Oct 30, 2009

Hipocrisia

-Assistir os programinhas da Luciana Gimenes com aquele monte de mulheres fruta semi-nuas, pode.

-Acompanhar o Pânico na TV com a Sabrina Sato e outras amigas em roupas mínimas, pode.

-Não perder um concurso da mulata mais "talentosa" no Caldeirão do Huck, pode.

-Não perder um baile funk e saber todas as coreografias "sensuais", pode.

-"Ficar" com o primeiro fulano que aparece na sua frente na balada, pode.

Agora na faculdade, um ambiente familiar, uma minissaia realmente é inapropriado.

Não estou defendendo a menina. A minissaia era muito curta mesmo. Mas muito curta para ser usada em qualquer lugar. Eu sou absolutamente contra esta "sexualização" que está acontecendo já faz algum tempo, em que se perdeu totalmente o senso do ridículo. As pessoas não sabem mais qual a diferença do sensual para o vulgar.

Eu, que geralmente sou muito liberal, fico horrorizada em ver as roupinhas mínimas que as meninas usam para ir pra "balada". E fico ainda mais horrorizada em ver a idade das meninas com estas roupas. Abomino ver crianças dançando estes funks baixaria e os pais aplaudindo como se fosse a coisa mais linda do mundo.

Mas o que fizeram com a estudante da Uniban foi muito mais do que hipócrita. É vergonhoso ver como os jovens são conservadores. No escurinho, atrás da porta, misturados na multidão pode tudo. Mas no convívio social temos que manter a velha imagem preservada. É exatamente a mesma preocupação que os antigos tinham em relação à imagem das suas filhas: "o que os outros não vão pensar?!".

Será que estes jovens que "apedrejaram" a minissaia da menina realmente podiam atirar a primeira pedra? E eu que pensava que a maioria dos homens gostasse de mulher. Depois as cidades ganham fama e o pessoal reclama, rs.

Oct 27, 2009

Swine flu: esqueçam as teorias de conspiração


Talvez eu seja uma pessoa muito inocente que vive flutuando perdida pela Terra sem ter consciência das coisas horrososas que estão sendo tramadas às minhas costas. Mas sabe que eu prefiro assim? Estou cansada destas teorias conspiratórias que os governos, pesquisadores, gente poderosa e má ficam tramando para destruir a humanidade.

Com o aparecimento da gripe suina muitas histórias já apareceram pela internet e pra meu espanto, estas histórias não correm somente entre as cabeças brasileiras; parece ser um fenômeno mundial.

Meu Landlord está tentando "abrir meus olhos" para este complô que os EUA fizeram, criando este vírus com o objetivo de diminuir a população mundial. Como aparentemente o vírus não saiu assim tão fatal quanto eles imaginavam, eles produziram então esta vacina para terminar o trabalho que o vírus sozinho não conseguiu realizar.
O que me adimira é que os Estados Unidos queira começar a diminuir a população no seu próprio quintal.

A outra história que vi circular por aí dizia que foi tudo um plano para matar o presidente dos Estados Unidos. Como é que é??? Deixa eu ver se entendi direito esta história: eles criam um virus no México para matar o presidente americano à custa de uma pandemia? Não tinha um jeito mais fácil ou eu estou flutuando mesmo?

O fato é que milhões de histórias deste tipo já foram criadas e nunca nada foi provado: o Tancredo Neves foi assassinado, o acidente da princesa Diana foi planejado pela rainha da Inglaterra e muitas outras que não me lembro no momento. Vc se lembra de alguma?

Só que neste caso específico, eu acho que a brincadeira pode se transformar em uma coisa realmente séria. Eu vi uma "blogueira da área da saúde" falando há algum tempo atrás que a mídia do Canadá faz muita tempestade em copo d'água e que a gripe suína não era assim tão perigosa. Além disso, ela dizia, que a gripe normal também mata. Não sei a opinião dela diante das 1380 pessoas que morreram de gripe suína no Brasil.

