou por obrigação. Sempre procuro conversar e explicar o porquê de tudo e ensiná-los a decidir por si, a pensar e entender que pra toda ação existe uma reação.

Não tenho dúvidas de que este é um caminho mais difícil, mais trabalhoso, que requer muita paciência e muita saliva. As crianças questionam, discutem e não aceitam respostinha pronta. Pra tudo eu tenho que ter uma explicação e muitas vezes tenho que voltar atrás da minha decisão para ser justa e coerente.

Por isso me atrai muito esta idéia de que as escolas públicas canadenses são liberais. Acho que vai ser muito bom meus filhos crescerem em um ambiente assim, sem tabus e preconceitos. Será que tem mais alguma coisa neste liberal que eu não sei? Por favor me contem porque não vi problema nenhum nisso.

Sep 9, 2009

Os perigosíssimos nuts


Na foto ao lado está representado alguns tipos de nuts. Estas coisinhas gostosas que costumamos comer no Natal lá no Brasil, são os inimigos número 1 das crianças do Canadá. Existe uma verdadeira neurose a respeito deles, os nuts, e muitos produtos alimentícios trazem escrito bem grande na embalagem: NUTS FREE.


Não conter nuts na composição é uma qualidade do produto, rs.


Em qualquer escola ou daycare que a gente entre os nuts sempre são citados. Eles sempre especificam que todos os alimentos fornecidos pela escola é livre de nuts e quando falam sobre o lanche que vc deve levar para seu filho, repetem várias vezes que os nuts são proibidos.


As duas vezes que fui até a escola do Edu pedir informações eles me explicaram sobre os perigos dos nuts: "temos crianças alérgicas que podem se asfixiar com a mínima ingestão deste tipo de alimentos" me disse a diretora.


Quando eu perguntei se poderia mandar chocolate ou suco de frutas, ela me olhou com um certo estranhamento. Parecia que eu tinha falado uma bobagem enorme. Então eu expliquei que na escola que o Edu frequentou em Mississauga era proibido levar sucos (só podia levar água pra ser mais exata) e tb não podia chocolate, bolacha recheada, doces e é claro, os nuts. A diretora ficou bem surpresa e disse que eu posso mandar o que eu quiser desde que seja nuts free.


Hoje, quando cheguei na escola para pegar o Edu me deparo com a professora conversando com um outro pai de aluno e segurando o lanche do Eduardo. Enquanto esperava ela terminar com o outro pai eu fiquei tentando imaginar porque o lanchinho dele tinha sido apreendido.


O Eduardo disse que ela só deixou ele comer um pedacinho do pão e apreendeu o resto, rs. Quando ela veio na minha direção eu já estava rindo porque entendi o que estava acontecendo.


Ontem eu comprei doce de leite, atendendo aos pedidos do Eduardo (Denise, ele ficou me cobrando o dia todo, rs) e mandei de lanche. A professora ficou desesperada achando que era algum tipo de amendocrem, rs. Eu expliquei o que era e disse que ela podia ficar tranquila, afinal, até eu estou começando a ter medo deste veneno poderoso.

Sep 8, 2009

E as aulas recomeçaram

Enfim, depois de um longo e maravilhoso verão canadense, estamos entrando de novo na rotina e tentando se organizar.

Hoje foi o primeiro dia de aulas do Edu e como de costume, a família inteira foi pra porta da escola dar tchauzinho. Como as meninas estavam de pijamas ainda, eu acabei indo sozinha com o Edu até o portão. Ele estava muito nervoso: ao mesmo tempo que queria que eu fosse embora para a aula começar logo, ele também nao queria ficar sozinho naquele ambiente onde ninguem falava a lingua dele.

Assim que vi a professora, fui apresentá-lo e ela já sabia que ele não falava inglês. Ela foi muito simpática e atenciosa. Todas as professoras ficaram ali no patio recebendo os alunos por uns 10 minutinhos e em seguida eles formaram uma fila indiana e foram para suas salas. Pra variar o Edu não deu trabalho nenhum. E pra falar a verdade, ninguem deu. É muito interessante ficar observando o relacionamento dos pais com os filhos por aqui. Não vi nenhuma criança chorando ou no colo da mãe sem querer entrar. No Brasil o primeiro dia de aulas era uma novela mexicana e alguns alunos reprisavam o dramalhão por varias semanas. Aqui parece que é bem mais tranquilo.

A única pessoa que eu vi chorando foi uma mãe brasileira, muito manteiga derretida que quando viu seu filhinho todo contente acompanhando a professora se emocionou e caiu no choro: um micão e tanto na frente dos outros pais!!! Ainda bem que o Edu não viu!!!

