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Amizade de longe

Conforme o tempo vai passando a saudade vai apertando e a gente começa sentir a verdadeira perda que temos ao imigrar: o contato com as pessoas. Não estou falando só da família e amigos que eu já tinha no Brasil porque isso é igual pra todo mundo; para mim, para outros brasileiros e para todos os outros imigrantes em qualquer lugar do mundo.


Eu sinto falta da proximidade, daquela naturalidade com que os brasileiros se aproximam, falam, beijam, abraçam, brincam.


Infelizmente não sou só eu quem está sentindo falta: o Sergio e as crianças também estão. Estamos todos carentes deste contato e deste afeto. Quando um amigo telefona pra marcarmos alguma coisa parece que o dia se ilumina, todo mundo fica animado. As crianças nem querem mais saber para onde vamos; eles sempre perguntam com QUEM vamos.


Não posso dizer que tenho dificuldade pra fazer amigos porque mesmo sendo muito tímida deixei um lista enorme de pessoas queridas no Brasil. Ainda converso com quase todo mundo e tem sido muito bom saber que deixei varias pessoas saudosas por lá, rs.


Aqui também não tenho muito do que reclamar porque já ando no bairro com um sorriso estampado para facilitar os cumprimentos. As pessoas aqui, mais até do que em São Paulo, são muito amáveis, gentis, cumprimentam e vêm conversar. Vários vizinhos já vieram se apresentar, se colocaram à disposição para qualquer coisa e já nos encheram de perguntas sobre nossa vida, algumas até um tanto pessoais e indiscretas, eu diria, rs.


A diversidade é enorme e posso dizer que em termos de simpatia todo mundo tem sido muito parecido. Já tive a oportunidade de conhecer indianos e paquistaneses pessoalmente, coisa que nunca tinha feito antes no Brasil; e também pessoas nascidas em Malta, Iraque, Irã, Bósnia, República Tcheca, Argélia, Somália, Afeganistão, Palestina, Macedonia, Filipinas, Indonésia, Rússia e outros tantos países que só conhecia no mapa ou pela TV. Sem contar os Europeus que tem aos montes no Brasil, rs. E todo mundo foi gentil e simpático.


Cada uma destas pessoas tem uma história, tem uma cultura, tem um jeito de ser e no fundo somos todos iguais. Mas por mais que a gente se encontre todo dia, converse, troque experiências, eu sinto falta do contato, daquela intimidade que só conseguimos ter com brasileiros. Sabe aquela coisa que a gente tem de dar um beijinho (ou dois, ou três pra casar) sempre que se encontra? Mesmo que tenha passado o dia anterior inteiro junto? E é um tal de abraça daqui e beija dali, e a criançada pulando de colo em colo e aquela conversa animada cheia de histórias e trapalhadas...


Eu sinto muita falta disso. As vezes vejo meu vizinho no portão (tudo bem, aqui não tem portão, mas deu pra entender, né?) e fico morrendo de vontade de ir lá conversar, mas as pessoas te cumprimentam passando, quase se despedindo e eu não consigo me aproximar.


E quando eles se encontram entre si é sempre meio frio, meio distante, com aquela cerimônia de primeira visita. Por mais que sejam amigos um não vai à casa do outro e se vai fica na porta; se entra, sai rapidinho. Até as crianças são mais contidas e não se aproximam muito.

Eu sei que é cultural e não estou reclamando (antes que algum anônimo diga que devo voltar para o Brasil, rs) mas tenho sentido falta deste contato.

Pra minha alegria, já encontramos alguns casais aqui para suprir estas nossas carência e estamos nos aproveitando ao máximo!!! E tenho certeza que este vai ser o meu grande desafio por aqui: aprender esta nova forma de amizade, esta proximidade meio distante, este contato sem toque, esta presença de longe...