Bom, tudo isso pra dizer que a Swine Flu apareceu aqui em Toronto matando um pré-adolescente aparentemente saudável. Hoje foi iniciada a campanha de vacinação de todos os residentes de Ontário e aparentemente muita gente está decidida a não dar a vacina aos seus filhos: meu landlord por exemplo.

Eu não vou fazer propaganda da vacina, apesar de todos saberem minha opinião. Estou conversando com a pediatra das crianças e juntos estamos decidindo o que é melhor para minha família.

Meu conselho para todos os moradores aqui do Hemisfério Norte é: leiam, se informem. Procurem orientação com os médicos de sua confiança, procurem informações em sites confiáveis, de origem segura e pensem bem antes de tomar qualquer decisão.

Não deixe que um autor de blog comande as suas vidas. Lembre-se que a pessoa que está por traz do blog é alguem como vc, mas que vc não conhece. Não acredite em tudo o que eu digo só porque eu disse: pense no senso das coisas, veja se as informações fazem sentido. Cuidado com estas correntes conspiratórias: elas mais confundem do que auxiliam em alguma coisa.

Neste momento não importa muito de onde veio este virus e nem qual o objetivo da sua criação. Ele já está matando. Avalie o risco e tome a sua decisão. Eu estou torcendo para que este pesadelo passe logo e possamos voltar a reclamar dos problemas brasileiros, rs.

PS: só por curiosidade: vc vai tomar a vacina (ou tomaria?)

Oct 25, 2009

É tão lindo que dá vontade de chorar


O outono chegou com força total esta semana e bastou não sair de casa um dia para encontrar as ruas com outra cara. Meu bairro está todo alaranjado e o chão forrado de folhas. Ainda com as terríveis lembranças de bueiros entupidos e enchentes, a gente fica pensando o que fazer com tanta folha.

Mas o espetáculo é lindo e nós não nos cansamos de rodar por aí fotografando tudo. É uma pena que a máquina fotográfica ainda não consiga captar o que só o olho da gente consegue ver. Não dá pra descrever, não existem palavras, não adianta filmar. É uma verdadeira transformação que a mãe natureza sofre para se preparar para mais um inverno.

Tudo bem que o fundo do meu quintal se transformou em um verdadeiro tapete de folhas e nem 10% delas caíram da minha árvore, mas ainda assim tudo é muito lindo e eu já fico imaginando o tipo de árvore que vou querer no meu jardim quando eu tiver a minha casa própria, rs. Juntar folhas naquela paisagem linda tem sido muito prazeiroso, mesmo com 4°C.
Como eu sempre digo e agora as crianças repetem: "É tão lindo que dá até vontade de chorar!"

Oct 21, 2009

Apresentação do Eduardo


O Edu chegou em casa todo animado hoje à tarde. A professora disse que a apresentação foi muito boa e que ele se saiu muito bem. É claro que ela o ajudou na leitura do livro e provavelmente na explicação das coisas que ele levou. Sem contar que ele tem a amiguinha brasileira que faz algumas traduções para ele, rs.

Eu fiz uma colagem com algumas fotos dele desde a maternidade até a nossa vinda para o Canadá. Também mandei um cartão que os amiguinhos da escola do Brasil fizeram pra ele com uma foto de toda a turma e da professora Renata, que é um amor.

Quando cada um deles nasceu eu montei uma pastinha com várias coisinhas que vou guardando como a vela do batismo, a primeira chupeta, o primeiro cabelinho que cortei, a primeira escova de dentes e todas as velinhas dos aniversários; até os testes de gravidez que fiz em casa estão na pastinha, rs. Deixei que ele escolhesse o que queria levar e ele levou o cabelinho, a escova de dentes e a velinha do primeiro aniversário.

Quando perguntei se ele queria levar a primeira chupeta também (o primeiro amor da vida dele, rs), ele pensou um pouquinho e depois disse:

- Hummm, acho melhor não!!!