Ainda estamos tentando entender como funcionam as coisas na escola, mas estamos realmente apaixonados. A escola é bem pequena e simples, mas é linda!!!! O sinal toca as 8:45 mas eu posso deixar o Edu no patio a partir das 8:30. O horário de saída é em torno de 3:20 e eu devo pegá-lo no patio.

O que ainda me causa um pouco de estranhamento é o fato de ser tudo aberto, ou seja, não tem portão, nem grade, nem correntes e cadeados. No mesmo local onde eu o deixo e pego, fica o playground onde ele brinca no intervalo. Ele tem dois intervalos curtos de 15 minutos cada e o horário do almoço que deve ser de 45 minutos. Eu poderia pega-lo para almoçar em casa, mas conhecendo meu filho eu resolvi deixa-lo pra comer na escola, então tenho que mandar o almoço.

Nesta escola não tem professor especial para crianças que não falam inglês. Eu até fiquei meio preocupada no inicio mas quando fui busca-lo fiquei mais tranquila porque uma coleguinha de classe dele é brasileirinha. Conversando com a mãe da menina eu descobri que já a conheço via internet. Participamos por algum tempo de um grupo de discussão sobre o Canadá e eu acompanhava o blog do marido dela.

O Eduardo recebeu uma agenda muito legal que custará $6.00 (seis dolares). Na sexta feira eu fui buscar a lista de materiais e descobri que não tem lista: tudo o que o Edu vai precisar a escola provem. Ele só deve levar alguma coisa se quiser um lápis diferente ou alguma outra coisa que ele goste. Em pensar que eu recebia uma lista de material kilométrica na antiga escola brasileira e a agenda da escola era mais simples e bem mais cara, rs.

Recebemos varias circulares e folhetos explicativos sobre como funcionam as coisas. Em um destes folhetos eles falavam um pouco do método de ensino e que este ano as classes são combinadas. A classe do Edu é uma classe grade 1/2. E o grade 3 é combinada com o grade 4. Ainda não tenho detalhes de como isto vai funcionar. Pra quem quiser mais informações este link explica direitinho como vai funcionar. Esta será a minha lição de casa amanhã.

Enfim: não tem coisa melhor do que ver seu filho sair todo alegre da escola no primeiro dia de aula e correr para os seus braços. Não sei se eram saudades ou ele estava me agradecendo por te-lo levado à escola. Não importa. O importante é que ele está super feliz!

Sep 6, 2009

AGO - art gallery of ontario


A semana passada finalmente fomos até a Galeria de Artes de Ontário. Eu estava louca para conhecer e também porque queria comprar algumas gravuras para colocar em casa. Apesar de querer voltar outras vezes, eu confesso que fiquei um pouco decepcionada.

O acervo não tem muitos pintores conhecidos (pelo menos não os que eu "conheço" e gosto) mas pra compensar tem muitos pintores canadenses dos quais eu gostei muito. Em especial o pintor Lawren Harris que faz parte do grupo dos sete. Estes sete pintores canadenses, inspirados na obra de Tom Thomson iniciaram um movimento nacionalista na pintura Canadense retratando as lindas paisagens do país. Em 1920 eles fizeram a primeira exposição em Toronto (uma espécie de semana de arte moderna) e as obras expostas se tornaram "orgulho nacional".

Eu não gostei muito da disposição das obras, achei meio confuso para os meus parcos conhecimentos. Prefiro quando tem uma ordem cronológica. E também não entendi muito bem umas salas com várias obras sem nenhuma identificação; algumas maravilhosas por sinal.

Mas o que me decepcionou muito, entretanto, foi o tratamento que recebemos dos funcionários da galeria. A sensação que eles me passaram o tempo todo foi de que meus filhos não eram bem vindos; de que aquele lugar não era para crianças e eles precisavam ficar me vigiando o tempo todo.

Eu entendo que uma obra de arte é uma peça única e que uma vez danificada pode ser impossível recuperá-la. Eu sei que elas valem muito e que criança é um serzinho lindo mas imprevisível.

Entretanto, existem formas mais educativas de se proteger o acervo e ainda incentivar as crianças a gostarem deste tipo de passeio. Eu já fui a muitas outras galerias de arte com meus filhos e nunca tive nenhum problema. Sempre tive o bom senso de segurar os pequenos no colo ou no carrinho (o que ainda faço com a Luísa), mas fico tranquila em relação ao Eduardo e à Helena que nunca mexeram em nada.