Tambem mandei uma foto da nossa família (que está ilustrando o post) e lá foi ele todo animado.

Confesso que passei o dia pensando nele, porque eu fico muito nervosa quando tenho que fazer algum tipo de apresentação. Mas se deus quiser ele vai ser bem diferente de mim.

O fato é que estamos muito orgulhosos do nosso menino. Eu fico impressionada com a coragem que ele tem de chegar em uma escola sem conhecer ninguem, sem falar o idioma e, em menos de 2 meses já fez uma apresentação, leu um livro para a turma e já entende tranquilamente o que a professora diz. E sempre assim: como se fosse a coisa mais natural do mundo, na maior alegria e animação!

PS: Ma obrigada pelo elogio mas nunca pensei em ser escritora. Vou pensar no assunto, rs. Mas como sou meio perfeccionista com o que escrevo, acho que só conseguiria escrever um único livro e, com publicação póstuma, rs.

Oct 20, 2009

Sonhar em inglês

Bom este é o meu sonho: conseguir sonhar em inglês. Mas enquanto não consigo realizar o meu sonho vou me divertindo com o Edu.

Agora há pouco ele estava falando enquanto dormia. Falava coisas que não dava pra entender até que de repente ele começa pedir socorro: em inglês!!! E então eu percebi que ele estava falando em inglês, rs.

Mas até entendo o que aconteceu: amanhã ele terá uma apresentação na escola. Pois é, nem fala o idioma e já terá uma apresentação para a classe.

Ele fez, com a ajuda do Sergio, o timeline da vida dele contando e desenhando os principais acontecimentos desde que ele nasceu. Agora estou imprimindo algumas fotos para ajudar na ilustração do trabalho. Além disso, ele tem que levar um livro que ele goste para ler para a classe.

Nós o ajudamos a escolher um livrinho em inglês bem facinho pra ele conseguir ler e treinamos algumas vezes com ele hj.

Mesmo o tranquilizando, ele está bem ansioso e preocupado com a apresentação. Está aí o motivo destes sonhos agitados em inglês.

Oct 17, 2009

Frio e Calor

Eu sempre reclamei do frio no Brasil, isto porque em São Paulo a gente passa muuuuuito frio. Pelo menos na minha casa nunca teve aquecimento e eu detesto ficar cheia de blusas dentro de casa, então ficava mal agasalhada e reclamando.

Pra compensar, no verão, eu me proibia de reclamar do calor. Eu sempre ficava com aquele sorriso de felicidade estampado pra não dizerem que sou reclamona, mesmo quando minha pressão estava lá embaixo e eu mal conseguia ficar de pé.

Quando comecei contar para as pessoas que viria morar no Canadá depois do choque inicial todo mundo me perguntava:

- Mas se vc não gosta de frio porque escolheu justamente o Canadá?

Na verdade, não é que eu não goste de frio. Eu não gosto é de passar frio. Mesmo agora com as temperaturas acima de zero grau eu já estou usando meu casaco preparado para -30°. Já ando de cachecol o tempo todo, meia grossa, luvas e quando as temperaturas estão abaixo de zero pela manhã eu já coloco uma segunda pele sob a calça.

É bem verdade que as vezes eu passo um pouco de calor mas eu prefiro, até porque posso tirar a maioria das coisas assim que entro em qualquer lugar fechado e em casa posso ficar à vontade só de jeans e camiseta.

Quer dizer, uma pessoa normal fica assim... o Sergio e as crianças, chegam em casa e já vão arrancando os casacos, meias, luvas, moletons, etc. Eu ainda fico um tempinho a mais com o casaco e vou tirando tudo aos poucos porque realmente sinto muito frio.

Eu me sinto muito confortável nos 24° mas se a temperatura da casa chega nos 23° todo mundo começa suar e ficam reclamando que está calor. Então decidimos manter a casa nos 21° e eu fico de blusinha e meinha o tempo todo, rs. Coisas da democracia!!!

Na verdade estamos constantando que nunca passamos tanto calor na vida como temos passado por aqui. Como marinheiros de primeira viagem a gente sai de casa com todos os acessorios e quando chega nos lugares fica com preguiça de carregar tanta coisa e acaba passando calor.

Mas fiquem tranquilos que já estamos aprendendo: ultimamente eu tenho ido pra aula de ingles de camiseta, casacão e cachecol. E as meninas vão com uma blusinha bem fininha também. Como vamos de carro nem dá tempo de sentir frio e assim podemos tirar o casaco e não passar calor durante as aulas. Porque sair do Brasil pra passar calor no Canadá é demais, né?

Oct 15, 2009

10, nota 10!

Calma, não é apuração de escola de samba do Rio de Janeiro ou de São Paulo!!!

Ainda lá em São Paulo, eu tinha um quadro que eu deixava no armário das crianças e nele eu colocava sorrisos ou carinha triste dependendo do comportamento deles. Quem me deu a idéia disse que eu deveria dar alguma coisa para eles quando eles completassem um certo número de sorrisos, mas eu não gosto deste negócio de recompensa. Acho perigoso ensinar a criança a fazer coisas boas só pra ganhar alguma coisa. E o interessante foi que as carinhas funcionaram super bem mesmo sem nenhum premio. Ninguem queria que eu colocasse uma carinha triste no seu lado do quadro.

Quando viemos para o Canadá eu acabei não fazendo outro quadro pra eles, mas comecei a dar nota para o comportamento deles. Então, quando vamos a algum lugar e eles se comportam bem, eu distribuo um monte de notas 10 e fica todo mundo feliz. Quando alguém dá algum piti, acaba ganhando uma nota mais baixa e então começam as reclamações, o chororô e a tentativa de melhorar o conceito comigo, rs.

Só que esta história das notas acabou virando uma mania aqui em casa e eles estão sempre preocupados com a nota que vão ter. As vezes, um deles começa fazer alguma manha ou alguma coisa errada e o outro já avisa:

- A mamãe vai te dar uma nota baixa!!!

E não é que na maioria das vezes funciona? Com esta história de nota eles comem, não brigam e não dão piti nas lojas.

Bem, na verdade, de vez em quando não tem ameaça que de jeito. Quando a Helena está com fome ou com sono, ela começa choramingar e não tem nota baixa que a console:

- A minha nota é dez (e cai no choro!!!).

E agora até a Luísa entrou na onda. Vira e mexe ela me pergunta:

- Mamy, qual é a minha nota?

E se eu falo uma nota diferente do 10, ela responde:

- Não mamy, minha nota é 10 (não que ela saiba o que isso significa).

O Eduardo, já vai para a chantagem propriamente dita. Quando ganha nota baixa ele começa:

- Vc não gosta mais de mim, eu sei que não gosta!!!

PS: falando da chantagem do Edu eu me lembrei de quando euzinha era criança, briguenta e chorona. Se minhas amigas não faziam o que eu queria, eu quebrava o pau e chegava em casa choramingando:

- Ninguém gosta de mim, ninguém brinca comigo, bla bla bla...

Será que é algum problema genético?

Oct 13, 2009

Google street view

Eu peguei a dica do Google Map no blog da Camila e fiquei passeando por Toronto e principalmente pelo meu bairro.

Pra quem ainda não conhece, este google street view é um carrinho da empresa google que sai por algumas cidades fotografando as ruas em 360°. Aqui no Canadá já foram fotografadas as cidades de Toronto, Quebec City, Calgary, Montreal, Squamish, Whistler, Waterloo, and Ottawa Kitchener.

As fotos da minha rua ficaram perfeitas e dá pra ver direitinho os carros do nosso landlord e a grama cheia de dandelion, rs. Mas eu não sei se ia gostar muito de ser fotografada. A garagem do meu vizinho por exemplo, estava aberta e muitas pessoas são pegas em situações não muito legais pra aparecerem.