Me senti constrangida com o excesso de zêlo dos funcionários que ficavam literalmente fungando em nosso cangote o tempo todo. Em cada sala que entrávamos aparecia um segurança que ficava no nosso encalço até irmos embora.

É bem verdade que muitos pais não conseguem controlar os filhos e que muita gente não sabe se comportar nestes lugares. Ao invés de constranger a todos eu acho mais simpático colocar alguma proteção entre o público e as obras. No MASP tem aquela cordinha que não pode ser ultrapassada e que é mais do que suficiente para impedir que as pessoas toquem nas obras.

Da maneira como eles fazem muitos pais vão deixar de levar os filhos e depois a gente reclama que os jovens não gostam de cultura. Será que se estes lugares fossem mais agradáveis para o público infantil e para os pais, as pessoas não se interessariam mais? Ou será que a intensão é mesmo desestimular a visitação com crianças?

Sep 3, 2009

Amizade de longe

Conforme o tempo vai passando a saudade vai apertando e a gente começa sentir a verdadeira perda que temos ao imigrar: o contato com as pessoas. Não estou falando só da família e amigos que eu já tinha no Brasil porque isso é igual pra todo mundo; para mim, para outros brasileiros e para todos os outros imigrantes em qualquer lugar do mundo.


Eu sinto falta da proximidade, daquela naturalidade com que os brasileiros se aproximam, falam, beijam, abraçam, brincam.


Infelizmente não sou só eu quem está sentindo falta: o Sergio e as crianças também estão. Estamos todos carentes deste contato e deste afeto. Quando um amigo telefona pra marcarmos alguma coisa parece que o dia se ilumina, todo mundo fica animado. As crianças nem querem mais saber para onde vamos; eles sempre perguntam com QUEM vamos.


Não posso dizer que tenho dificuldade pra fazer amigos porque mesmo sendo muito tímida deixei um lista enorme de pessoas queridas no Brasil. Ainda converso com quase todo mundo e tem sido muito bom saber que deixei varias pessoas saudosas por lá, rs.


Aqui também não tenho muito do que reclamar porque já ando no bairro com um sorriso estampado para facilitar os cumprimentos. As pessoas aqui, mais até do que em São Paulo, são muito amáveis, gentis, cumprimentam e vêm conversar. Vários vizinhos já vieram se apresentar, se colocaram à disposição para qualquer coisa e já nos encheram de perguntas sobre nossa vida, algumas até um tanto pessoais e indiscretas, eu diria, rs.


A diversidade é enorme e posso dizer que em termos de simpatia todo mundo tem sido muito parecido. Já tive a oportunidade de conhecer indianos e paquistaneses pessoalmente, coisa que nunca tinha feito antes no Brasil; e também pessoas nascidas em Malta, Iraque, Irã, Bósnia, República Tcheca, Argélia, Somália, Afeganistão, Palestina, Macedonia, Filipinas, Indonésia, Rússia e outros tantos países que só conhecia no mapa ou pela TV. Sem contar os Europeus que tem aos montes no Brasil, rs. E todo mundo foi gentil e simpático.


Cada uma destas pessoas tem uma história, tem uma cultura, tem um jeito de ser e no fundo somos todos iguais. Mas por mais que a gente se encontre todo dia, converse, troque experiências, eu sinto falta do contato, daquela intimidade que só conseguimos ter com brasileiros. Sabe aquela coisa que a gente tem de dar um beijinho (ou dois, ou três pra casar) sempre que se encontra? Mesmo que tenha passado o dia anterior inteiro junto? E é um tal de abraça daqui e beija dali, e a criançada pulando de colo em colo e aquela conversa animada cheia de histórias e trapalhadas...


Eu sinto muita falta disso. As vezes vejo meu vizinho no portão (tudo bem, aqui não tem portão, mas deu pra entender, né?) e fico morrendo de vontade de ir lá conversar, mas as pessoas te cumprimentam passando, quase se despedindo e eu não consigo me aproximar.


E quando eles se encontram entre si é sempre meio frio, meio distante, com aquela cerimônia de primeira visita. Por mais que sejam amigos um não vai à casa do outro e se vai fica na porta; se entra, sai rapidinho. Até as crianças são mais contidas e não se aproximam muito.

Eu sei que é cultural e não estou reclamando (antes que algum anônimo diga que devo voltar para o Brasil, rs) mas tenho sentido falta deste contato.

Pra minha alegria, já encontramos alguns casais aqui para suprir estas nossas carência e estamos nos aproveitando ao máximo!!! E tenho certeza que este vai ser o meu grande desafio por aqui: aprender esta nova forma de amizade, esta proximidade meio distante, este contato sem toque, esta presença de longe...

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!