Eu imagino que tenha muita gente insatisfeita com a iniciativa, apesar de ser bem legal. Pra quem está chegando em Toronto vale a pena dar uma passeada pelo bairro onde vai ficar pra já ter uma idéia do que te espera.

Oct 12, 2009

Thanksgiving

No meu primeiro Thanksgiving no Canadá eu tenho muito o que agradecer. Este ano está sendo um ano muito especial na minha vida e acredito que na do Sergio e das crianças também.

Mesmo com muitas dificuldades já realizamos muitas coisas e posso dizer que já conquistamos a qualidade de vida com a qual tanto sonhamos.

Tenho que fazer um agradecimento muito especial pela saúde e desenvolvimento dos meus filhos, minha maior alegria na vida.

Tenho que agradecer pelos amigos que cruzaram meu caminho aqui no Canadá e que estão sempre por perto nos ajudando e alegrando ainda mais os nossos dias.

E agradecer por tantos amigos que mesmo à distância nunca se esquecem de nós e estão sempre presentes.

E é claro, tenho que agradecer a vcs que estão sempre me acompanhando e incentivando.




Oct 8, 2009

Assinatura de revistas com desconto

O Eduardo está vendendo assinaturas de revistas agora. Não, não resolvemos colocar o menino para trabalhar não. É uma atividade da escola. São mais de 600 revistas, todas com descontos que podem chegar até a 85% do valor da banca! (se é que aqui existisse banca de jornais). Alguns exemplos de revistas: Today's Parents, Canadian Living, Chatelaine, Elle, Marie Claire, People, Sports Illustrated, Rolling Stone, Maclean's, Time, Fortune, Scientific American, National Geographic (esse não vale a pena, tá caro), e a fascinante Horse Illustrated.

E o que estamos ganhando com isso? Sempre é bom deixar as coisas bem claras. Não ganhamos nada. Quem está ganhando é a escola que recebe 10 dólares por cada assinatura. Isso vai ser usado para os gastos gerais da escola durante o ano. Quem tiver interesse é só nos contatar, que mandamos um email com o passo a passo para participar da promoção e ajudar a escola do Eduardo. O site é www. qsp.ca. Lá estão descritos todos os preços e número de revistas (issues). A promoção vai somente até terça da semana que vem. Ah, infelizmente não aceitas assinaturas do Brasil, rs.

PS: post escrito pelo Sergio e surrupiado para o meu blog.

Oct 5, 2009

SickKids

Apesar do susto e todos estes dias de espera e desespero, posso dizer que nossa experiência no Sick Kids foi maravilhosa. Desde o primeiro momento eu comentei com o Sergio (que ficou em casa com as meninas) que o Eduardo estava no Albert Einstein canadense, rs.

O atendimento foi excelente desde o momento em que entrei com o Eduardo na emergência. Todos os funcionários foram super atenciosos o tempo todo, não esperamos mais do que uns 30 minutos pelo atendimento e o Eduardo só foi liberado quando eles estavam certos de que ele não tinha nenhum problema que pudesse ser diagnosticado naquele momento.

Uma coisa que eu gosto muito no sistema de saúde canadense é que eles praticam aqui uma medicina mais preventiva e não aquela medicina preocupada em resolver o problema imediato do paciente para que ele vá para casa o mais rápido possivel (e pare de encher o saco, rs). Aqui, talvez preocupados em não serem processados, existe uma preocupação de cercar o problema por todos os lados. Então, se existe alguma dúvida, eles viram o paciente do avesso para ter certeza de que tudo o que poderia ter sido feito, realmente foi feito.

O hospital em si é simplesmente lindo. Os elevadores panorâmicos e os corredores de vidro ou gradinha proporcionam uma vista linda da parte interna do predio. Vale a pena dar uma olhada.

Tanto a emergência como os quartos em que ficamos são simples, os moveis são antigos mas bem conservados. Todas as alas têm uma sala de brinquedos, uma cozinha com suco, leite e cookies e uma geladeira que pode ser usado pelos pais. No térreo tem uma verdadeira praça de alimentação com várias opções para os pais e acompanhantes e também algumas lojas, farmacia, etc. Eu faria apenas uma ressalva quanto à limpeza porque no primeiro quarto em que ficamos a banheira estava suja, mas de resto, não tenho do que reclamar.

Por ser um hospital ligado à Universidade de Toronto, devemos sempre ter em mente que vamos ser atendidos por muitos residentes. Mas com isso eu já estou mais do que acostumada: o residente vem, faz as perguntas, os testes, conversa, conversa, sai, conversa com o médico responsável e em alguns minutos o médico vem e repete todo o procedimento novamente, rs.

Nesta brincadeira eu repeti a mesma história mais de 10 vezes e já estava pensando em escrever um texto e entregar uma copia pra quem entrasse no quarto. Mas foi ótimo pra treinar o inglês. Saímos do hospital com varias palavras novas para o nosso vocabulário. No final o Edu já respondia todas as questões sem eu precisar traduzir e já fazia os testes sem eles pedirem; decorou o que tinha que fazer.


Tratamento de Homesickness no SickKids

As vezes a gente fica reclamando da vida e se esquece de aproveitar as coisas realmente importantes que temos bem pertinho da gente.

No sábado, saímos de manhã para comprar uns brinquedinhos para as crianças, almoçamos em casa e fomos andar de bicicleta pelo bairro enquanto a chuva não vinha. Com a chegada da chuva o Sergio e o Edu foram jogar xadrez e de repente aquela tarde fria e chuvosa se tornou o início de um enorme pesadelo.

Do nada, o Eduardo começou a reclamar de dor de cabeça, parou de jogar e foi se deitar com as mãos cobrindo os olhos, sem querer conversar, sem querer que tocássemos nele e adormeceu. Eu dei a ele Tylenol e um tempo depois ele se levantou vomitando.

Fiquei desesperada, liguei para uma amiga pedindo uma indicação de hospital e seguindo o conselho dela, levei-o ao Sick Kids e foi a melhor coisa que fiz.

Fomos muito bem tratados e apesar de ser um sábado à noite não esperei mais do que 30 minutos pelo atendimento na emergência. Após explicar o que o Edu teve, eles já tiraram uma amostra de sangue e decidiram fazer uma Tomografia para averiguar se não tinha algum coágulo ou coisa parecida na cabeça dele.

Com todos os resultados negativos (ou positivos porque não tinha nada errado nos resultados!!!) eles começaram procurar qual o motivo de uma dor de cabeça repentina como aquela em uma criança. Resolveram fazer uma punção da medula espinhal (acho que foi o momento mais estressante da minha vida) porque desconfiaram que pudesse ser uma meningite e me avisaram que o Edu teria que ficar 48 horas em observação até que os resultados estivessem prontos.

A punção foi feita na madrugada de sábado para domingo e de manhã cedinho fomos transferidos para um quarto no setor onde as crianças ficam em isolamento por suspeita de doença contagiosa. Preventivamente o Edu já tomou no soro dois antibióticos potentes e um antiviral e continuou no hospital até as 48 horas se completarem aguardando o resultado da cultura do líquor.

Ontem à noite o Sergio foi ficar com ele para que eu pudesse descansar um pouco e ficar com as meninas. Hoje de manhã apesar do resultado negativo da cultura eles ainda seguraram o Edu mais um tempo para ver se o neurologista queria fazer mais algum exame, mas graças a deus não foi necessário e hoje, no final da tarde, o Edu retornou para casa.

Ele está super bem disposto e até disse que gostou de ficar no hospital. Como sofreu uma leve sedação, ele não se lembra da punção, que eu infelizmente não vou conseguir esquecer jamais. Com todos os resultados negativos e todos os testes neurologicos dentro da normalidade, a conclusão a que chegaram é de que ele provavelmente teve uma enxaqueca.

O grau de detalhamento do relatório que me mandaram é uma coisa impressionante. Na descrição do que o Eduardo teve eles escreveram até que a dor começou quando o Edu jogava xadrez com o pai, rs.

Estando alí presa com meu filho, sem poder ver minhas filhas e longe do meu marido, eu tive tempo de sobra para ver que temos que olhar para a frente (como bem me disse a Silvia). A vida é feita de escolhas e temos que escolher o tempo todo, querendo ou não. Infelizmente não podemos ganhar sempre mas podemos aproveitar melhor o que já conquistamos. E eu tenho tudo pra ser muito feliz.

Nestes dois dias sozinha com o Edu, eu aproveitei a presença do meu filho o máximo que pude. E ele com certeza aproveitou a minha sem ter que dividir com ninguém. Vimos vários filmes, jogamos vários jogos e conversamos muito. Devido à suspeita de meningite ele ficou em isolamento, preso dentro do quarto. Ontem ele já pôde andar pelos corredores e conhecer aquele lindo hospital e à tarde, enquanto eu esperava o Sergio para "trocarmos o turno" ficamos jogando aviãozinho pelo quarto. Agora eu estava aqui pensando no mico de ficar feito uma criançinha pelo quarto correndo atrás dos aviões de papel que o Edu jogava, rs.

PS: Não posso deixar de agradecer imensamente à Denise que foi muito solícita e atenciosa e me orientou a procurar o SickKids. Realmente eu não poderia ter tido atendimento melhor. Quero agradecer também aos amigos Ricardo, Cristina, Elaine e Claudio pelo apoio constante e por saber que sempre posso contar com vcs. E aos queridos amigos Renata e Dory que se dividiram cuidando das meninas, da minha casa e nas caronas. Sem vcs o nosso pesadelo teria sido muito pior. Obrigada

Oct 1, 2009

Homesick

Depois de 6 meses de muitas emoções e pouco tempo pra pensar, finalmente a saudade bateu forte esta semana. Mesmo estando muito feliz aqui e ainda mantendo aquele sentimento de "lua de mel" com essas Terras Geladas, esta semana estou meio triste e pensativa. E parece que o Sergio também está meio abatido com as saudades, rs...

Quando vi as imagens do Brazilian Day de Toronto e todas aquelas pessoas loucas de saudades do Brasil, eu tive muita vontade de chorar também e até o Carlinhos Brown (que eu detesto) me pareceu menos antipático naquele momento (já passou e voltei a detestá-lo, rs).


O mais triste no entanto é perceber que esta saudade maluca, este nó na garganta e esta vontade de chorar vão me acompanhar talvez pela vida inteira porque este país do qual eu sinto saudades não existe mais. Mesmo que eu voltasse para lá agora eu não conseguiria ter de volta aqueles momento que têm me feito falta por aqui.


E não foi só o país que mudou; nestes seis meses eu também mudei e não aceito mais viver naquela situação em que eu vivia até bem pouco tempo atrás. Eu não conseguiria mais viver escrava da violência, viver atrás das grades, com medo do que existe e tentando me proteger do imprevisível.


Nestas horas de saudade, nada melhor do que uma comidinha bem brasileira: arroz com cenoura, feijão, uma carninha de porco assada e uma saladinha de tomate com pepino. Todo mundo comeu como se fosse um manjar dos deuses. Espero acordar mais animada amanhã pra curtir o meu sabadão de chuva e frio, rs.

PS: O Rio vai cediar as olimpíadas de 2016 e eu não me animei. Acho que o Brasil tem coisas mais importantes com as quais se preocupar neste momento, mas os brasileiros em geral estão felizes; com o governo e com as Olimpíadas, então, o negócio é comemorar, né?

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!